Perguntas do paciente (3)

  • Um narcisista pode melhorar se não beber álcool e se for acompanhado psicologicamente os surtos de c

    Um narcisista pode melhorar se não beber álcool e se for acompanhado psicologicamente os surtos de ciúmes e agressividade serão minimizados

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leila Patricia Perroni

    Sim, um indivíduo com traços narcisistas **pode apresentar melhora**, mas isso depende de alguns fatores fundamentais. Sob a perspectiva da Psicologia Analítica de Jung e da Psicanálise, é importante diferenciar uma pessoa com traços narcisistas de alguém com um transtorno de personalidade narcisista estruturado, pois o prognóstico pode ser diferente.
    O álcool costuma reduzir o autocontrole, aumentar a impulsividade e favorecer a expressão de conteúdos emocionais pouco elaborados. Em pessoas com traços narcisistas, isso pode intensificar reações de ciúme, irritabilidade, explosões de raiva e comportamentos agressivos. Portanto, a interrupção do consumo de álcool pode, sim, contribuir para diminuir a frequência e a intensidade desses episódios.
    O acompanhamento psicológico consistente também pode favorecer mudanças importantes. Na perspectiva junguiana, o tratamento busca ampliar a consciência sobre a própria sombra — aspectos negados da personalidade, como sentimentos de inferioridade, medo do abandono, vergonha e vulnerabilidade, que frequentemente estão ocultos sob uma postura de grandiosidade ou controle. Quando esses conteúdos são reconhecidos e elaborados, a necessidade de dominar o outro tende a diminuir.

    Pela Psicanálise, o trabalho terapêutico procura compreender os conflitos inconscientes que sustentam o narcisismo, ajudando a desenvolver maior capacidade de tolerar frustrações, reconhecer os próprios afetos, fortalecer a empatia e construir formas mais saudáveis de se relacionar.
    Quanto aos surtos de ciúmes e agressividade, **eles podem ser minimizados**, especialmente quando:
    * há abstinência ou redução significativa do consumo de álcool;
    * existe adesão contínua ao processo psicoterápico;
    * a pessoa reconhece que seu comportamento causa sofrimento e deseja genuinamente mudar;
    * quando necessário, recebe avaliação psiquiátrica para tratar condições associadas, como impulsividade, depressão ou outros transtornos.
    Entretanto, é importante manter uma expectativa realista. A mudança costuma ser gradual e depende da motivação da própria pessoa. Não basta apenas frequentar a terapia ou deixar de beber; é necessário um compromisso profundo com o autoconhecimento e com a transformação dos próprios padrões relacionais.
    Na visão de Jung, ninguém se transforma apenas pela força de vontade. A verdadeira mudança acontece quando o ego deixa de lutar para preservar uma imagem idealizada de si mesmo e aceita confrontar a própria sombra. É nesse encontro, muitas vezes doloroso, que começa o processo de individuação: uma transformação genuína, na qual a necessidade de controlar, possuir ou reagir agressivamente perde espaço para relações mais conscientes, responsáveis e autênticas.


  • Sinto um vazio no peito e parece que fiz algo de errado sem ter feito e é como se alguma coisa vai a

    Sinto um vazio no peito e parece que fiz algo de errado sem ter feito e é como se alguma coisa vai acontecer de mal a qualquer momento. Medo de perder alguém da minha família me deixa muito nervosa aí choro muito já passo com psicóloga e psiquiatra. O que fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leila Patricia Perroni

    Os sintomas que você descreve — um vazio no peito, sensação constante de que fez algo errado, medo intenso de perder pessoas da família, choro frequente e a expectativa de que algo ruim vai acontecer — merecem ser acolhidos com seriedade. É muito positivo que você já esteja em acompanhamento com psicóloga e psiquiatra.

    Além desse acompanhamento, uma **análise junguiana** pode ser um caminho importante para compreender o significado mais profundo dessas vivências. Na Psicologia Analítica, esses sentimentos podem indicar a ativação de complexos inconscientes, especialmente relacionados ao abandono, à culpa ou à insegurança afetiva. Em vez de apenas combater os sintomas, a análise busca compreender de onde eles surgem, quais experiências lhes deram origem e como transformá-los em maior consciência e fortalecimento interior.

    Com tempo e dedicação, é possível compreender esses medos, integrar os conteúdos inconscientes e construir uma relação mais segura consigo mesma e com a vida.


  • Baseado nas informações fornecida de um paciente com transtorno compulsivo sexual,qual tipo de rastr

    Baseado nas informações fornecida de um paciente com transtorno compulsivo sexual,qual tipo de rastreio,testes,linha investigativa um psicanalista deve iniciar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Leila Patricia Perroni

    Na clínica psicanalítica, a compulsão pode ser entendida como um sintoma que revela algo mais profundo. O prazer sexual, em muitos casos, aparece distorcido, acompanhado de culpa, vergonha ou sensação de insatisfação. A necessidade de repetição constante do ato compulsivo pode indicar um conflito psíquico não resolvido, onde o sujeito tenta preencher uma falta, lidar com frustrações ou reafirmar sua identidade. O psicanalista, ao invés de buscar uma solução imediata para conter o comportamento, convida o paciente a refletir sobre o significado do seu desejo e a reconhecer os mecanismos inconscientes que o aprisionam.

    A terapia não tem como objetivo eliminar a sexualidade do indivíduo, mas ajudá-lo a reconstruir sua relação com o prazer e o desejo de forma mais saudável. Em alguns casos, quando a compulsão se torna severa e compromete gravemente a vida do paciente, uma abordagem interdisciplinar pode ser necessária, envolvendo acompanhamento psiquiátrico para controle da impulsividade. No entanto, mesmo nesses casos, a psicanálise mantém seu papel essencial de investigar a subjetividade e oferecer ao sujeito um espaço de compreensão e transformação. O processo analítico não busca apenas conter o sintoma, mas permitir que o paciente ressignifique sua experiência emocional, compreenda seus padrões e desenvolva novas formas de lidar com suas angústias, abrindo caminho para uma vivência mais equilibrada da própria sexualidade.


Perguntas frequentes

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