Perguntas do paciente (24)

  • Qual a relação entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e a crise de identidade?

    Qual a relação entre o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e a crise de identidade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    O Transtorno de Personalidade Borderline tem muito a ver com uma dificuldade de saber quem se é, de ter um sentido de identidade mais firme.
    É como se a pessoa vivesse numa crise constante de si mesma — ora se sente de um jeito, ora de outro, se apega muito a alguém e depois se sente totalmente vazia. Isso está ligado a uma fragilidade no modo de se reconhecer como sujeito.
    Em parte, isso também reflete o nosso tempo: vivemos numa sociedade que cobra que cada um “seja autêntico”, mas não oferece um chão simbólico pra isso. No borderline, essa crise aparece de forma intensa — e o trabalho terapêutico é ajudar a pessoa a construir um sentimento mais estável de si, suportar as mudanças e as perdas sem se desintegrar.


  • A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é capaz de amar uma pessoa ?

    A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é capaz de amar uma pessoa ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Sim, mas o amor, em qualquer um de nós, é atravessado pela história que temos, pelas feridas que carregamos e pelos modos que aprendemos a nos vincular.

    Quem tem uma estrutura psíquica mais marcada pela instabilidade afetiva, pelo medo do abandono e pela intensidade emocional, o amor pode vir junto de muito sofrimento. Há um desejo enorme de se fundir com o outro, de ser completamente amado, e isso pode gerar relações muito intensas, às vezes até caóticas.

    Então sim, a pessoa com TPB é capaz de amar. Só que o amor, pra ela, costuma vir acompanhado de uma luta interna muito grande: entre o desejo de se entregar e o medo de se perder.

    Vale dizer, que com trabalho terapêutico, é possível construir laços mais estáveis, aprender a sustentar o amor de modo menos desesperado e mais confiável.


  • Como as pessoas próximas podem ajudar quem tem TPB e é vítima de bullying?

    Como as pessoas próximas podem ajudar quem tem TPB e é vítima de bullying?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    A pessoa vítima de bullying precisa antes de tudo de acolhimento e escuta, isso qualquer pessoa pode oferecer. Mas alguém com diagnóstico de TPB precisa de acompanhamento profissional.
    O gesto de acolher pode ser deixar a pessoa falar do que sente, sem tentar corrigir ou minimizar o sofrimento relatado. Para pessoas com personalidade bordeline, que tendem a temer o abandono, pode ser bem importante mostrar que você está ali de forma constante.
    Às vezes, é mais sobre estar disponível, mandar uma mensagem, estar perto, do que grandes discursos.
    E lembre-se: você não precisa ter todas as respostas nem resolver tudo. O papel de quem está próximo é ser apoio, oferecer segurança, estimular que ela continue no tratamento e, principalmente, mostrar que não está sozinha.


  • Quais transtornos psicológicos podem resultar do bullying?

    Quais transtornos psicológicos podem resultar do bullying?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    O bullying não é apenas uma questão individual que gera transtornos psicológicos. Ele é um sintoma de uma cultura que normaliza a violência e a exclusão. A criança ou adolescente que sofre bullying pode, sim, desenvolver quadros de ansiedade, depressão, fobia social, transtorno de estresse pós-traumático e até ideação suicida.
    Mas para além da lista de diagnósticos, o sofrimento que surge no sujeito não é algo isolado, é um produto das relações. Uma criança não acorda com fobia social do nada: ela foi ensinada, pela hostilidade dos colegas e pela omissão dos adultos, que o mundo não é seguro.


  • Qual é o Caminho para um Comportamento Menos Impulsivo ? .

    Qual é o Caminho para um Comportamento Menos Impulsivo ? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Quando você age por impulso, não é porque “falta força de vontade”. O que acontece é que a emoção chega tão intensa que parece impossível suportar. Então, o corpo encontra uma saída rápida: agir.
    O caminho para ser menos impulsivo não passa por se reprimir, mas por aprender a reconhecer o que está acontecendo dentro de você antes de agir. Isso exige treino e, sobretudo, espaço para pensar sobre os sentimentos.
    Na análise, a gente trabalha justamente para construir esse intervalo entre sentir e agir. É nesse espaço que você pode escolher, em vez de ser levado pelo impulso. Com o tempo, quando você consegue colocar em palavras o que sente, a urgência de descarregar em ato vai diminuindo.
    Ou seja: não se trata de “segurar-se à força”, mas de ir elaborando, pouco a pouco, aquilo que hoje só parece encontrar saída no gesto.


  • A impulsividade pode estar associada a transtornos mentais e comportamentais ?

    A impulsividade pode estar associada a transtornos mentais e comportamentais ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Sim. Vale dizer que a impulsividade não é um transtorno em si, mas um sintoma.
    Está frequentemente associada a quadros como TDAH, transtorno bipolar, transtornos de personalidade, adições e estados fronteiriços. Em todos eles, a dificuldade em conter e simbolizar os impulsos leva a agir sem reflexão, o que gera sofrimento e prejuízos.


  • Quais são os sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) que se relacionam com a impuls

    Quais são os sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) que se relacionam com a impulsividade ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Quando a gente fala de impulsividade no Transtorno de Personalidade Borderline, não é simplesmente “agir sem pensar”. É viver um turbilhão de afetos que chegam tão fortes e de repente que o corpo precisa se mover antes mesmo da cabeça conseguir organizar.

    Essa impulsividade se mostra em diferentes sintomas: em comportamentos de risco (como gastar demais, dirigir de forma imprudente, usar substâncias, comer compulsivamente), em explosões de raiva, em decisões súbitas e drásticas nas relações, que podem ir da idealização ao rompimento em questão de minutos.
    É como se a dor fosse grande demais para ficar dentro, e aí ela escapa em forma de ato.
    Não é falta de caráter, nem falta de vontade de controlar. É uma tentativa — às vezes desesperada — de dar conta de uma emoção que parece insuportável.

    A impulsividade, no Borderline, é quase um grito do corpo dizendo: “não sei o que fazer com isso que sinto”.


  • O que fazer para lidar com comportamentos que dificultam a vida?

    O que fazer para lidar com comportamentos que dificultam a vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Esses comportamentos que atrapalham sua vida não estão aí por acaso. Muitas vezes, eles são sinais de conflitos que você carrega dentro de si, mesmo sem perceber. Em vez de apenas tentar se livrar deles à força, o que precisamos é entender o que eles querem dizer sobre você.
    Um caminho possível é fazer psicoterapia psicanalítica ou análise pessoal. Ali você poderá falar livremente, e pouco a pouco o que está escondido no seu inconsciente vai se revelar. Quando conseguimos trazer isso para a consciência, você ganha mais liberdade para escolher como agir, em vez de ficar preso a repetições que lhe fazem mal.


  • Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a autoimagem?

    Como o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) afeta a autoimagem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    O Transtorno de Personalidade Borderline pode bagunçar muito a forma como a pessoa se enxerga. Não é só uma questão de “baixa autoestima” ou de não gostar do corpo, é mais fundo que isso. A pessoa com borderline tem dificuldade de saber quem é de verdade.
    Num momento, ela pode se sentir boa, importante, merecedora de amor. No minuto seguinte, já se vê como alguém péssimo, sem valor, sem merecer nada. Essa oscilação constante faz com que seja difícil ter uma imagem firme de si mesma.


  • É verdade que vivência de traumas pode ser um gatilho importante para o desenvolvimento do Transtorn

    É verdade que vivência de traumas pode ser um gatilho importante para o desenvolvimento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) de uma pessoa ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Sim, experiências traumáticas, especialmente aquelas vividas na infância, como abuso físico, emocional ou negligência severa, podem ser gatilhos importantes para o desenvolvimento do Transtorno de Personalidade Borderline.
    No entanto, é importante compreender que não é apenas o trauma em si, mas a maneira como ele interfere no desenvolvimento das estruturas internas de personalidade — na integração de uma imagem coerente de si mesmo e dos outros. Quando o trauma ocorre em um ambiente familiar marcado por vínculos instáveis e contraditórios, isso pode dificultar o amadurecimento da capacidade de regular emoções, de manter relações estáveis e de diferenciar amor e ódio.


  • É normal algumas pessoas idosas terem explosões de Raiva sem ter motivo algum???

    É normal algumas pessoas idosas terem explosões de Raiva sem ter motivo algum???

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Sim, não é raro que isso aconteceça, e pode ser que haja um motivo pouco evitente (inconsciente) por trás desses comportamentos.
    Na velhice, o corpo e o cérebro passam por mudanças que podem deixar a pessoa com menos paciência e mais dificuldade para controlar impulsos. Além disso, o idoso pode estar lidando com diversos lutos: perdas de pessoas, limitações físicas, perda de lugar na sociedade etc. Nesses momentos, a sensação de solidão ou lembranças difíceis, podem vir à tona na forma de irritação ou explosões de raiva.

    Para quem convive, é importante entender que essa raiva não é só “má vontade” — muitas vezes, é uma forma de expressar desconfortos que ele não sabe ou não consegue colocar em palavras. Nessas horas, ajuda mais acolher, ouvir e tentar identificar o que pode estar por trás, do que entrar em confronto.
    Pode ser difícil para pessoas próximas, atravessadas de afetos envolvendo o idoso, conseguir manejar essas situações adequadamente. Por isso, muitas vezes é recomendado um acompanhamento profissional.


  • Quais são os sintomas da hipervigilância somática?

    Quais são os sintomas da hipervigilância somática?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Quando falamos de hipervigilância somática, estamos nos referindo a um estado em que a atenção para o próprio corpo fica excessivamente aumentada.
    É como se você tivesse um “radar interno” sempre ligado, procurando qualquer sinal de desconforto, dor ou mudança física — mesmo as mais sutis.

    Os sintomas mais comuns que você pode perceber em si são:
    - Atenção constante ao corpo;
    - Interpretação ansiosa dessas sensações;
    - Aumento da tensão física;
    - Cansaço mental;
    - Dificuldade de relaxar.
    Na psicanálise, entendemos que essa vigilância exagerada não é só física — ela também pode estar ligada a ansiedades mais profundas, muitas vezes inconscientes. O corpo acaba se tornando o “lugar” onde a mente expressa essas preocupações. Nosso trabalho, juntos, seria entender de onde vem esse estado de alerta, para que você possa sentir mais confiança no próprio corpo e descansar dessa constante vigilância.


  • Tenho 18 anos e me sinto perdida, alguns de meus amigos já estão na faculdade fazem cursinhos, me si

    Tenho 18 anos e me sinto perdida, alguns de meus amigos já estão na faculdade fazem cursinhos, me sinto mal porque não sinto a mesma motivação que eles. Eu tranquei uma faculdade quando comecei a fazer e senti que perdi o rumo desde então. Sou uma pessoa ambiciosa e gosto de pagar pelas minhas próprias coisas, apenas saí porque não queria que meus pais gastassem dinheiro. Mas, eles ficam me falando que o tempo está passando e que isso irá piorar as coisas. Estou fazendo algo de errado? Eu só queria uma opinião profissional para saber se isso é normal

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Embora cada pessoa tenha seu tempo, a vida vai sugerindo alguns prazos a serem cumpridos e expectativas vão sendo criadas sobre as pessoas.
    É importante conseguir perceber o que é uma expectativa interna sobre si mesma e o que é externo, que vem dos outros.
    Conhecer melhor a si mesmo e separar o que é seu e o que é do outro é algo essencial para ter qualidade de vida, porém não é simples.
    Se está fazendo algo certo ou errado, é uma resposta a ser construída internamente por você.
    Acredito que você se beneficiaria muito de uma psicoterapia.


  • tenho timidez e ansiedade.devo procurar um psicologo?.

    tenho timidez e ansiedade.devo procurar um psicologo?.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Caso essa sua timidez e ansiedade estejam interferindo significativamente na sua qualidade de vida, a psicoterapia poderia contribuir para que você se sentisse melhor consigo mesma


  • Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa me

    Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa mesmo? Pelo o que ela pode ser causada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    A ansiedade não precisa de um “motivo” evidente. Ela é a condição humana. Somos os únicos animais capazes de imaginar o futuro — e, justamente por isso, passamos boa parte da vida temendo o que ainda nem aconteceu.
    Não, não é um defeito. É o preço de ter consciência. Alguns de nós sentem mais intensamente, outros menos. Mas todos carregamos essa inquietação diante do tempo e da incerteza.
    As causas podem ser várias: experiências precoces de insegurança, expectativas excessivas, pressões sociais, ou simplesmente a dificuldade de aceitar que não controlamos a vida.
    A ansiedade, nesse sentido, é menos uma doença e mais um sintoma do nosso desamparo — o preço que pagamos por sermos capazes de imaginar, desejar e esperar.


  • A depressão pode afetar o raciocínio (a capacidade de pensar com clareza nas coisas)?

    A depressão pode afetar o raciocínio (a capacidade de pensar com clareza nas coisas)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Sim, a depressão pode afetar a capacidade de raciocinar com clareza. A mente, quando está atravessada por um sofrimento intenso como a depressão, se torna menos disponível para outras funções, como a concentração, a tomada de decisões, o planejamento.
    Vale dizer que o raciocínio não está perdido, ele está temporariamente em segundo plano, porque há algo mais urgente pedindo atenção. E o trabalho terapêutico é justamente o espaço para escutar isso que, através dos sintomas depressivos, está tentando se dizer, ser comunicado, pedindo por cuidado.


  • Autoestima baixa pode estar relacionada com depressão?

    Autoestima baixa pode estar relacionada com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Sim. Uma baixa autoestima é um aspecto frequentemente observado em pessoas depressivas.
    No entanto, nem toda pessoa com baixa autoestima irá desenvolver uma depressão.


  • Qual é o tipo de psicólogo que devo procurar para tratar o desânimo o choro e a falta de vontade faz

    Qual é o tipo de psicólogo que devo procurar para tratar o desânimo o choro e a falta de vontade fazer nada ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Mais do que procurar um “tipo” de psicólogo específico, o importante é encontrar alguém que saiba escutar de verdade o que está por trás disso. Pode ser um psicólogo que trabalhe com psicanálise, por exemplo, porque essa abordagem não vai tentar retirar seus sintomas rapidamente, mas entender o que eles estão dizendo sobre você, sobre sua história, suas relações, seus desejos.
    O que você sente tem um sentido, mesmo que agora pareça só dor; e a terapia é esse espaço pra descobrir de onde vem esse desânimo e o que ele quer te mostrar.


  • Seria proveitoso para uma pessoa de 75 anos de idade iniciar psicoterapia?

    Seria proveitoso para uma pessoa de 75 anos de idade iniciar psicoterapia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Pessoas de qualquer idade se beneficiam com psicoterapia.
    O requisito mais importante é o interesse em iniciar o processo.
    Vale dizer que algumas pessoas procuram pela primeira vez psicoterapia com a idade mais avançada porque se torna o primeiro momento em que sentem que podem se dedicar mais a si mesmas.


  • Qual tipo de psicologo devo procurar para tratar timidez , insegurança.?

    Qual tipo de psicologo devo procurar para tratar timidez , insegurança.?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Liesly Soares Prado Silva

    Muitas abordagens de psicoterapia poderão contribuiur com sua questão.
    O que pode ser mais relevante na escolha do(a) profissional é a afinidade e vinculação com o(a) mesmo(a). Faça um primeiro atendimento com os profissionais que você elencar como os mais adequados e observe como se sentirá nesse primeiro contato.
    Um trabalho bem sucedido tem muita relação com um bom vínculo terapêutico.


Perguntas frequentes

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