Perguntas do paciente (19)

  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    É muito positivo que vocês estejam buscando terapia não necessariamente porque o relacionamento esteja em crise, mas porque desejam compreender melhor a dinâmica de vocês e lidar com dúvidas e dilemas de forma saudável.

    Um relacionamento aberto, por si só, não é um problema a ser corrigido. O mais importante é que exista consentimento, comunicação, acordos claros e respeito aos limites de todas as pessoas envolvidas. Portanto, um terapeuta não deveria partir do pressuposto de que a monogamia é o único modelo saudável de relacionamento.

    Porém, a formação e a experiência dos profissionais podem variar bastante. Por isso, eu recomendaria procurar alguém que tenha experiência com não monogamias consensuais, relacionamentos abertos ou outras configurações relacionais. Isso não significa necessariamente que vocês precisem encontrar um profissional exclusivamente especializado nesse nicho, mas ter familiaridade com o tema pode facilitar bastante o processo.

    Antes de marcar a consulta, vocês podem perguntar diretamente: “Você tem experiência atendendo casais em relacionamentos abertos ou não monogâmicos?” e observar se a resposta demonstra acolhimento e ausência de julgamentos.

    Um bom terapeuta de casal não deve ter como objetivo fazer vocês se tornarem monogâmicos, mas ajudá-los a compreender ciúmes, inseguranças, comunicação, limites, acordos, necessidades individuais e conflitos, de acordo com o modelo de relacionamento que vocês escolheram.

    Portanto, se vocês já sabem que essa dinâmica funciona para ambos, não há necessidade de abrir mão dela para fazer terapia. O ideal é encontrar um profissional que consiga trabalhar com os valores e acordos do casal, sem tentar encaixá-los em um modelo previamente definido.


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos? Crenças da baixa autoestima como: "eu sou feio", "ninguém vai me amar e me achar atraente". Crenças da depressão como: "Sou inútil", "ninguém gosta de mim", "não sou bom o suficiente", "todos são melhores do que eu". E crenças e pensamentos da ansiedade social como: "Estão me julgando", "Eu tenho que agradar todo mundo", "se me criticarem, significa que sou ruim".

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), baixa autoestima, depressão e ansiedade social podem ser trabalhadas ao mesmo tempo, porque muitas vezes compartilham uma mesma base de crenças centrais negativas sobre si mesmo.
    Em vez de tratar cada pensamento isoladamente, a TCC procura entender o ciclo que conecta tudo.
    Exemplo de uma possível crença central:
    “Eu não sou bom o suficiente / Eu não tenho valor.”
    Essa crença pode aparecer de maneiras diferentes: Baixa autoestima: “Eu sou feio”, “ninguém vai me achar atraente”.
    Depressão: “Sou inútil”, “todos são melhores do que eu”.
    Ansiedade social: “Estão me julgando”, “se me criticarem, significa que sou ruim”.
    Ou seja, os pensamentos parecem diferentes, mas podem estar protegendo ou confirmando a mesma crença profunda.


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), baixa autoestima, depressão e ansiedade social podem ser trabalhadas ao mesmo tempo, porque muitas vezes compartilham uma mesma base de crenças centrais negativas sobre si mesmo.
    Em vez de tratar cada pensamento isoladamente, a TCC procura entender o ciclo que conecta tudo.
    Exemplo de uma possível crença central, “Eu não sou bom o suficiente / Eu não tenho valor.”
    Essa crença pode aparecer de maneiras diferentes:
    Baixa autoestima: “Eu sou feio”, “ninguém vai me achar atraente”. Depressão: “Sou inútil”, “todos são melhores do que eu”. Ansiedade social: “Estão me julgando”, “se me criticarem, significa que sou ruim”.
    Ou seja, os pensamentos parecem diferentes, mas podem estar protegendo ou confirmando a mesma crença profunda.


  • Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas cris

    Como lidar com país narcisistas que ficam fazendo um jogo psicológico pesado baseado nas minhas crises psicóticas (esquizofrenia em questionamento)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Entendo como essa situação pode ser muito difícil e angustiante. Quando uma pessoa está vivenciando crises psicóticas ou investigando um possível diagnóstico, é importante que suas experiências não sejam automaticamente invalidadas ou utilizadas contra ela.
    Pode ser importante observar como essas relações afetam você e quais comportamentos estão acontecendo. Manipulações, provocações, invalidação constante ou o uso de questões relacionadas à saúde mental para desqualificar tudo o que você sente podem causar muito sofrimento.
    A psicoterapia pode ajudar a compreender melhor essas dinâmicas, fortalecer limites e desenvolver estratégias para lidar com essas situações de forma mais segura. Além disso, caso esteja em acompanhamento psiquiátrico, é importante conversar com o profissional sobre as situações que vêm acontecendo, para que ele possa ajudar a diferenciar possíveis sintomas das experiências reais de conflito e sofrimento.
    Você não precisa enfrentar isso sozinho(a). Buscar uma rede de apoio e um acompanhamento profissional pode ser um passo importante para recuperar maior segurança e autonomia emocional.


  • Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e c

    Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) trabalha a depressão de forma estruturada, considerando a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Quando há anedonia, falta de motivação e energia, é comum que a pessoa entre em um ciclo de “não tenho energia → não faço nada → deixo de ter experiências positivas → sinto-me ainda pior → tenho menos motivação”.
    Nesses casos, a TCC pode utilizar a ativação comportamental, ajudando a pessoa a retomar gradualmente atividades importantes e prazerosas, mesmo antes de a motivação aparecer. As atividades são planejadas de maneira realista, respeitando o nível de energia e funcionamento atual.
    Paralelamente, são identificados e avaliados os pensamentos automáticos e as crenças disfuncionais. Por exemplo, uma crença central como “sou incapaz” pode gerar uma crença intermediária como “se eu não fizer tudo perfeitamente, significa que fracassei”, levando a pensamentos como “não adianta tentar”. A terapia busca questionar essas interpretações, avaliar evidências e construir formas de pensar mais equilibradas e funcionais.
    Com a evolução do tratamento, o objetivo não é simplesmente “pensar positivo”, mas desenvolver uma percepção mais realista de si, aumentar gradualmente o repertório de comportamentos e experiências positivas e recuperar autonomia e qualidade de vida.
    Em quadros de depressão mais intensos, também é importante avaliar a necessidade de acompanhamento psiquiátrico em conjunto com a psicoterapia. A TCC é individualizada, portanto o tratamento e o ritmo das intervenções dependerão da história e das necessidades de cada pessoa.


  • Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi

    Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Primeiro, seus sentimentos não fazem de você uma pessoa ruim ou uma mãe que não ama o bebê. Uma gravidez pode despertar medo, ambivalência, tristeza e até a sensação de perda da própria identidade, especialmente quando acontece em um momento em que você sente que ainda estava começando a construir sua vida.

    Na TCC, podemos trabalhar justamente a diferença entre pensamentos, sentimentos e fatos. Por exemplo, o pensamento “ele será amado e eu não” pode estar expressando um medo mais profundo, como “minha vida deixará de ser minha”, “não terei espaço para mim” ou “não vou conseguir construir a vida que gostaria”. Esses pensamentos podem ser investigados e questionados em terapia, sem simplesmente tentar substituí-los por pensamentos positivos.

    Também é importante olhar para a ideia de que “não ter planos atualmente” significa que você não terá uma vida própria. Talvez você esteja em uma fase de transição e ainda não tenha descoberto quais experiências, relações, projetos e objetivos deseja construir. Isso não significa que essa possibilidade desapareceu por causa da maternidade.

    A terapia pode ajudar a reconstruir essa perspectiva, trabalhando autonomia, identidade, autoestima, planejamento de vida e habilidades sociais, além de acolher a ambivalência em relação à gravidez. Pequenos objetivos pessoais podem ser um começo: algo que você queira aprender, lugares que gostaria de conhecer, relações que gostaria de construir ou atividades que façam você se sentir novamente como você.

    E você não precisa escolher entre ser mãe e ter uma vida própria. O nascimento de um filho realmente traz mudanças e responsabilidades, mas isso não significa que sua identidade, seus desejos e seus projetos precisem desaparecer.

    Como você relata estar se sentindo desesperada e muito afetada psicologicamente, seria importante buscar acompanhamento psicológico e, se necessário, também médico durante a gestação. Você merece ter espaço para falar sobre tudo isso sem ser julgada.


  • Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou

    Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou 100mg de sertralina, mas não resolveu. Faz 3 anos que eu não vou a escola por conta dessa ansiedade. Tenho medo do julgamento, medo do que os outros estão pensando, medo de ser rejeitado, criticado, medo de desagradar alguém, autoestima baixa. Quando alguém me chama para sair, ir em algum evento, festas ou um jogo de futebol, eu nunca vou por conta dessa ansiedade. Já passei por 2 psicólogas da TCC, mas eu parei de fazer terapia porque eu achei que não estava resolvendo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    A ansiedade social pode ser bastante incapacitante, especialmente quando leva à evitação de situações importantes, como escola, eventos e encontros com outras pessoas. Pelo que você relata, parece que a ansiedade acabou restringindo bastante sua vida.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o tratamento não se resume a conversar sobre os medos. Um dos principais focos é compreender o ciclo entre pensamentos, ansiedade e evitação. Por exemplo: “vão me julgar” → ansiedade → evito ir à escola ou ao evento → sinto alívio naquele momento → meu cérebro aprende que evitar me protege → o medo se mantém ou aumenta.
    Por isso, a exposição gradual costuma ser uma parte importante do tratamento. Ela não significa simplesmente “se jogar” em uma festa ou voltar para a escola de uma vez. O terapeuta pode construir, junto com você, uma hierarquia de situações temidas e trabalhar progressivamente cada uma delas, respeitando seu momento.
    Também são trabalhados pensamentos como “todos estão reparando em mim”, “se alguém me criticar significa que sou ruim” ou “preciso agradar todo mundo”, além de crenças mais profundas relacionadas à autoestima e à rejeição.
    Sobre a sertralina: o fato de 100 mg não ter resolvido seus sintomas não significa que você não tenha tratamento ou que a terapia não possa funcionar. A resposta aos medicamentos varia entre as pessoas, e ajustes de dose, tempo, troca de medicação ou outras estratégias podem ser considerados pelo psiquiatra. Não altere ou suspenda a medicação por conta própria; converse com ele sobre a resposta que você teve.
    E uma coisa importante: ter interrompido duas terapias porque você não percebeu melhora não significa que a TCC não possa funcionar para você. Pode ser importante conversar com um novo profissional sobre o que foi feito nas terapias anteriores, quanto de exposição foi realizada, quais eram os objetivos e o que você sentiu que não estava funcionando. Isso pode ajudar a construir um tratamento mais direcionado às suas dificuldades atuais.
    Considerando que você está há três anos sem frequentar a escola, eu procuraria um profissional, para que o tratamento seja estruturado em torno da retomada gradual da sua vida, e não apenas da redução da ansiedade.


  • A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediá

    A TCC e o psicólogo ensina o paciente a mudar as suas próprias crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais sozinho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Na TCC, o psicólogo não “muda” as crenças do paciente por ele. O terapeuta atua como um facilitador, ajudando a pessoa a identificar, compreender e questionar suas crenças centrais e intermediárias, além de construir novas formas de interpretar a si mesma, os outros e as situações.
    Por exemplo, uma crença central como “sou incapaz” pode estar associada a uma crença intermediária como “se eu cometer um erro, as pessoas vão perceber que não sou bom o suficiente”. A partir disso, podem surgir pensamentos automáticos como “vou passar vergonha” ou “é melhor nem tentar”.
    Na terapia, essas crenças são investigadas por meio de perguntas socráticas, análise de evidências, registros, experimentos comportamentais e outras técnicas. O paciente aprende gradualmente a fazer esse processo também fora das sessões.
    Portanto, sim, a autonomia é uma parte importante da TCC. No início, o terapeuta oferece mais estrutura e orientação; com o desenvolvimento das habilidades, o paciente passa a reconhecer seus padrões e avaliá-los de maneira mais independente.
    Porém, isso não significa que a pessoa precise conseguir modificar crenças profundas completamente sozinha. Crenças centrais costumam ser mais rígidas e podem exigir um processo terapêutico, especialmente quando estão relacionadas a experiências de longa duração, depressão, ansiedade ou baixa autoestima.
    O objetivo final é que o paciente não apenas “pense diferente”, mas desenvolva ferramentas para continuar avaliando e modificando seus padrões de pensamento e comportamento ao longo da vida.


  • Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessid

    Como a TCC trabalha o medo do julgamento, medo de ser criticado, medo de ser rejeitado, e a necessidade de agradar a todos, crenças como: "eu tenho que agradar todo mundo", "se eu não agradar todo mundo, ninguém vai gostar de mim". Esses medos e essas crenças estão me atrapalhando muito na minha vida pessoal e nos esportes também

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    A TCC trabalha essas questões de forma integrada, não apenas tentando “eliminar” o medo.
    Primeiro, o terapeuta ajuda a identificar o ciclo que mantém o problema. Por exemplo:
    “Preciso agradar todo mundo” → medo de desagradar → preocupação excessiva com o que os outros pensam → evitação ou tentativa de agradar → alívio momentâneo → reforço da crença de que preciso agradar para ser aceito.
    Na terapia, pensamentos como “se eu não agradar todo mundo, ninguém vai gostar de mim” são investigados. Algumas perguntas poderiam ser: Qual é a evidência de que preciso agradar a todos? É possível que alguém não goste de mim sem que isso signifique que há algo errado comigo? O que eu penso sobre uma pessoa que comete um erro ou recebe uma crítica?
    Também podem existir crenças intermediárias e centrais, como “preciso ser aprovado para ter valor”, “ser criticado significa que sou inadequado” ou “se alguém me rejeitar, não vou conseguir lidar com isso”. Essas crenças são trabalhadas gradualmente por meio de técnicas cognitivas e comportamentais.
    Um componente especialmente importante é a exposição gradual. Em vez de evitar situações que provocam medo, você pode construir, junto com o terapeuta, uma hierarquia de situações e enfrentá-las progressivamente. No seu caso, isso pode incluir situações relacionadas tanto à vida pessoal quanto aos esportes: expressar uma opinião, aceitar que alguém discorde, cometer um erro durante uma atividade, receber uma crítica ou participar de uma situação sem tentar controlar a impressão que os outros terão de você.
    A terapia também pode trabalhar a assertividade, ajudando você a aprender que dizer “não”, discordar, cometer erros ou não agradar alguém não significa ser uma pessoa ruim ou perder o valor.
    O objetivo não é chegar ao ponto de “ninguém pode me julgar e ninguém pode me rejeitar” — isso não é possível. O objetivo é desenvolver a capacidade de pensar: “Posso ser criticado ou rejeitado e, ainda assim, continuar tendo valor e conseguir lidar com isso.”
    Como você percebe que isso já está interferindo na sua vida pessoal e nos esportes, pode ser interessante procurar um psicólogo com experiência em TCC, trabalhando especificamente exposição, crenças relacionadas à aprovação e habilidades de enfrentamento.


  • bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu re

    bom sou canhota e tem muita dificuldade em fazer o teste palograficos retos , em todos teste eu reprovo , o que posso fazer para melhorar.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Ser canhota, por si só, não significa que você tenha um problema ou que necessariamente será reprovada no Palográfico. A execução de traços repetitivos pode ser mais desconfortável para algumas pessoas canhotas, especialmente dependendo da posição do papel, da postura e da forma de segurar o instrumento.
    Se você percebe uma dificuldade motora real, pode ajudar praticar atividades que trabalhem coordenação motora fina, controle do movimento e regularidade dos traços, sem tentar reproduzir um resultado específico do teste. Também vale observar postura, apoio do braço e posição do papel de uma maneira que seja confortável para você.
    Se a dificuldade acontece especificamente durante avaliações psicológicas, converse com o psicólogo responsável e informe que você é canhota e que tem dificuldade com esse tipo de tarefa. A avaliação psicológica não deveria ser reduzida ao desempenho em um único teste, e a interpretação deve considerar o conjunto da avaliação e as condições em que ela foi realizada.
    Se você está sendo reprovada repetidamente em processos seletivos, também pode ser interessante perguntar ao profissional responsável qual foi exatamente o motivo da inaptidão e se existe possibilidade de recurso ou entrevista devolutiva, quando o processo oferecer essa possibilidade.


  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Pelo que você descreve, ter pensamentos sobre como uma pessoa do passado vai enxergá-la não significa que você esteja traindo seu parceiro. Pensamentos, preocupações e até uma vontade momentânea de causar uma boa impressão são diferentes de uma decisão consciente de buscar uma relação ou ultrapassar os limites estabelecidos no relacionamento.
    O ponto que chama atenção no seu relato é o sofrimento e a culpa associados a esses pensamentos. Pode existir uma preocupação excessiva com a avaliação dos outros, relacionada à autoestima ou à ansiedade social. Por exemplo: “preciso parecer bonita e mostrar que estou bem” pode estar ligado a uma necessidade de aprovação ou à crença de que o valor pessoal depende da forma como os outros nos enxergam.
    Também é possível que pensamentos indesejados e a necessidade de obter certeza — “será que isso foi traição?”, “será que eu realmente quis chamar atenção?” — apareçam em quadros de ansiedade ou, em alguns casos, estejam relacionados a sintomas obsessivos. Mas não é possível determinar pela descrição se existe TOC, e ter um pensamento ou sentir culpa não significa que você tenha esse transtorno.
    Na TCC, seria possível trabalhar justamente essa diferença entre pensamento, intenção, comportamento e valor pessoal. Em vez de tentar eliminar todos os pensamentos ou obter certeza absoluta de que eles “não significam nada”, o tratamento pode ajudar a tolerar a incerteza e reduzir a necessidade de analisar repetidamente suas próprias atitudes.
    Também pode ser útil refletir sobre quais são os limites que você e seu parceiro estabeleceram para o relacionamento. Se você não está buscando contato íntimo, flerte ou uma relação com essas pessoas, o simples fato de querer parecer bem ou se preocupar com a impressão que alguém terá de você não precisa ser interpretado automaticamente como uma traição.
    Se essa culpa estiver ocupando muito espaço, fazendo você revisar mentalmente situações, buscar garantias ou evitar pessoas e situações para não sentir que está “fazendo algo errado”, vale procurar um psicólogo, preferencialmente com experiência em TCC e, se houver suspeita de sintomas obsessivos, tratamento baseado em exposição e prevenção de resposta (EPR).


  • como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    como se livrar do vicio em pornografia teleguiada?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    É possível trabalhar esse tipo de comportamento em psicoterapia, especialmente quando o consumo de pornografia está causando sofrimento, prejuízos nos relacionamentos, no trabalho/estudos ou sensação de perda de controle.
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o primeiro passo costuma ser compreender o ciclo que mantém o comportamento: gatilho → pensamentos e emoções → vontade/urgência → consumo → alívio momentâneo → culpa ou sofrimento → repetição do ciclo.
    O tratamento pode envolver identificar gatilhos, modificar hábitos e ambientes que favorecem o comportamento, desenvolver estratégias para lidar com a vontade sem agir automaticamente e trabalhar pensamentos e emoções que estejam associados ao consumo, como solidão, ansiedade, tédio, estresse ou baixa autoestima.
    Se você já tentou parar sozinho e não conseguiu, isso não significa falta de força de vontade. A psicoterapia pode ajudar a entender por que esse comportamento se tornou tão reforçador e desenvolver alternativas mais saudáveis para lidar com as necessidades que ele está tentando atender.


  • Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2

    Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.

    Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Não existe uma idade mínima para conversar com uma criança sobre a morte. Aos 3 anos, ela já pode receber uma explicação simples e adequada à sua capacidade de compreensão. O mais importante é adaptar a linguagem à idade e não oferecer mais informações do que ela consegue elaborar naquele momento.
    No caso que você descreve, há uma particularidade importante: a criança não chegou a conhecer o pai biológico, enquanto o padrasto está presente como figura paterna desde os 2 anos. Portanto, não é necessário falar sobre a morte como se ela estivesse vivenciando a perda de alguém com quem tinha um vínculo estabelecido. O objetivo pode ser, inicialmente, ajudá-la a conhecer sua própria história de forma verdadeira e segura.
    Aos 3 anos, a conversa pode ser bastante simples, por exemplo: “Você tinha um papai chamado ____. Ele morreu antes de você poder conhecê-lo. Quando uma pessoa morre, o corpo para de funcionar e ela não pode voltar.” É importante evitar expressões como “ele foi dormir” ou “foi viajar”, pois crianças pequenas podem interpretá-las literalmente.
    Também não é necessário fazer uma conversa única e definitiva. A criança provavelmente irá compreender essa informação de maneiras diferentes conforme crescer e poderá fazer novas perguntas aos 4, 5, 6 anos ou mais. Essas oportunidades podem ser utilizadas para ampliar a explicação gradualmente.
    Em relação ao padrasto, é possível preservar o vínculo afetivo que já existe sem colocá-lo como um “substituto” do pai biológico. A criança pode reconhecer a história do pai que não conheceu e, ao mesmo tempo, ter no padrasto uma importante figura de cuidado, afeto e segurança.
    Portanto, eu não esperaria uma idade específica para “contar tudo”. Aos 3 anos, já é possível começar a construir essa narrativa de maneira simples, verdadeira e acolhedora, principalmente se a criança demonstrar curiosidade. O mais importante é acompanhar o ritmo dela, responder às perguntas com honestidade e permitir que esse assunto seja retomado ao longo do desenvolvimento.


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    O que você está descrevendo não significa necessariamente que deixou de amar seu namorado. Em relacionamentos de longa duração, é comum que a intensidade e a “euforia” do início diminuam. O vínculo pode passar de uma fase mais marcada por novidade e entusiasmo para uma relação em que predominam intimidade, companheirismo, segurança e afeto.

    Na TCC, podemos trabalhar justamente essa diferença entre sentir, pensar e interpretar o que estamos sentindo. Por exemplo, o pensamento “não sinto mais aquela animação, então talvez não o ame mais” transforma uma mudança emocional em uma conclusão. Mas a ausência da mesma intensidade do início não é, por si só, uma prova de ausência de amor.

    Também seria importante observar se existe um ciclo de ansiedade e busca por certeza. Quanto mais você tenta descobrir imediatamente “eu amo ou não amo?”, mais pode monitorar seus sentimentos, comparar o que sente hoje com o que sentia no início e procurar uma sensação específica de “certeza”. Esse monitoramento pode, paradoxalmente, aumentar a dúvida e dificultar que você simplesmente vivencie a relação.

    O fato de você dizer que gosta de conversar com ele, sente-se confortável ao lado dele, reconhece o cuidado que recebe e não se sente presa ou desconfortável na relação são elementos que também merecem ser considerados, assim como eventuais aspectos que estejam causando distanciamento.

    Em terapia, seria possível explorar perguntas como: O que mudou concretamente entre vocês? Como vocês têm vivido a rotina? Existem necessidades emocionais que não estão sendo atendidas? Como estão a intimidade, admiração, carinho e comunicação? A perda de entusiasmo acontece apenas com ele ou também em outras áreas da sua vida?

    Também é possível trabalhar a reconstrução da conexão por meio de comportamentos, e não tentando obrigar um sentimento a aparecer. Retomar momentos de qualidade, novidades compartilhadas, demonstrações de afeto, intimidade e conversas significativas pode criar condições para que a conexão seja fortalecida novamente.

    E talvez seja importante trocar a pergunta “Eu sinto exatamente o mesmo amor de antes?” por “Que tipo de relação quero construir com essa pessoa hoje?”. O amor de uma relação de três anos não precisa necessariamente se parecer com o amor dos primeiros meses.

    Se essas dúvidas estão causando muita ansiedade, procurar psicoterapia pode ajudar bastante. O objetivo não precisa ser decidir pelo término ou pela continuidade, mas entender seus sentimentos com mais tranquilidade, reduzir a necessidade de certeza absoluta e descobrir o que você realmente deseja para essa relação, sem precisar fingir sentimentos nem tomar uma decisão precipitada.


  • Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm

    Olá!
    Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
    Eu também tenho a sensação de não pertencimento
    O que de fato é está se curando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    O que você descreve mostra algo importante: você já percebeu uma evolução concreta. Conseguir trabalhar, interagir com clientes e perceber que a ansiedade diminuiu ao longo desses seis meses são sinais de que você desenvolveu recursos para lidar melhor com situações que antes eram muito difíceis.

    Ser mais quieta, séria ou introvertida não significa necessariamente ter ansiedade social. A timidez e a introversão também podem fazer parte da personalidade. O transtorno de ansiedade social envolve um medo intenso e persistente de situações em que a pessoa pode ser avaliada, acompanhado de sofrimento e/ou prejuízo significativo. Por isso, não é possível concluir um diagnóstico apenas por esses relatos.

    Sobre os comentários, pode ser útil separar duas coisas: “sou uma pessoa mais quieta” de “há algo errado comigo porque sou quieta”. Quando alguém diz “você é muito séria” ou “você não fala”, isso é uma observação sobre seu comportamento naquele momento, não uma avaliação do seu valor ou uma prova de que você não evoluiu.

    Na TCC, podemos trabalhar pensamentos como “se continuam dizendo isso, então não melhorei” ou “preciso falar mais para ser aceita”. Uma pergunta importante seria: “O que eu acredito que esse comentário significa sobre mim?” Talvez apareça algo como “as pessoas não vão gostar de mim”, “não pertenço ao grupo” ou “preciso ser mais extrovertida para ser aceita”. Essas crenças podem ser trabalhadas gradualmente.

    E melhorar da ansiedade social não significa necessariamente deixar de ser tímida ou passar a falar muito. O objetivo não é transformar sua personalidade. É conseguir escolher como agir sem que o medo ou a preocupação com o julgamento dos outros determinem suas escolhas.

    Por exemplo, se você é naturalmente mais reservada e está confortável assim, não há necessariamente algo que precise ser “consertado”. Mas se gostaria de conversar mais e deixa de fazê-lo por medo de julgamento, aí existe uma habilidade que pode ser desenvolvida.

    Da mesma forma, sentir-se incomodada com um comentário não significa que você voltou para trás. A evolução não costuma ser linear. Você pode ainda sentir ansiedade, vergonha ou insegurança e, mesmo assim, estar muito melhor do que estava anteriormente.

    Talvez uma definição mais útil de “se curar” seja: conseguir viver de acordo com o que é importante para você, tolerando a possibilidade de ser julgada, não agradar todo mundo ou parecer mais quieta do que outras pessoas, sem precisar modificar quem você é para se sentir pertencente.

    E a sensação de não pertencimento também pode ser trabalhada em terapia, especialmente considerando suas experiências anteriores de bullying. O objetivo não precisa ser fazer com que todo mundo goste de você, mas construir a percepção de que você pode ocupar seu espaço, estabelecer vínculos e pertencer sem precisar deixar de ser quem é.


  • Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Dormir com as mãos dobradas ou próximas ao corpo, às vezes chamadas de “mão de T-Rex”, geralmente não significa que a pessoa tenha algum transtorno ou problema. Muitas pessoas adotam determinadas posições durante o sono simplesmente por conforto, hábito ou preferência corporal.

    A posição das mãos, isoladamente, não permite identificar autismo, TDAH, ansiedade ou qualquer outro transtorno. É importante observar o conjunto de comportamentos e sintomas, e não atribuir significado diagnóstico a uma posição específica durante o sono.

    Se essa posição não causa dor, dormência, formigamento ou limitação dos movimentos durante o dia, em geral não há motivo para preocupação. Caso esses sintomas estejam presentes ou a posição tenha surgido acompanhada de outras alterações físicas, pode ser interessante conversar com um médico para avaliar a causa.

    Portanto, se você simplesmente dorme com as mãos dobradas porque é confortável, isso provavelmente é apenas uma característica do seu jeito de dormir.


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Sim, isso pode ser uma reação completamente compreensível, principalmente depois de uma experiência intensa de proximidade e conexão. Vocês passaram quatro dias compartilhando uma rotina que normalmente não conseguem ter: viajaram, cozinharam, dormiram juntos e passaram grande parte do tempo lado a lado. Ao retornar para uma rotina em que essa presença deixa de estar disponível, é natural perceber a ausência de forma mais intensa.

    O fato de você sentir vazio ou vontade de chorar não significa necessariamente que exista algum problema no relacionamento ou que haja dependência emocional. Saudade pode ser uma emoção bastante intensa, especialmente quando existe vínculo afetivo e a convivência foi prazerosa.

    É possível pensar nisso como uma espécie de contraste emocional: durante alguns dias você teve muita proximidade, estímulos, carinho e companhia; depois, de repente, voltou à distância habitual. Seu cérebro e seu corpo precisam se readaptar à mudança de rotina, e a ausência pode parecer muito maior justamente porque você acabou de experimentar como seria estar junto diariamente.

    Na TCC, também podemos observar os pensamentos que aparecem junto dessa sensação. Por exemplo, “estou sentindo um vazio enorme” poderia ser interpretado como “isso não é normal” ou “tem alguma coisa errada comigo”, aumentando ainda mais o sofrimento. Em vez disso, você pode reconhecer: “Estou com muita saudade porque esses dias foram importantes para mim. Posso sentir essa falta sem que isso signifique que há algo errado.”

    Com o tempo, a intensidade tende a diminuir à medida que você retoma sua rotina. Você também pode transformar a saudade em algo mais manejável: manter pequenos momentos de conexão durante a semana, planejar o próximo encontro e continuar investindo nas suas próprias atividades, amizades, família e projetos.

    Sentir falta de alguém que você ama não significa que você esteja infeliz com a sua própria vida. É possível amar estar com seu namorado e, ao mesmo tempo, amar estar em casa com sua família. Uma coisa não precisa anular a outra.

    Se essa tristeza persistir por muitos dias, começar a acontecer com frequência e intensidade desproporcional, ou passar a interferir no sono, alimentação, trabalho/estudos e rotina, aí seria interessante conversar com um psicólogo para compreender melhor o que está acontecendo. Mas, considerando apenas o episódio que você descreveu, uma tristeza forte após uma despedida depois de quatro dias muito especiais juntos pode ser simplesmente saudade e adaptação à mudança brusca de convivência.


  • Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in

    Olá, tudo bem?
    Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Olá! Essa dúvida é mais comum do que parece e sentir atração, admiração ou um vínculo muito intenso pela psicóloga não significa necessariamente que você esteja confundindo as coisas ou que exista algo “errado” com você.

    Na psicoterapia, existe o conceito de transferência, que é quando sentimentos, expectativas, necessidades ou padrões de relacionamento são direcionados ao terapeuta. Isso pode incluir admiração, necessidade de aprovação, apego e também sentimentos românticos ou sexuais. Portanto, transferência e atração amorosa/sexual não são necessariamente coisas excludentes — você pode estar genuinamente atraído pela sua psicóloga e, ao mesmo tempo, essa atração ser influenciada pela dinâmica terapêutica.

    O contexto da terapia pode intensificar esses sentimentos: você tem um espaço de escuta, atenção e acolhimento que é diferente de muitas relações cotidianas. Isso pode favorecer uma sensação de intimidade e conexão, mas não significa automaticamente que exista reciprocidade ou que a relação deva se transformar em algo fora da terapia.

    Em vez de tentar descobrir sozinho(a) se é “transferência ou amor”, pode ser mais produtivo observar o que exatamente você sente e o que esse sentimento representa para você. Por exemplo:

    * O que você imagina que aconteceria se ela não fosse mais sua psicóloga?
    * Você sente necessidade de ser especialmente importante para ela?
    * A atração aparece principalmente durante as sessões ou também existe de forma consistente fora delas?
    * O que você admira nela?
    * O que você sente que recebe nessa relação e gostaria de receber em outros vínculos?

    Você também pode conversar sobre isso diretamente com sua psicóloga. Um profissional preparado não deve ridicularizar, repreender ou fazer você sentir vergonha por ter esses sentimentos. Pelo contrário, isso pode se tornar material terapêutico importante para compreender suas necessidades, padrões de vínculo e expectativas nos relacionamentos.

    E existe uma questão ética importante: a relação entre psicóloga e paciente possui limites profissionais, justamente para proteger o paciente e o processo terapêutico. Sentir atração não é uma violação desses limites; cabe ao profissional manejar a situação de maneira ética e preservar o enquadre da terapia.

    Portanto, você não precisa decidir agora “isso é amor ou transferência?”. Pode começar reconhecendo: “Estou sentindo atração e/ou apego por minha psicóloga, e quero entender melhor esse sentimento.” Só essa distinção já pode ser um ótimo ponto de partida para levar à terapia.


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Louize Fontaine

    Sinto muito que você tenha passado por essas experiências. O que aconteceu com você não foi sua culpa, e suas reações atuais não significam que você seja “defeituosa”. Quando alguém vivencia abuso sexual na infância, situações de intimidade podem funcionar como gatilhos e provocar medo, choro, pânico, lembranças intrusivas ou uma sensação de reviver o acontecimento. Isso pode acontecer mesmo quando, racionalmente, você sabe que está segura com seu namorado.

    Nesse momento, é importante não se obrigar a ter relações íntimas para tentar superar o medo. Se você começa a chorar, entrar em pânico ou sentir que está revivendo o abuso, o ideal é interromper a situação e voltar para algo que faça você se sentir segura. Seu namorado também pode participar desse processo respeitando seus limites, sem pressioná-la.

    O álcool também merece atenção. Embora possa parecer uma forma de diminuir a ansiedade ou facilitar a intimidade, no seu caso ele parece estar aumentando as crises e as lembranças, portanto não é uma estratégia segura para enfrentar esses gatilhos.

    A psicoterapia pode ajudar bastante, principalmente com um profissional que tenha experiência em trauma e abuso sexual. Inicialmente, o tratamento pode trabalhar segurança, regulação emocional e estratégias para lidar com as crises. Conforme você estiver preparada, o terapeuta poderá trabalhar as memórias traumáticas de maneira gradual e cuidadosa. Você não precisa contar tudo de uma vez nem reviver os acontecimentos para que o tratamento funcione.

    Também é importante conversar com um profissional de saúde sobre essas experiências de reviver os abusos e as crises de pânico, especialmente porque você relata que isso acontece tanto sóbria quanto após consumir álcool.

    E tente não colocar como objetivo “voltar a ser uma namorada normal”. O objetivo é que você possa recuperar, aos poucos, a sensação de segurança no próprio corpo e construir intimidade de uma maneira que seja confortável e consensual para você. Você não é responsável pelo que fizeram com você, e não precisa provar seu amor ao namorado através de sexo ou de qualquer outra forma de intimidade.

    Se em algum momento você sentir que está em risco de se machucar, que não consegue se manter segura ou que está completamente desconectada da realidade, procure atendimento de emergência e fique acompanhada por alguém de confiança.


Perguntas frequentes

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