Perguntas do paciente (9)

  • A psicoterapia individual é suficiente no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)

    A psicoterapia individual é suficiente no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ou outros recursos são necessários?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Gustavo de Oliveira

    A psicoterapia individual é um recurso central no tratamento do TPB, pois ajuda a trabalhar instabilidade emocional, impulsividade, medo de abandono, conflitos relacionais, vazio e dificuldades de identidade.

    No entanto, ela pode não ser suficiente em todos os casos. Dependendo da intensidade dos sintomas, riscos e prejuízos na rotina, pode ser necessário incluir avaliação psiquiátrica, medicação, manejo de crise, grupos terapêuticos, orientação familiar e rede de apoio.

    Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando o nível de sofrimento, funcionamento, recursos disponíveis e necessidades específicas da pessoa.


  • Estou lutando contra a pornografia e queria saber se ela tira as emoções, eu não me sinto alegre, ne

    Estou lutando contra a pornografia e queria saber se ela tira as emoções, eu não me sinto alegre, nem feliz, romântico. Estou em um relacionamento e estou com muito medo de prejudicar pq não consigo sentir emoções e fico muito agoniado e desesperando, não quero perder ela só quando estamos juntos eu sinto tipo uma névoa na cabeça.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Gustavo de Oliveira

    Eu entendo o quanto isso pode estar te angustiando, especialmente por envolver algo importante para você, como o seu relacionamento.

    O uso excessivo de pornografia pode, em alguns casos, impactar a forma como a pessoa percebe o prazer, o desejo, o vínculo, a intimidade e a busca por sensações. No entanto, essa percepção de “não sentir emoções”, junto da angústia e desespero, também pode estar associada a outros fatores emocionais que precisam ser avaliados com cuidado.

    O mais importante é não transformar isso em uma conclusão definitiva sobre você ou sobre a sua relação. O fato de você estar preocupado e não querer prejudicar o relacionamento já mostra que existe algo importante aí, que precisa ser compreendido com mais profundidade.

    Buscar apoio psicológico pode te ajudar a entender melhor o que está acontecendo, organizar esses sentimentos e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com a pornografia, com possíveis aspectos de ansiedade e com os impactos que isso pode estar trazendo para a sua relação.


  • . Como a visão de túnel se manifesta em um contexto de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    . Como a visão de túnel se manifesta em um contexto de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Gustavo de Oliveira

    A visão de túnel no TOC se manifesta quando a pessoa fica mentalmente presa à ameaça produzida pela obsessão. A atenção se concentra quase que exclusivamente no risco, na dúvida, na possibilidade de erro, contaminação, culpa ou perda de controle, dificultando que outras interpretações mais amplas e realistas sejam consideradas.

    É como se a mente reduzisse o campo de visão e passasse a tratar uma possibilidade como se fosse uma urgência. Por exemplo, a pessoa pode tocar em um objeto e ficar tomada pela ideia de contaminação; pode sair de casa e não conseguir se desligar da dúvida se trancou a porta; pode ter um pensamento intrusivo agressivo ou moralmente desconfortável e passar a interpretá-lo como sinal de perigo ou de falha pessoal.

    Nesse estado, mesmo que uma parte da pessoa reconheça que o medo pode estar exagerado, a sensação interna de ameaça continua intensa. Por isso, ela pode sentir necessidade de lavar, checar, repetir, evitar situações ou buscar garantias com outras pessoas para aliviar o desconforto.

    O problema é que esse alívio costuma ser momentâneo. A compulsão reduz a ansiedade por um tempo, mas também reforça a ideia de que aquela ameaça precisava ser neutralizada a partir dos rituais/compulsões. Assim, o ciclo se mantém: obsessão, ansiedade, tentativa de alívio e retorno da dúvida.

    A visão de túnel no TOC faz com que a mente transforme uma dúvida em urgência, uma possibilidade em ameaça e um pensamento em responsabilidade. O trabalho clínico, nesse sentido, envolve ajudar a pessoa a ampliar sua percepção da situação, tolerar melhor a incerteza e responder aos pensamentos obsessivos com menos reatividade ao medo.


  • Quais são os sinais de autocobrança excessiva? .

    Quais são os sinais de autocobrança excessiva? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Gustavo de Oliveira

    A autocobrança excessiva pode aparecer quando a pessoa sente que nunca faz o suficiente, mesmo quando se esforça muito. Alguns sinais comuns podem ser a dificuldade de reconhecer as próprias conquistas, medo constante de errar, sensação de culpa ao descansar, comparação frequente com outras pessoas, necessidade de controlar tudo e pensamentos muito rígidos e autocríticos sobre si.

    Também pode haver uma sensação persistente de insuficiência, como se qualquer falha confirmasse que a pessoa não é capaz, mesmo quando existem evidências do contrário. Com o tempo, essa dinâmica de autoexigência excessiva gerar repercussões emocionais como ansiedade, irritação, cansaço/esgotamento emocional e dificuldade de aproveitar momentos de descanso ou prazer.

    É importante lembrar que a autocobrança não surge do nada. Ela pode estar relacionada à história de vida, ao ambiente, às exigências externas, às relações e à forma como a pessoa aprendeu a lidar com expectativas, cobranças e performance. Por isso, buscar apoio psicológico pode ajudar a compreender melhor o que sustenta essa cobrança e construir formas mais saudáveis de lidar consigo mesmo.


  • Entrei nessas coisas de bet e me enterrei em dívida,para se ter uma ideia meu salário não cobre nem

    Entrei nessas coisas de bet e me enterrei em dívida,para se ter uma ideia meu salário não cobre nem as parcelas das dividas tenho dois filhos e se não cobre nem as dívidas como vou sobreviver e prover a eles?? Meu único bem é meu carro e estou com muito medo de perder para bancos e eu o preciso minha cabeça está um turbilhão durmo duas a três horas por noite, sinto tontura, pressão sempre alta,e sou fumante tripliquei meu vício,estou destruído financeiramente e psicologicamente

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Gustavo de Oliveira

    Eu consigo imaginar o quanto este momento pode estar sendo difícil para você. Quando nos sentimos assustados, pressionados e sem conseguir enxergar uma saída com clareza, é comum que a ansiedade, o desespero e a sensação de perda de controle se intensifiquem.

    Neste momento, antes de tentar resolver tudo de uma vez, é importante buscar apoio para se estabilizar e conseguir pensar com mais clareza. O que você descreve envolve sofrimento emocional significativo e também sinais físicos que precisariam ser avaliados. Por isso, seria importante procurar atendimento médico para avaliar como você está fisicamente diante de todo esse contexto.

    Também considero imprescindível que você busque e desenvolva acompanhamento psicológico. Esse suporte pode te ajudar a organizar os pensamentos, compreender melhor a sensação de desespero e construir, passo a passo, formas mais possíveis de enfrentar essa situação.

    Além disso, pode ser importante procurar orientação para renegociar as dívidas, entender melhor seus direitos e separar o que é prioridade neste momento: alimentação, moradia, filhos, trabalho e aquilo que é essencial para manter sua rotina funcionando.

    Você está em sofrimento, mas isso não significa que sua vida acabou ou que não exista caminho. Procure ajuda profissional e tente se aproximar de pessoas de confiança, para que elas compreendam o que está acontecendo e possam te apoiar no enfrentamento das dificuldades atuais.

    Mesmo que o processo seja longo, há formas de contornar essa situação com organização, suporte e cuidado consigo mesmo.


  • Bom desde 2021 sofro com a tag, já fiz controle com psicológo e em 2023 tomei durante 6 meses escita

    Bom desde 2021 sofro com a tag, já fiz controle com psicológo e em 2023 tomei durante 6 meses escitalopram, porém a mais ou menos 10 dias venho tendo tontura e sensação de desmaios e suadeira, não sei oq fazer pois está atrapalhando o meu serviço, e não quero voltar a ser dependente de rémedios, tudo isso é causado em razão de ter o sonho de ser militar e não conseguir em função de estar doente, sinceramente não sei mais o que faço, jántentei de tudo, pensar posiivo, igreja, promessa, dieta e etc. Porém nada dá certo......

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Gustavo de Oliveira

    Entendo o quanto isso pode estar sendo desgastante, principalmente quando começa a interferir no trabalho, nos seus planos e em um sonho importante para você.

    Quando existe um histórico de ansiedade generalizada, é fundamental compreender o que tem feito este estado de alerta reincidir. Isso pode envolver medos, cobranças, frustrações, pensamentos antecipatórios, sensação de incapacidade, pressão em relação ao futuro, autocobrança ou até a forma como o significado do sonho de ser militar tem se refletido sobre você.

    Muitas vezes, não basta tentar “pensar positivo”. É preciso entender como a ansiedade está funcionando e se estabelecendo, em quais situações se ativam esses sintomas e quais estratégias podem te ajudar a lidar com eles de formas diferentes.

    Sobre a medicação, compreendo sua preocupação com a ideia de ficar dependente de remédio. Ainda assim, pode ser importante passar por uma nova avaliação médica, considerando seus sintomas atuais, a intensidade do sofrimento e o impacto disso na sua rotina.

    Também recomendo buscar acompanhamento psicológico. Com suporte adequado, é possível organizar melhor esses sintomas, compreender os gatilhos envolvidos e construir formas mais saudáveis de enfrentar esse momento, sem precisar se sobrecarregar com a incidência e persistências destes estados.


  • Olá, sou uma pessoa com bastante ansiedade, tive um período de síndrome do pânico e desde então faço

    Olá, sou uma pessoa com bastante ansiedade, tive um período de síndrome do pânico e desde então faço tratamento, atualmente tomo paxil 25mg. Estou tendo muito problema de ansiedade na hora de ter relações sexuais. Conversei com meu psiquiatra e ele comentou que é uma situação atípica pois a paroxetina já retardaria a ejaculação, me indicou tomar rivotril sublingual de 0,25mg antes da relação, não obtive nenhum resultado e na última consulta me indicou então tomar um segundo comprimido de 0,25mg, novamente não mudou nada. Preciso de ajuda sobre como devo proceder, de qual maneira posso contornar essa ansiedade exagerada na hora de ter relações.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Gustavo de Oliveira

    Mesmo quando há uso de medicação, a ansiedade no contexto sexual pode ter outros componentes envolvidos. Ela pode estar relacionada a algum receio específico, à pressão por desempenho, à antecipação de cenários indesejados, à dificuldade de se manter presente na experiência, à autocobrança ou até a experiências anteriores que reforçaram esse ciclo de tensão.

    Como você já está em acompanhamento psiquiátrico, é importante manter esse diálogo com seu médico para reavaliar a medicação, os efeitos esperados e as possibilidades de ajuste. Mas eu também recomendaria fortemente o acompanhamento psicológico, porque esse tipo de ansiedade pode envolver a necessidade de manejo de pensamentos, expectativas, inseguranças e padrões de resposta comportamental que precisam ser compreendidos e trabalhados considerando o seu contexto e aquilo que tem te afetado.


  • Quais são os protocolos da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) em Pacientes Transdiagnósticos ?

    Quais são os protocolos da Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) em Pacientes Transdiagnósticos ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Gustavo de Oliveira

    Os protocolos transdiagnósticos na Terapia Cognitivo-Comportamental partem da ideia de que diferentes sofrimentos emocionais podem compartilhar mecanismos parecidos. Ansiedade, depressão, pânico, fobia social, compulsões ou dificuldades de regulação emocional, por exemplo, podem envolver padrões em comum, como pensamentos automáticos rígidos, interpretações catastróficas, evitação, autocrítica, ruminação e dificuldade de lidar com emoções desconfortáveis.

    Na prática, a TCC transdiagnóstica não ignora o diagnóstico, mas amplia o olhar para compreender quais processos estão mantendo o sofrimento daquela pessoa. Por isso, o foco do tratamento costuma envolver psicoeducação emocional, identificação e reestruturação de pensamentos, redução da evitação, exposição gradual, ativação comportamental, desenvolvimento de habilidades de regulação emocional e prevenção de recaídas.

    Mais do que tratar um “rótulo”, essa perspectiva busca compreender a forma como a pessoa pensa, sente, se protege e responde às situações da vida. Assim, o cuidado se torna mais integrado, contextual e estruturado para a realidade daquele paciente, auxiliando no reconhecimento de padrões repetitivos, construção de respostas mais flexíveis e desenvolvimento de uma relação mais saudável consigo mesmo, com os outros e com as próprias emoções.

    Espero ter ajudado de alguma forma


  • O que são pensamentos alternativos na Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) ?

    O que são pensamentos alternativos na Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Luiz Gustavo de Oliveira

    Na TCC, pensamentos alternativos são formulações cognitivas diferenciais e alternativas a fluxos de pensamentos rígidos ou que ativam sofrimento ou perspectivas que podem não ser funcionais para enfrentar certas questões do paciente. Eles não têm como objetivo negar a dor, minimizar a realidade ou impor uma visão positiva, mas ampliar a compreensão da situação a partir de evidências, contexto e possibilidades de enfrentamento.

    Esse recurso auxilia a questionar interpretações catastróficas, autocríticas ou pouco funcionais, favorecendo maior regulação emocional e escolhas comportamentais mais alinhadas aos objetivos que o paciente precisa alcançar para enfrentar seus desafios.


Perguntas frequentes

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