Perguntas do paciente (546)
-
Além das brigas com os outros, o paciente com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) costuma e
Além das brigas com os outros, o paciente com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) costuma enfrentar uma batalha cruel contra si mesmo. Como o psiquiatra identifica e aborda o "ódio por si mesmo" no consultório?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), o chamado “ódio por si mesmo” é compreendido pela psiquiatria como uma manifestação de sofrimento emocional profundo, frequentemente associado a sentimentos persistentes de vazio, vergonha, culpa intensa, medo de rejeição e dificuldade em integrar uma percepção equilibrada de si mesmo. No consultório, o psiquiatra investiga pensamentos autodepreciativos, autocrítica excessiva, comportamentos de autopunição, histórico de traumas, automutilação, ideação suicida e sintomas associados como ansiedade, depressão, irritabilidade e transtornos de humor. A abordagem terapêutica busca validar o sofrimento sem reforçar padrões disfuncionais, desenvolver autocompaixão, regulação emocional e uma identidade mais estável. A psicoterapia baseada em evidências, especialmente a terapia dialética comportamental, tem papel central, associada ao acompanhamento psiquiátrico quando necessário.
-
Por que durante uma discussão, o paciente com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) parece se
Por que durante uma discussão, o paciente com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) parece se esquecer de todos os momentos bons da relação e foca apenas nas mágoas passadas? Qual a explicação psiquiátrica para isso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), durante conflitos interpessoais, a dificuldade em acessar lembranças positivas da relação pode estar relacionada à intensa ativação emocional e ao funcionamento cognitivo sob estresse. A psiquiatria explica esse fenômeno pela tendência à interpretação polarizada das experiências, conhecida como pensamento dicotômico, em que o sofrimento atual passa a dominar a percepção do vínculo. Nesse momento, memórias associadas à rejeição, abandono ou mágoas anteriores podem se tornar mais acessíveis, enquanto aspectos positivos ficam temporariamente menos presentes. O psiquiatra avalia padrões de relacionamento, regulação emocional, impulsividade, ansiedade, depressão e transtornos de humor associados. O tratamento envolve psicoterapia especializada, como terapia dialética comportamental, para desenvolver maior integração emocional, tolerância ao conflito e relações interpessoais mais estáveis.
-
Muitas pessoas com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) passam horas isoladas em jogos de vi
Muitas pessoas com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) passam horas isoladas em jogos de videogame ou redes sociais. Como a psiquiatria avalia o uso dessas tecnologias como uma forma de "refúgio emocional"?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), o uso intenso de videogames e redes sociais pode ser compreendido pela psiquiatria como uma estratégia de enfrentamento diante de sofrimento emocional, funcionando como um possível “refúgio” temporário para reduzir sentimentos de vazio, ansiedade, solidão, rejeição ou angústia intensa. Essas atividades podem oferecer sensação de controle, previsibilidade, recompensa imediata e conexão social sem a complexidade dos relacionamentos presenciais. O psiquiatra avalia se o uso é adaptativo ou se representa esquiva emocional, isolamento, prejuízo funcional, alteração do sono ou dificuldade de lidar com conflitos. A abordagem envolve compreender a função desse comportamento, trabalhar regulação emocional, habilidades sociais e enfrentamento saudável, com psicoterapia especializada, como terapia dialética comportamental, além do acompanhamento psiquiátrico para sintomas associados como ansiedade, depressão, insônia, irritabilidade e transtornos de humor.
-
Por que muitos pacientes com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) reagem com desconfiança ou
Por que muitos pacientes com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) reagem com desconfiança ou desconforto quando recebem elogios sinceros? Como o psiquiatra trabalha essa barreira no consultório?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), a dificuldade em aceitar elogios sinceros pode estar relacionada à instabilidade da autoimagem, sentimentos de desvalorização pessoal e experiências prévias de rejeição ou invalidação emocional. O paciente pode ter dificuldade em reconhecer qualidades próprias e interpretar uma demonstração positiva como algo passageiro, irreal ou até como uma possível ameaça de abandono futuro. O psiquiatra investiga padrões de pensamento, crenças negativas sobre si, vergonha, medo de rejeição, ansiedade, depressão e dificuldades nos vínculos interpessoais. O manejo envolve uma relação terapêutica baseada em confiança, validação emocional e técnicas psicoterápicas, especialmente a terapia dialética comportamental, visando desenvolver autoestima mais estável, autocompaixão, regulação emocional e relações mais saudáveis.
-
Qual é o impacto dos problemas de sono no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) e por que o m
Qual é o impacto dos problemas de sono no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) e por que o médico psiquiatra trata a regulação do descanso como uma prioridade no tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), os problemas de sono são considerados fatores importantes porque a privação de descanso pode intensificar a instabilidade emocional, impulsividade, irritabilidade, ansiedade e dificuldade de controle dos afetos. Alterações como insônia, sono fragmentado ou ritmo irregular podem reduzir a capacidade de lidar com situações de estresse e aumentar a vulnerabilidade a crises emocionais, automutilação e conflitos interpessoais. O psiquiatra avalia a qualidade do sono, hábitos, sintomas associados como depressão, ansiedade, crise de ansiedade e transtornos de humor, além de possíveis causas médicas ou medicamentosas. A regulação do sono é uma prioridade porque melhora a estabilidade emocional, favorece a resposta ao tratamento psicoterápico e contribui para maior controle dos sintomas do TPB, incluindo irritabilidade, impulsividade e sofrimento emocional.
-
Por que uma viagem a trabalho do parceiro, o período de férias do terapeuta ou o fim de um domingo p
Por que uma viagem a trabalho do parceiro, o período de férias do terapeuta ou o fim de um domingo podem desencadear crises graves de ansiedade no paciente com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB)? Como o psiquiatra orienta o manejo dessas transições?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), transições e afastamentos temporários podem desencadear crises de ansiedade por ativarem sentimentos relacionados ao medo de abandono, rejeição e perda de vínculo. Situações como a viagem do parceiro, férias do terapeuta ou o encerramento de um período de descanso podem ser interpretadas emocionalmente como ameaças à segurança afetiva, mesmo quando não existe risco real de rompimento. O psiquiatra avalia a intensidade da reação, padrões de apego, histórico de relacionamentos, impulsividade, sintomas associados como depressão, insônia, irritabilidade e transtornos de humor. O manejo envolve preparação antecipada para mudanças, construção de estratégias de enfrentamento, desenvolvimento de autonomia emocional, plano para momentos de crise e psicoterapia especializada, como terapia dialética comportamental. O objetivo é aumentar a tolerância à separação temporária e reduzir respostas emocionais desproporcionais.
-
É comum ouvir o mito de que pessoas com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) mentem para m
É comum ouvir o mito de que pessoas com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) mentem para manipular os outros. Como o psiquiatra diferencia a distorção da realidade feita no TPB daquela feita por um psicopata?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A ideia de que pessoas com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) “mentem para manipular” é uma simplificação que pode gerar estigma. Na avaliação psiquiátrica, o profissional procura entender a função e o contexto do comportamento, diferenciando uma distorção da realidade relacionada à desregulação emocional de padrões mais intencionais e persistentes de exploração do outro, como pode ocorrer em alguns indivíduos com traços psicopáticos.
No TPB, as alterações na percepção podem estar ligadas principalmente à intensidade emocional. Em momentos de medo de abandono, rejeição, raiva ou sofrimento intenso, a pessoa pode interpretar situações de forma mais ameaçadora, ter dificuldade de integrar aspectos positivos e negativos de alguém ao mesmo tempo (pensamento dicotômico, como “tudo bom” ou “tudo ruim”) e relatar acontecimentos a partir da experiência emocional daquele momento. Muitas vezes, essa percepção é vivenciada como verdadeira pela própria pessoa, não necessariamente como uma estratégia consciente de enganar.
Já em indivíduos com traços psicopáticos, especialmente quando associados ao transtorno de personalidade antissocial, a avaliação pode identificar um padrão diferente: maior tendência a uso instrumental da mentira, manipulação planejada para obter vantagens, baixa empatia, ausência de culpa ou remorso e uma relação com o outro mais voltada ao benefício próprio. A questão central não é apenas “a pessoa mentiu?”, mas qual é a motivação, o padrão ao longo do tempo e a relação com emoções e vínculos.
O psiquiatra diferencia esses quadros avaliando:
a história de vida e o padrão de relacionamentos;
a capacidade de reconhecer o impacto de seus atos;
a presença de culpa, arrependimento e empatia;
a impulsividade versus planejamento;
a relação entre emoção intensa e comportamento;
a estabilidade da identidade e das interpretações sobre os outros.
No TPB, comportamentos como acusações impulsivas, mudanças rápidas de percepção sobre pessoas próximas ou tentativas desesperadas de evitar abandono geralmente estão relacionados a medo, insegurança e dificuldade de regulação emocional. Isso não significa que todos os comportamentos sejam aceitáveis ou que não possam causar sofrimento aos outros, mas a compreensão clínica busca diferenciar uma reação emocional desorganizada de uma manipulação deliberada e calculada.
Por isso, na prática psiquiátrica, o foco não é rotular a pessoa como “mentirosa” ou “manipuladora”, mas compreender como ela percebe a realidade, regula emoções e constrói seus relacionamentos, direcionando o tratamento para melhorar a estabilidade emocional e interpessoal.
-
Por que pessoas com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) têm tanta dificuldade para fazer
Por que pessoas com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) têm tanta dificuldade para fazer planos de longo prazo e como o tratamento psiquiátrico ajuda a construir uma visão de futuro?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pessoas com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) podem apresentar dificuldade para fazer planos de longo prazo principalmente devido à instabilidade emocional, à dificuldade de regulação dos afetos e à forma como vivenciam o presente. Isso não significa falta de capacidade ou ausência de desejo de construir um futuro, mas que alguns processos emocionais podem interferir na manutenção de objetivos ao longo do tempo.
Um dos fatores envolvidos é a intensidade das emoções atuais. No TPB, estados emocionais como medo de abandono, ansiedade, raiva, tristeza profunda ou sensação de vazio podem assumir uma importância tão grande no momento presente que se torna difícil pensar em consequências futuras ou manter projetos de longo prazo. A pessoa pode tomar decisões buscando aliviar uma dor emocional imediata, mesmo que isso entre em conflito com objetivos futuros.
Outro aspecto é a instabilidade da autoimagem e da identidade. Algumas pessoas com TPB relatam dificuldade em saber claramente quem são, quais valores desejam seguir ou como imaginam sua vida no futuro. Essa sensação de identidade mais instável pode dificultar escolhas relacionadas a carreira, relacionamentos, estudos ou outros projetos pessoais.
Na prática psiquiátrica, o tratamento busca justamente desenvolver maior estabilidade emocional e capacidade de planejamento. A psicoterapia estruturada, especialmente abordagens como a Terapia Dialética Comportamental (TDC), trabalha habilidades de regulação emocional, tolerância ao sofrimento, controle de impulsos e tomada de decisões mais alinhadas com objetivos de longo prazo.
A avaliação psiquiátrica também pode identificar e tratar sintomas associados, como depressão, ansiedade intensa, impulsividade, crises emocionais, insônia e transtornos do humor, que podem prejudicar ainda mais a capacidade de projetar o futuro. Quando indicada, a medicação pode auxiliar na redução da intensidade dos sintomas, permitindo que a pessoa tenha mais recursos emocionais para se envolver no processo terapêutico.
Com a melhora da estabilidade emocional, muitos pacientes conseguem desenvolver uma visão de futuro mais consistente: estabelecer metas realistas, manter compromissos, construir relacionamentos mais saudáveis e perceber que estados emocionais dolorosos são temporários, não definições permanentes da própria vida.
Assim, o objetivo do tratamento do TPB não é apenas reduzir crises, mas ajudar a pessoa a construir uma identidade mais estável e uma trajetória de vida baseada em escolhas conscientes, valores pessoais e projetos duradouros.
-
O que é o "espelhamento" no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) e como o psiquiatra ajuda o
O que é o "espelhamento" no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) e como o psiquiatra ajuda o paciente a diferenciar a sua própria personalidade da personalidade dos outros?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O “espelhamento” no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) refere-se a uma dificuldade relacionada à formação e estabilidade da identidade, na qual a pessoa pode absorver ou refletir características, emoções, opiniões, desejos ou formas de agir de pessoas importantes ao seu redor. Esse fenômeno não significa simplesmente “imitar” alguém de forma consciente, mas pode estar relacionado a uma percepção mais instável de si mesma e a uma necessidade intensa de conexão e pertencimento.
No TPB, algumas pessoas apresentam dificuldade em responder perguntas como “quem sou eu?”, “o que eu realmente quero?” ou “quais são meus valores independentemente das outras pessoas?”. Como consequência, podem ocorrer mudanças frequentes de interesses, objetivos, opiniões ou comportamentos conforme o contexto ou a relação em que estão inseridas. Por exemplo, alguém pode adotar rapidamente os gostos, planos ou visões de um parceiro ou amigo e, posteriormente, sentir confusão ou vazio quando essa relação muda.
Esse funcionamento está relacionado ao conceito de perturbação da identidade, um dos aspectos centrais avaliados no TPB. Muitas vezes, existe uma grande sensibilidade às relações interpessoais: a pessoa pode se adaptar intensamente ao outro para evitar rejeição, abandono ou perda do vínculo.
Na prática psiquiátrica, o tratamento busca ajudar o paciente a desenvolver uma percepção mais estável de si. O psiquiatra e o psicoterapeuta trabalham aspectos como:
identificação de emoções próprias, diferenciando “o que eu sinto” daquilo que o outro sente;
reconhecimento de valores, preferências e objetivos pessoais;
compreensão dos próprios limites e necessidades nos relacionamentos;
desenvolvimento de uma narrativa pessoal mais coerente ao longo do tempo.
Abordagens como a Terapia Dialética Comportamental (TDC) e a Terapia Baseada em Mentalização (TBM) são especialmente importantes nesse processo, pois ajudam o paciente a refletir sobre seus estados mentais e os estados dos outros, evitando interpretações automáticas baseadas apenas na emoção do momento.
O psiquiatra também avalia sintomas associados, como ansiedade, depressão, impulsividade, crises emocionais, sensação de vazio e instabilidade do humor, que podem intensificar essa dificuldade de diferenciação entre o “eu” e o outro.
Assim, o objetivo do tratamento não é eliminar a capacidade de conexão ou empatia — que muitas pessoas com TPB possuem de forma intensa —, mas ajudar o paciente a construir uma identidade mais sólida, na qual seja possível amar, se relacionar e se adaptar sem perder a percepção de quem é e do que deseja para a própria vida.
-
Como o psiquiatra avalia o impacto das redes sociais e dos aplicativos de mensagem no dia a dia de q
Como o psiquiatra avalia o impacto das redes sociais e dos aplicativos de mensagem no dia a dia de quem tem o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), especialmente diante do famoso "vácuo"?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No contexto do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), o psiquiatra avalia o impacto das redes sociais e dos aplicativos de mensagem considerando como essas ferramentas podem interagir com características centrais do transtorno, como medo de abandono, hipersensibilidade à rejeição, necessidade intensa de vínculo, instabilidade emocional e dificuldade de regulação dos afetos.
O chamado “vácuo” — quando uma mensagem é visualizada e não recebe resposta, ou quando há demora no retorno de alguém importante — pode assumir um significado emocional muito intenso para algumas pessoas com TPB. O silêncio pode ser interpretado rapidamente como rejeição, desinteresse, raiva ou abandono, mesmo quando existem outras explicações possíveis, como a pessoa estar ocupada, sem tempo ou sem condições de responder naquele momento.
Na avaliação psiquiátrica, o profissional procura entender não apenas o comportamento (por exemplo, enviar muitas mensagens, checar constantemente o celular ou sentir angústia com a demora da resposta), mas principalmente o significado emocional atribuído à situação. O foco é investigar perguntas como: “O que você imaginou que estava acontecendo?”, “Que sentimento surgiu?”, “Como você reagiu?”, “Essa interpretação costuma se repetir nos relacionamentos?”.
As redes sociais podem intensificar alguns padrões no TPB porque oferecem:
disponibilidade constante de comparação social;
exposição a sinais ambíguos (curtidas, visualizações, mudanças de comportamento online);
possibilidade de interpretar pequenas mudanças como sinais de rejeição;
maior facilidade para agir impulsivamente em momentos de sofrimento emocional.
Entretanto, as redes sociais também podem ser usadas de forma positiva, como fonte de apoio, informação e conexão, desde que exista maior consciência sobre gatilhos emocionais e limites saudáveis.
O tratamento psiquiátrico e psicoterápico busca desenvolver a capacidade de mentalização, ou seja, compreender que pensamentos, sentimentos e intenções próprias e dos outros nem sempre são iguais. O paciente aprende a criar um espaço entre o acontecimento (“a pessoa não respondeu”) e a interpretação automática (“ela não se importa comigo”), permitindo avaliar outras possibilidades antes de agir.
Abordagens como a Terapia Dialética Comportamental (TDC) trabalham habilidades de tolerância ao sofrimento, regulação emocional, controle de impulsos e comunicação mais eficaz nos relacionamentos. A medicação, quando indicada, pode auxiliar no controle de sintomas associados, como ansiedade intensa, depressão, irritabilidade, impulsividade e instabilidade do humor, facilitando o processo terapêutico.
Assim, o objetivo não é eliminar o uso das redes sociais, mas ajudar a pessoa com TPB a utilizá-las sem que cada interação digital determine seu valor pessoal, sua segurança emocional ou sua percepção sobre os vínculos afetivos.
-
Além de sentirem tudo com muita intensidade, pacientes com Transtorno da Personalidade Borderline (T
Além de sentirem tudo com muita intensidade, pacientes com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) às vezes relatam que "ficaram dormentes" ou que não conseguem sentir absolutamente nada. O que é esse sintoma e como a psiquiatria o explica?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), a experiência de alternar entre emoções muito intensas e momentos de “dormência emocional” é relativamente frequente. Essa sensação de não sentir nada, de estar vazio por dentro ou desconectado das próprias emoções é chamada, na psiquiatria, de entorpecimento emocional, embotamento afetivo ou pode estar relacionada a fenômenos dissociativos, dependendo da forma como se manifesta.
Muitos pacientes com TPB descrevem uma espécie de vazio interno, como se as emoções tivessem desaparecido temporariamente. Isso pode parecer contraditório, já que o transtorno é conhecido pela intensidade emocional, mas esses dois fenômenos podem coexistir. Uma explicação é que, diante de emoções muito dolorosas ou difíceis de suportar — como medo de abandono, rejeição, culpa, vergonha ou sofrimento intenso — o cérebro pode ativar mecanismos de proteção que reduzem temporariamente o acesso consciente aos sentimentos.
Em alguns casos, esse estado está relacionado à dissociação, uma alteração na forma como a pessoa percebe a si mesma ou a realidade ao redor. O indivíduo pode relatar sensação de estar “no automático”, desconectado do corpo ou como se estivesse observando a própria vida de fora. Esse mecanismo pode surgir principalmente em situações de estresse emocional intenso.
Na avaliação psiquiátrica, é importante diferenciar essa “dormência emocional” de outros quadros, como:
episódios depressivos, nos quais pode ocorrer perda de prazer, falta de motivação e redução da capacidade de sentir alegria;
efeitos de medicamentos, especialmente alguns psicofármacos que podem causar redução da intensidade emocional em determinados pacientes;
estados relacionados a trauma e estresse.
O tratamento busca melhorar a capacidade de regular emoções, reconhecer estados internos e desenvolver formas mais adaptativas de lidar com sofrimento. Psicoterapias estruturadas, como a Terapia Dialética Comportamental (TDC) e a Terapia Baseada em Mentalização (TBM), ajudam o paciente a identificar emoções, compreender seus gatilhos e permanecer conectado consigo mesmo mesmo diante de sentimentos intensos.
A avaliação psiquiátrica também considera sintomas associados, como ansiedade, depressão, impulsividade, crises emocionais, irritabilidade, sensação de vazio, alterações do humor e dificuldades nos relacionamentos. Quando indicada, a medicação pode auxiliar no controle de sintomas específicos, permitindo maior estabilidade para o processo psicoterápico.
Portanto, essa sensação de “não sentir nada” não significa ausência de emoções ou falta de sentimentos. Muitas vezes, representa uma tentativa do sistema emocional de se proteger quando a intensidade dos sentimentos se torna difícil de suportar. Com tratamento adequado, muitos pacientes conseguem desenvolver maior estabilidade emocional e uma relação mais integrada com suas próprias emoções.
-
Como os padrões do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) se manifestam na relação do paciente
Como os padrões do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) se manifestam na relação do paciente com figuras de autoridade (como professores, chefes ou o próprio médico)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), a relação com figuras de autoridade pode ser influenciada por características centrais do transtorno, como sensibilidade à rejeição, medo de abandono, instabilidade nos vínculos, dificuldade de regulação emocional e alterações na percepção dos outros. Isso não significa que todas as pessoas com TPB terão o mesmo padrão, mas alguns comportamentos podem aparecer dependendo da história de vida e das experiências relacionais do indivíduo.
Uma manifestação comum é a ambivalência nas relações de dependência e confiança. A pessoa pode inicialmente idealizar uma figura de autoridade, percebendo-a como alguém extremamente competente, acolhedor ou capaz de oferecer segurança. Porém, diante de uma frustração, crítica, limite estabelecido ou sensação de não ser compreendida, pode ocorrer uma mudança rápida de percepção, com sentimentos de decepção, raiva ou desconfiança. Esse fenômeno é conhecido como cisão (splitting), caracterizado pela dificuldade momentânea de integrar aspectos positivos e negativos de uma mesma pessoa.
Na relação terapêutica com o psiquiatra, por exemplo, o paciente com TPB pode apresentar grande necessidade de acolhimento e validação, mas também pode sentir medo de ser julgado, abandonado ou não compreendido. Pequenas situações, como uma mudança de horário, uma resposta mais breve ou uma orientação diferente do esperado, podem ser interpretadas como rejeição. O psiquiatra trabalha para compreender esses padrões sem reforçar dependências prejudiciais, mantendo uma postura de acolhimento, limites claros e estabilidade no vínculo terapêutico.
No ambiente acadêmico ou profissional, esses padrões podem aparecer como:
dificuldade em lidar com críticas ou avaliações negativas;
intensa reação emocional diante de conflitos;
busca por aprovação constante;
medo de decepcionar superiores;
alternância entre submissão excessiva e confrontos impulsivos em momentos de frustração.
A avaliação psiquiátrica procura entender a história desses comportamentos, identificando se eles surgem principalmente em situações de ameaça ao vínculo, sensação de injustiça, medo de rejeição ou dificuldade de interpretar as intenções do outro.
O tratamento busca fortalecer a identidade, autonomia emocional e capacidade de mentalização, ou seja, compreender melhor os próprios pensamentos e sentimentos e também reconhecer que outras pessoas possuem perspectivas e intenções próprias. Psicoterapias como a Terapia Dialética Comportamental (TDC) e a Terapia Baseada em Mentalização (TBM) são importantes para desenvolver habilidades de regulação emocional e relacionamentos mais estáveis.
Assim, a relação com figuras de autoridade no TPB não é vista apenas como “resistência” ou “dificuldade de aceitar regras”, mas como uma área em que medos, experiências passadas e padrões emocionais podem influenciar a forma como o paciente interpreta e responde aos vínculos. Com tratamento adequado, é possível construir relações mais equilibradas, com maior confiança, autonomia e segurança.
-
Após uma explosão de raiva ou um comportamento impulsivo, é comum o paciente com Transtorno da Perso
Após uma explosão de raiva ou um comportamento impulsivo, é comum o paciente com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) ser sufocado por uma culpa esmagadora. Como o psiquiatra avalia e trabalha esse sentimento no consultório?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), é relativamente comum que, após episódios de intensa raiva, impulsividade ou conflitos interpessoais, o paciente experimente sentimentos intensos de culpa, vergonha e arrependimento. Esse ciclo — emoção intensa → comportamento impulsivo → culpa intensa → sofrimento emocional — é um dos padrões que o psiquiatra procura compreender durante a avaliação clínica.
No consultório, o psiquiatra não avalia apenas o comportamento isolado, mas todo o contexto emocional que o antecedeu. São investigadas perguntas como: “O que aconteceu antes da explosão?”, “Qual emoção estava presente naquele momento?”, “O que você interpretou daquela situação?”, “O que você sentiu depois?”. O objetivo é compreender os gatilhos, as vulnerabilidades e os padrões repetitivos, evitando uma visão moralista do comportamento.
A culpa no TPB frequentemente está associada a uma grande sensibilidade emocional e à dificuldade de regular estados afetivos intensos. Durante uma crise, o paciente pode agir sob forte ativação emocional, com redução temporária da capacidade de refletir sobre consequências. Após a redução da intensidade emocional, pode surgir uma percepção mais crítica do ocorrido, acompanhada de pensamentos como “eu estraguei tudo”, “sou uma pessoa ruim” ou “ninguém vai me perdoar”. O psiquiatra busca diferenciar uma culpa adaptativa, que permite reconhecer erros e reparar relações, de uma culpa excessiva e destrutiva, que aumenta sofrimento e mantém o ciclo de desregulação emocional.
O tratamento trabalha para transformar a culpa em aprendizado e responsabilidade, sem reforçar sentimentos de inutilidade ou autocrítica extrema. Psicoterapias estruturadas, como a Terapia Dialética Comportamental (TDC), ajudam o paciente a desenvolver habilidades de regulação emocional, tolerância ao sofrimento, controle de impulsos e comunicação mais eficaz. A Terapia Baseada em Mentalização (TBM) também auxilia na compreensão dos próprios estados mentais e dos outros, reduzindo interpretações automáticas em situações de conflito.
A avaliação psiquiátrica também considera sintomas associados, como ansiedade, depressão, irritabilidade, crises emocionais, sensação de vazio, impulsividade, autolesão e pensamentos suicidas, pois esses fatores podem intensificar a culpa após episódios de descontrole emocional.
O objetivo do tratamento não é eliminar emoções como raiva ou culpa, mas ajudar o paciente a desenvolver uma relação mais equilibrada com elas: reconhecer a emoção, compreender sua origem, reparar quando necessário e seguir em frente sem permanecer preso a ciclos de vergonha e autopunição. Com tratamento adequado, muitos pacientes com TPB conseguem construir relacionamentos mais estáveis e uma percepção mais saudável de si mesmos.
-
Como o psiquiatra avalia a relação do paciente com o dinheiro no Transtorno da Personalidade Borderl
Como o psiquiatra avalia a relação do paciente com o dinheiro no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) e por que as compras compulsivas aparecem nos momentos de dor?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), a relação com o dinheiro pode ser influenciada por alguns dos principais aspectos do transtorno, como impulsividade, dificuldade de regulação emocional, busca por alívio imediato do sofrimento e instabilidade na percepção de si mesmo e das próprias necessidades. O psiquiatra avalia essa relação não apenas pelo comportamento financeiro em si, mas pela função emocional que o dinheiro e as compras desempenham na vida do paciente.
Um padrão frequentemente observado é o uso da compra como uma tentativa de aliviar emoções intensas. Em momentos de angústia, vazio, rejeição, solidão, raiva ou medo de abandono, a aquisição de algo pode gerar uma sensação momentânea de prazer, controle ou recompensa. O problema é que esse alívio costuma ser passageiro e pode ser seguido por culpa, arrependimento, vergonha e novos conflitos, criando um ciclo de sofrimento.
Durante a avaliação, o psiquiatra procura entender aspectos como:
“O que você estava sentindo antes de gastar?”
“A compra aconteceu de forma planejada ou impulsiva?”
“O gasto trouxe alívio emocional naquele momento?”
“Depois vieram culpa ou arrependimento?”
“Isso prejudicou relacionamentos, trabalho ou organização financeira?”
A diferença importante é que, no TPB, muitas vezes o comportamento impulsivo está ligado à tentativa de regular uma emoção difícil, e não simplesmente ao desejo de obter vantagem ou agir sem consideração pelos outros. A compra pode funcionar como uma estratégia inadequada de enfrentamento diante de uma dor emocional intensa.
Além disso, o psiquiatra avalia se existem outros fatores associados, como depressão, ansiedade, compulsões, transtornos do humor, uso de substâncias ou episódios de elevação anormal do humor, que também podem influenciar comportamentos financeiros impulsivos.
O tratamento busca aumentar a capacidade de tolerar emoções desconfortáveis sem recorrer a comportamentos prejudiciais. Psicoterapias como a Terapia Dialética Comportamental (TDC) trabalham habilidades de regulação emocional, controle de impulsos, tomada de decisões e tolerância ao sofrimento. A Terapia Baseada em Mentalização (TBM) ajuda o paciente a compreender melhor seus estados internos e perceber o que está por trás de determinadas atitudes.
Quando indicada, a medicação pode auxiliar no controle de sintomas associados, como ansiedade intensa, depressão, irritabilidade, impulsividade e instabilidade emocional, facilitando o desenvolvimento de estratégias mais saudáveis.
Assim, a avaliação psiquiátrica não considera apenas “quanto a pessoa gasta”, mas principalmente o que aquele comportamento representa emocionalmente. Com tratamento adequado, o paciente pode aprender a diferenciar uma necessidade real de uma tentativa impulsiva de aliviar uma dor momentânea, construindo uma relação mais equilibrada com o dinheiro e consigo mesmo.
-
Por que o paciente com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) costuma estragar as coisas justa
Por que o paciente com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) costuma estragar as coisas justamente quando tudo está dando certo na vida dele? Qual o papel do psiquiatra diante dessa autossabotagem?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), o comportamento de “estragar as coisas quando tudo parece estar dando certo” pode ser compreendido como uma manifestação de conflitos emocionais profundos, e não simplesmente como falta de vontade de melhorar ou desejo consciente de fracassar. Na prática psiquiátrica, esse fenômeno é frequentemente analisado dentro do contexto da instabilidade emocional, medo de abandono, dificuldade de confiar na estabilidade dos vínculos e padrões aprendidos de proteção emocional.
Para algumas pessoas com TPB, momentos positivos — como um relacionamento saudável, uma conquista profissional ou uma fase de maior tranquilidade — podem paradoxalmente ativar inseguranças. A estabilidade pode parecer desconhecida ou até ameaçadora, especialmente quando existe uma história marcada por rejeições, perdas, críticas ou relações imprevisíveis. Surge então um conflito interno: ao mesmo tempo em que a pessoa deseja proximidade, sucesso e segurança, pode sentir medo de perder aquilo ou de ser machucada novamente.
Esse processo pode levar a comportamentos como:
testar constantemente o vínculo (“será que essa pessoa realmente se importa?”);
provocar conflitos diante de situações neutras;
abandonar projetos por medo de falhar;
tomar decisões impulsivas para aliviar uma tensão emocional;
interpretar sinais positivos como algo que pode desaparecer a qualquer momento.
O psiquiatra avalia a chamada autossabotagem procurando entender sua função emocional. A pergunta central não é apenas “por que você fez isso?”, mas “qual emoção ou medo apareceu antes desse comportamento?”. Muitas vezes, o comportamento funciona como uma tentativa de recuperar controle, evitar uma possível rejeição ou reduzir uma ansiedade difícil de suportar.
No tratamento, o objetivo é ajudar o paciente a desenvolver maior consciência sobre esses ciclos e criar alternativas antes de agir impulsivamente. Psicoterapias estruturadas, como a Terapia Dialética Comportamental (TDC) e a Terapia Baseada em Mentalização (TBM), trabalham habilidades de regulação emocional, tolerância ao sofrimento, identificação de pensamentos automáticos e compreensão das intenções próprias e dos outros.
A avaliação psiquiátrica também considera sintomas associados, como ansiedade, depressão, irritabilidade, impulsividade, sensação de vazio, crises emocionais, instabilidade do humor e dificuldades nos relacionamentos, pois esses fatores podem aumentar a vulnerabilidade aos comportamentos impulsivos.
Quando indicada, a medicação pode auxiliar no controle de sintomas específicos, reduzindo a intensidade emocional e permitindo maior aproveitamento da psicoterapia.
Portanto, a autossabotagem no TPB não é vista como uma característica fixa da personalidade, mas como um padrão aprendido de lidar com emoções intensas e medos relacionais. Com tratamento adequado, o paciente pode aprender a permanecer em situações positivas sem precisar destruí-las, desenvolvendo maior segurança interna e capacidade de construir uma vida mais estável.
-
Por que pessoas com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) costumam ficar irritadas ou esgot
Por que pessoas com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) costumam ficar irritadas ou esgotadas em ambientes com muito barulho, luzes ou aglomerações? Como a psiquiatria explica isso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), a irritação ou o esgotamento em ambientes com muito barulho, luzes intensas ou aglomerações pode estar relacionado principalmente à maior sensibilidade emocional e dificuldade de regulação dos estímulos internos e externos. Isso não significa que todas as pessoas com TPB terão essa característica, mas é um fenômeno relatado por alguns pacientes durante a avaliação clínica.
Uma das explicações envolve a hiperreatividade emocional. No TPB, o sistema responsável pela identificação e resposta às emoções pode reagir de forma mais intensa a determinados estímulos. Ambientes muito estimulantes podem aumentar a ativação emocional e fisiológica, gerando sensação de sobrecarga, irritabilidade, ansiedade, necessidade de afastamento ou dificuldade para pensar com clareza.
Além disso, muitos pacientes com TPB apresentam dificuldade em filtrar e organizar informações quando estão sob estresse. Em uma situação com muitas pessoas, sons simultâneos, conversas, luzes e demandas sociais, o cérebro pode ter mais dificuldade para priorizar o que é importante, aumentando a sensação de “estar sendo invadido” por estímulos.
Outro fator importante é que esses ambientes podem ativar emoções relacionadas a ansiedade, medo de julgamento, rejeição ou perda de controle. Uma pessoa que já apresenta maior vulnerabilidade emocional pode interpretar uma situação social intensa como ameaçadora, mesmo que objetivamente não exista perigo.
Na avaliação psiquiátrica, é importante diferenciar essa sensibilidade de outros fenômenos que podem coexistir ou ter características semelhantes, como:
transtornos de ansiedade, especialmente ansiedade social e crises de pânico;
sintomas relacionados a trauma;
alterações sensoriais presentes em outros transtornos do neurodesenvolvimento;
episódios de estresse intenso ou privação de sono.
O tratamento busca aumentar a capacidade de lidar com esses estímulos sem que eles desencadeiem crises emocionais. Psicoterapias como a Terapia Dialética Comportamental (TDC) trabalham habilidades de regulação emocional, tolerância ao desconforto, atenção plena e estratégias para reduzir a impulsividade diante da sobrecarga. A Terapia Baseada em Mentalização (TBM) auxilia o paciente a compreender melhor seus estados internos e as situações ao redor.
A avaliação psiquiátrica também considera sintomas associados, como ansiedade, depressão, irritabilidade, crises emocionais, impulsividade, sensação de vazio, instabilidade do humor e dificuldades nos relacionamentos, pois esses fatores podem aumentar a sensibilidade aos estímulos.
Assim, a irritação em ambientes muito estimulantes no TPB não é interpretada como “frescura” ou falta de adaptação, mas como parte de um funcionamento emocional em que o cérebro pode atingir rapidamente um estado de sobrecarga. Com tratamento adequado, o paciente pode desenvolver maior capacidade de identificar seus limites, regular as emoções e permanecer em diferentes ambientes com menos sofrimento.
-
Pacientes com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) costumam ser descritas como intensament
Pacientes com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) costumam ser descritas como intensamente autênticas ou "sem filtro". Como o psiquiatra analisa essa dificuldade de lidar com as convenções sociais e os pequenos teatros do dia a dia?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), a percepção de que algumas pessoas são “sem filtro”, extremamente diretas ou intensamente autênticas pode estar relacionada a aspectos centrais do funcionamento emocional do transtorno, como alta sensibilidade emocional, dificuldade de modulação dos impulsos e necessidade de expressar de forma imediata aquilo que sentem. Entretanto, essa característica não deve ser interpretada como falta de educação, sinceridade excessiva ou uma característica fixa de todas as pessoas com TPB.
Na avaliação psiquiátrica, o profissional procura compreender o que está por trás dessa dificuldade de adaptação às convenções sociais. Muitas vezes, o paciente pode perceber determinadas regras sociais implícitas — como esconder uma insatisfação momentânea, esperar antes de responder ou tolerar pequenas frustrações — como algo artificial ou até desonesto. Como as emoções podem ser vividas com grande intensidade, existe uma tendência a sentir que “precisa falar aquilo agora” para aliviar a tensão interna ou para ser compreendido pelo outro.
Outro aspecto importante é a dificuldade de regular a distância entre emoção e comportamento. Em uma situação de raiva, medo ou mágoa, a pessoa pode ter dificuldade de criar um espaço de reflexão antes de agir ou falar. O comentário feito naquele momento pode representar fielmente o sentimento presente, mas não necessariamente uma avaliação completa e equilibrada da situação.
O psiquiatra também avalia a diferença entre autenticidade saudável e impulsividade emocional. Ser verdadeiro sobre sentimentos, necessidades e limites pode ser uma característica positiva. O problema ocorre quando a expressão emocional imediata causa prejuízos nos relacionamentos, no trabalho ou gera arrependimento frequente após conflitos.
No tratamento, o objetivo não é transformar a pessoa em alguém artificial ou “ensaiado”, mas ajudá-la a desenvolver maior flexibilidade social e emocional. Abordagens como a Terapia Dialética Comportamental (TDC) trabalham habilidades de:
identificar emoções antes de agir;
comunicar necessidades de forma mais eficaz;
tolerar desconfortos sem respostas impulsivas;
equilibrar autenticidade com consideração pelo contexto e pelo outro.
A Terapia Baseada em Mentalização (TBM) também contribui ao ajudar o paciente a compreender que outras pessoas possuem pensamentos, intenções e sentimentos diferentes dos seus, reduzindo interpretações imediatas baseadas apenas na própria emoção.
A avaliação psiquiátrica considera ainda sintomas associados, como ansiedade, depressão, irritabilidade, crises emocionais, impulsividade, sensação de vazio, medo de abandono e dificuldades nos relacionamentos, pois esses fatores podem intensificar a necessidade de se expressar de maneira intensa.
Assim, a “falta de filtro” no TPB não é simplesmente uma escolha de ser inadequado socialmente. Muitas vezes, representa uma tentativa de comunicar uma experiência emocional muito intensa. Com tratamento adequado, o paciente pode preservar sua autenticidade, mas desenvolver maior controle sobre quando, como e de que forma expressar aquilo que sente.
-
Como o psiquiatra enxerga a relação de quem tem o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) com a
Como o psiquiatra enxerga a relação de quem tem o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) com a própria aparência física e com os distúrbios alimentares?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O psiquiatra compreende a relação de pacientes com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) com a própria aparência física e com os distúrbios alimentares a partir da interação entre autoimagem, identidade, regulação emocional e relações interpessoais. No TPB, frequentemente existe uma percepção instável de si mesmo, que pode incluir mudanças intensas na forma como a pessoa avalia o próprio corpo, aparência e valor pessoal.
Alguns pacientes podem apresentar uma preocupação excessiva com a aparência, sentimentos de inadequação, vergonha corporal ou uma necessidade intensa de aprovação externa. Essas dificuldades podem estar relacionadas à instabilidade da autoimagem, na qual a percepção de quem a pessoa é e de como é vista pelos outros pode variar conforme experiências emocionais e relacionais do momento.
Em relação aos transtornos alimentares, existe uma associação entre TPB e comportamentos alimentares desregulados, especialmente aqueles relacionados à impulsividade e dificuldade de regulação emocional. Episódios de compulsão alimentar, restrição alimentar, purgação ou alternância entre controle rígido e perda de controle podem funcionar como tentativas de lidar com emoções intensas, sensação de vazio, ansiedade, culpa ou sofrimento psicológico.
O psiquiatra investiga se esses comportamentos estão ligados principalmente à busca por controle, à autoestima, à imagem corporal, ao alívio emocional ou a padrões impulsivos. Também é importante diferenciar sintomas de transtornos alimentares específicos, como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar, de comportamentos alimentares secundários à desregulação emocional do TPB.
O tratamento costuma envolver uma abordagem integrada, com foco em regulação emocional, autoestima, relação saudável com o corpo, redução da impulsividade e desenvolvimento de estratégias de enfrentamento mais adaptativas. Psicoterapias estruturadas, como a terapia dialética comportamental (TDC) e abordagens focadas em esquemas, apresentam papel importante nesse processo.
Dessa forma, o psiquiatra não observa apenas o peso ou a aparência física, mas como a relação com o corpo se conecta ao funcionamento emocional, aos relacionamentos e aos sintomas centrais do TPB, como instabilidade emocional, ansiedade, impulsividade, medo de abandono, crises de ansiedade, depressão e transtornos de humor.
-
Por que é comum que pacientes com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) procurem prontos-so
Por que é comum que pacientes com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) procurem prontos-socorros com dores físicas intensas que os exames não conseguem explicar? Como o psiquiatra avalia isso?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pacientes com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) podem apresentar uma frequência maior de procura por serviços de emergência devido a dores físicas intensas ou sintomas corporais sem uma explicação médica proporcional aos exames realizados. O psiquiatra entende esse fenômeno a partir da complexa relação entre emoções, percepção corporal, regulação do estresse e funcionamento psicológico.
No TPB, existe frequentemente uma dificuldade importante na regulação emocional, fazendo com que estados emocionais intensos possam ser percebidos e expressos também pelo corpo. Situações de abandono, conflitos interpessoais, rejeição ou estresse intenso podem desencadear manifestações físicas como dor no peito, falta de ar, palpitações, dores musculares, cefaleias, sintomas gastrointestinais e sensação de mal-estar intenso.
Isso não significa que a dor seja “inventada” ou que o sofrimento não seja real. A experiência dolorosa envolve uma interação entre sistemas neurológicos, emocionais e cognitivos. Pessoas com TPB podem apresentar maior sensibilidade às sensações corporais e dificuldade em identificar, nomear e elaborar estados emocionais, processo conhecido como alexitimia, fazendo com que emoções intensas sejam vivenciadas predominantemente como sintomas físicos.
Durante a avaliação, o psiquiatra inicialmente deve sempre investigar e descartar causas orgânicas, principalmente em sintomas novos, intensos ou com sinais de alerta. Após essa avaliação, busca compreender a relação entre os sintomas físicos e aspectos emocionais, analisando frequência, gatilhos, contexto de surgimento e impacto na vida do paciente.
Também são avaliados sintomas associados, como ansiedade, crises de ansiedade, ataques de pânico, depressão, sintomas dissociativos, impulsividade e padrões de relacionamento, pois esses fatores podem contribuir para a intensificação da percepção corporal.
O manejo terapêutico envolve uma abordagem integrada, com foco em regulação emocional, desenvolvimento de estratégias de enfrentamento, compreensão das emoções e melhora da relação com o próprio corpo. Psicoterapias estruturadas, como a terapia dialética comportamental (TDC) e a terapia baseada em mentalização, possuem papel importante nesse processo.
Assim, o psiquiatra não interpreta esses sintomas como “apenas psicológicos”, mas como manifestações reais dentro de um funcionamento biopsicossocial, buscando equilibrar a investigação médica adequada com o tratamento das dificuldades emocionais centrais do TPB.
-
Por que momentos de transição — como receber alta de uma internação, terminar a faculdade ou mudar d
Por que momentos de transição — como receber alta de uma internação, terminar a faculdade ou mudar de terapeuta — são tão críticos no Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), e o que o psiquiatra faz para proteger o paciente?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Momentos de transição, como receber alta de uma internação psiquiátrica, concluir a faculdade, mudar de terapeuta ou passar por grandes mudanças de rotina, podem ser períodos particularmente sensíveis para pessoas com Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) devido à relação entre essas situações e aspectos centrais do transtorno, como medo de abandono, dificuldade de lidar com separações, instabilidade emocional e necessidade de previsibilidade nos vínculos.
Para muitos pacientes com TPB, mudanças podem ser interpretadas pelo sistema emocional como ameaças à segurança e ao vínculo, mesmo quando são acontecimentos positivos. Uma alta hospitalar, por exemplo, pode representar a perda de um ambiente estruturado e protetor; a troca de terapeuta pode ser vivenciada como uma ruptura ou rejeição; e o término de uma fase importante da vida pode gerar sensação de vazio, insegurança ou dificuldade em definir novos objetivos.
Nesses períodos, podem ocorrer aumento de sintomas como ansiedade, crises de ansiedade, tristeza profunda, irritabilidade, impulsividade, sensação de vazio, comportamentos autolesivos ou pensamentos de morte, especialmente quando a pessoa ainda possui poucas estratégias internas para lidar com mudanças e emoções intensas.
O psiquiatra atua de forma preventiva, antecipando essas fases de maior vulnerabilidade. O manejo envolve planejamento da transição, comunicação clara sobre mudanças, manutenção de uma rotina terapêutica previsível e fortalecimento da aliança terapêutica. Também é importante desenvolver um plano de segurança, identificando sinais de alerta, estratégias de enfrentamento, pessoas de apoio e recursos que podem ser acionados em momentos de crise.
Além disso, o tratamento busca ampliar habilidades de regulação emocional, tolerância ao desconforto, autonomia e construção de uma identidade mais estável, reduzindo a dependência exclusiva de vínculos externos para manter o equilíbrio emocional.
Dessa forma, o psiquiatra compreende as transições não como eventos necessariamente negativos, mas como momentos que exigem maior suporte e organização terapêutica. Com acompanhamento adequado, esses períodos podem se tornar oportunidades de crescimento, fortalecimento da autonomia e melhora dos sintomas do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB), incluindo ansiedade, depressão, impulsividade, instabilidade nos relacionamentos e transtornos de humor associados.
Autor
Perguntas frequentes
-
Tem algum problema tomar Daforin de manha e sulpan a noite ?
Se por Daforin você se refere à fluoxetina e por Sulpan ao medicamento que…