Perguntas do paciente (5)

  • Por que a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) parece mudar de personalidade depe

    Por que a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) parece mudar de personalidade dependendo de quem está por perto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mariana Kós

    Segundo o livro Psiquiatria Psicodinâmica na Prática Clínica, de Glen O. Gabbard, pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) frequentemente parecem “mudar de personalidade” dependendo de quem está por perto porque apresentam uma identidade mais instável e grande sensibilidade emocional nas relações interpessoais.

    Na perspectiva psicodinâmica apresentada no texto, isso ocorre porque o sujeito possui dificuldade em integrar de maneira estável as representações de si mesmo e dos outros. Dessa forma, diferentes aspectos da personalidade podem emergir dependendo do vínculo, da situação emocional ou da percepção de aceitação e rejeição.

    O livro também descreve que mecanismos de defesa primitivos, como a cisão, fazem com que o indivíduo oscile entre idealização e desvalorização, tanto de si mesmo quanto das pessoas ao redor. Por isso, a pessoa borderline pode mudar rapidamente de humor, comportamento e forma de se relacionar em diferentes contextos.

    Além disso, Gabbard relaciona esses padrões às experiências emocionais precoces e às formas como os vínculos foram internalizados durante o desenvolvimento psíquico. Assim, muitas dessas mudanças funcionam como tentativas inconscientes de evitar abandono, manter conexão emocional ou lidar com sentimentos profundos de vazio e instabilidade interna.


  • Por que a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ter emoções tão contraditória

    Por que a pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ter emoções tão contraditórias ao mesmo tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mariana Kós

    Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem experimentar emoções muito contraditórias ao mesmo tempo devido à dificuldade em integrar sentimentos positivos e negativos sobre si mesmas e sobre os outros.

    Na perspectiva psicodinâmica, isso ocorre porque o funcionamento borderline é marcado por intensa instabilidade emocional e pelo uso de mecanismos de defesa primitivos, especialmente a cisão. Esse mecanismo faz com que o sujeito perceba as pessoas e a si próprio de forma polarizada — “totalmente bom” ou “totalmente ruim” — sem conseguir integrar facilmente aspectos contraditórios da experiência emocional.

    Por isso, a pessoa pode amar e sentir raiva de alguém ao mesmo tempo, desejar proximidade enquanto teme abandono, ou buscar afeto enquanto também sente medo de ser machucada. Essas emoções coexistem de forma intensa e, muitas vezes, difícil de organizar internamente.

    Essa instabilidade também está relacionada às experiências emocionais precoces e à fragilidade na constituição da identidade e das relações internas. Assim, pequenos acontecimentos interpessoais podem despertar sentimentos muito profundos de rejeição, vazio, insegurança ou desamparo, levando a mudanças emocionais rápidas e aparentemente contraditórias.


  • Qual é a conexão entre Medo Existencial e Saúde Mental ?

    Qual é a conexão entre Medo Existencial e Saúde Mental ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mariana Kós

    O medo existencial está relacionado às angústias humanas mais profundas, como o medo da morte, da solidão, da perda de sentido e da falta de controle sobre a vida. Quando essas questões se tornam intensas e difíceis de elaborar, podem impactar diretamente a saúde mental, gerando ansiedade, depressão, vazio emocional e sofrimento psíquico.
    Muitas vezes, os sintomas psicológicos funcionam como tentativas de lidar com essas angústias. Assim, a saúde mental envolve não apenas a ausência de transtornos, mas também a capacidade de compreender, simbolizar e enfrentar os desafios da existência humana de forma mais saudável.
    Nesse contexto, a psicoterapia pode ajudar o sujeito a elaborar seus conflitos e encontrar novos sentidos para suas experiências. O processo terapêutico oferece um espaço de escuta, acolhimento e reflexão, possibilitando maior compreensão sobre emoções, padrões de funcionamento e formas de sofrimento. Ao fortalecer recursos emocionais e promover autoconhecimento, a psicoterapia auxilia na construção de maneiras mais saudáveis de lidar com a angústia, o vazio e as inseguranças da vida.


  • Quais são os impactos emocionais e físicos das doenças autoimunes na vida das pessoas afetadas?

    Quais são os impactos emocionais e físicos das doenças autoimunes na vida das pessoas afetadas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mariana Kós

    Segundo Alfredo Simonetti, no livro Psicologia Hospitalar, as doenças autoimunes não devem ser compreendidas apenas pelo aspecto físico, mas também pelos impactos subjetivos que o adoecimento produz na vida da pessoa. Para o autor, toda doença mobiliza aspectos emocionais, despertando medos, inseguranças, angústias e mudanças na forma como o sujeito percebe a si mesmo e sua própria existência.

    Nesse contexto, pacientes com doenças autoimunes frequentemente enfrentam sofrimento relacionado às limitações do corpo, à dor crônica, à fadiga, às incertezas do tratamento e à imprevisibilidade das crises. O adoecimento pode afetar a autoestima, a autonomia, os vínculos sociais e a qualidade de vida, exigindo constantes adaptações emocionais.

    A psicoterapia torna-se fundamental nesse processo, pois oferece um espaço de escuta e acolhimento para que o paciente possa elaborar emocionalmente sua experiência com a doença. O acompanhamento psicológico auxilia na compreensão dos sentimentos envolvidos no adoecer, fortalece recursos psíquicos para lidar com o sofrimento e contribui para um enfrentamento mais saudável das limitações e mudanças impostas pela condição clínica.

    Além disso, a psicoterapia pode favorecer maior adesão ao tratamento, redução do sofrimento emocional e melhora na qualidade de vida, ajudando o sujeito a ressignificar sua relação com o próprio corpo, com a doença e com sua história.


  • Como a Logoterapia e a Psicanálise se relacionam com a saúde mental?

    Como a Logoterapia e a Psicanálise se relacionam com a saúde mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mariana Kós

    A Logoterapia e a Psicanálise se relacionam com a saúde mental por compreenderem o sofrimento humano de maneira profunda e singular, indo além da simples eliminação de sintomas.

    A Psicanálise entende que muitos sofrimentos psíquicos estão ligados a conflitos inconscientes, desejos reprimidos, experiências infantis e formas de relação construídas ao longo da vida. Nesse sentido, os sintomas emocionais são vistos como manifestações de conteúdos psíquicos que não puderam ser elaborados. O processo terapêutico busca possibilitar que o sujeito compreenda sua própria história, reconheça seus conflitos internos e encontre novas formas de simbolizar seu sofrimento.

    Já a Logoterapia, desenvolvida por Viktor Frankl, enfatiza a busca de sentido como elemento central da existência humana. Para Frankl, grande parte do sofrimento psíquico surge quando o indivíduo perde o sentido da vida ou não consegue encontrar propósito diante das dificuldades. Como ele afirma: “Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como.”

    A partir de sua experiência nos campos de concentração, Frankl compreende que, mesmo diante do sofrimento extremo, o ser humano ainda preserva a liberdade de escolher sua atitude perante a vida. Ele descreve isso como “a última liberdade humana”, isto é, “a capacidade de escolher a atitude pessoal que se assume diante de determinado conjunto de circunstâncias”.

    Assim, enquanto a Psicanálise volta seu olhar para os conflitos inconscientes e para a constituição psíquica do sujeito, a Logoterapia enfatiza a dimensão existencial, a responsabilidade e a construção de sentido. Ambas contribuem para a saúde mental ao oferecer espaço para escuta, elaboração do sofrimento e fortalecimento subjetivo, ajudando o indivíduo a compreender sua dor e construir maneiras mais saudáveis de existir.


Perguntas frequentes

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