Perguntas do paciente (18)

  • . Qual é um instrumento comum na triagem de comprometimento cognitivo leve?

    . Qual é um instrumento comum na triagem de comprometimento cognitivo leve?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    Um instrumento muito comum na triagem de comprometimento cognitivo leve é o MoCA, sigla para Montreal Cognitive Assessment, ou Avaliação Cognitiva de Montreal. Na minha prática clínica e acadêmica, esse teste é amplamente utilizado justamente por ser sensível para detectar alterações cognitivas iniciais, que muitas vezes passam despercebidas em avaliações mais superficiais.

    O comprometimento cognitivo leve é uma condição em que a pessoa apresenta uma queda no desempenho cognitivo em relação ao esperado para sua idade e escolaridade, mas ainda mantém relativa autonomia nas atividades do dia a dia. Ou seja, não se trata de demência, mas de um estágio intermediário que merece acompanhamento.

    O MoCA é um teste breve, de aplicação rápida, geralmente em torno de 10 a 15 minutos, e avalia várias funções cognitivas ao mesmo tempo. Ele investiga atenção, memória, linguagem, funções executivas, orientação, habilidades visuoespaciais e velocidade de processamento. Funções executivas, por exemplo, são aquelas ligadas ao planejamento, organização, tomada de decisões e controle do comportamento.

    O diferencial do MoCA é justamente essa avaliação mais abrangente. Enquanto outros instrumentos focam mais em orientação e memória básica, o MoCA consegue captar alterações sutis em raciocínio, flexibilidade mental e atenção, que costumam ser os primeiros sinais de comprometimento cognitivo leve.

    É importante destacar que ele é um instrumento de triagem, não de diagnóstico. Isso significa que um resultado abaixo do esperado não fecha diagnóstico, mas indica a necessidade de uma avaliação neuropsicológica mais completa. Ele funciona como um sinal de alerta, ajudando o profissional a decidir se é necessário investigar com mais profundidade.

    Além do MoCA, outros instrumentos também podem ser utilizados, como o Mini Exame do Estado Mental, conhecido como MEEM, mas esse costuma ser menos sensível para alterações iniciais, sendo mais útil em quadros mais avançados.

    Portanto, o MoCA é hoje um dos instrumentos mais utilizados para triagem de comprometimento cognitivo leve por sua sensibilidade, rapidez e capacidade de avaliar múltiplas funções cognitivas de forma integrada.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Qual a diferença entre funções cognitivas e funções executivas?

    Qual a diferença entre funções cognitivas e funções executivas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    Essa é uma pergunta muito importante dentro da avaliação neuropsicológica, porque esses termos são frequentemente confundidos, embora não signifiquem a mesma coisa. Vou explicar como costumo fazer na prática clínica e acadêmica.

    Funções cognitivas é um termo amplo que se refere a todas as habilidades mentais envolvidas no processamento de informações. Inclui atenção, memória, linguagem, percepção, raciocínio, velocidade de processamento, habilidades visuoespaciais e também as funções executivas. Ou seja, as funções cognitivas representam o conjunto de capacidades que permitem compreender o ambiente, aprender, lembrar, comunicar, resolver problemas e se adaptar às situações do dia a dia.

    Já as funções executivas são um subconjunto das funções cognitivas. Elas correspondem às habilidades de controle, organização e autorregulação do comportamento. São chamadas de executivas porque funcionam como um “sistema de comando” do cérebro. Elas nos permitem planejar, estabelecer metas, organizar etapas, inibir impulsos, mudar de estratégia quando algo não funciona, tomar decisões e monitorar o próprio comportamento.

    Em termos práticos, enquanto a memória permite lembrar de uma informação, as funções executivas ajudam a decidir como e quando usar essa informação. Enquanto a atenção ajuda a focar, as funções executivas ajudam a manter esse foco em uma tarefa, resistindo a distrações. Enquanto a linguagem permite comunicar, as funções executivas ajudam a organizar o discurso de forma lógica e adequada ao contexto.

    Uma forma simples de entender é pensar que as funções cognitivas são tudo aquilo que o cérebro faz para processar informações, e as funções executivas são as que organizam, controlam e direcionam esse funcionamento. Elas são fundamentais para a autonomia, para a vida profissional, para os relacionamentos e para a adaptação social.

    Na avaliação neuropsicológica, essa distinção é essencial. Uma pessoa pode ter memória preservada, mas dificuldade em planejamento e organização. Ou pode compreender bem as informações, mas ter impulsividade, dificuldade de autocontrole e problemas na tomada de decisões. Isso aponta para alterações nas funções executivas, mesmo com outras funções cognitivas preservadas.

    Resumindo, todas as funções executivas são funções cognitivas, mas nem todas as funções cognitivas são executivas. As executivas representam o sistema de gestão do cérebro, enquanto as demais funções cognitivas representam os diferentes tipos de processamento mental.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Qual a diferença entre cognição e processos cognitivos?

    Qual a diferença entre cognição e processos cognitivos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    Essa é uma dúvida muito comum e bastante pertinente quando falamos de avaliação neuropsicológica. Vou explicar de forma clara, como costumo fazer na prática clínica e acadêmica.

    Cognição é um termo amplo que se refere ao conjunto de capacidades mentais que usamos para perceber, interpretar, aprender, lembrar, pensar, resolver problemas e tomar decisões. Em outras palavras, cognição é o funcionamento global da mente. É como se fosse o “sistema” que permite que você compreenda o mundo, se adapte a ele e atue de forma intencional.

    Já os processos cognitivos são as partes que compõem esse sistema maior. São os mecanismos específicos que trabalham juntos para que a cognição aconteça. Por exemplo, atenção, memória, linguagem, percepção, raciocínio, funções executivas, velocidade de processamento e habilidades visuoespaciais. Cada um desses processos tem uma função própria. A atenção permite focar em estímulos relevantes, a memória possibilita armazenar e recuperar informações, a linguagem permite comunicar ideias, o raciocínio ajuda a resolver problemas, e assim por diante.

    Uma forma simples de entender é pensar que a cognição é o todo, e os processos cognitivos são as engrenagens que fazem esse todo funcionar. Se uma engrenagem falha, o sistema continua existindo, mas passa a funcionar com dificuldades.

    Na avaliação neuropsicológica, nós analisamos justamente esses processos cognitivos separadamente. Isso é importante porque uma pessoa pode ter a cognição global preservada, mas apresentar dificuldade específica em memória, por exemplo, ou em atenção. Ou o contrário, pode haver um rebaixamento global do funcionamento cognitivo, como acontece em alguns transtornos do neurodesenvolvimento.

    Então, quando avaliamos, não dizemos apenas se a pessoa “tem problema cognitivo” ou não. Investigamos quais processos estão preservados, quais estão prejudicados e como isso impacta a vida diária. Isso permite um plano de intervenção muito mais preciso e humano.

    Resumindo, cognição é o funcionamento mental como um todo, enquanto processos cognitivos são os componentes específicos que sustentam esse funcionamento. Entender essa diferença ajuda a compreender melhor os resultados de uma avaliação neuropsicológica e o que pode ser trabalhado terapeuticamente.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • A psicanálise é só falar do passado e da infância?

    A psicanálise é só falar do passado e da infância?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    Não, a psicanálise não é só falar do passado e da infância, embora esses temas possam aparecer no processo. Essa é uma ideia muito difundida, mas bastante simplificada do que realmente acontece na clínica psicanalítica. Vou explicar a partir da minha experiência clínica e acadêmica.

    A psicanálise trabalha com a noção de inconsciente, que é a parte da mente onde ficam conteúdos, emoções, conflitos e padrões que não estão totalmente acessíveis à consciência, mas que influenciam fortemente nossas escolhas, reações e sofrimentos atuais. Ou seja, o foco principal não é o passado em si, mas como o passado continua atuando no presente, muitas vezes de forma automática.

    A infância costuma ser abordada porque é o período em que nossa estrutura emocional começa a se formar. É ali que aprendemos, mesmo sem perceber, como nos relacionar, como lidar com frustrações, como nos sentimos amados ou rejeitados. Mas isso não significa ficar preso ao passado. O objetivo é compreender como essas experiências iniciais moldaram padrões que você repete hoje, nos relacionamentos, no trabalho, na forma como se vê e reage às situações.

    Na prática, a psicanálise trabalha muito com o aqui e agora. Com aquilo que você sente hoje, com seus conflitos atuais, com seus medos, suas repetições, seus relacionamentos presentes. A diferença é que, ao falar do presente, vamos percebendo conexões com experiências antigas que deram origem a esses padrões. Não é uma investigação histórica por curiosidade, mas um processo de compreensão profunda do funcionamento emocional.

    Outro ponto importante é que a psicanálise não é apenas “conversar”. Existe um método. O modo como você fala, o que esquece, o que evita, o que repete, o que emociona, tudo isso é material clínico. A relação com o terapeuta também é parte do trabalho, porque muitas dinâmicas emocionais antigas se reproduzem ali de forma inconsciente. Isso se chama transferência, que é quando sentimentos antigos são projetados na relação terapêutica sem que a pessoa perceba.

    O objetivo final não é culpar os pais, nem reviver dores sem propósito. É ganhar consciência, ampliar a liberdade emocional e deixar de ser governado por padrões automáticos. Quando você entende por que reage de determinada forma, passa a ter mais escolha e menos repetição.

    Então, resumindo, a psicanálise não é ficar presa ao passado. É usar o passado como chave para entender o presente e transformar o futuro. É um processo de autoconhecimento profundo, que pode ser muito libertador.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Como é que os resultados são interpretados em uma avaliação neuropsicológica no Transtorno do Desenv

    Como é que os resultados são interpretados em uma avaliação neuropsicológica no Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência Intelectual) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    A interpretação dos resultados em uma avaliação neuropsicológica no Transtorno do Desenvolvimento Intelectual, também conhecido como Deficiência Intelectual, vai muito além de simplesmente olhar números ou um escore de QI. Na minha experiência clínica e acadêmica, esse é um ponto fundamental para evitar rótulos simplistas e compreender de fato o funcionamento da pessoa.

    A avaliação neuropsicológica é um processo estruturado que investiga diversas funções cognitivas, como atenção, memória, linguagem, raciocínio, funções executivas e habilidades visuoespaciais. Cada uma dessas áreas é testada por instrumentos padronizados, ou seja, testes que foram aplicados em grandes grupos da população para gerar parâmetros de comparação. Quando falamos em resultado, estamos comparando o desempenho da pessoa com o esperado para a faixa etária e nível de escolaridade dela.

    No Transtorno do Desenvolvimento Intelectual, o que se observa é um funcionamento intelectual global abaixo da média, geralmente evidenciado por um quociente intelectual reduzido, mas esse dado nunca é interpretado de forma isolada. O QI é apenas uma parte da avaliação. Ele mostra o nível de funcionamento cognitivo geral, mas não explica como a pessoa se vira no dia a dia.

    Por isso, um critério central é a avaliação do funcionamento adaptativo. Funcionamento adaptativo refere-se à capacidade da pessoa lidar com as demandas da vida cotidiana, como comunicação, autonomia, habilidades sociais, autocuidado, uso de dinheiro, organização da rotina e tomada de decisões compatíveis com a idade. Uma pessoa pode ter um QI baixo, mas se apresentar boa adaptação funcional, o diagnóstico precisa ser analisado com muito cuidado. Da mesma forma, alguém pode ter dificuldades adaptativas importantes mesmo com um QI um pouco mais elevado.

    Na prática clínica, eu observo não apenas se a pessoa erra ou acerta, mas como ela tenta resolver as tarefas. A estratégia utilizada, a persistência, a forma de lidar com frustração, a necessidade de ajuda, tudo isso fornece informações valiosas sobre o funcionamento cognitivo e emocional. Isso se chama análise qualitativa do desempenho, que é tão importante quanto o resultado quantitativo.

    Outro ponto essencial é o contexto de desenvolvimento. A Deficiência Intelectual é um transtorno do neurodesenvolvimento, o que significa que os sinais aparecem desde a infância. Por isso, a história escolar, o desenvolvimento da linguagem, a autonomia ao longo da vida e possíveis condições médicas associadas são considerados na interpretação. Não se faz esse diagnóstico apenas com base em um teste aplicado na vida adulta.

    Os resultados também são interpretados levando em conta fatores socioculturais, nível educacional, oportunidades de aprendizagem e possíveis comorbidades, como transtornos de ansiedade, TDAH ou dificuldades emocionais, que podem interferir no desempenho nos testes.

    Ao final, o laudo neuropsicológico não serve para rotular, mas para orientar. Ele ajuda a definir quais são as potencialidades da pessoa, quais áreas precisam de mais suporte e quais estratégias podem favorecer o desenvolvimento, a autonomia e a inclusão social. Em termos práticos, isso auxilia na definição de intervenções educacionais, terapêuticas e, quando necessário, em decisões legais ou assistenciais.

    Portanto, a interpretação dos resultados é sempre clínica, contextualizada e individualizada. Não se trata de dizer o que a pessoa “não consegue”, mas de entender como ela funciona, do que precisa e como pode ser melhor apoiada para viver com mais dignidade e autonomia.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Qual o papel da avaliação neuropsicológica no Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência

    Qual o papel da avaliação neuropsicológica no Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (Deficiência Intelectual) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    A avaliação neuropsicológica tem um papel central no Transtorno do Desenvolvimento Intelectual, que hoje chamamos de Deficiência Intelectual. Digo isso a partir da minha experiência clínica e acadêmica, porque esse processo é muito mais do que “medir inteligência”. Ele é fundamental para compreender de forma ampla como a pessoa funciona cognitivamente e na vida cotidiana.

    O primeiro ponto importante é que a avaliação neuropsicológica ajuda a diferenciar dificuldades pontuais de um transtorno global do desenvolvimento. Muitas pessoas apresentam dificuldades escolares, de atenção ou de aprendizagem, mas isso não significa, automaticamente, Deficiência Intelectual. A avaliação permite analisar várias funções cognitivas, como memória, atenção, linguagem, raciocínio, velocidade de processamento e funções executivas, que são aquelas ligadas a planejamento, organização e controle do comportamento. Assim, conseguimos entender se as dificuldades são específicas ou se há um comprometimento mais global.

    Outro papel essencial é confirmar os critérios diagnósticos. O diagnóstico de Deficiência Intelectual não se baseia apenas em um QI baixo. Ele exige também prejuízo no funcionamento adaptativo. Funcionamento adaptativo é a capacidade da pessoa lidar com as demandas do dia a dia, como se comunicar, cuidar de si, manter relações sociais, tomar decisões, organizar rotina e agir com autonomia compatível com a idade. A avaliação neuropsicológica integra testes, entrevistas e observação clínica para verificar essas habilidades na prática.

    Além disso, a avaliação permite identificar o nível de suporte necessário. Hoje, não falamos apenas em graus de deficiência, mas no tipo de apoio que a pessoa precisa para viver melhor. Algumas necessitam de ajuda pontual, outras de suporte contínuo. Essa definição é fundamental para orientar família, escola, equipe de saúde e, quando necessário, decisões legais e sociais.

    Um aspecto que considero muito importante é que a avaliação não serve para rotular ou limitar a pessoa. Pelo contrário. Ela ajuda a mapear potencialidades. Muitas vezes, encontramos áreas preservadas que podem ser estimuladas para promover mais autonomia, inclusão social e qualidade de vida. O foco não é no que falta, mas no que pode ser desenvolvido.

    Também é papel da avaliação neuropsicológica diferenciar a Deficiência Intelectual de outras condições, como transtornos de aprendizagem, TDAH, quadros emocionais ou até situações de privação educacional. Às vezes, a pessoa parece ter um rebaixamento cognitivo, mas o problema principal é falta de escolarização adequada ou sofrimento emocional, e isso muda completamente a abordagem terapêutica.

    Por fim, os resultados orientam intervenções. A partir da avaliação, é possível indicar estratégias educacionais, terapias, adaptações no ambiente e formas de comunicação mais eficazes. Isso torna o cuidado muito mais direcionado e humanizado.

    Em resumo, a avaliação neuropsicológica é uma ferramenta essencial para diagnóstico, planejamento de intervenções e promoção de autonomia no Transtorno do Desenvolvimento Intelectual. Ela permite enxergar a pessoa para além do rótulo, compreendendo seu funcionamento real, suas necessidades e suas possibilidades.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Estou como responsável da pastoral da Liturgia, mas não consigo ficar normal, estou sempre nervosa e

    Estou como responsável da pastoral da Liturgia, mas não consigo ficar normal, estou sempre nervosa e com as mãos geladas,será que tenho que fazer algum desbloqueio emocional, pois minha vida desde a infância não foi normal igual de outras pessoas, tenho muitos traumas e já tive ansiedade e depressão.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    O que você descreve faz muito sentido dentro da sua história de vida. Vou responder de forma bem direta e humana, a partir da minha experiência clínica e acadêmica, porque esse tipo de sofrimento costuma ser mal interpretado como “falta de fé”, “fraqueza” ou “nervosismo sem motivo”, quando na verdade tem raízes emocionais profundas.

    Estar sempre nervosa, com as mãos geladas, sensação de alerta constante, é um sinal típico de ativação do sistema nervoso. Isso significa que seu corpo está funcionando como se estivesse em perigo, mesmo quando, racionalmente, você sabe que está em um ambiente seguro, como na pastoral. Esse estado é muito comum em pessoas que tiveram uma história marcada por traumas, insegurança emocional, abandono, medo ou experiências dolorosas na infância. O corpo aprende a ficar em alerta o tempo todo. Isso não é escolha, é condicionamento emocional.

    Quando você fala em “desbloqueio emocional”, entendo o que quer dizer. Popularmente usamos esse termo para falar de algo que ficou preso dentro da gente, mas tecnicamente falamos em trauma emocional não elaborado. Trauma não é só algo muito grave, como violência explícita. Trauma também pode ser crescer sem acolhimento, com medo, com cobranças excessivas, sem sentir segurança emocional. O cérebro registra isso e passa a reagir automaticamente, mesmo anos depois.

    O fato de você já ter tido ansiedade e depressão reforça que existe um padrão de sofrimento emocional aí. Isso não desaparece só com força de vontade ou fé, embora a espiritualidade possa ajudar muito como suporte. Mas ela não substitui o cuidado psicológico. Deus não espera que você aguente tudo sozinha.

    Esse nervosismo constante e sintomas físicos, como mãos geladas, podem ser manifestações de ansiedade. Ansiedade não é só pensamento acelerado. Ela é corporal. O corpo reage antes da mente. Muitas vezes você nem sabe exatamente com o que está ansiosa, mas o organismo já está em modo de alerta.

    O que eu aconselho, de forma muito honesta, é buscar psicoterapia. Um psicólogo pode te ajudar a olhar para essa história de infância, para esses traumas, entender como eles moldaram seu funcionamento emocional hoje. Isso não é “remexer no passado sem sentido”, é reorganizar emocionalmente aquilo que ficou mal resolvido. É aí que acontece o verdadeiro “desbloqueio”, de forma saudável, científica e segura.

    Se a ansiedade estiver muito intensa, um psiquiatra também pode ajudar avaliando se há necessidade de medicação por um período. Medicação não muda quem você é, mas pode diminuir o volume do sofrimento para que você consiga trabalhar essas questões na terapia.

    Quero te dizer algo importante. O fato de você servir na pastoral, mesmo sentindo tudo isso, mostra força, compromisso e fé. Mas força não é aguentar calada. Força também é pedir ajuda.

    Você não está “estragada” por causa do passado. Você está ferida. E feridas precisam de cuidado, não de julgamento. Existe caminho de melhora, sim. Existe alívio possível. Você não precisa viver em estado de tensão para sempre.

    Procure ajuda profissional. Isso não vai te afastar da sua fé, pelo contrário, pode te fortalecer ainda mais por dentro.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • A psicoterapia é eficaz para a desregulação emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB

    A psicoterapia é eficaz para a desregulação emocional no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    Sim, a psicoterapia é eficaz para a desregulação emocional no Transtorno de Personalidade Borderline, e isso não é apenas uma opinião, é algo amplamente sustentado pela experiência clínica e pelo conhecimento científico acumulado ao longo dos anos. Falo isso a partir da minha formação clínica e acadêmica, porque a desregulação emocional é justamente o principal alvo do tratamento psicoterapêutico no TPB.

    A desregulação emocional significa que a pessoa sente emoções muito intensas, que surgem rapidamente e demoram a diminuir. Não é falta de vontade de se controlar, é uma dificuldade real do sistema emocional em fazer esse ajuste fino. A psicoterapia atua exatamente nesse ponto. Ela não tenta “ensinar a pessoa a não sentir”, mas a reconhecer o que está sentindo, entender por que aquela emoção foi ativada e aprender formas mais seguras e eficazes de lidar com ela.

    Ao longo do processo terapêutico, a pessoa passa a identificar sinais precoces de ativação emocional. Isso é fundamental, porque quando a emoção já atingiu o pico máximo, o acesso ao pensamento reflexivo fica muito reduzido. Aprender a perceber o início da escalada emocional permite intervenções mais precoces, evitando explosões, impulsividade ou comportamentos que depois geram culpa e arrependimento.

    Outro aspecto central da psicoterapia é a validação emocional. Muitas pessoas com TPB cresceram em ambientes nos quais suas emoções foram minimizadas, ridicularizadas ou invalidadas. Isso contribui para a dificuldade atual de regulação. A terapia oferece um espaço onde a emoção é reconhecida como legítima, mesmo quando o comportamento precisa ser ajustado. Essa diferença é essencial. Emoção não é erro; o que se aprende a trabalhar é a forma de responder a ela.

    Com o tempo, a psicoterapia ajuda a construir maior tolerância ao desconforto emocional. Isso significa aprender que emoções intensas, embora dolorosas, não são perigosas nem intermináveis. Esse aprendizado muda profundamente a relação da pessoa com seus sentimentos. A urgência diminui, a impulsividade reduz e o senso de controle interno aumenta.

    Em muitos casos, a medicação pode ser utilizada como um recurso complementar, ajudando a reduzir a intensidade das oscilações emocionais ou sintomas associados, como ansiedade e impulsividade. Mas é importante deixar claro que a medicação não substitui a psicoterapia no tratamento do TPB. Ela pode facilitar o processo, mas a mudança estrutural acontece principalmente no trabalho psicoterapêutico.

    Portanto, a psicoterapia não apenas é eficaz para a desregulação emocional no Transtorno de Personalidade Borderline, como é o principal instrumento de tratamento. Ela permite que a pessoa desenvolva habilidades emocionais que não foram plenamente consolidadas ao longo da vida, promovendo relações mais estáveis, maior autonomia emocional e uma redução significativa do sofrimento.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • É possível ter relacionamentos saudáveis convivendo com o Transtorno de Personalidade Borderline (TP

    É possível ter relacionamentos saudáveis convivendo com o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    Sim, é possível ter relacionamentos saudáveis convivendo com o Transtorno de Personalidade Borderline. Essa é uma pergunta muito importante e, na minha experiência clínica e acadêmica, também uma das maiores fontes de angústia para quem recebe esse diagnóstico.

    O TPB não impede a capacidade de amar, se vincular ou construir relações profundas. O que ele afeta é a forma como as emoções são sentidas e reguladas dentro do relacionamento. Pessoas com TPB costumam sentir tudo com muita intensidade. O vínculo é vivido como algo central, quase vital, e por isso qualquer sinal de afastamento, mudança ou ambiguidade pode gerar um sofrimento emocional muito grande. Esse sofrimento, quando não é bem regulado, pode levar a reações intensas que acabam desgastando a relação.

    Relacionamentos saudáveis não significam ausência de conflitos ou emoções fortes. Eles significam a capacidade de lidar com esses momentos sem que tudo se torne uma ameaça de perda, abandono ou ruptura. No TPB, essa capacidade pode estar prejudicada no início, mas ela é desenvolvível. Não é um limite fixo da personalidade, é um padrão de funcionamento emocional que pode ser modificado.

    Um ponto fundamental é o autoconhecimento. Quando a pessoa começa a entender seus gatilhos emocionais, ou seja, quais situações ativam mais intensamente o medo de rejeição ou abandono, ela passa a ter mais chances de interromper a escalada emocional antes que ela domine completamente o comportamento. Isso não acontece do dia para a noite, mas acontece com treino e acompanhamento adequado.

    Outro aspecto central é o tratamento. Psicoterapia é uma peça-chave. Ela ajuda a desenvolver habilidades de regulação emocional, tolerância ao desconforto e comunicação mais clara das necessidades afetivas. Com o tempo, a pessoa aprende a diferenciar o que é uma ameaça real no relacionamento do que é uma ativação emocional antiga que está sendo reencenada no presente. Em alguns casos, a medicação também pode ajudar a reduzir a intensidade das oscilações emocionais, facilitando esse processo.

    Também é importante falar sobre o papel do outro na relação. Relacionamentos saudáveis com alguém que tem TPB costumam envolver limites claros, comunicação direta e menos jogos emocionais. Isso não significa “andar em ovos”, mas sim construir uma relação mais previsível e segura emocionalmente. Quando há validação emocional sem permissividade e limites sem agressividade, o vínculo tende a se tornar mais estável.

    Talvez o ponto mais importante seja desfazer a ideia de que quem tem TPB está condenado a relações caóticas. Isso não é verdade. O que existe é um caminho que pode ser mais desafiador, especialmente no início, mas que é absolutamente possível. Muitas pessoas com TPB constroem relações maduras, estáveis e satisfatórias ao longo da vida, especialmente quando recebem tratamento adequado e encontram ambientes relacionais menos invalidantes.

    Portanto, o TPB não define a qualidade dos seus relacionamentos. Ele descreve um modo de sentir que pode ser compreendido, trabalhado e transformado. Relações saudáveis não exigem perfeição emocional, exigem consciência, responsabilidade e disposição para crescer. E isso é plenamente possível.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Qual a relação entre a escalada emocional e o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    Qual a relação entre a escalada emocional e o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    A escalada emocional está no centro do funcionamento do Transtorno de Personalidade Borderline e é uma das características mais marcantes desse quadro. Falo isso com base na minha formação clínica e acadêmica, porque entender essa relação ajuda muito a reduzir estigmas e também a orientar melhor o tratamento.

    No TPB, existe uma dificuldade estrutural de regulação emocional. Regulação emocional é a capacidade de perceber uma emoção, tolerar sua intensidade, modulá-la e responder de forma proporcional à situação. Em pessoas com TPB, esse sistema funciona de maneira muito sensível e reativa. As emoções surgem rápido, atingem uma intensidade muito alta e demoram mais tempo para diminuir. Isso é o que chamamos de escalada emocional.

    Na prática, isso significa que situações que para outras pessoas seriam desconfortáveis, como uma demora para responder uma mensagem, uma mudança de tom de voz ou uma sensação de afastamento, podem ser vividas como experiências emocionalmente devastadoras. O cérebro da pessoa com TPB interpreta esses sinais como ameaças graves, especialmente ligadas ao medo de abandono, rejeição ou perda de vínculo. Esse medo não é um pensamento racional elaborado, é uma reação emocional automática, profunda e muito corporal.

    Quando a escalada emocional acontece, a pessoa entra em um estado de hiperativação emocional. Nesse estado, o acesso ao pensamento reflexivo fica reduzido. Por isso, surgem comportamentos impulsivos, explosões emocionais, choro intenso, raiva, desespero ou atitudes que depois podem gerar arrependimento. Não é falta de controle por escolha, é perda temporária da capacidade de autorregulação.

    Essa relação entre escalada emocional e TPB também explica por que os relacionamentos costumam ser tão intensos. O vínculo é vivido como algo vital para a estabilidade emocional. Quando esse vínculo parece ameaçado, mesmo que de forma sutil, a emoção escala rapidamente. É uma tentativa do sistema emocional de evitar uma dor que é percebida como insuportável.

    É importante destacar que essa escalada não define quem a pessoa é, nem seu caráter. Ela descreve um modo de funcionamento emocional aprendido e reforçado ao longo da vida, muitas vezes associado a histórias de invalidação emocional, ambientes imprevisíveis ou experiências precoces de insegurança afetiva. A boa notícia é que esse funcionamento pode mudar. Com psicoterapia adequada, a pessoa aprende a identificar os primeiros sinais da escalada, a nomear emoções, a tolerar desconforto emocional e a responder de forma mais estável.

    Portanto, a escalada emocional não é apenas um sintoma associado ao Transtorno de Personalidade Borderline, ela é uma peça central do quadro. Compreendê-la como um fenômeno de desregulação emocional, e não como exagero ou manipulação, é fundamental para reduzir sofrimento e possibilitar tratamento eficaz.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • As escaladas emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são um sinal de manipulação?

    As escaladas emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) são um sinal de manipulação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    Essa é uma dúvida muito comum e, sinceramente, uma das mais injustas que recaem sobre pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline. Vou responder a partir da minha experiência clínica e acadêmica, porque esse tema costuma ser mal compreendido, inclusive por profissionais.

    As escaladas emocionais no TPB não são, em essência, um sinal de manipulação. Elas são, na maioria das vezes, uma expressão de desregulação emocional intensa. Desregulação emocional significa uma dificuldade significativa do sistema emocional em modular a intensidade, a duração e a velocidade das emoções. Em termos simples, a emoção sobe muito rápido, fica muito forte e demora a baixar.

    No Transtorno de Personalidade Borderline, o cérebro reage aos estímulos emocionais como se eles fossem ameaças imediatas à sobrevivência emocional. Pequenos sinais de rejeição, afastamento, crítica ou ambiguidade podem ser vivenciados como abandono iminente. Esse medo do abandono não é racional no sentido lógico, mas é profundamente sentido no corpo e na emoção. Quando isso acontece, a pessoa entra em um estado de alarme emocional, semelhante a um modo de emergência.

    Nesse estado, comportamentos intensos podem surgir. Choro, raiva, desespero, pedidos urgentes de atenção ou reações impulsivas não aparecem para controlar o outro de forma calculada, mas como uma tentativa desesperada de aliviar uma dor emocional que se torna insuportável naquele momento. Manipulação pressupõe intenção consciente, planejamento e objetivo claro de obter vantagem. No TPB, o que geralmente existe é sofrimento intenso e dificuldade de regular esse sofrimento.

    O rótulo de manipulação costuma surgir porque, do ponto de vista de quem está observando de fora, o comportamento parece exagerado ou desproporcional à situação. Mas isso acontece porque a intensidade da experiência interna não é visível. A pessoa sente como se estivesse perdendo o chão emocionalmente, mesmo que o gatilho pareça pequeno para os outros.

    Isso não significa que todo comportamento deva ser validado ou que limites não sejam necessários. Limites são importantes, inclusive no tratamento. Mas limite é diferente de julgamento. Quando tudo é interpretado como manipulação, a pessoa com TPB se sente ainda mais invalidada, o que paradoxalmente intensifica as escaladas emocionais.

    Outro ponto importante é que, com tratamento adequado, especialmente psicoterapia focada em regulação emocional, essas escaladas tendem a diminuir bastante. A pessoa aprende a reconhecer os sinais iniciais da ativação emocional, a nomear o que está sentindo e a responder de forma menos impulsiva. Isso mostra claramente que o problema não é caráter, mas funcionamento emocional.

    Portanto, as escaladas emocionais no Transtorno de Personalidade Borderline são, na maioria das vezes, sinais de dor psíquica intensa e dificuldade de regulação emocional, e não estratégias conscientes de manipulação. Enxergar dessa forma muda completamente a maneira de lidar com o transtorno e aumenta muito as chances de melhora.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Tenho 34 anos e não consigo ter vontade de trabalhar, eu não queria ser assim é uma tristeza muito r

    Tenho 34 anos e não consigo ter vontade de trabalhar, eu não queria ser assim é uma tristeza muito ruim, muita pressão das pessoas em volta, muita cobrança, pessoas que dizem ser meus amigos ficam me rebaixando por causa disso, sinto uma sensação de culpa, minha mãe acha que isso não é normal e que talvez seja caso de tentar me aposentar dando a entender que eu tenho algum problema mental, tem dias que eu me sinto um lixo, uma pessoa sem utilidade pra nada, isso é horrível, o que eu faço ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    O que você descreve é muito doloroso e, infelizmente, mais comum do que as pessoas imaginam. Vou falar com você a partir da minha experiência clínica e acadêmica, porque esse tipo de sofrimento não tem relação com fraqueza, falta de caráter ou preguiça, embora muitas vezes seja tratado dessa forma por quem está de fora.

    Quando uma pessoa perde a vontade de trabalhar, de produzir ou de se engajar nas tarefas do dia a dia, isso raramente acontece por escolha. Na grande maioria das vezes, estamos diante de um estado de sofrimento psíquico. Esse sofrimento pode envolver sintomas depressivos, que incluem tristeza persistente, sensação de vazio, culpa excessiva, perda de prazer, queda de energia e uma visão muito negativa de si mesmo. Quando você diz que se sente um lixo ou alguém sem utilidade, isso não é um retrato fiel de quem você é, mas sim um sinal de que sua autoimagem está sendo distorcida pelo sofrimento emocional.

    É importante entender que a motivação não é apenas uma questão de força de vontade. Ela depende do funcionamento de circuitos cerebrais ligados à energia, ao prazer e ao senso de propósito. Quando esses circuitos estão sobrecarregados por estresse crônico, pressão constante, críticas, desvalorização e sentimentos de inadequação, o corpo e a mente entram em um estado de esgotamento. Nesse ponto, tentar se forçar a funcionar como antes só aumenta a culpa e a sensação de fracasso.

    A pressão das pessoas ao redor costuma piorar muito o quadro. Comentários que rebaixam, comparam ou rotulam não ajudam, mesmo quando vêm disfarçados de preocupação. Ao contrário, eles reforçam a ideia de incapacidade e aumentam o sofrimento. Muitas famílias, por falta de informação, interpretam esse estado como algo “anormal” no sentido moral, quando na verdade estamos falando de saúde mental. Ter um sofrimento psíquico não significa ser incapaz, inválido ou alguém que precisa ser descartado socialmente.

    Outro ponto central é a culpa. A culpa que surge nesses quadros não é um guia confiável. Ela não aparece porque você está falhando, mas porque sua mente está exigindo de você algo que, neste momento, você não consegue entregar. Isso é muito diferente de não querer. Não conseguir não é o mesmo que não se importar.

    O que fazer agora não é se punir nem tentar se encaixar à força nas expectativas dos outros. O primeiro passo é reconhecer que você precisa de ajuda profissional, assim como buscaria ajuda se estivesse com dor no peito ou falta de ar. Uma avaliação com um psiquiatra ou psicólogo pode ajudar a entender se há um quadro depressivo, ansioso ou outro tipo de adoecimento emocional, e quais estratégias de tratamento são mais adequadas. Em muitos casos, psicoterapia e, quando indicado, medicação, ajudam a recuperar gradualmente a energia, a clareza mental e o senso de valor pessoal.

    Também é fundamental reduzir, na medida do possível, a exposição a ambientes e relações que reforçam humilhação e cobrança excessiva. Ninguém se fortalece sendo constantemente diminuído. Enquanto você não está bem, proteger sua saúde mental é uma necessidade, não um luxo.

    Quero deixar algo muito claro. O que você está sentindo é horrível, mas é tratável. Esse estado não define quem você é nem quem você será. Ele descreve um momento de sofrimento, não a sua identidade. Pedir ajuda não é desistir da vida, é exatamente o oposto: é uma tentativa legítima de voltar a viver com dignidade.

    Você não é inútil. Você está adoecido emocionalmente e merece cuidado, compreensão e tratamento adequado.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Como saber se minha visão de túnel é devido ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    Como saber se minha visão de túnel é devido ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    A chamada visão de túnel é uma expressão usada para descrever um estado em que a atenção e o pensamento ficam excessivamente estreitos, rígidos e focados em um único tema, preocupação ou possibilidade, com grande dificuldade de considerar outras explicações ou perspectivas. No contexto do Transtorno Obsessivo-Compulsivo, isso costuma acontecer quando a pessoa fica tomada por obsessões, que são pensamentos, imagens ou impulsos que surgem de forma repetitiva, involuntária e geram muita ansiedade, medo ou desconforto. Esses pensamentos não são considerados delirantes, ou seja, a pessoa geralmente reconhece em algum grau que eles podem ser exagerados ou irracionais, mas mesmo assim sente enorme dificuldade de se afastar deles.

    No TOC, a visão de túnel aparece porque o cérebro entra em um padrão de hipervigilância. Hipervigilância significa um estado de alerta excessivo, no qual a mente passa a monitorar continuamente possíveis ameaças, erros ou riscos. Isso faz com que o pensamento fique repetitivo, circular e inflexível, fenômeno que chamamos de ruminação. A ruminação é o ato de pensar repetidamente sobre o mesmo assunto sem chegar a uma solução prática, o que reforça ainda mais a sensação de aprisionamento mental.

    Um indício de que essa visão de túnel pode estar relacionada ao TOC é quando ela vem acompanhada de ansiedade intensa e da sensação de urgência para neutralizar o desconforto. Muitas vezes a pessoa tenta aliviar essa angústia por meio de compulsões, que são comportamentos repetitivos ou atos mentais, como checagens, buscas constantes de certeza, repetições mentais ou tentativas de evitar situações específicas. Essas compulsões não resolvem o problema de forma duradoura, apenas aliviam temporariamente a ansiedade, reforçando o ciclo do transtorno.

    Outro ponto importante é observar se essa visão de túnel piora justamente quando a pessoa tenta ter certeza absoluta ou controle total sobre pensamentos, sentimentos ou eventos futuros. No TOC, existe uma intolerância elevada à incerteza, ou seja, uma dificuldade muito grande de aceitar que nem tudo pode ser totalmente garantido ou previsto. Essa intolerância faz com que a mente se fixe em um único cenário ou possibilidade, ignorando outras alternativas mais realistas.

    É fundamental diferenciar esse quadro de outras condições. Estados depressivos também podem gerar pensamento rígido, mas costumam vir acompanhados de desânimo persistente, perda de interesse e visão negativa global de si mesmo, do mundo e do futuro. Transtornos de ansiedade generalizada tendem a produzir preocupações múltiplas e variáveis, e não um foco tão estreito em um único tema. Já quadros psicóticos envolvem perda do senso de realidade, o que não é característico do TOC.

    A confirmação de que a visão de túnel está relacionada ao Transtorno Obsessivo-Compulsivo depende de uma avaliação clínica cuidadosa feita por um profissional de saúde mental. Essa avaliação leva em conta a presença de obsessões, compulsões, o grau de sofrimento, o impacto na vida cotidiana e a forma como a pessoa se relaciona com esses pensamentos. O tratamento costuma envolver psicoterapia, especialmente abordagens que trabalham a flexibilidade cognitiva e a exposição à ansiedade, além de medicação em alguns casos.

    Se você percebe que seus pensamentos ficam presos, repetitivos e causam sofrimento significativo, buscar uma avaliação especializada é o caminho mais seguro para entender o que está acontecendo e receber a orientação adequada.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • A "visão de túnel" pode ser um sintoma de ataque de pânico em pessoas com Transtorno Obsessivo-Compu

    A "visão de túnel" pode ser um sintoma de ataque de pânico em pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    Sim, a chamada visão de túnel pode ocorrer durante um ataque de pânico em pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo, embora ela não seja um sintoma exclusivo nem obrigatório do TOC. Para entender essa relação, é importante explicar o que acontece no corpo e no cérebro durante um ataque de pânico e como isso pode se conectar ao funcionamento do transtorno.

    O ataque de pânico é um episódio súbito de ansiedade intensa, acompanhado de sintomas físicos e cognitivos. Do ponto de vista fisiológico, ocorre uma ativação abrupta do sistema nervoso autônomo, especialmente do sistema simpático, que é o responsável pelas respostas de luta ou fuga. Essa ativação provoca aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da respiração, tensão muscular e alterações no fluxo sanguíneo. Quando o sangue é direcionado prioritariamente para órgãos vitais e músculos, podem surgir sensações como tontura, visão turva ou sensação de estreitamento do campo visual, o que popularmente é descrito como visão de túnel.

    Em pessoas com TOC, esse fenômeno pode acontecer com mais facilidade porque o transtorno está associado a níveis elevados de ansiedade basal. As obsessões, que são pensamentos intrusivos e repetitivos, costumam ser interpretadas pelo cérebro como sinais de ameaça. Quando essa interpretação atinge um nível muito alto de alarme, o organismo pode responder como se estivesse diante de um perigo iminente, desencadeando um ataque de pânico.

    Além disso, indivíduos com TOC tendem a apresentar hipervigilância, que é um estado de atenção excessiva às sensações internas e aos pensamentos. Durante um pico de ansiedade, essa hipervigilância faz com que qualquer alteração corporal seja percebida de forma amplificada. A visão de túnel, nesse contexto, não é apenas um fenômeno visual, mas também cognitivo. A mente fica extremamente focada na sensação de ameaça, no medo de perder o controle, de desmaiar ou de que algo grave aconteça, enquanto outras informações do ambiente são momentaneamente ignoradas.

    É importante esclarecer que a visão de túnel durante um ataque de pânico não indica dano neurológico ou problema ocular. Trata-se de uma resposta funcional e reversível do organismo ao estresse intenso. No TOC, o que diferencia essa experiência é que ela pode ser interpretada de forma catastrófica, reforçando ainda mais o ciclo de medo, obsessão e tentativa de controle das sensações.

    Portanto, embora a visão de túnel não seja um sintoma central do Transtorno Obsessivo-Compulsivo, ela pode sim ocorrer durante ataques de pânico associados ao TOC, especialmente quando há ansiedade intensa, foco excessivo em sensações corporais e dificuldade em tolerar a incerteza. Uma avaliação clínica adequada é essencial para diferenciar esses fenômenos de outras condições médicas e para orientar o tratamento mais apropriado.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Por que a lógica não é suficiente para superar a "visão de túnel" do Transtorno Obsessivo-Compulsivo

    Por que a lógica não é suficiente para superar a "visão de túnel" do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    A lógica, isoladamente, não é suficiente para superar a chamada visão de túnel no Transtorno Obsessivo-Compulsivo porque o núcleo do problema não está na falta de raciocínio racional, mas no modo como o cérebro processa ameaça e ansiedade. No TOC, a pessoa geralmente tem plena capacidade lógica, intelectual e crítica. Muitas vezes ela sabe que seus medos são exagerados ou pouco prováveis, mas mesmo assim sente que não consegue se desprender deles. Isso acontece porque o transtorno opera em sistemas cerebrais que não respondem diretamente ao argumento racional.

    De forma simplificada, o TOC envolve uma hiperativação dos circuitos neurais ligados à detecção de perigo e ao controle de erros. Essas redes cerebrais funcionam de maneira automática, rápida e emocional, muito antes da lógica consciente entrar em ação. Quando uma obsessão surge, o cérebro reage como se houvesse uma ameaça real e urgente. A visão de túnel aparece porque a atenção fica rigidamente capturada por essa sensação de perigo, reduzindo a capacidade de considerar outras possibilidades ou informações concorrentes.

    A lógica pertence principalmente ao funcionamento do córtex pré-frontal, região associada ao pensamento analítico, planejamento e tomada de decisões. Já a ansiedade intensa do TOC envolve estruturas mais profundas, como o sistema límbico, responsável pelas emoções e pelas respostas de alarme. Quando o nível de ansiedade é elevado, essas regiões emocionais acabam dominando o funcionamento mental, diminuindo temporariamente a influência do raciocínio lógico. É como tentar convencer alguém em pânico de que não há perigo apenas com argumentos racionais. A informação até é compreendida, mas não é sentida como verdadeira.

    Outro fator importante é a intolerância à incerteza, característica central do TOC. A lógica trabalha com probabilidades e aceita que nem tudo pode ser garantido. O cérebro obsessivo, porém, busca certeza absoluta. Mesmo uma chance mínima de algo dar errado é percebida como inaceitável. Assim, qualquer raciocínio lógico que envolva margem de dúvida não gera alívio real, e a mente volta a se fixar no mesmo ponto, reforçando a visão de túnel.

    Além disso, o uso excessivo da lógica pode, paradoxalmente, manter o problema. Muitas pessoas com TOC entram em longos debates mentais tentando provar para si mesmas que o medo não faz sentido. Esse processo é chamado de compulsão mental. Embora pareça racional, ele mantém o foco no conteúdo obsessivo e sinaliza ao cérebro que aquele pensamento é importante e perigoso, fortalecendo o ciclo do transtorno.

    Por isso, superar a visão de túnel no TOC não depende de pensar melhor, mas de mudar a relação com os pensamentos e com a ansiedade. As abordagens terapêuticas mais eficazes trabalham a capacidade de tolerar o desconforto, aceitar a incerteza e permitir que o pensamento exista sem tentar neutralizá-lo pela lógica. Com o tempo, o cérebro aprende que não há ameaça real, e a rigidez atencional diminui.

    Em resumo, a lógica não falha no TOC por ser fraca, mas por estar atuando em um nível diferente daquele onde o transtorno se mantém. O tratamento eficaz ensina o cérebro a se acalmar pela experiência emocional e comportamental, e não apenas pelo argumento racional.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • . Qual a diferença entre visão de túnel psicológica e a condição médica?

    . Qual a diferença entre visão de túnel psicológica e a condição médica?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    A expressão visão de túnel pode se referir a dois fenômenos distintos, um de natureza psicológica e outro de origem médica ou neurológica, e compreender essa diferença é fundamental para evitar interpretações equivocadas e ansiedade desnecessária.

    A chamada visão de túnel psicológica não é um problema estrutural dos olhos nem do sistema visual. Trata-se de uma alteração funcional da atenção e da percepção que ocorre em estados de ansiedade intensa, estresse agudo, ataques de pânico ou em transtornos como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Nesses casos, o cérebro entra em modo de alerta máximo, ativando mecanismos de sobrevivência. A atenção fica excessivamente focada em uma ameaça percebida, interna ou externa, e o campo perceptivo se estreita. A pessoa pode ter a sensação subjetiva de enxergar menos, de o ambiente parecer distante, turvo ou irreal, mas os olhos e os nervos ópticos estão funcionando normalmente. Esse fenômeno é temporário e reversível, desaparecendo à medida que a ansiedade diminui.

    Já a visão de túnel de origem médica é uma condição relacionada a alterações reais no campo visual. O campo visual é a área total que conseguimos enxergar sem mover os olhos. Em algumas doenças, essa área se reduz de forma objetiva e mensurável. Isso pode ocorrer, por exemplo, em doenças oftalmológicas como o glaucoma, em lesões do nervo óptico, em alterações da retina ou em algumas condições neurológicas que afetam as vias visuais no cérebro. Nesses casos, a pessoa perde progressivamente a visão periférica, mantendo inicialmente a visão central. Diferentemente da forma psicológica, essa alteração não depende do nível de ansiedade e não melhora apenas com relaxamento ou distração.

    Uma diferença essencial está na forma como o sintoma se comporta ao longo do tempo. Na visão de túnel psicológica, a intensidade costuma variar de acordo com o estado emocional, piorando em momentos de ansiedade e melhorando quando a pessoa se sente mais calma. Além disso, exames oftalmológicos e neurológicos costumam ser normais. Já na condição médica, a alteração tende a ser persistente ou progressiva e pode ser confirmada por exames específicos, como campimetria visual, avaliação do nervo óptico e exames de imagem quando indicados.

    Outro ponto importante é a experiência subjetiva. Na visão de túnel psicológica, frequentemente há sensação de irrealidade, medo intenso, aceleração do pensamento e preocupação com a própria saúde. Na condição médica, a pessoa geralmente percebe dificuldade prática para enxergar objetos laterais, esbarrar em coisas ou não notar movimentos periféricos, mesmo em situações emocionalmente neutras.

    Em resumo, a visão de túnel psicológica é uma resposta funcional e transitória do cérebro ao estresse e à ansiedade, sem dano estrutural ao sistema visual, enquanto a visão de túnel médica envolve perda real do campo visual causada por alterações orgânicas. Diante de qualquer dúvida, a avaliação profissional é essencial para diferenciar essas condições e oferecer a orientação adequada.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Tive um ataque de pânico e vivo chorando sem motivos alem da angustia que sinto. Tambem não tenho vo

    Tive um ataque de pânico e vivo chorando sem motivos alem da angustia que sinto. Tambem não tenho vontade de socializar. Qual o especialista indicado para meu caso? Quem devo procurar? Psicólogo,psiquiatra ou psicanalista? estou receosa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    O que você está vivendo merece acolhimento e não julgamento. Ataques de pânico, episódios de choro sem um motivo claro além da angústia e a falta de vontade de socializar são sinais de que algo no seu sistema emocional está sobrecarregado. Isso não significa fraqueza nem algo “sem solução”. Na minha prática clínica e acadêmica, vejo com frequência pessoas passarem por isso e se reconstruírem com o tratamento adequado.

    Diante desse quadro, o caminho mais indicado costuma ser procurar um psiquiatra e um psicólogo. Eles não se excluem; muitas vezes trabalham de forma complementar. O psiquiatra é o médico especializado em saúde mental, capaz de avaliar se existe a necessidade de medicação, entender o que está acontecendo do ponto de vista clínico e acompanhar os sintomas de forma mais ampla. Essa avaliação inicial pode trazer clareza e segurança para você entender os próximos passos.

    O psicólogo trabalha com psicoterapia. Psicoterapia é um processo estruturado que ajuda você a compreender suas emoções, reações, padrões de pensamento e comportamentos, desenvolvendo estratégias para lidar melhor com eles. Em episódios de pânico e sofrimento ansioso, a psicoterapia costuma ser uma ferramenta essencial para recuperar estabilidade e desenvolver recursos internos.

    Estar receosa é compreensível. Dar o primeiro passo pode ser assustador, principalmente quando já se está fragilizada. O mais importante agora é não enfrentar isso sozinha. Buscar ajuda é um movimento de cuidado, não de fraqueza. Um bom profissional não irá minimizar sua dor nem apressar você a “dar conta” de tudo de novo. Ele vai ajudar você a construir esse caminho com tempo, respeito e estratégia.

    Se você conseguir, marque uma consulta com um psiquiatra para uma avaliação inicial. Em seguida, ou paralelamente, procure um psicólogo com quem você se sinta confortável. Não precisa estar segura antes de começar; às vezes a segurança aparece depois que a ajuda começa.

    Você não está sozinha nisso e não precisa resolver tudo de uma vez. O primeiro passo já é um avanço.

    Dr. Mário Neto, Phd


  • Eu quero sair pra trabalhar fora uma viagem de uns quatro dias e eu estou sentido uma desanimo e uma

    Eu quero sair pra trabalhar fora uma viagem de uns quatro dias e eu estou sentido uma desanimo e uma fraqueza, o que eu faso? Que me aconselham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Mário Neto

    Entendo que essa situação traz um peso grande. Mesmo que você queira muito fazer essa viagem e trabalhar fora, o corpo e a mente podem não corresponder da forma como você espera. Esse desânimo e sensação de fraqueza não significam necessariamente que você não é capaz; eles podem indicar que algo dentro de você está pedindo mais preparo, mais cuidado ou um passo mais gradual.

    Falando de acordo com minha experiência clínica, quando alguém está prestes a enfrentar uma mudança, especialmente uma viagem ligada a trabalho ou responsabilidade, o sistema emocional pode reagir com sintomas físicos. Isso pode acontecer porque o cérebro interpreta a mudança como algo desconhecido e aciona uma resposta de estresse, que pode dar essa sensação de fraqueza, peso, desânimo e até medo de falhar. Isso não é uma prova de incapacidade, é um sinal de que talvez seja importante organizar internamente o que está acontecendo antes de avançar.

    Algumas coisas que, na prática clínica, costumam ajudar antes de tomar uma decisão assim:

    Observar o sintoma ao invés de se culpar por ele. Perguntar a si mesmo o que exatamente está causando mais medo: é a distância de casa? A responsabilidade? A convivência com outras pessoas? Ou o medo de não se sentir bem lá?

    Tentar dividir o problema em partes menores. Às vezes a pergunta não é “vou ou não vou?”, mas sim “o que eu posso fazer para me sentir mais preparado antes de ir?”. Pode ser conversar com alguém de confiança, organizar melhor o que vai levar, pensar em um plano caso não se sinta bem, ou até marcar um atendimento antes de viajar para ter apoio.

    Avaliar o seu momento atual. Se você está chorando com facilidade, com angústia, ou com sintomas parecidos com os descritos anteriormente, talvez seja importante primeiro buscar ajuda de um psicólogo ou psiquiatra para entender se seu corpo está reagindo por ansiedade, esgotamento, ou outra questão emocional. Isso não atrasa sua vida; isso prepara você para retomá-la.

    Sobre o que fazer agora, o conselho geral que posso oferecer é: não tome decisões importantes apenas baseado no medo e também não se force a ir “no impulso” para provar algo a alguém. O ideal é combinar coragem com cuidado. Às vezes isso significa ir, mas com suporte. Às vezes significa adiar alguns dias para se organizar melhor emocionalmente. Isso não é desistir; é estratégia.

    O mais importante é que você não precisa decidir tudo sozinho e nem provar nada para ninguém. O objetivo não é ser perfeito, é estar bem o suficiente para seguir.

    Dr. Mário Neto, Phd


Autor

Psicólogo, Psicanalista, Terapeuta complementar

Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.