Perguntas do paciente (9)

  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Matheus Landim de Souza

    É compreensível que essa dúvida gere ansiedade, principalmente quando existe carinho, cuidado e uma história importante entre vocês. Depois de alguns anos de relacionamento, é comum que a intensidade e a novidade do início mudem, e isso não significa necessariamente que o amor acabou. O vínculo pode assumir outras formas, menos marcadas pela euforia e mais pela intimidade, parceria e construção cotidiana. Ao mesmo tempo, não é preciso se convencer de que sente algo que não sente. Talvez seja mais importante tentar compreender o que mudou: se essa sensação aparece apenas na relação, se você tem se sentido mais distante emocionalmente de outras coisas e pessoas, se existem insatisfações que foram se acumulando ou se a própria ansiedade em torno da pergunta “será que ainda amo?” passou a ocupar tanto espaço que ficou difícil simplesmente estar com ele e perceber o que sente. O fato de você ainda encontrar prazer nas conversas, reconhecer o cuidado dele e não se sentir presa ou desconfortável na relação também faz parte desse cenário e merece ser considerado. Amor não se resume à sensação de entusiasmo constante. Talvez, neste momento, você não precise chegar imediatamente a uma resposta definitiva sobre permanecer ou terminar. Pode ser mais produtivo se permitir observar essa relação com menos cobrança, conversar sobre aquilo que sente falta e experimentar formas de recuperar espaços de intimidade, novidade e proximidade entre vocês. Em psicoterapia, também é possível explorar essas dúvidas com mais profundidade, diferenciando aquilo que pertence à relação daquilo que pode estar relacionado à ansiedade, às suas expectativas sobre o amor ou ao momento que você está vivendo.


  • Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm

    Olá!
    Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
    Eu também tenho a sensação de não pertencimento
    O que de fato é está se curando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Matheus Landim de Souza

    Você descreve que, no início do trabalho, as interações eram muito difíceis, que se sentia ansiosa e travada, e que hoje, depois de alguns meses, consegue lidar melhor com essas situações. Isso já é uma mudança significativa, mesmo que alguns comentários das pessoas ainda despertem insegurança. Ser uma pessoa mais quieta, tímida ou reservada não significa necessariamente ter ansiedade social, assim como superar dificuldades relacionadas à ansiedade não significa se transformar em alguém extremamente comunicativo ou expansivo. Parte desse processo pode ser justamente conseguir se relacionar com as pessoas de uma maneira que faça sentido para você, sem sentir que precisa corresponder o tempo inteiro às expectativas dos outros sobre como deveria falar ou se comportar. Comentários como “você é muito séria” ou “você fala pouco” podem tocar em experiências antigas, principalmente quando você conta que sofreu bullying e aprendeu, durante muito tempo, a se fechar. Por isso, é possível que essas falas tenham um peso muito maior para você do que simplesmente aquilo que está sendo dito naquele momento. Elas podem fazer surgir novamente aquela sensação de que existe algo errado na sua maneira de ser. Talvez seja útil começar a diferenciar duas coisas: “estou em silêncio porque estou com medo e gostaria de conseguir me expressar” e “estou em silêncio porque, neste momento, não tenho vontade de falar”. São situações bastante diferentes. Se você percebe que hoje consegue falar quando deseja, participar das interações e permanecer nas situações mesmo quando sente algum desconforto, isso pode ser um sinal importante de mudança. Melhorar da ansiedade social não significa necessariamente nunca mais sentir ansiedade, nunca mais se incomodar com comentários ou deixar de ser uma pessoa quieta. Pode significar ter mais liberdade para ser quem você é, conseguir se aproximar das pessoas quando desejar e não deixar que o medo determine todas as suas escolhas. Essa sensação de não pertencimento também merece ser olhada com cuidado, especialmente considerando sua história. Uma psicoterapia pode ajudar a compreender melhor de onde vem essa sensação e a construir uma relação menos exigente consigo mesma. Talvez o objetivo não precise ser se tornar uma pessoa diferente, mas conseguir viver sua maneira de ser com mais segurança e menos sofrimento.


  • Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    Dormir com a mão do t-rex significa algum transtorno? Ou algum problema?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Matheus Landim de Souza

    Não. Dormir com as mãos ou os braços nessa posição, que algumas pessoas chamam de “mão de T-Rex”, não significa, por si só, que exista algum transtorno ou problema psicológico. Nos últimos anos, alguns comportamentos bastante comuns passaram a ser associados nas redes sociais ao autismo, TDAH e outras formas de neurodivergência. É importante ter cuidado com essas associações, porque nenhum diagnóstico pode ser feito a partir de uma característica isolada como a posição em que alguém dorme. Muitas vezes, pode ser simplesmente uma postura que a pessoa considera confortável e que adquiriu como hábito. Quando existe uma dúvida sobre autismo, TDAH ou algum outro transtorno, é necessário olhar para um conjunto muito mais amplo de características, para a história daquela pessoa e para a maneira como essas questões aparecem em diferentes áreas da vida. Então, se a sua preocupação surgiu apenas porque você percebeu que dorme dessa maneira, isso não é motivo, por si só, para pensar que exista algum transtorno.


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Matheus Landim de Souza

    O que você descreve parece estar ligado a experiências muito dolorosas que aconteceram em momentos em que você era muito nova, e é compreensível que situações de maior intimidade possam despertar medo, lembranças e reações que nem sempre estão sob o seu controle. Quando você chora, sente pânico ou tem lembranças dos abusos, talvez esteja reagindo a algo da situação atual como se ainda precisasse se proteger de uma ameaça do passado. Isso não significa que você não ame ou não deseje seu namorado, nem que haja algo de errado com você. É importante não se obrigar a continuar uma situação íntima quando perceber medo ou sofrimento. Você pode parar, se afastar, respirar, recuperar a sensação de segurança e conversar com seu namorado sobre seus limites. Uma relação afetiva também pode ser um espaço em que a intimidade seja construída aos poucos, respeitando o seu tempo. O álcool também não costuma ser uma boa maneira de tentar facilitar essas situações. Pelo que você mesma percebeu, quando bebe as crises ficam ainda mais intensas. Por isso, seria importante não utilizar a bebida como uma forma de conseguir se aproximar sexualmente. Considerando a intensidade das reações que você descreve — crises de pânico, lembranças muito vívidas e a sensação de estar vendo novamente seus abusadores — acredito que seria muito importante procurar acompanhamento psicológico. Um processo terapêutico pode ajudar você a elaborar essas experiências e, principalmente, a construir maneiras de viver a intimidade sem ser constantemente invadida pelo que aconteceu no passado. Você não precisa se forçar a “superar” isso rapidamente para preservar seu relacionamento. O cuidado agora é justamente criar condições para que você possa se sentir segura novamente no próprio corpo e nas suas relações.


  • Em quais doenças psiquiátricas o ciúme patológico pode se manifestar?

    Em quais doenças psiquiátricas o ciúme patológico pode se manifestar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Matheus Landim de Souza

    O ciúme pode se tornar patológico para qualquer pessoa, possa ela ter outros sintomas compatíveis com quadro psiquiátricos ou não. Ele é tão frequente em pessoas sem psicodiagnósticos quanto em pessoas com eles. Penso que mais que "um problema ligado a uma condição x ou y", ele é uma síndrome dos nossos tempos, ligado a diversas questões da nossa cultura, como o individualismo, as questões de gênero, as questões de renda e a objetificação das pessoas. Logicamente, também está ligado, como não poderia deixar de ser, a questões psicológicas, como comportamentos violentos e obsessões. Caso uma pessoa esteja acometida de um ciúme doentio, é preciso que se investigue a sua própria história, junto a um profissional de psicologia, ou a um analista, para que novos contornos amorosos possam surgir.


  • Quais preconceitos são enfrentados por pessoas com deficiência?

    Quais preconceitos são enfrentados por pessoas com deficiência?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Matheus Landim de Souza

    As pessoas com deficiências estão sujeitas a uma série de normas culturais atravessadas pelo capacitismo, pela psicofobia, pela neuronormatividade e pelo preconceito de modo geral. Lidam cotidianamente com noções pré-concebidas excludentes e tutelares que acabam por minar sua autonomia, sua participação política, sua sexualidade e seu direito ao trabalho e à educação. Todas essas questões são formas de violência que podem ser explícitas ou implícitas, ativas ou passivas. Na verdade, na maior parte dos contextos e situações sociais, essas violências serão implícitas (justamente por serem normalizadas). Pode-se citar como exemplos: a eleição de certos padrões corporais como ideais (o que liga a deficiência à noção de defeito); a não representação de pessoas com deficiência em campanhas públicas e na mídia em geral; a ausência de pessoas com deficiência em cargos de liderança e destaque; a deficiência como uma questão exclusivamente médica e não social; a ausência de deficiências entendida como o normal e o desejado etc.


  • Preciso de ajuda para parar de beber. Já tentei muitas e muitas vezes e não consegui. Eu não bebo to

    Preciso de ajuda para parar de beber. Já tentei muitas e muitas vezes e não consegui. Eu não bebo todos os dias, só em feriados, festas e fim de semana, mas quando bebo exagero. Bebo muito rápido. E fico bêbada muito rápido tb. Vcs tem algum tratamento q eu possa fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Matheus Landim de Souza

    Geralmente vícios e dependências são relações substitutivas, tentativas de reposição daquilo que se perdeu há muito tempo. Para tratarmos devidamente essas relações viciadas (seja com o álcool, seja com o sexo, seja com o cigarro ou com jogos de azar, ou qualquer outro laço de dependência), é preciso analisarmos diversos aspectos da nossa dinâmica psíquica, especialmente a dimensão inconsciente dos nossos afetos e atos. O abuso do álcool, ao mesmo tempo em que contribui com o agravamento de diversos sintomas psicológicos, é ele mesmo sintoma de uma dor muito forte, talvez ainda sem nome. O tratamento envolve muitas especialidades, mas é necessário, também, analisar aquilo que não te deixa se despedir do álcool. É recomendado que você procure, além de médicos e nutricionistas, um psicanalista, a fim de que se entenda como a bebida se encaixa na sua história.


  • Uma pancada na cabeça pode trazer memórias de volta a tona? Se sim, porque?

    Uma pancada na cabeça pode trazer memórias de volta a tona? Se sim, porque?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Matheus Landim de Souza

    Essa é uma ótima pergunta. Não sou neurologista, então só posso responder a partir dos meus referenciais de formação, que são psicanalíticos. A psicanálise, muito curiosamente, trouxe como uma das grandes inovações para o campo da saúde mental a atenção ao papel da afetividade na formação de memórias. Se hoje em dia entendemos que existe uma dimensão emocional nos nossos esquecimentos e nas nossas lembranças, isso deve-se ao trabalho dos psicanalistas no começo do século XX. Eu diria que não só uma pancada na cabeça pode trazer memórias de volta à tona como uma pancada em qualquer outra parte do corpo; e não só receber uma pancada como dá-la também; até mesmo uma pancada imaginada pode nos fazer lembrar do que foi esquecido. No esquecimento comum de uma pessoa sempre há um filtro afetivo relacionado a uma dimensão inconsciente. Logicamente, esse esquecimento pode se tornar patológico e estar relacionado a uma degeneração ou lesão neurológicas. De todo modo, se essa pancada foi forte, é recomendado que se busque um serviço médico independente das dúvidas que tenha sobre as memórias.


  • Oi. Faço tratamento medicamentoso e terapêutico. Além disto estou sempre a ver vídeos sobre psicanál

    Oi. Faço tratamento medicamentoso e terapêutico. Além disto estou sempre a ver vídeos sobre psicanálise, inconsciente, filosofia, enfim, tudo relacionado a solução de conflitos, e tudo que traga autoconhecimento. Eu durmo escutando uma frequência ou uma trilha de som natural com toque de um piano. Acontece que há uma semana desde que acompanho aulas sobre fundamentos psicanalíticos eu tenho sonhado com uma pessoa do passado e sentindo durante o sono uma angústia muito grande, estou magoado no sonho, também no meu íntimo, de modo que prometo a mim mesmo que a esquecerei enquanto sofro a sensação de seu abandono e sua indiferença em situações sonhadas. Tento reencontrá-la, não consigo e fico angustiado; quero abrir mão da pessoa mas um sentimento me acompanha semelhante a afeto, ou dependência emocional - no sonho isto é muito latente.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Matheus Landim de Souza

    Seu interesse por psicanálise é bom para a curiosidade intelectual, mas para fins terapêuticos não é um bom caminho. Diante do que você coloca, para que consiga viver melhor é necessário ir em busca de um(a) analista. É na relação com o/a analista que vão ficar evidentes as suas questões inconscientes, ou ao menos parte delas. Sem submeter-se a um tratamento analítico, não obterá muito sucesso com as leituras. Em realidade, a racionalização é uma forma de resistência ao cuidado psíquico. É preciso ir além, a fim de que as fantasias inconscientes sejam atravessadas. Assim a chance de viver com mais satisfação e criatividade é muito maior.


Perguntas frequentes

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