Perguntas do paciente (17)

  • Tenho falta de ar/sensação de respiração incompleta praticamente todos os dias, há vários anos. É co

    Tenho falta de ar/sensação de respiração incompleta praticamente todos os dias, há vários anos. É como se eu precisasse bocejar ou suspirar constantemente para conseguir “encher” os pulmões e respirar profundamente. Isso acontece 24 h por dia 365 dias por ano, inclusive em repouso, e me incomoda bastante.

    Tenho um perfil ansioso e já faço atividade física regularmente, com boa alimentação e uma rotina ativa. Durante aproximadamente 1 ano usei sertralina, e percebi uma melhora importante dessa sensação respiratória, embora ela nunca tenha desaparecido completamente. Parei a medicação por causa de efeitos colaterais, principalmente embotamento emocional, e depois disso a sensação de falta de ar/crises voltou de forma mais intensa. Estou retomando a sertralina atualmente.

    Minha dúvida é: apesar de eu ter ansiedade, essa falta de ar persistente pode estar relacionada exclusivamente à ansiedade ou seria importante investigar outras causas, como asma, alergias, alterações respiratórias ou cardíacas? Que exames seriam indicados para investigar isso, como espirometria, avaliação pulmonar ou outros?

    Gostaria de entender principalmente como diferenciar uma falta de ar relacionada à ansiedade de uma possível doença respiratória, já que no meu caso a sensação existe há anos e é 24 h por dia e nao somente crises.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! A ansiedade pode, sim, causar sensação persistente de “respiração incompleta”, necessidade de suspirar ou bocejar e sensação de não conseguir encher totalmente os pulmões. A melhora que você percebeu com a sertralina também sugere um componente ansioso importante.

    Porém, como o sintoma é diário e persiste há anos, é prudente não atribuí-lo exclusivamente à ansiedade sem uma avaliação clínica. Recomendo conversar com seu médico para avaliar a necessidade de investigação de causas respiratórias ou outras condições associadas, podendo ser indicada avaliação com pneumologista.

    Mesmo quando há ansiedade, é importante olhar para o paciente como um todo e excluir outras causas antes de concluir que um sintoma persistente é exclusivamente emocional.


  • Quem toma estabilizador do humor posso tomar Creatina? Melatonina? Vitamina B12 injetavel? Torsilax

    Quem toma estabilizador do humor posso tomar Creatina? Melatonina? Vitamina B12 injetavel? Torsilax ou doralgina?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! Em geral, creatina, melatonina e vitamina B12 não são automaticamente contraindicadas para quem utiliza estabilizador do humor. Porém, isso depende de qual estabilizador está sendo utilizado, da dose, das demais medicações e das condições de saúde de cada pessoa.

    Já medicamentos como Torsilax e Doralgina merecem maior atenção, pois possuem diferentes princípios ativos e podem apresentar interações ou contraindicações específicas.

    É importante também evitar a automedicação, mesmo com vitaminas, suplementos ou medicamentos considerados de uso comum. O ideal é sempre informar ao médico que acompanha seu tratamento tudo o que pretende utilizar, para que ele possa avaliar a segurança das associações de forma individualizada.


  • Uma pessoa com transtorno bipolar seja ele tipo 1 ou tipo 2, é considerada PCD?

    Uma pessoa com transtorno bipolar seja ele tipo 1 ou tipo 2, é considerada PCD?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! Essa é uma dúvida muito importante. Ter o diagnóstico de transtorno bipolar, seja tipo I ou II, não significa automaticamente que a pessoa seja considerada PCD.

    Cada pessoa vivencia o transtorno de uma forma diferente. Por isso, o que precisa ser avaliado não é apenas o diagnóstico, mas principalmente o quanto a condição, ao longo do tempo, interfere na autonomia, na rotina, no trabalho e na participação na vida em sociedade.

    Quando existe essa necessidade, o ideal é conversar com o profissional que acompanha o tratamento para que seja feita uma avaliação individualizada, considerando tanto o quadro clínico quanto as repercussões na vida daquela pessoa.


  • Quetiapina é uma boa opção para melhorar a insônia forte, em que a pessoa não consegue dormir, no pe

    Quetiapina é uma boa opção para melhorar a insônia forte, em que a pessoa não consegue dormir, no período de desmame de olanzapina?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! A quetiapina pode auxiliar no sono em algumas situações, mas sua indicação depende do diagnóstico, das demais medicações e do motivo pelo qual a olanzapina está sendo retirada.

    Durante a redução da olanzapina pode ocorrer piora importante da insônia, mas também é necessário avaliar se essa alteração do sono representa apenas um efeito da retirada ou uma possível desestabilização do quadro de base.

    Por isso, não recomendo iniciar ou substituir essas medicações por conta própria. Se você está passando noites sem conseguir dormir durante o desmame, converse com o médico que acompanha seu tratamento para que ele possa avaliar o esquema e tornar essa transição mais segura e confortável.


  • Uma pessoa com transtorno bipolar pode ter embotamento afetivo?

    Uma pessoa com transtorno bipolar pode ter embotamento afetivo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! Sim, isso pode acontecer. Algumas pessoas com transtorno bipolar relatam períodos em que se sentem mais “desconectadas” das próprias emoções, como se não conseguissem sentir alegria, tristeza ou afeto com a mesma intensidade de antes.

    É importante saber que isso não significa necessariamente uma característica permanente do transtorno. Pode estar relacionado a uma fase depressiva, às medicações utilizadas ou a outros fatores que precisam ser avaliados com cuidado.

    Se você percebeu essa mudança e isso tem lhe incomodado, vale conversar abertamente com o profissional que acompanha seu tratamento. Entender quando começou e o que estava acontecendo naquele período pode ajudar bastante a identificar a causa e buscar uma abordagem que preserve tanto a estabilidade do humor quanto sua qualidade de vida.


  • Estou em tratamento pra depressão e ansiedade há dois anos com bup 300 + escitalopram de 10, estava

    Estou em tratamento pra depressão e ansiedade há dois anos com bup 300 + escitalopram de 10, estava estável mas de um mês pra cá ando sentindo agitação, taquicardia e tendo insônia. . Tive que mudar de médico e ele acha que a causa é o Bup e propôs trocar os dois por Venlafaxina de 150mg, parando imediatamente os que tomo a começar a nova. Estou com medo da mudança. A proposta dele faz sentido?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! É muito compreensível sentir receio diante de uma mudança no tratamento, especialmente após dois anos utilizando as mesmas medicações.

    Sintomas como agitação, taquicardia e insônia podem ter diferentes causas, inclusive relacionadas às medicações, mas precisam ser avaliados dentro do seu quadro clínico completo. Da mesma forma, a decisão de manter, retirar ou substituir antidepressivos e a maneira de realizar essa transição são individuais.

    Por isso, não seria adequado afirmar por aqui se a troca proposta é ou não a melhor opção para você. Esta resposta é apenas informativa e não substitui uma consulta médica.

    Como você está insegura, converse novamente com o médico que está acompanhando seu tratamento antes de fazer qualquer alteração. É importante que você compreenda o motivo da mudança, como ela será realizada e quais sintomas deverá observar durante esse período.


  • Passei 3-4 dias sem tomar meu antidepressivo e voltei a tomar ontem. Agora voltei a sentir ansiedade

    Passei 3-4 dias sem tomar meu antidepressivo e voltei a tomar ontem. Agora voltei a sentir ansiedade. É normal?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! Sim, isso pode acontecer. Ficar alguns dias sem o antidepressivo pode provocar sintomas de descontinuação, incluindo ansiedade, irritabilidade, alterações do sono e mal-estar. Além disso, a interrupção pode permitir o reaparecimento dos próprios sintomas que estavam sendo controlados pelo tratamento.

    Após retomar a medicação, o organismo pode precisar de um período para se readaptar. Evite interromper, reiniciar ou modificar a dose por conta própria. Se a ansiedade estiver intensa, persistir ou vier acompanhada de outros sintomas importantes, procure o profissional que acompanha seu tratamento para uma avaliação individualizada.

    Esta orientação é informativa e não substitui uma consulta médica.


  • O chá de camomila corta o efeito do Divalcon?

    O chá de camomila corta o efeito do Divalcon?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! Pode ficar tranquilo(a): não há evidências de que o chá de camomila “corte” o efeito do divalproato de sódio.

    Ainda assim, é sempre importante lembrar que chás e produtos naturais também podem ter efeitos no organismo. A camomila, por exemplo, pode aumentar a sonolência em algumas pessoas, principalmente quando associada a outros medicamentos.

    Se você gosta de tomar camomila com frequência, vale comentar com o médico que acompanha seu tratamento. E não interrompa ou modifique o Divalcon por conta própria.

    Espero ter ajudado a esclarecer sua dúvida! Esta orientação é informativa e não substitui uma avaliação médica individualizada.


  • Uso o rivotril algumas vezes e percebo nas fotos que os olhos mudam, parece que causa assimetria olh

    Uso o rivotril algumas vezes e percebo nas fotos que os olhos mudam, parece que causa assimetria olhos ficam separados algo assim.
    Por que acontece isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! O Rivotril (clonazepam) pode causar relaxamento muscular, sonolência e redução da coordenação dos músculos dos olhos. Por isso, algumas pessoas ficam com aparência de “olhar parado” ou “olhos vítreos”, pálpebras mais caídas e, ocasionalmente, visão embaçada ou dupla. Nas fotografias, isso pode dar a impressão de que os olhos estão desalinhados ou mais separados, mas o medicamento não muda a distância real entre eles. Esses efeitos podem ser mais perceptíveis conforme a dose e quando há associação com álcool ou outros medicamentos sedativos. A bula também descreve alterações visuais e movimentos oculares anormais.

    Como você percebe essa mudança repetidamente após tomar o medicamento, é importante informar ao médico que o prescreveu e, se possível, mostrar as fotografias, registrando a dose tomada e o tempo entre o uso e a foto. Não aumente, reduza ou suspenda o Rivotril por conta própria — principalmente se o uso estiver frequente — e não o associe ao álcool.

    Se a assimetria surgir de repente e permanecer, especialmente acompanhada de visão dupla intensa, pálpebra caída de um lado, desvio da boca, fraqueza, dificuldade para falar, confusão ou dor de cabeça muito forte, procure atendimento de urgência imediatamente.
    Espero ter ajudado. Fico à disposição.


  • A clozapina é muito potente? Ela é muito forte? Porque ela é deixada para casos refratários?

    A clozapina é muito potente? Ela é muito forte? Porque ela é deixada para casos refratários?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    A clozapina pode ser considerada um antipsicótico de alta eficácia, mas chamá-la apenas de “muito forte” pode gerar uma impressão errada. Ela não é necessariamente a que mais seda nem a que produz mais efeitos em todas as pessoas. Sua principal particularidade é ser o medicamento com melhor evidência para a esquizofrenia resistente ao tratamento.

    Ela costuma ser indicada quando pelo menos dois antipsicóticos diferentes, utilizados em doses adequadas e pelo tempo necessário, não produziram resposta satisfatória. Nessa situação, a clozapina pode funcionar mesmo quando os demais medicamentos falharam. Também apresenta evidências importantes na redução do risco de comportamento suicida em pessoas com esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo.

    Ela não é utilizada como primeira opção devido à necessidade de acompanhamento mais rigoroso. Pode causar:

    *redução importante dos neutrófilos, aumentando o risco de infecções;
    *miocardite, especialmente no início do tratamento;
    *convulsões, principalmente em doses mais elevadas;
    *sedação, salivação excessiva, constipação e queda de pressão;
    *ganho de peso e alterações na glicose e nos lipídios.

    Por isso, exige aumento gradual da dose, exames de sangue regulares e acompanhamento clínico e metabólico. Febre, dor de garganta, falta de ar, dor no peito, palpitações ou constipação intensa precisam ser comunicadas rapidamente ao médico.

    Em resumo: ela não fica reservada porque seja simplesmente “forte demais”, mas porque é um medicamento muito eficaz, com riscos específicos que precisam ser cuidadosamente monitorados. Quando existe indicação correta e acompanhamento adequado, pode proporcionar uma melhora muito significativa. Não deve ser iniciada, ajustada ou suspensa sem orientação médica.

    Espero ter ajudado.


  • Pq dizem que o Ansitec é fraco e não funciona? Já ouvi vários relatos dizendo essas coisas.. Ele rea

    Pq dizem que o Ansitec é fraco e não funciona? Já ouvi vários relatos dizendo essas coisas..
    Ele realmente é fraco ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Não é correto dizer que o Ansitec seja ‘fraco’. Ele contém buspirona, um medicamento para ansiedade que age de forma diferente dos calmantes comumente utilizados, como alprazolam (Frontal) ou clonazepam (Rivotril). Como não costuma provocar sedação ou uma sensação imediata de relaxamento, algumas pessoas interpretam isso como falta de efeito.

    O benefício costuma aparecer gradualmente, geralmente após 2 a 4 semanas de uso regular. Ele não é indicado para aliviar uma crise imediatamente. A resposta também varia conforme o tipo de ansiedade, a dose, o tempo de uso e o organismo de cada pessoa.

    A vantagem é que apresenta menor risco de dependência, tolerância e prejuízo de memória. Portanto, não é necessariamente fraco: é um medicamento com outro perfil de ação.
    A buspirona é reconhecida como tratamento para transtornos de ansiedade, especialmente ansiedade generalizada, mas seu início de ação é gradual.


  • Boa tarde. Eu tenho transtorno bipolar, mas é em um grau leve, eu não costumo ter fases de mania, so

    Boa tarde. Eu tenho transtorno bipolar, mas é em um grau leve, eu não costumo ter fases de mania, somente uma agitação leve de vez em quando, e um desânimo as vezes que dura um ou dois dias.
    Eu estou tomando lamotrigina 200mg há um mês e percebi uma leve melhora.
    É normal a lamotrigina demorar pra fazer o efeito completo?
    Ou será que a dose está baixa?
    Obrigado desde já.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Boa tarde! Sim, a lamotrigina pode apresentar melhora gradual. Como a dose precisa ser aumentada lentamente por segurança, o resultado costuma ser avaliado ao longo de algumas semanas após alcançar a dose terapêutica. Com apenas um mês de uso e já percebendo uma leve melhora, ainda pode haver evolução do benefício.

    A dose de 200 mg ao dia é uma dose terapêutica frequentemente utilizada no transtorno bipolar e não é considerada baixa automaticamente. A dose adequada depende da resposta individual, dos efeitos adversos e de outros medicamentos em uso. A lamotrigina costuma atuar melhor na prevenção e no controle dos episódios depressivos, tendo menor efeito sobre mania ou agitação.

    Portanto, não aumente a dose por conta própria.


  • Bom dia, Já passei por diversos psiquiatras, mas sinto que nenhum deles acertou no diagnósticos. Já

    Bom dia,
    Já passei por diversos psiquiatras, mas sinto que nenhum deles acertou no diagnósticos. Já usei uma grande vasta de antidepressivos para aliviar a minha ansiedade, depressão. E ao longo do tempo comecei a ter descrença com a psiquiatria. O que posso fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Bom dia! Entendo a sua frustração. Passar por vários tratamentos sem perceber uma melhora consistente pode realmente gerar cansaço e descrença. Isso, porém, não significa que não exista um caminho possível para você.

    Os diagnósticos psiquiátricos nem sempre ficam claros em uma única consulta. Muitas vezes, é necessário reconstruir toda a história: quando os sintomas começaram, como variam ao longo do tempo, períodos de maior energia ou irritabilidade, alterações no sono, impulsividade, traumas, uso de substâncias, histórico familiar e como você reagiu a cada medicamento.

    O próximo passo pode ser realizar uma reavaliação diagnóstica completa, com mais tempo e sem partir automaticamente de um diagnóstico anterior. Se possível, organize uma lista dos medicamentos já utilizados, doses, tempo de uso, benefícios e efeitos adversos. Relatórios antigos e informações de alguém próximo também podem ajudar.

    Além da medicação, psicoterapia e avaliação de condições clínicas que podem agravar sintomas emocionais também fazem parte dessa investigação. Não suspenda os medicamentos atuais por conta própria. O ideal é recomeçar e ter confiança no profissional que lhe atender, seja pessoalmente ou de forma online, a criação de um vínculo é imprescindível para que se possa chegar a um demoninador comum.


  • Tenho transtorno de personalidade borderline e estava tomando 40 mg de ecitalopram porem não fazia e

    Tenho transtorno de personalidade borderline e estava tomando 40 mg de ecitalopram porem não fazia efeito, minha ansiedade nunca passa. Minja nova psiquiatra decidiu mudar para desvenlafaxina e 200 mg de quetipina, e se eu continuar me sentido perseguida( eu sinto que as pessoas me odeiam o tempo todo e querem me machucar) ela quer aumentar ainda a quetiapina. Eu terei muitos efeitos colaterais? Pois quando comecei a tomar 40mg de ecitalopram eu sentia muito enjoo

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Entendo sua preocupação, principalmente porque você já apresentou bastante enjoo com o escitalopram. No entanto, o fato de esses efeitos colaterais serem possíveis não significa que necessariamente acontecerão com você. Cada organismo responde de uma forma, e ter sentido enjoo com um medicamento não determina que você terá a mesma reação com os demais.

    A desvenlafaxina pode causar enjoo, tontura, alteração do sono, suor excessivo ou um aumento transitório da ansiedade, especialmente no início. Quando esses sintomas aparecem, frequentemente diminuem à medida que o organismo se adapta. Também é importante acompanhar a pressão arterial durante o tratamento.

    A quetiapina pode causar sono, sensação de corpo mais pesado, tontura ao levantar, boca seca, constipação e aumento do apetite. Quando a dose é aumentada, alguns desses efeitos podem surgir ou ficar temporariamente mais intensos, principalmente sonolência, cansaço e tontura. Em muitos casos, eles diminuem após o período de adaptação. A longo prazo, é importante acompanhar peso, glicemia, colesterol e triglicerídeos.

    Isso não significa que você terá todos esses efeitos, nem que terá efeitos intensos. A dose de 200 mg, isoladamente, não permite prever como será sua tolerância. Algumas pessoas se adaptam bem, enquanto outras precisam de um aumento mais gradual ou de ajustes no tratamento.

    Sempre precisamos pesar os possíveis efeitos colaterais — alguns deles temporários e manejáveis — em relação ao sofrimento causado pela ansiedade constante e pela sensação de perseguição sem o tratamento adequado. O verdadeiro objetivo não é simplesmente aumentar uma dose, mas encontrar o melhor equilíbrio entre diminuir esse sofrimento, melhorar sua segurança e sua qualidade de vida e manter os efeitos adversos em um nível tolerável.

    Por isso, qualquer aumento da quetiapina deve considerar tanto a persistência dos sintomas quanto a sua resposta e tolerância. Não aumente, reduza ou interrompa as medicações por conta própria. Anote diariamente como estão a ansiedade, a sensação de perseguição, o sono e os possíveis efeitos adversos para conversar com sua psiquiatra.

    Além dos medicamentos, a psicoterapia, especialmente a terapia comportamental dialética, é uma parte muito importante do tratamento do transtorno de personalidade borderline.


  • Tomei clonazepam vencido. Isso pode afetar o implanon? Para me tranquilizar, seria melhor usar 7 dia

    Tomei clonazepam vencido. Isso pode afetar o implanon? Para me tranquilizar, seria melhor usar 7 dias de preservativo até que se restabeleça a eficácia?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Não. O clonazepam, mesmo vencido, não reduz a eficácia do Implanon, pois não é um medicamento indutor das enzimas que diminuem o efeito do implante. Portanto, se o Implanon está corretamente inserido e dentro do prazo de validade, não é necessário usar preservativo por sete dias para “restabelecer” a eficácia, porque ela não foi interrompida.

    O medicamento vencido pode ter potência e conservação imprevisíveis, por isso não deve ser usado novamente. Se apresentar sonolência excessiva, confusão, dificuldade para acordar ou alteração da respiração — especialmente se houve associação com álcool, opioides ou outros sedativos — procure atendimento imediatamente.

    O preservativo continua recomendado para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis ou pode ser utilizado caso traga tranquilidade, mas não é necessário especificamente por causa desse episódio.


  • Faz dois dias que tô em uso de escitalopram 10mg pra depressão mas eu estou tendo picos de melhora.

    Faz dois dias que tô em uso de escitalopram 10mg pra depressão mas eu estou tendo picos de melhora. Durante o dia fico bem aí depois tudo desaba e eu não tô conseguindo ter emoção ou reação apenas uma sensação estranha de vazio, cansaço horrível, as vezes me falta força até pra conversar ou levantar da cama. Isso é comum na depressão ou é efeito adverso da medicação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Olá! Com apenas dois dias de uso, ainda é muito cedo para avaliar o efeito antidepressivo do escitalopram. Em geral, alguma melhora começa a aparecer depois de uma ou duas semanas, enquanto o benefício mais completo pode levar várias semanas.

    Essa oscilação ao longo do dia, o vazio emocional, o cansaço intenso e a falta de energia podem fazer parte da própria depressão. Ao mesmo tempo, no início do escitalopram algumas pessoas apresentam sonolência, cansaço, náusea, ansiedade ou uma sensação diferente do habitual. Quando são efeitos de adaptação, costumam diminuir nas primeiras semanas. O fato de poderem ocorrer não significa que necessariamente persistirão.

    Continue tomando conforme a prescrição e não aumente, reduza ou interrompa por conta própria. Como a fraqueza está dificultando até levantar da cama e conversar, avise o profissional que prescreveu para que ele acompanhe de perto e avalie a intensidade dos sintomas.

    Procure orientação rapidamente se apresentar piora importante, agitação intensa, necessidade muito menor de sono, pensamentos acelerados ou comportamento diferente do habitual. Se surgirem pensamentos de morte, vontade de se machucar ou sensação de que não conseguirá se manter em segurança, procure atendimento de urgência ou ligue para o SAMU, pelo 192


  • Recusar trabalho por medo de interações sociais aos 22 anos. Passei quatro anos saindo de casa e int

    Recusar trabalho por medo de interações sociais aos 22 anos. Passei quatro anos saindo de casa e interagindo com pessoas, mas agora que me formei não quero mais sair de casa.

    Tenho medo de que um carro me atropele ao atravessar a rua, de que as pessoas me achem feia ou esquisita, de que os clientes reclamem de mim, de não saber tudo, de errar.

    Não quero sair de casa nunca mais. Nos encontros de família, fico no quarto. As pessoas ficam me chamando: “Vem, fulana”, mas eu não vou. Faz dois anos que não vejo minha irmã.

    Há três meses não pego sol, não vou à feira e não vejo pessoas. Tenho ingressos para um show em outubro, mas não quero mais ir. Estou com medo das pessoas e do que pode acontecer.

    Também não vou ao médico porque tenho medo. Não vou ao psicólogo porque tenho medo.

    Sinto que estou cada vez mais presa dentro de casa e com medo de voltar a viver normalmente. Não quero comer, não quero sair, me chamam pra encontros e eu não vou. É normal? Devo procurar um especialista?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Mirian Pissaia Heimfarth

    Bom dia. O que você está sentindo não é frescura, preguiça ou falta de vontade. Algum receio diante do início da vida profissional pode acontecer, mas o grau de medo, isolamento e prejuízo que você descreveu — não sair de casa, evitar familiares, recusar oportunidades, deixar de se alimentar e não conseguir buscar atendimento — não deve ser considerado apenas uma insegurança normal.

    Esses sintomas podem estar relacionados a um transtorno de ansiedade social, agorafobia, depressão ou outras condições, mas não é possível definir um diagnóstico somente por essa mensagem. O mais importante é que você procure avaliação profissional, pois o medo já está limitando significativamente sua vida e tende a se fortalecer quando todas as situações são evitadas.

    Como sair de casa também se tornou difícil, você não precisa começar enfrentando tudo sozinha. Pode marcar inicialmente uma consulta médica ou psicológica por videochamada, pedir que uma pessoa de confiança permaneça com você durante o atendimento ou a acompanhe presencialmente. O tratamento pode incluir psicoterapia — especialmente terapia cognitivo-comportamental — e, dependendo da avaliação, medicação.

    Não precisa tentar voltar imediatamente ao trabalho, ir a um show ou enfrentar lugares movimentados. O retorno deve ser gradual, planejado e acompanhado. Entretanto, é importante não esperar que o medo desapareça sozinho para somente depois buscar ajuda.

    Como você mencionou que não quer comer, isso também precisa ser observado. Se estiver deixando de ingerir alimentos e líquidos, apresentando fraqueza, tontura ou perda de peso, procure atendimento médico com brevidade. Caso tenha pensamentos de morte, vontade de se machucar ou sinta que não consegue se manter em segurança, avise imediatamente alguém de confiança e procure uma UPA, pronto atendimento ou ligue para o SAMU, pelo 192. O CVV também atende pelo 188.

    Você não está condenada a permanecer presa dentro de casa. Esse tipo de sofrimento tem tratamento, e pedir ajuda pode ser o primeiro passo para recuperar sua autonomia.


Perguntas frequentes

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