Perguntas do paciente (19)

  • Comecei um namoro a poucas semanas. Sabia desde o inicio que ela tinha um filho, no entanto, não era

    Comecei um namoro a poucas semanas. Sabia desde o inicio que ela tinha um filho, no entanto, não era um problema pra mim. Quando percebi que estava apaixonado e que iria pedi-la em namoro, um diabinho na minha cabeça fez procurar fotos dela com o ex. E achei. Aniversário, eventos escolares do filho, etc. Foi como se algo me mordesse, virou um pensamento obsessivo, as vezes insuportável. Falei com ela, aliviou um pouco. Quero pensar positivo: que é por que ainda não conheço a família, o filho, ou seja, que ainda não faço parte concretamente da vida dela, e que portanto minha cabeça trabalha livre, fantasiando.Mas tenho medo de não passar e, no desespero, jogar tudo isso fora.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    Quando a gente começa a se apaixonar, é comum que apareçam inseguranças, como se uma parte da gente ainda não acreditasse que pode mesmo ser escolhida. Esse “diabinho” que te fez procurar fotos do passado dela não é maldade, é medo disfarçado: medo de ficar de fora, de não ter um lugar certo nessa nova história.

    Em psicanálise, especialmente em autores como Winnicott e Ferenczi, entendemos que o ciúme e a obsessão podem nascer desse desejo de pertencimento. É como se a mente tentasse preencher o que ainda não conhece, o filho, a família, o passado, criando fantasias para lidar com o desconhecido.

    Faz sentido que doa. Você quer estar presente de verdade, mas ainda está do lado de fora de alguns pedaços da vida dela. A boa notícia é que isso costuma mudar com o tempo e com a confiança. Em vez de tentar apagar os pensamentos, vale escutá-los: eles estão dizendo “quero me sentir seguro aqui”.

    O amor começa mesmo quando a gente aguenta esse espaço de não saber tudo e deixa a relação crescer no tempo dela.


  • Olá, os últimos 6 meses da minha vida têm sido muito difíceis. Perdi dois empregos, minha namorada t

    Olá, os últimos 6 meses da minha vida têm sido muito difíceis. Perdi dois empregos, minha namorada terminou comigo um relacionamento de três anos. Reprovei em uma cadeira na faculdade, estou quebrado e sem dinheiro. Tenho pensamentos suicidas todos os dias, mas não quero fazer isso. Eu me levanto todo dia e faço o que tem que ser feito, tomo banho, cuido do corpo, vou pra academia, vou pra aula, estudo, e mesmo assim isso tudo é muito difícil, faço no automático. E todos os dias eu convivo com esse pensamentos de destruir minha própria vida. Eu já faço terapia com psicólogo, porém não faço uso de nenhuma medicação. E para completar, penso na minha ex todo dia, sinto falta dela, queria compartilhar com ela como estão sendo meus dias, o que estou fazendo. Mas ela não fala mais comigo. O término foi só por desgaste, não houve traição nem brigas feias. Levando em conta tudo isso que venho vivendo, o que eu faço pra melhorar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    O que você descreve é muita dor, e mesmo assim você segue se levantando, cuidando do corpo, indo pra aula. Isso diz algo importante: a parte sua que ainda quer viver está ali, mesmo cansada.
    Esses pensamentos suicidas, por mais assustadores que pareçam, são sinais de um desespero que está tentando ser ouvido. Eles não significam que você quer morrer, mas que não quer mais viver desse jeito. O corpo e a mente pedem trégua.

    Você já está em terapia, o que é essencial. Mas o que você descreve, pensamentos diários de suicídio, também pede atenção psiquiátrica. Isso não é fracasso, é cuidado. Uma avaliação médica pode ajudar a estabilizar o sofrimento enquanto a terapia continua a trabalhar as causas.

    Enquanto isso, tente pequenas coisas que não busquem “melhorar”, mas apenas te manter presente: escrever o que sente sem censura, andar, respirar fundo antes de dormir, falar com alguém de confiança. E se o desespero apertar, procure ajuda imediatamente, vá a um pronto atendimento, ligue 188 (CVV, 24h, gratuito). Você não precisa lidar com isso sozinho nem por mais um dia.


  • Por que o medo existencial é tão intenso no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    Por que o medo existencial é tão intenso no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    O medo para quem tem o Transtorno de Personalidade Borderline é o medo de deixar de existir quando o outro não esta perto. O sujeito é muito colado ao vínculo, sem o olhar do outro, o sujeito se sente despedaçar. Winnicott chamaria isso de falha nas experiências precoces de sustentação: o “ambiente suficientemente bom” não se consolidou, e o eu ficou com rachaduras no alicerce. E esta sensação tende a se tornar mais forte na adolescencia, idade adulta. Quem tem Borderline precisa de acompanhamento desde os primeiros sintomas.


  • Como funciona o diagnóstico em psicanálise? Quais são as estruturas psíquicas?

    Como funciona o diagnóstico em psicanálise? Quais são as estruturas psíquicas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    Na psicanálise, o que fazemos é escutar a história e o jeito único de cada pessoa se relacionar com o mundo, com os outros e consigo mesma.

    Quando falamos em estruturas psíquicas, não se trata de encaixar alguém em uma caixinha fechada, mas de entender modos de funcionamento que ajudam o analista a se orientar. Mais importante do que nomear, é criar um espaço de confiança, em que a pessoa possa se reconhecer, se expressar e, pouco a pouco, encontrar novos caminhos para lidar com seus conflitos.


  • Moro só há mais de 25 anos e não me vejo nem me relacionando nem dividindo espaço com ninguém. Detes

    Moro só há mais de 25 anos e não me vejo nem me relacionando nem dividindo espaço com ninguém. Detesto receber pessoas em casa , adoro me divertir só - saio muito , vou para restaurantes , museus , trilhas. Isso tudo começo quando percebi que gostava de minha companhia e que levei muito tempo para ter meu espaço e viver a vida que queria . Ultimamente olhei para trás e percebi que meu último relacionamento foi em 2013, que não sinto falta e que estou bem . Que tipo de pessoa meu comportamento me faz em termos de sociabilidade ? Sou um heremita?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    Na psicanálise, não buscamos rotular ou encaixar alguém em uma definição fixa. O fato de você valorizar sua própria companhia e ter construído uma vida que lhe dá prazer não significa necessariamente ser “um eremita”. Pode ser, antes, a expressão de um jeito próprio de estar no mundo, em que a autonomia e a liberdade ganharam lugar central.

    Sociabilidade não se mede apenas por dividir a casa ou viver relacionamentos amorosos: ela também acontece quando você se abre para o mundo nas trilhas, nos museus, nos encontros que escolhe. O mais importante é se perguntar se esse modo de viver lhe traz sentido.


  • O que é orientação profissional e como ela pode me ajudar?

    O que é orientação profissional e como ela pode me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    A orientação profissional é um espaço de escuta e reflexão sobre o que faz sentido pra você quando pensa em trabalho e futuro. Mais do que escolher uma profissão, é um processo de se conhecer — entender seus interesses, valores, medos e desejos.

    Com um olhar acolhedor, o trabalho busca ajudar você a reconhecer suas potencialidades e a construir escolhas mais autênticas, respeitando o seu tempo e a sua história. Às vezes, o que falta não é uma resposta pronta, mas um espaço para pensar com calma, sem pressão.


  • É necessário usar o divã no processo psicanalítico?

    É necessário usar o divã no processo psicanalítico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    Não é necessário utilizar o divã. O divã é uma opção com o objetivo de deixar o paciente mais a vontade dentro de suas reflexões e pensamentos, por exemplo, o paciente não precisa ficar olhando diretamente para o Psicanalista o tempo todo e fica mais relaxado. É uma opção e não é obrigatório caso o paciente não queira. Fico a disposição para maiores dúvidas sobre! :)


  • Como posso identificar se o método da psicanálise é adequado para minha demanda?

    Como posso identificar se o método da psicanálise é adequado para minha demanda?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    Você pode pensar assim: a psicanálise não vem com manual de instruções pronto, ela se descobre no encontro. O que ajuda a perceber se é para você é sentir se o espaço com o analista lhe dá respiro, se há lugar para suas dores, mas também para sua criatividade, para o inesperado.

    Na visão de Winnicott e Ferenczi, não se trata de caber em uma técnica, mas de experimentar um ambiente suficientemente bom: um cuidado que acolhe, sustenta e permite que você se arrisque a ser mais você mesmo. Se esse encontro lhe dá a sensação de poder se escutar de outro jeito, então o método já começou a funcionar.


  • Como a psicanálise trata traumas? Seria ela a abordagem mais eficaz?

    Como a psicanálise trata traumas? Seria ela a abordagem mais eficaz?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    A psicanálise não apaga os traumas, os transforma em algo possível de ser vivido.
    O que antes era dor sem palavra pode ganhar sentido.
    E sobre ser “a mais eficaz”? Depende de cada pessoa. O que realmente cura é o encontro, o cuidado e o tempo de escutar a si mesmo.


  • Como devo agir diante das "birras" da minha bebê de três anos, muitas vezes é na hora de dormir, nos

    Como devo agir diante das "birras" da minha bebê de três anos, muitas vezes é na hora de dormir, nos mudamos e o pai ainda não chegou, ficou para resover umas situações, sinto que isso a incomoda, mas também sei que está na fase de testar limites e se conhecendo melhor. Tento conversar, acalmar, e não resolve, tento sair para deixar a poeira baixar, mas ela grita que parece que estão matando e não me deixa sair, quer que eu fique assistindo ela chorar, se arranhar e resmungar. Por vezes tenho perdido a paciência e gritado com ela, sei que o meu comportamento dessa maneira não ajuda. Não quero que ela se sinta insegura ou siga o mal exemplo que sou perdendo a paciência. Por esses três anos dormir é artigo de luxo, principalmente a noite, estoy sobrecarregada de tudo, e muitas vezes a atenção que tenho que dar a ela fica precária. Eu e o pai dela discutíamos muito, ele esgotou minha paciência, mas ainda moramos juntos até concluirmos o planejamento de separarmos, mas iremos morar no mesmo sítio. Só gostaria mesmo de uma dica para que eu possa fazer nesses ataques dela, porque ficar deixando ela agredir a mim ou a ela, esperneando e resmungando acho que não é o correto a fazer. Mas se tento sair é pior, se fico continua, se tento abraçar e dar colinho não quer. Realmente eu tenho vontade de bater a minha cabeça na parede de verdade, outro dia cheguei a fazer, mas não foi forte como tenho vontade, foi me segurando, porque parece que tenho duas,forças nesse momento. Obs: Sei que preciso procurar ajuda pelo estado que estou.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    As “birras” costumam ser a forma que uma criança pequena encontra para expressar algo que ainda não sabe dizer. Aos três anos, o corpo fala quando as palavras ainda não dão conta. Num momento de mudanças, casa nova, ausência do pai, rotina diferente, o choro pode ser o jeito que ela encontra de pedir presença, segurança, continência.

    Mas é importante lembrar que o adulto também precisa de colo. Uma mãe cansada, que tenta de tudo e se vê sem saída, precisa antes de tudo ser acolhida, por alguém que possa ouvir o que ela carrega sozinha há muito tempo.

    Nessas horas, o ideal não é “agir certo”, mas reconhecer o que está vivo entre vocês duas: a criança tentando dizer “me veja”, e a mãe tentando não desaparecer no meio do caos. Nenhuma das duas está errada, só sobrecarregadas.

    Talvez a primeira coisa a fazer não seja mudar a reação dela, mas cuidar de quem a acolhe. Quando a mãe se reorganiza, o bebê também respira diferente. Busque ajuda, sugiro você buscar ajuda de um familiar e terapeuta familiar ou individual.


  • Minha filha de 2 anos e 4 meses costuma rabiscar o rosto das fotos ou desenhos em revistas. O que po

    Minha filha de 2 anos e 4 meses costuma rabiscar o rosto das fotos ou desenhos em revistas. O que pode significar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    É comum nessa idade a criança riscar rostos em revistas ou fotos. Aos 2 anos, ela está descobrindo que pode transformar o mundo com o lápis e o rosto, por ser a parte mais expressiva, chama sua atenção. Normalmente é uma forma de brincar e explorar, não algo negativo. Só seria importante observar se o gesto vier acompanhado de medo, raiva ou repetição sempre com a mesma figura, aí pode estar expressando algo que ainda não sabe dizer em palavras.


  • Um psicanalista pode receitar ansiolíticos e/ou antidepressivos? Obrigado.

    Um psicanalista pode receitar ansiolíticos e/ou antidepressivos?

    Obrigado.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    Não, somente um psiquiatra poderá receitar remédios.


  • O que e depressão afinal? Vocês poderiam me explicar melhor?

    O que e depressão afinal? Vocês poderiam me explicar melhor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    Depressão não é “tristeza demais” nem “frescura”. É um estado em que a energia da vida parece ter se recolhido. O corpo fica pesado, o pensamento perde cor, o que antes fazia sentido passa a parecer distante.

    Na visão psicanalítica, especialmente em autores como Winnicott e Ferenczi, a depressão pode ser um sinal de que algo dentro de nós está pedindo cuidado, uma parte que não conseguiu ser acolhida, ou que precisou se esconder por muito tempo para aguentar o que doeu. É como se o sujeito dissesse em silêncio: “não consigo mais sustentar sozinho”.

    A boa notícia é que, mesmo quando tudo parece parado, a dor ainda é uma forma de movimento. Ela aponta para o desejo de reencontro consigo. Por isso, buscar ajuda, um analista, um terapeuta, um médico, não é fraqueza, é um gesto de vida.

    A depressão não define quem você é. É um pedido de pausa para que algo novo possa nascer, com mais verdade e menos peso.


  • Qual a idade máxima para a aplicação do HTP? Sei que a miníma é de 8 anos em dinte.

    Qual a idade máxima para a aplicação do HTP? Sei que a miníma é de 8 anos em dinte.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    O HTP pode ser aplicado a partir dos 8 anos e não tem idade máxima. Em cada fase ele mostra aspectos distintos: na infância, fala do desenvolvimento; na adolescência, da identidade; no adulto, de como a pessoa se percebe e se relaciona; e no idoso, das marcas da história e dos recursos diante do envelhecimento.


  • Minha psicóloga me ofereceu o divã, mas como não consigo achar como realmente funciona estou com med

    Minha psicóloga me ofereceu o divã, mas como não consigo achar como realmente funciona estou com medo. O que realmente muda com a transição para o divã?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    O divã é como mudar de cenário no mesmo filme: antes você está de frente para o outro, trocando olhares; deitado, a câmera vira para dentro. Sem precisar se preocupar com a expressão do analista, você pode deixar a mente passeaf, como quando deitamos na grama e ficamos vendo as nuvens formarem desenhos.

    O analista continua ali, sustentando o espaço, mas agora você tem mais liberdade para seguir associações, memórias, sonhos… Às vezes surgem lembranças escondidas, às vezes pensamentos aparentemente sem sentido que acabam se revelando importantes. É como abrir uma janela diferente para contar a mesma história: a sua.


  • Como a psicanálise funciona/ ajuda? Estou fazendo a 8 meses e não sei se estou vendo mudança.

    Como a psicanálise funciona/ ajuda?
    Estou fazendo a 8 meses e não sei se estou vendo mudança.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    A psicanálise como qualquer outra terapia não é um processo de mudança rápida, é um mergulho nas suas dores mais profundas. Às vezes, o que muda primeiro não é o que se vê, mas o modo como se sente e se percebe.
    Ela ajuda oferecendo um espaço onde você pode se escutar de verdade, sem julgamentos. Aos poucos, o que era repetição começa a ganhar sentido, e o que parecia confuso vai se organizando.
    O fato de você se perguntar “se algo mudou” já mostra que algo está se movendo, o olhar sobre si mesmo está mais atento. E isso, em psicanálise, é sinal de trabalho acontecendo.


  • Olá,eu sempre achava que sou louca por me sentir assim,tenho duas filhas,uma de 23 e uma de dezoito

    Olá,eu sempre achava que sou louca por me sentir assim,tenho duas filhas,uma de 23 e uma de dezoito nunca consegui sentir esse arrebatamento de mãe,sou bem fria com elas,inclusive elas reclamam que não abraço ou beijo constantemente.Não consigo sentir falta delas quando viajam,e mais velha quando casou,todos ficaram esperando que eu fosse chorar,ou algo assim.Mas não senti nada.Tenho muita culpa por isso e sempre pesquiso pra saber se mais pessoas tem esse problema.Devo fazer psicanálise pra descobrir o motivo desse desapego?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    Muitas mães sentem algo parecido, mas quase ninguém fala disso ,e aí vem a culpa, como se o amor precisasse ter sempre a mesma forma. O que você descreve não significa que não ama suas filhas, mas que talvez o modo como aprendeu a sentir e expressar afeto tenha sido atravessado por histórias mais antigas, talvez vínculos onde o calor emocional não era algo seguro de se mostrar.

    Na visão da psicanálise, especialmente em Winnicott e Ferenczi, o amor não nasce pronto nem segue um padrão. Ele se constrói na relação, e às vezes algo dentro de nós precisou “esfriar” para sobreviver. Esse mesmo mecanismo que um dia protegeu, agora pode impedir a entrega afetiva, e é aí que o sofrimento aparece.

    A psicanálise pode, sim, ajudar muito. Não para te “ensinar” a amar, mas para te ajudar a entender o que dentro de você precisou se afastar do sentir. Com o tempo e o cuidado certo, o amor pode encontrar outro jeito de circular ,mais espontâneo, mais seu.

    Sentir-se “diferente” das outras mães não te torna menos mãe; talvez apenas uma mulher tentando, com coragem, se reaproximar de si mesma.


  • Ver outras pessoas estudando, produzindo ou até mesmo fazendo coisas aparentemente divertidas (por M

    Ver outras pessoas estudando, produzindo ou até mesmo fazendo coisas aparentemente divertidas (por Midas sociais ou pessoalmente) me deixam nervosa e me fazem querer me isolar. Sinto que não consigo estudar, me divertir, ter uma vida legal, ou amigos. O que será isso?
    Às vezes, coisas me remetem ao meu passado e a impressão que tenho sobre ele é que ele foi triste, mas eu sei que tiveram coisas boas mas até as coisas boas parecem tristes. Me sinto sozinha muito frequentemente.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    O que você descreve é algo que muita gente sente, mas raramente fala. Quando vemos os outros “funcionando” estudando, produzindo, sorrindo, pode despertar uma dor antiga: a de sentir que estamos fora do ritmo da vida, como se o mundo seguisse e a gente ficasse parado.

    Na visão da psicanálise, especialmente de Winnicott e Ferenczi, esse sentimento pode ter a ver com momentos do passado em que você precisou se afastar para se proteger. O isolamento, que hoje parece um problema, talvez já tenha sido um recurso para lidar com o excesso, excesso de dor, de solidão, de comparação. A mente aprendeu que se recolher era mais seguro do que tentar acompanhar o mundo.

    Quando até as lembranças boas parecem tristes, é sinal de que algo dentro de você ainda não conseguiu descansar. É como se o passado tivesse deixado um fundo de melancolia. Isso não significa que você esteja “presa” nele, mas que ainda está digerindo o que viveu.

    Às vezes, o primeiro passo não é “melhorar a vida” ou “ser produtiva”, e sim poder olhar com gentileza para essa tristeza sem precisar expulsá-la. Aos poucos, quando a gente se permite existir sem cobrança, o mundo volta a caber e o desejo de estar nele também.


  • É possível desenvolver autoestima após adulto (+40 anos)?

    É possível desenvolver autoestima após adulto (+40 anos)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Mônica Parlangelo

    Sim! não existe limite de idade para recuperar a autoestima. Um processo terapeutico pode ajudar muito a entender como se sente para que entenda seus medos, angústias e possa se sentir melhor consigo mesmo.


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Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.