Perguntas do paciente (190)
-
Como a Disforia Sensível à Rejeição (RSD) afeta os relacionamentos de quem tem Transtorno de Persona
Como a Disforia Sensível à Rejeição (RSD) afeta os relacionamentos de quem tem Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na visão psicanalítica, a disforia sensível à rejeição (DSR) não é apenas algo que afeta os relacionamentos de quem tem transtorno de personalidade borderline (TPB) — ela estrutura a forma como o vínculo é vivido, interpretado e mantido.
O relacionamento torna-se o palco principal onde se encenam medo de abandono, fragilidade do self e busca desesperada de confirmação de existência.
Vou explicar por eixos relacionais, como a clínica psicanalítica observa.
1. Relações vividas como vitais, não opcionais
Para o funcionamento borderline:
o outro sustenta a coesão do self
o vínculo é sentido como necessidade psíquica
Com DSR:
qualquer ameaça ao vínculo é sentida como risco de desintegração
a relação deixa de ser espaço de troca e vira garantia de sobrevivência emocional
2. Hipersensibilidade a sinais mínimos do outro
atrasos
mudanças de tom
silêncio
distração
limites normais
Tudo pode ser lido como:
“Você está me deixando.”
A DSR faz com que o relacionamento seja vivido em estado de alerta permanente.
3. Ciclo aproximação intensa ↔ afastamento abrupto
A dinâmica típica:
idealização e fusão
medo intenso de perder
percepção (real ou fantasiada) de rejeição
explosão emocional ou retraimento
culpa, vazio ou raiva
tentativa desesperada de reparação
Esse ciclo desgasta profundamente o vínculo.
4. Testes constantes de amor e lealdade
exigência de respostas imediatas
necessidade de reafirmação
perguntas repetidas
comportamentos provocativos
Na psicanálise, isso é visto como:
tentativa de tornar o amor visível
medo de que, se não for confirmado, desapareça
5. Confusão entre autonomia do outro e rejeição
No TPB com DSR:
o outro não pode se separar sem ameaçar o vínculo
limites são vividos como abandono
“Se você precisa de espaço, é porque não me ama.”
Isso dificulta relações maduras e recíprocas.
6. Raiva intensa dirigida ao objeto amado
A rejeição desperta:
raiva
acusações
explosões verbais
ataques ao vínculo
Mas essa raiva convive com:
medo extremo de perder
culpa por sentir raiva
É uma ambivalência dolorosa.
7. Idealização e desvalorização do parceiro
Pequenos sinais de frustração podem levar a:
desvalorização total
ruptura abrupta
percepção do outro como cruel ou indiferente
Esse movimento de cisão impede a manutenção de uma imagem estável do outro.
8. Dependência do olhar do outro para existir
identidade moldada pelo relacionamento
sensação de vazio fora do vínculo
dificuldade de estar só
A rejeição ameaça não apenas o amor, mas o sentimento de ser alguém.
9. Repetição de vínculos instáveis
Inconscientemente, há tendência a:
escolher parceiros emocionalmente indisponíveis
repetir rejeições precoces
encenar o trauma original
Não por escolha consciente, mas por compulsão à repetição.
10. Comportamentos extremos para evitar perda
Em quadros mais graves:
ameaças de abandono
automutilação
acting out
rupturas dramáticas seguidas de pedidos de retorno
Na psicanálise, isso é entendido como:
“Prefiro destruir o vínculo a ser abandonado.”
11. O impacto no parceiro
O outro pode sentir:
confusão
exaustão emocional
medo de ferir
sensação de caminhar sobre ovos
Isso, paradoxalmente, pode levar ao afastamento real — confirmando a fantasia de rejeição.
12. O que muda com elaboração psicanalítica
Com trabalho analítico:
a rejeição deixa de ser vivida como aniquilação
o self se sustenta melhor
o outro pode se separar sem destruir o vínculo
o amor deixa de precisar ser constantemente provado
A relação se torna menos persecutória e mais simbólica.
Em síntese
Na visão psicanalítica, a DSR no TPB:
transforma relacionamentos em espaços de sobrevivência emocional
intensifica medo de abandono
gera ciclos de fusão e ruptura
alimenta raiva, vergonha e vazio
dificulta vínculos estáveis
Mas ela não é imutável.
Quando elaborada, o vínculo deixa de ser ameaça constante e pode se tornar espaço de encontro, não de colapso.
-
Quais são os sintomas da Disforia Sensível à Rejeição (RSD) no Transtorno de Personalidade Borderlin
Quais são os sintomas da Disforia Sensível à Rejeição (RSD) no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na visão psicanalítica, quando a disforia sensível à rejeição (DSR) aparece no transtorno de personalidade borderline (TPB), ela não é apenas um sintoma isolado, mas uma expressão central da organização borderline, ligada ao medo de abandono, à fragilidade do self e à instabilidade dos vínculos.
Vou descrever os sintomas psíquicos, organizando-os por eixos clínicos, como a psicanálise costuma observar.
1. Dor afetiva intensa e imediata à mínima rejeição
sofrimento abrupto diante de sinais mínimos (silêncio, atraso, tom neutro)
sensação de “queda” emocional repentina
dificuldade de recuperar o equilíbrio sozinho
Leitura psicanalítica:
A rejeição ativa a angústia de abandono primária, não mediada simbolicamente.
2. Vivência da rejeição como ameaça de aniquilação
sensação de “vou desaparecer”
medo de ficar vazio ou sem identidade
pânico relacional
Aqui, a rejeição não é apenas perda do outro, mas perda do self.
3. Oscilação idealização ↔ desvalorização do outro
o outro passa rapidamente de “tudo” para “nada”
pequenos sinais de frustração levam à desvalorização intensa
dificuldade de manter uma imagem estável do objeto
Esse é um mecanismo de cisão, típico do funcionamento borderline.
4. Raiva intensa seguida de culpa ou vazio
explosões emocionais
acusações impulsivas
depois, vergonha, culpa ou sensação de vazio
A DSR no TPB é marcada por afeto mal regulado.
5. Hipervigilância relacional constante
leitura excessiva de micro sinais
interpretação persecutória de gestos neutros
dificuldade de “relaxar” no vínculo
O sujeito vive em alerta permanente contra o abandono.
6. Comportamentos de protesto contra a rejeição
mensagens repetidas
exigência de confirmação
testes de amor
ameaças de afastamento ou autolesão (em quadros mais graves)
Na psicanálise, isso é visto como tentativa desesperada de manter o objeto.
7. Identidade dependente do olhar do outro
sensação de não saber quem é sem o vínculo
vazio quando não há resposta do outro
mudança de valores conforme a relação
A rejeição atinge o núcleo identitário, não só a autoestima.
8. Vergonha profunda e autoataque
sensação de ser “demais”, “errado”, “insuportável”
pensamentos autodepreciativos
ódio voltado contra si
Aqui o superego se alia à dor da rejeição.
9. Confusão entre separação e abandono
dificuldade em tolerar distância
limites do outro vividos como rejeição
necessidade de fusão
Na lógica borderline:
“Se você se afasta, é porque não me ama.”
10. Dificuldade de simbolizar a rejeição
emoção toma o lugar da palavra
dificuldade de pensar antes de agir
acting out frequente
A rejeição não vira pensamento, vira ação ou explosão afetiva.
11. Repetição do trauma relacional
escolha de vínculos instáveis
relações intensas e caóticas
reencenação de rejeições precoces
Não é escolha consciente, mas compulsão à repetição.
12. Diferença em relação à DSR fora do TPB
Na psicanálise, a diferença central é:
DSR “neurótica” → dor intensa, mas preservação do self
DSR borderline → dor intensa com ameaça à coesão do self
Por isso os sintomas são mais extremos e desorganizantes.
Em síntese
Na visão psicanalítica, os sintomas da DSR no TPB incluem:
hipersensibilidade extrema à rejeição
medo de abandono vivido como aniquilação
instabilidade emocional e relacional
raiva, vergonha e vazio
comportamentos impulsivos para evitar perda
A DSR não é um “acessório” no TPB — ela está no centro da dinâmica borderline.
-
A Disforia Sensível à Rejeição (RSD) diminui com a estabilização do Transtorno Obsessivo-Compulsivo
A Disforia Sensível à Rejeição (RSD) diminui com a estabilização do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na visão psicanalítica, a resposta é sim, em parte — mas não automaticamente.
A disforia sensível à rejeição (DSR) pode diminuir quando o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) se estabiliza, desde que certos mecanismos psíquicos envolvidos também sejam trabalhados.
Vou explicar com precisão, porque TOC e DSR se sobrepõem, mas não são a mesma coisa.
1. O que o TOC “alimenta” na DSR
Na leitura psicanalítica, o TOC se organiza em torno de:
superego severo
culpa inconsciente
necessidade de controle
medo de errar e causar dano
Esses elementos intensificam a DSR porque:
qualquer falha vira prova de indignidade
qualquer crítica ativa culpa
qualquer silêncio é lido como acusação
Enquanto o TOC está ativo, a DSR tende a ficar mais frequente e mais intensa.
2. O que significa “estabilizar” o TOC na psicanálise
Não é apenas reduzir rituais.
Psicanaliticamente, estabilizar o TOC envolve:
diminuição da tirania do superego
menor fusão entre pensamento e ação
redução da culpa difusa
maior tolerância à incerteza
Quando isso ocorre, a base emocional que amplifica a DSR enfraquece.
3. O que costuma melhorar na DSR quando o TOC estabiliza
Geralmente diminui:
a antecipação catastrófica da rejeição
a intensidade da culpa após feedback
a urgência de reparação
a ruminação pós-interação
o autoataque moral
A rejeição ainda dói, mas não se transforma automaticamente em colapso psíquico.
4. O que pode NÃO melhorar automaticamente
Mesmo com TOC estabilizado, podem permanecer:
medo profundo de abandono
feridas narcísicas antigas
dependência do olhar do outro
vergonha estrutural
Esses núcleos pertencem mais à história relacional do sujeito do que ao TOC em si.
Ou seja:
melhora do TOC ajuda
não resolve tudo
5. Quando a DSR diminui claramente com a melhora do TOC
A redução é mais evidente quando:
a DSR estava muito ligada à culpa obsessiva
a rejeição era vivida como “prova moral”
o sujeito tem estrutura neurótica com bom acesso à simbolização
Nesses casos, estabilizar o TOC libera energia psíquica e reduz a hipersensibilidade.
6. Quando a DSR persiste apesar da estabilização do TOC
A DSR tende a persistir quando:
há trauma relacional precoce
há feridas narcísicas profundas
há traços borderline
o medo central é abandono, não culpa
Aqui, a DSR tem autonomia relativa em relação ao TOC.
7. A clínica psicanalítica observa uma sequência comum
Muitas vezes o processo ocorre assim:
TOC intenso → DSR intensa
TOC estabiliza → DSR “descomprime”
DSR residual aparece mais claramente
Trabalho analítico se aprofunda no vínculo, rejeição e valor do self
Essa sequência é clínica, não teórica — muito observada em consultório.
8. O risco de interpretar errado
Se a DSR persiste após melhora do TOC, o sujeito pode pensar:
“Então o tratamento não funcionou.”
Na visão psicanalítica, isso é um equívoco:
o tratamento permitiu que camadas mais profundas aparecessem
antes, o TOC as encobria
9. Em termos simples
O TOC amplifica a DSR
Estabilizar o TOC reduz a amplificação
A DSR pode diminuir significativamente
Mas só desaparece se seus núcleos próprios forem elaborados
Em síntese final
Sim, a DSR pode diminuir com a estabilização do TOC
Principalmente quando está ligada à culpa e ao superego obsessivo
Mas não é automática nem garantida
A DSR pode precisar de trabalho específico
TOC tratado ≠ história emocional elaborada
-
Pessoas com Disforia Sensível à Rejeição (RSD) são manipuladoras?
Pessoas com Disforia Sensível à Rejeição (RSD) são manipuladoras?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não — a psicanálise não entende pessoas com disforia sensível à rejeição (DSR) como manipuladoras.
Agora, o ponto importante (e mais sutil) :
Como a psicanálise lê esse comportamento?
Na visão psicanalítica, o que pode parecer manipulação costuma ser entendido como:
Tentativas desesperadas de preservar o vínculo;
Defesas psíquicas contra abandono, rejeição ou humilhação;
Comunicação do sofrimento quando faltam recursos simbólicos;
Ou seja: não é “jogo de poder”, é angústia relacional.
Por que às vezes parece manipulação?
A DSR envolve uma hipersensibilidade intensa a sinais (reais ou imaginados) de rejeição. Isso pode gerar comportamentos como:
Busca constante de confirmação (“Você ainda gosta de mim?”);
Reações emocionais intensas ao silêncio ou à ambiguidade;
Retraimento súbito ou explosões afetivas;
Ameaças implícitas de afastamento (“Então deixa, não preciso de ninguém”).
Do ponto de vista externo, isso pode soar como chantagem emocional.
Para a psicanálise, porém, isso é visto como:
um apelo, não uma estratégia.
Intencionalidade importa (e muito).
A psicanálise diferencia claramente:
Manipulação → ação consciente para controlar o outro;
Defesa → reação automática para aliviar angústia psíquica.
Na DSR, o sofrimento é:
rápido,
desproporcional,
vivido como ameaça ao self.
Não há cálculo, há colapso afetivo.
E nos quadros clínicos mais associados?
Em pessoas com:
traços borderline;
história de rejeição precoce;
falhas de espelhamento emocional;
vínculos instáveis;
A psicanálise entende que o sujeito:
teme perder o outro e teme ser invadido ou humilhado.
Isso gera comportamentos contraditórios que não são manipulação, mas expressão de conflito interno.
Resumo psicanalítico:
Não são manipuladoras;
São pessoas tentando sobreviver emocionalmente;
O “controle” é uma leitura externa;
Internamente há medo, vergonha e desorganização afetiva.
Espero ter ajudado com minha resposta!
Estou disponível para agendamento de sessões! Basta agendar na minha agenda daqui ou me mandar uma mensagem (por aqui ou pelo número do meu whatsaap).
A primeira sessão eu não cobro pra você me conhecer!
Fico no seu aguardo!
-
Qual a diferença fundamental entre Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e Disforia Sensível
Qual a diferença fundamental entre Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e Disforia Sensível à Rejeição (RSD) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Ótima pergunta — e dá mesmo confusão, porque a disforia sensível à rejeição (DSR) aparece muito dentro de quadros borderline, mas não são a mesma coisa, especialmente do ponto de vista psicanalítico.
Vou direto ao núcleo da diferença e depois destrincho.
Diferença fundamental (em uma frase):
Para a Psicanálise, o transtorno de personalidade borderline é uma organização da personalidade;
A disforia sensível à rejeição é um modo de reação afetiva à perda, crítica ou exclusão.
Ou seja:
Borderline = estrutura,
DSR = fenômeno clínico/afetivo.
1⃣ Transtorno de personalidade borderline (Psicanálise):
Na Psicanálise, o borderline não é definido só por sintomas, mas por uma organização psíquica específica, geralmente chamada de organização borderline da personalidade.
Núcleo psicanalítico do borderline:
Angústia de abandono primária;
Relações de objeto instáveis;
Defesas primitivas, sobretudo:
cisão (bom/mau);
idealização ↔ desvalorização;
identificação projetiva;
difusão de identidade;
afetos intensos e pouco simbolizados;
O problema central não é a rejeição em si, mas:
a fragilidade da representação do self e do outro.
A rejeição reativa, algo mais profundo:
medo de aniquilação psíquica, vazio, não-existência.
2⃣ Disforia sensível à rejeição (DSR) na visão psicanalítica.
A Psicanálise não considera a DSR um diagnóstico. Ela é entendida como um padrão de resposta afetiva.
O que a DSR representa para a Psicanálise:
Hipersensibilidade à:
rejeição,
crítica,
silêncio,
indiferença percebida.
Reação afetiva desproporcional:
vergonha intensa,
humilhação,
raiva súbita,
colapso narcísico,
ativação de feridas narcísicas precoces.
Aqui, o eixo central é:
a ameaça ao valor do self.
A rejeição é vivida como:
“eu não sou digno de amor / não sou suficiente / não existo para o outro”.
3⃣ Onde está a diferença estrutural?
Aspecto;
Borderline;
DSR.
Status na Psicanálise:
Organização da personalidade;
Fenômeno clínico;
Profundidade;
Estrutural;
Reacional;
Núcleo do sofrimento;
Abandono + identidade;
Narcisismo ferido;
Defesas;
Primitivas (cisão etc.);
Pode usar defesas mais neuróticas;
Presença fora de quadros graves:
Não.
Sim (aparece em vários quadros).
Relação com rejeição.
Rejeição = ameaça de aniquilação.
Rejeição = desvalor extremo.
4⃣ Relação entre os dois (onde confunde):
Pessoas com organização borderline quase sempre apresentam DSR.
Mas alguém pode ter DSR sem ser borderline?
em quadros neuróticos;
em TDAH;
em personalidades sensíveis/narcísicas;
em histórias de trauma relacional.
No borderline, a DSR é um sintoma entre muitos, não o centro da estrutura.
5⃣ Em linguagem simples:
Borderline:
“Se você se afasta, eu deixo de existir.”
DSR:
“Se você me rejeita, eu não valho nada.”
No borderline, isso é organizador da personalidade.
Na DSR, isso é uma reação afetiva intensa que pode ser trabalhada sem necessariamente mexer em toda a estrutura.
Espero ter ajudado com minha resposta!
Estou disponível para agendamento de sessões, basta agendar por aqui ou me mandar uma mensagem!
A primeira sessão eu não cobro pra você me conhecer!
Fico no seu aguardo!
-
Como a ansiedade de antecipação é tratada em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (T
Como a ansiedade de antecipação é tratada em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Na psicanálise, a ansiedade de antecipação em pessoas com transtorno de personalidade borderline (TPB) não é tratada como um sintoma isolado a ser “apagado”, mas como a expressão de conflitos psíquicos profundos, ligados sobretudo ao medo de abandono, à instabilidade do objeto e às falhas precoces de simbolização.
Vou explicar de forma organizada, no enfoque psicanalítico
1. Como a psicanálise entende a ansiedade de antecipação no TPB.
Na clínica psicanalítica, essa ansiedade surge principalmente quando o sujeito:
Antecipa rejeição, abandono ou desintegração do vínculo.
Vivencia o futuro como ameaça psíquica, não como possibilidade.
Têm dificuldade em manter a constância do objeto (o outro “bom” não é sentido como presente quando está ausente.
O sofrimento não está no evento futuro em si, mas na fantasia inconsciente que se ativa antes dele.
2. Objetivos do tratamento psicanalítico
A psicanálise busca:
Dar sentido à ansiedade antecipatória.
Tornar representável o que hoje aparece como angústia difusa.
Fortalecer o ego para tolerar espera, frustração e ambivalência.
Construir uma experiência interna de continuidade do vínculo.
Ou seja: não se trata de “evitar pensar”, mas de aprender a pensar sem colapsar.
3. Principais eixos do tratamento psicanalítico:
1. Trabalho com a transferência.
A ansiedade antecipatória aparece fortemente na relação com o analista:
Medo de ser abandonado entre sessões.
Angústia antes das sessões.
Fantasias de rejeição, julgamento ou desinteresse do analista.
O analista não desmente nem confirma, mas ajuda o paciente a nomear, simbolizar e historicizar essa ansiedade.
“Isso que você teme agora já foi vivido antes?”
2. Ligação com experiências precoces.
A ansiedade antecipatória costuma estar ligada a:
Objetos primários imprevisíveis.
Separações traumáticas.
Invalidação emocional precoce.
Falhas no cuidado contínuo.
O tratamento busca ligar:
a angústia atual às experiências infantis não simbolizadas.
Isso transforma ansiedade automática em experiência psíquica pensável.
3. Fortalecimento da função de simbolização:
No TPB, a ansiedade muitas vezes aparece no corpo ou no agir:
Agitação,
Impulsividade,
Autolesão,
Crises emocionais súbitas.
A psicanálise trabalha para que:
a angústia deixe de ser descarregada e passe a ser falada, pensada, sonhada.
Quando há simbolização, a antecipação deixa de ser vivida como catástrofe inevitável.
4. Continência e enquadre estável
O enquadre psicanalítico é parte do tratamento:
Horários fixos,
Regras claras,
Presença constante do analista.
Isso ajuda o paciente borderline a internalizar uma experiência de previsibilidade, reduzindo a ansiedade diante do futuro.
4. O que não é feito na psicanálise com TPB:
Não se ensina técnicas diretas de controle da ansiedade,
Não se “racionaliza” o medo do futuro,
Não se invalida a angústia,
Não se promete segurança absoluta,
A psicanálise entende que prometer alívio rápido pode reforçar a dependência e a fragilidade do ego.
5. O que muda ao longo do tratamento
Com o tempo, o paciente passa a:
Tolerar melhor a espera,
Antecipar sem entrar em pânico,
Reconhecer fantasias de abandono,
Diferenciar passado de presente,
Sentir o vínculo como mais contínuo.
A ansiedade não desaparece completamente, mas perde o caráter de ameaça de aniquilação.
6. Comparação rápida com outras abordagens (só para situar):
Psicanálise → compreensão profunda, simbolização, vínculo;
TCC/DBT → manejo direto, habilidades emocionais;
Psiquiatria → medicação como suporte, não como solução;
Muitos pacientes com TPB se beneficiam de tratamentos integrados, mas a psicanálise atua no núcleo da ansiedade antecipatória.
-
É possível levar uma vida plena e feliz com o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
É possível levar uma vida plena e feliz com o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, é possível se você faz análise pra se conhecer melhor e saber como contornar a melancolia do TPB
-
Como o agressor manifesta sua crise existencial por meio do bullying?
Como o agressor manifesta sua crise existencial por meio do bullying?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Para a psicanálise, o agressor manifesta sua crise existencial transformando seu vazio e impotência interna em dominação externa.
Os principais mecanismos são:
Identificação Projetiva: O agressor não suporta suas próprias fragilidades e inseguranças. Ele as projeta na vítima e as ataca nela para sentir que as destruiu em si mesmo.
Compensação de Impotência: Para fugir de um sentimento de insignificância, ele cria uma "onipotência defensiva". O domínio sobre o outro preenche ilusoriamente o vácuo de sentido em sua vida.
Busca de Reconhecimento: Na falta de vínculos de afeto, o agressor prefere ser temido a ser invisível. O medo da vítima confirma que ele "existe" e tem impacto no mundo.
Repetição do Trauma: Frequentemente, ele inverte o papel de uma violência que sofre (em casa, por exemplo), deixando de ser a vítima passiva para ser o agressor ativo, tentando dominar retroativamente sua própria dor.
-
Como a terapia existencial lida com o sentimento de impotência da vítima do bullying?
Como a terapia existencial lida com o sentimento de impotência da vítima do bullying?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Para a psicanálise, o sentimento de impotência da vítima de bullying não é apenas o resultado da agressão externa, mas um colapso da subjetividade. A terapia lida com isso através dos seguintes pontos:
Resgate da Autoria: A vítima sente-se "coisificada" (um objeto do prazer do agressor). A análise busca devolver à pessoa o lugar de sujeito, ajudando-a a separar as projeções do agressor da sua identidade real.
Investigação da Passividade: Investiga-se por que a agressão "colou" tão profundamente. Às vezes, o bullying ressoa em feridas infantis anteriores, e a terapia ajuda a desamarrar o trauma atual de culpas ou inseguranças antigas.
Fortalecimento do Ego: O foco é reconstruir o narcisismo ferido. Ao colocar a dor em palavras (simbolização), a vítima deixa de carregar o trauma no corpo (angústia, depressão) e passa a entender a dinâmica do agressor como uma falha do outro, não dela.
Saída da Posição de Objeto: A análise ajuda a vítima a entender que ela não precisa ocupar o lugar de "depósito" das frustrações alheias, permitindo que ela crie defesas psíquicas para dizer "não" ao desejo destrutivo do agressor.
-
Quais os comportamentos mal adaptativos e indesejáveis de uma pessoa com o Transtorno da Personalida
Quais os comportamentos mal adaptativos e indesejáveis de uma pessoa com o Transtorno da Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, esse transtorno está caracterizado por uma instabilidade emocional que pode ter relações dificultosas com os próprios sentimentos. Tem uma questão de medo de abandono, uma dificuldade pelas mudanças de humor exacerbadas, compulsões, impulsividade e pode ter também, um sentimento muito intenso de vazio. O tratamento com uma psicanalista é imprescindível, e se necessário, com um psiquiatra também, caso se trate de um caso muito extremo. Estou disponível para sessões!
-
Quais são os principais tipos de transtornos de ansiedade?
Quais são os principais tipos de transtornos de ansiedade?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
No DSM você encontra todos os tipos como os colegas acima falaram, porém é necessário compreender de forma individual o que cada ansiedade que cada pessoa tem e ao que ela é relacionada. Para tanto sessões de psicoterapia psicanalítica são recomendáveis!
-
A ansiedade pode levar a outros problemas de saúde?
A ansiedade pode levar a outros problemas de saúde?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, a ansiedade é sim um sintoma de sofrimento demonstrando que algo está abalando o emocional da pessoa. Se não tratada, ela pode trazer diversos sintomas psicossomáticos como as crises de ansiedade propriamente dita, ou o pânico, transtorno de ansiedade generalizados, distúrbios no sono, distúrbios cardíacos, distúrbios na pele, no estômago, disfunção sexual, problemas no intestino, enxaqueca, hipertensão. O tratamento Psicoterapêutico Psicanalítico é uma excelente opção para quem sofre com transtornos de ansiedade. Estou disponível para sessões!
-
O que devo fazer em uma crise do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB)?
O que devo fazer em uma crise do Transtorno da Personalidade Borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Em momentos de crise, em que o paciente esteja passando por uma emergência sintomatológica, é importante ter acolhimento e cuidado pelas pessoas que estão ao redor, como a família e amigos, se necessário ter o acompanhamento de um psiquiatra para a parte medicamentosa (apenas se for preciso), e ter um tratamento a longo prazo de uma psicanalista é extremamente crucial. Até se a psicanalista puder fazer sessões em momentos de crise, seria importante.
-
A pessoa com Transtorno aa Personalidade Borderline é de difícil convivência?
A pessoa com Transtorno aa Personalidade Borderline é de difícil convivência?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, difícil generalizar, pois cada um é único, mas pessoas com transtorno de personalidade boderline são pessoas limítrofes e intensas. Podem ter mudanças repentinas de humor, medo de abandono e podem ter reações desafiantes em relação à ansiedade, angústias e stress. Talvez por isso que você está se questionando o quão pode ser difícil o relacionamento com pessoas com o transtorno boderline. Porém, com um tratamento adequado, e a psicanálise está aí para poder responder à isso, pois trata cada um na sua individualidade, é possível que a pessoa com o transtorno boderline consiga construir relações duradouras com afetos preservados. Estou disponível para sessões!
-
Gostaria de saber se é possível ter mais de um tipo de TOC?
Gostaria de saber se é possível ter mais de um tipo de TOC?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Existem várias formas desse transtorno acontecer, e cada sujeito vai encontrar sua forma de demonstrar esse transtorno. Mas muitos são de ordem da limpeza, ou de trancar a porta várias vezes, ou de fazer diversas maneiras de repetições, ou tem pessoas que não pisam em azulejos que sejam um ao lado do outro, como diversas outras situações em que a pessoa demonstra certa angústia.
-
Quais os outros sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC0 além da dúvida?
Quais os outros sintomas do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC0 além da dúvida?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, cada ser humano age de uma forma, mas de uma maneira geral há um padrão de preocupação com ordem, perfeição, controle, obsessões, pensamentos intrusivos, compulsões, comportamentos repetitivos, inflexibilidade, rigidez, dificuldade de relacionamentos íntimos com as pessoas, e etc. Estou disponível para marcar sessões comigo!
-
Como o transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva é diferenciada de outros transtornos psiquiá
Como o transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva é diferenciada de outros transtornos psiquiátricos ?:
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Cada ser humano age da sua maneira, mas no geral, o transtorno obsessivo compulsivo tem uma preocupação com perfeccionismo, controle e ordem muito extensa. Também é característico os pensamentos intrusivos, comportamentos repetitivos e compulsões. O que marca o TOC também é um rígido controle sobre as pessoas e a inflexibilidade. Uma questão de ordem muito grande. Pessoas com esse transtorno têm dificuldade para manter relações íntimas com outras pessoas e têm dificuldade para expressar seus sentimentos. É um transtorno bem característico e distinto de muitos outros transtornos. Fico à disposição para agendamento de sessão!
-
Há sintomas físicos de ansiedade que podem permanecer durante meses?
Há sintomas físicos de ansiedade que podem permanecer durante meses?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, sim, os sintomas de ansiedade, se não tratados, podem permanecer por meses, ou até, anos. É imprescindível um tratamento psicoterápico psicanalítico para compreender as causas dessa ansiedade. Portanto, me coloco disponível para o agendamento de consultas.
-
O TOC pode influenciar de alguma maneira a dificuldade da fala?
O TOC pode influenciar de alguma maneira a dificuldade da fala?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, não necessariamente, mas pode acontecer do TOC ter relação justamente com a fala e a linguagem, e aí, pode ter relação sim. Mas o TOC é caracterizado por pensamentos intrusivos com os quais a pessoa tem dificuldade de lidar. Tanto o TOC quanto questões relacionadas com a fala devem ser analisadas em uma psicoterapia de orientação psicanalítica. Portanto estou à disposição para agendar uma consulta!
-
Devaneio excessivo pode ser causado pela Fobia social?
Devaneio excessivo pode ser causado pela Fobia social?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, fobia social caracteriza uma pessoa que não consegue ter contato com outras pessoas em um ambiente social e uma das formas de lidar com esse tipo de transtorno, pode ser o devaneio, pois o devaneio caracteriza uma pessoa que entra em seu mundo de fantasia e desliga da realidade.
Portanto, a pessoa com fobia social, para desligar da realidade de ter que conviver em algum ambiente social, entra com seu devaneio. Tanto no caso da fobia social, quanto no caso do devaneio, é interessante se interrogar em um processo psicoterapêutico psicanalítico. Estou à disposição para agendar uma consulta!
Perguntas frequentes
-
Estou amamentando e meu bebê tem 10 meses. Posso tomar picolinato de cromo?
Picolinato de cromo durante a amamentação: Não há evidências suficientes…