Perguntas do paciente (4)

  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nicolle Cristine

    Olá, como vai você?

    Sentir vontade de parecer bonita, interessante ou bem-sucedida diante de alguém que já despertou seu interesse no passado pode ser bastante comum, mesmo quando o interesse romântico ou a proximidade já diminuíram. Sobre o que isso “define” a seu respeito, eu seria cautelosa em tirar grandes conclusões a partir disso. Não necessariamente estamos diante de algo patológico ou de uma intenção de traição.

    Pode existir aí um resquício emocional — como o desejo de agradar que permanece por hábito ou memória afetiva — ou uma questão relacionada à própria autoimagem, como a necessidade de reparar ou modificar uma imagem que ficou, de alguma forma, mal resolvida no relacionamento passado.

    Um exercício interessante, inspirado na Psicologia Adleriana e apresentado no livro *A coragem de não agradar*, é inverter o raciocínio: se estou tão preocupada com a maneira como essa pessoa me vê, como eu vejo essa pessoa? Por que é tão importante para mim que essa pessoa tenha uma determinada imagem de mim?

    O mais importante é compreender o sentido desses pensamentos, preocupações e fantasias. Não escolhemos os pensamentos que surgem, mas podemos escolher como nos posicionamos diante deles e como agimos. É isso que, mais do que a simples presença de um pensamento, diz respeito às nossas escolhas e aos nossos valores.

    Com carinho, Nicolle Cristine.


  • Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2

    Como trabalhar com uma criança de 3 anos a morte do pai que nunca conheceu, sendo que a partir dos 2 anos tem como figura paterna o padastro.

    Há uma idade adequada para para iniciar o assunto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nicolle Cristine

    Olá, como vai você?

    Não existe uma idade específica para falar sobre conteúdos complexos.

    Em geral, podemos acompanhar a curiosidade da criança: o que ela está perguntando, o que ela tem condições de compreender e quais informações são necessárias naquele momento para que possa construir sua própria história sem ser sobrecarregada por conteúdos que ainda não consegue elaborar.

    Recomendo dosar a informação ao longo do desenvolvimento: uma verdade simples na infância, respostas mais elaboradas conforme surgem novas perguntas e, quando necessário, detalhes mais difíceis em uma etapa posterior.

    Se a criança trouxer uma pergunta e o adulto perceber que precisa de um tempo para pensar em como responder, também é possível acolher a pergunta e dizer: “Essa é uma pergunta importante. Eu quero pensar em como te explicar isso direitinho e depois podemos conversar.” Assim, não é necessário inventar uma resposta ou antecipar informações, e o adulto ganha tempo para se preparar.

    Com 3 anos, a criança já pode começar a receber uma explicação breve, concreta e com palavras simples. Recomendo evitar expressões comuns como “ele foi embora”, “está dormindo” ou “virou uma estrelinha”, porque podem gerar interpretações literais e confusão. Uma possibilidade seria dizer: “Você tem um pai que se chama X. Ele morreu quando você era bem pequenininha, por isso você não chegou a conhecê-lo. O [nome do padrasto] é uma pessoa muito importante para você, que cuida de você e está com você desde que você era pequena.”

    Depois de oferecer essa informação, é importante dar espaço para que a criança reaja à sua maneira, sem esperar necessariamente uma reação específica. Ela pode fazer novas perguntas, demonstrar curiosidade, parecer não se interessar naquele momento ou simplesmente voltar a brincar — todas essas respostas podem ser esperadas nessa idade, isso não significa que não tenha compreendido ou que não tenha sido afetada.

    O adulto pode acompanhar o ritmo da criança e retomar o assunto outras vezes, conforme novas perguntas ou situações surgirem.

    Espero ter podido ajudar com essa abordagem e com a construção gradual de uma narrativa que permita à criança conhecer sua própria história.

    Com carinho,
    Nicolle Cristine


  • Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in

    Olá, tudo bem?
    Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nicolle Cristine

    Olá! Como vai você?

    A transferência pode ser entendida como sentimentos, expectativas, fantasias e até incômodos que a relação com a psicóloga pode despertar. Esses sentimentos não dizem apenas respeito à pessoa da psicóloga, mas também podem revelar algo sobre você e sobre a maneira como outras relações foram ou são vividas fora da terapia.

    É importante dizer que a transferência é parte importante do processo terapêutico e é esperado que aconteça. Ela pode ser um sinal de que algo está sendo comunicado na relação terapêutica e, a partir disso, é possível começar um trabalho de elaboração. Na história da clínica, é bastante comum observar o surgimento de sentimentos amorosos, fantasias e até sonhos envolvendo o terapeuta.

    Por isso, diante de uma atração ou interesse pela sua psicóloga, talvez a questão mais interessante não seja simplesmente descobrir se é “transferência” ou “interesse amoroso”, mas compreender o que esse sentimento representa para você e como ele se relaciona com a sua história.

    Eu incentivaria você a levar isso para a terapia. Falar sobre esses sentimentos e pensamentos, mesmo que pareçam constrangedores, pode abrir caminhos muito interessantes para compreender seus desejos e a forma como você estabelece vínculos.

    Uma frase de que gosto é: muitas vezes, quando aparece o amor de transferência na terapia, o que é mais necessário é um terapeuta, e não um amante. Afinal, a pessoa já pode ter buscado relações amorosas em outros espaços — nas relações familiares e sociais, em aplicativos, encontros e outros vínculos —, mas escolheu a terapia como um espaço específico justamente porque está procurando compreender outra coisa. Isso, por si só, já pode ser uma questão muito interessante para investigar.

    Com carinho,
    Nicolle Cristine.


  • Olá fui no médico não tenho nada no coração no pulmão estou muito bem inclusive fui no médico do hos

    Olá fui no médico não tenho nada no coração no pulmão estou muito bem inclusive fui no médico do hospital e particular. E as vezes me acelera o coração sensação de aperto no peito respiração fica ruim e o médico disse que é ansiedade. Agora estou
    tomando remédio hj é o 6 dia já já faz efeito né? As vezes sente ruim a garganta tanto para engolir e também para comer comida fica parece que algo preso ali incomodando, seria interessante fazer acompanhamento com psicologo pra ajudar a passar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Nicolle Cristine

    Bom dia! A ansiedade é um dos sintomas mais recorrentes na clínica, acredito que isso se deva principalmente por vir acompanhada de grande desconforto de como se manifesta no corpo. A sua descrição parece bem típica "taquicardia, sensação de aperto no peito e respiração ofegante". Se já realizou exames médicos que consideram o seu hábito de vida (tabagismo, prática de atividade física...) e foi descartada a possibilidade de ser problema no coração e pulmão, bem como outros problemas comuns de nossos tempos como a hipertensão, por ex, então pode-se partir para um sintoma psíquico. Se compreendi o médico lhe receitou medicação para ansiedade para agir nesses sintomas que relatou, é importante acompanhar com o médico como vai responder a medicação. A psicoterapia ou a psicanálise são muito bem-vindas com certeza! Com a ansiedade estamos frente a um sintoma que fala de mente e corpo, as causas podem ser complexas e quando as descobrimos sabemos quais são as nossas questões e o que pode nos ajudar a conseguir fazer diferente frente a um problema. Inclusive, falar em terapia já é um efeito terapêutico importante: permite dar outra saída ao sintoma que antes não tinha como sair, e se manifestava no corpo. Espero contribuir com a questão da pertinência de um trabalho psíquico nos casos de ansiedade.


Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.