Perguntas do paciente (5)

  • Tenho muita insegurança e ciúmes do meu parceiro, tenho consciência que preciso mudar, mas não consi

    Tenho muita insegurança e ciúmes do meu parceiro, tenho consciência que preciso mudar, mas não consigo. Sendo parte da minha personalidade será que é possível mudar ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Noele Gonzaga

    Olha, eu acho importante começar dizendo que ciúme e insegurança não costumam surgir “do nada” nem são simplesmente um traço fixo de personalidade.

    Muita gente que vive isso aprendeu, em algum momento da vida, que amor podia ser instável, que afeto podia desaparecer, que precisava estar sempre atenta pra não perder espaço, importância ou vínculo. Então o corpo e a mente entram num estado de vigilância constante. E aí mesmo quando existe amor real na relação, a angústia continua, porque o medo nem sempre é sobre o parceiro, às vezes é sobre o que determinadas situações despertam dentro da gente.

    A parte difícil é que ter consciência raramente basta, senão ninguém repetiria padrões que já percebe há anos.

    Na psicanálise, a gente entende que muitos desses movimentos são inconscientes. Ou seja: você até sabe racionalmente que exagera, mas emocionalmente aquilo continua parecendo uma ameaça real.

    Então sim: é possível mudar! Mas normalmente não através de autocobrança ou tentando “virar outra pessoa”.

    A mudança costuma aparecer quando você consegue entender de onde vem essa sensação tão intensa de insegurança, o que exatamente ativa isso em você e por que o ciúme acaba funcionando quase como uma tentativa de aliviar uma angústia maior.

    E honestamente? O fato de você conseguir olhar pra isso sem simplesmente colocar toda a culpa no outro já mostra bastante coisa sobre o seu desejo de mudar.


  • . O que é o "Efeito Iatrogênico" no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    . O que é o "Efeito Iatrogênico" no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Noele Gonzaga

    O efeito iatrogênico acontece quando uma intervenção em saúde, mesmo feita com intenção de ajudar, acaba produzindo mais sofrimento, agravamento ou efeitos negativos no paciente.

    No contexto do Transtorno de Personalidade Borderline isso é uma discussão muito importante, porque pessoas com esse funcionamento psíquico costumam ter uma sensibilidade enorme às relações, à rejeição, ao abandono e às dinâmicas de poder. Então às vezes certas posturas clínicas podem, sem perceber, reforçar exatamente aquilo que mais machuca o paciente.

    Por exemplo: quando o profissional invalida a dor da pessoa; quando reduz tudo ao diagnóstico (“isso é seu borderline falando”); quando ameaça abandono terapêutico; quando entra em jogos de controle; quando responde impulsivamente às crises; ou até quando interpreta cedo demais conteúdos muito delicados sem que exista vínculo suficiente pra sustentar aquilo.

    Tudo isso pode gerar um efeito iatrogênico.

    E tem um ponto muito sério aí: muitos pacientes borderline já chegam ao tratamento carregando uma história de relações em que se sentiram excessivos, difíceis, manipuladores ou “impossíveis de amar”.

    Então, se o setting terapêutico repete essa experiência emocional, o tratamento pode acabar reforçando vergonha, desorganização emocional e medo de vínculo.


  • Como a dinâmica de negação pode afetar a relação entre o paciente com Transtorno de Personalidade Bo

    Como a dinâmica de negação pode afetar a relação entre o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) e o terapeuta? Como o terapeuta pode garantir uma relação de confiança enquanto o paciente nega seu diagnóstico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Noele Gonzaga

    A negação, em muitos casos, não é simplesmente “não aceitar um diagnóstico”. Às vezes ela funciona como uma defesa psíquica diante de algo que a pessoa sente como muito ameaçador.

    E dependendo da história daquele paciente, especialmente quando existe abandono, invalidação emocional, relações instáveis ou muito traumáticas, isso pode despertar vergonha, raiva, sensação de rejeição ou até medo de ser reduzido ao diagnóstico.

    Na relação terapêutica isso costuma aparecer de formas muito intensas. O paciente pode sentir que o terapeuta está tentando controlá-lo, julgá-lo ou encaixá-lo numa categoria. Pode oscilar entre idealizar aquele profissional (“finalmente alguém me entende”) e depois sentir que foi traído ou mal interpretado. E muitas vezes a negação do diagnóstico não é exatamente sobre o nome “borderline”, mas sobre tudo o que aquilo simboliza emocionalmente pra ele.

    Se o terapeuta entra numa posição muito rígida de convencimento como “você precisa aceitar que tem isso”, a relação tende a virar uma disputa de poder. E aí a aliança terapêutica enfraquece.

    Na clínica, confiança normalmente não se constrói impondo uma verdade ao paciente. Se constrói quando ele percebe que existe alguém capaz de sustentar sua dor sem reduzi-lo a um rótulo, dor, sofrimento ou acontecimento.

    Por isso muitos terapeutas experientes trabalham menos focados em “fazer o paciente aceitar o diagnóstico” e mais em ajudá-lo a reconhecer seus padrões de sofrimento, suas formas de se relacionar, suas angústias e repetições.

    Porque quando a pessoa começa a se sentir genuinamente compreendida, a necessidade defensiva de negar costuma diminuir. E tem uma coisa importante aí: o vínculo terapêutico com pacientes muito sensíveis ao abandono ou à rejeição exige consistência emocional do terapeuta. Não perfeição!!! Consistência.

    Às vezes o que mais transforma não é o diagnóstico em si, mas sim a experiência inédita de alguém conseguir permanecer na relação sem invadir, abandonar, punir ou humilhar.


  • Olá, faz 3 anos que sofro de luto por minha falecida mãe na adolescência e também de medo de perder

    Olá, faz 3 anos que sofro de luto por minha falecida mãe na adolescência e também de medo de perder meu pai de repente assim como ela, ultimamente ando chorando bastante e pensando no futuro sobre o que vai acontecer comigo, o que posso fazer para melhorar e seguir em frente?
    Ps: Já passei no CAPS por cerca de 2 anos e meio, cheguei a tomar 4 remédios quando começaram a fazer mal e parar, também não tive apoio nenhum na época.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Noele Gonzaga

    Sinto muito mesmo pela sua perda. Como diversos colegas já mencionaram, o luto é processual e não tem uma duração específica. É importante que a gente se permita viver ele sem culpa ou medo do julgamento alheio - que por si só já não é uma tarefa fácil. Por isso, concordo que um caminho possível é buscar ajuda profissional com alguém que você se identifique e sinta-se em segurança para trazer essas questões e outras demais que aparecer. Importante lembrar que você não precisa passar por isso sozinha, ok? Estou à disposição!


  • Sou aposentada por invalidez (depressão/mania) e embora me sinta acolhida pela família tenho uma sen

    Sou aposentada por invalidez (depressão/mania) e embora me sinta acolhida pela família tenho uma sensação de inutilidade por não poder trabalhar sem ser na minha casa. Tentei trabalho artesanal mas nada me deu alegria. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Noele Gonzaga

    Nem sempre conseguimos identificar sozinhas de onde vêm os sentimentos que emergem. Por um lado, é natural que com mais ociosidade se tenha mais espaço para reflexões, porém a partir do momento que te traz algum dano (inclusive emocional) já não é saudável - o que significa que é importante cuidar disso. Um espaço onde você possa compartilhar em voz alta seus sentimentos pode te proporcionar outras perspectivas. Estou à disposição!


Perguntas frequentes

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