Perguntas do paciente (10)
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Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintom
Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintomas de doenças,dessa vez foi sobre fobia social,já tinha dificuldade de ter interações sociais mais depois que comecei a pesquisar começei a dar crises quando saio de casa,daí me isolei, começei a tomar escitalopram mais ainda não deu resultados,ainda tenho medo de ter crises se eu for sair de casa, pesquisar sintomas atrapalha no meu tratamento?
A terapia pode me ajudar?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pesquisar sintomas repetidamente pode aumentar a vigilância sobre o corpo, alimentar interpretações assustadoras e fortalecer um ciclo de ansiedade, medo e isolamento. Isso não significa que você esteja “inventando” as crises, mas que a busca pode estar intensificando o sofrimento.
A psicoterapia pode ajudar a compreender esse ciclo, trabalhar os pensamentos associados ao medo, reduzir a evitação e retomar gradualmente as atividades sociais. O escitalopram costuma levar algumas semanas para produzir melhora e não deve ser ajustado ou interrompido sem orientação médica. Caso os sintomas tenham piorado, converse com o profissional que o prescreveu.
Talvez seja importante se perguntar: o que você procura encontrar quando pesquisa os sintomas, tranquilidade ou a confirmação de que algo ruim está acontecendo?
Desejo cuidado e muitas fortunas em seu processo.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo | CRP 06/218398
@rafaelbuenopsicologo
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A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion
A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você esteja passando por esse sofrimento. O que você descreve merece atenção e não deve ser tratado como falta de força, preguiça ou exagero.
A tristeza frequente, o choro, a perda do interesse e do prazer, o isolamento, a falta de energia e as dificuldades de memória, concentração e raciocínio podem aparecer em quadros depressivos e ansiosos. Sim, existe a possibilidade de depressão, mas não é possível confirmar um diagnóstico apenas por esta mensagem. Também é importante investigar outras condições emocionais, físicas, neurológicas, alterações do sono, uso de medicamentos e outros fatores que possam estar contribuindo para os sintomas. O Ministério da Saúde informa que a depressão pode envolver lentificação do pensamento, falta de concentração, queixas de memória, perda de vontade e de iniciativa. (Serviços e Informações do Brasil)
Como isso já acontece há cerca de dois meses e está prejudicando sua escola, seus relacionamentos e suas atividades cotidianas, procure atendimento com psicólogo e também uma avaliação médica ou psiquiátrica o quanto antes. Você pode começar por uma Unidade Básica de Saúde. Em situações de sofrimento psíquico intenso, também é possível procurar diretamente o CAPS da sua região, pois o primeiro acolhimento funciona em regime de porta aberta. (Serviços e Informações do Brasil)
Uma parte do seu relato exige atenção especial: você disse que sente vontade de ficar deitada na cama para sempre. Pergunte a si mesma com sinceridade: você tem pensado em morrer, desaparecer, se machucar ou sente que pode não conseguir permanecer em segurança?
Caso isso esteja acontecendo, não fique sozinha. Procure imediatamente um familiar, responsável, professor ou outro adulto de confiança. Vá a uma UPA ou pronto-socorro. Em situação de urgência, ligue para o SAMU pelo número 192. O serviço atende também emergências psiquiátricas. (Serviços e Informações do Brasil)
Para conversar com alguém enquanto busca atendimento, o Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito, sigiloso e disponível 24 horas
Caso você seja menor de idade, compartilhe o que está acontecendo com um responsável ou adulto de confiança ainda hoje. Você não precisa primeiro descobrir exatamente o que tem para merecer ajuda. O sofrimento que está sentindo já é motivo suficiente para procurar cuidado.
Desejo que você encontre acolhimento, cuidado e muitas fortunas em seu processo.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo |rafaelbuenopsicologo
Referências:
Ministério da Saúde, Depressão:
Ministério da Saúde, Centros de Atenção Psicossocial:
Ministério da Saúde, SAMU
Centro de Valorização da Vida:
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Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins
Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.
Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.
As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.
Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, essa reação pode acontecer e, isoladamente, não significa que exista algum problema com você ou com o relacionamento.
Durante quatro dias, vocês não apenas estiveram juntos, mas experimentaram uma pequena rotina de casal: acordaram, cozinharam, viajaram, conversaram e terminaram os dias lado a lado. Ao voltar para casa, houve uma mudança repentina entre uma convivência afetiva intensa e a ausência física dele. Esse contraste pode produzir tristeza, vazio e vontade de chorar.
Talvez você não esteja sentindo apenas falta do seu namorado, mas também da experiência de cotidiano que vocês construíram nesses dias. A saudade pode ter se intensificado porque você experimentou algo que deseja viver com maior frequência.
Permita-se sentir essa tristeza sem concluir imediatamente que há algo errado. Você pode conversar com ele sobre como foi especial compartilhar esses dias, sem transformar sua saudade em cobrança ou colocá-lo como responsável por eliminar esse sentimento. Também procure retomar gradualmente sua rotina, seus vínculos familiares, estudos, atividades pessoais e momentos de cuidado consigo mesma.
Uma pergunta pode ajudar na reflexão:
Essa tristeza apareceu somente pela ausência dele ou esses quatro dias fizeram você perceber um desejo maior de construir uma vida cotidiana ao lado dele?
Observe como você se sente nos próximos dias. Caso o vazio permaneça por muito tempo, prejudique suas atividades, faça você abandonar outros vínculos ou provoque uma necessidade constante de estar com ele para se sentir bem, pode ser interessante conversar com um psicólogo. A duração, a intensidade e os prejuízos causados por uma tristeza são aspectos importantes para avaliar quando um sentimento esperado começa a exigir maior atenção.
Pelo que você relatou, parece ser uma saudade intensa depois de uma experiência afetiva muito significativa, e não necessariamente um sinal de adoecimento ou dependência emocional.
Desejo acolhimento, equilíbrio e muitas fortunas em seu caminho.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo | CRP 06/218398
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Referências consultadas: Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, NHS, sobre tristeza e alterações de humor; Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados, NICE, sobre avaliação da intensidade, duração e impacto dos sintomas emocionais. (nhs.uk)
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Olá, tudo bem? Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso in
Olá, tudo bem?
Como sei se estou fazendo "transferência" pra minha psicóloga, ou gostando e tenso interesse amoroso/sexual por ela mesmo?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá! Essa dúvida é mais comum do que parece.
Na psicoterapia, transferência é o nome dado aos sentimentos, expectativas e formas de se relacionar que a pessoa passa a viver com o terapeuta, muitas vezes influenciadas por experiências afetivas anteriores. Isso pode incluir admiração, raiva, necessidade de aprovação, carinho, ciúme e também interesse amoroso ou sexual.
Mas existe um ponto importante: não é necessário escolher entre “é transferência” ou “é atração verdadeira”. O sentimento pode ser real e, ao mesmo tempo, estar atravessado pela transferência. O interesse não é falso. O trabalho terapêutico consiste em compreender por que ele surgiu nessa relação, o que essa psicóloga representa para você e o que esse desejo revela sobre sua história e suas necessidades afetivas.
Algumas perguntas podem ajudar:
Você sente atração por quem ela é ou principalmente por como se sente quando é escutado por ela?
Esse sentimento se parece com algo que já viveu em outros relacionamentos?
Você imagina uma relação real com ela ou deseja preservar a experiência de acolhimento, atenção e intimidade que acontece nas sessões?
O caminho mais produtivo costuma ser levar esse assunto para a própria terapia. Uma psicóloga preparada não deve ridicularizar, punir ou incentivar o envolvimento. Ela deverá acolher o que você sente, preservar os limites profissionais e ajudar você a elaborar o significado desse interesse.
Caso a profissional corresponda sexualmente, faça insinuações, proponha encontros amorosos ou utilize seus sentimentos para obter alguma vantagem, isso representa uma quebra grave dos limites éticos.
Talvez a pergunta mais importante não seja apenas “eu realmente gosto dela?”, mas:
O que se torna possível sentir com ela que talvez ainda seja difícil viver em outros vínculos?
Desejo que essa questão possa ser elaborada com cuidado, respeito e muitas fortunas em seu processo.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo | CRP 06/218398
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Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma
Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sinto muito que você tenha vivido essas violências. E quero começar por um ponto essencial: você não é defeituosa. Seu corpo e sua mente parecem estar reagindo a experiências traumáticas que aconteceram quando você ainda era criança e não tinha recursos para compreender ou se proteger.
O choro, o medo, as crises de pânico, as lembranças invasivas e a sensação de estar vendo os abusadores durante momentos de intimidade podem estar relacionados a respostas traumáticas, como flashbacks ou estados dissociativos. Isso não permite afirmar um diagnóstico pela internet, mas indica que você merece uma avaliação psicológica cuidadosa, preferencialmente com um profissional que tenha experiência em trauma e violência sexual. (Instituto Nacional de Saúde Mental)
Você não precisa se forçar a manter qualquer contato íntimo quando estiver assustada, desconfortável ou emocionalmente ausente. O consentimento pode ser interrompido a qualquer momento. Converse com seu namorado fora dos momentos de intimidade e combinem uma palavra ou sinal para que tudo pare imediatamente quando você não estiver bem. Um namorado cuidadoso não deverá enxergar isso como rejeição, mas como parte da construção de segurança entre vocês.
Também evite utilizar bebidas alcoólicas para conseguir enfrentar essas situações. O álcool pode aumentar a ansiedade, prejudicar sua percepção de segurança, intensificar reações emocionais e reduzir sua capacidade de consentir e estabelecer limites com clareza. (nhs.uk)
Quando uma lembrança ou sensação aparecer, tente retornar ao presente observando onde você está, dizendo mentalmente sua idade atual, nomeando objetos ao redor, sentindo os pés apoiados no chão e lembrando a si mesma que o abuso não está acontecendo naquele momento. Essas estratégias podem ajudar pontualmente, mas não substituem o acompanhamento profissional.
Procure psicoterapia e considere também uma avaliação psiquiátrica caso as crises estejam frequentes ou muito intensas. Se você for menor de idade, compartilhe isso com um adulto responsável e confiável. O cuidado às pessoas que sofreram violência sexual deve envolver acolhimento psicológico, proteção e respeito ao tempo de cada pessoa. (Serviços e Informações do Brasil)
Caso os abusadores ainda tenham acesso a você, exista alguma violência acontecendo atualmente, você pense em se machucar ou sinta que não consegue permanecer em segurança, procure imediatamente um serviço de urgência e alguém de confiança.
Talvez a pergunta mais importante neste momento não seja como deixar de ser uma “namorada defeituosa”, mas: como construir relações em que seu corpo possa finalmente aprender que tem o direito de dizer sim, não, agora não e pare?
Desejo que você encontre acolhimento, proteção e muitas fortunas em seu processo.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo | CRP 06/218398
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Referências consultadas: Ministério da Saúde, Organização Mundial da Saúde, National Institute of Mental Health e National Health Service.
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Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen
Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você sente não é fútil. Desejar intimidade, companhia e partilha de vida é uma necessidade humana legítima. Algumas pessoas desejam vínculos mais profundos desde muito cedo, enquanto outras vivem isso de maneiras diferentes.
Ter 25 anos não significa que você já deveria possuir todas as respostas sobre amor, carreira, estabilidade ou felicidade. A vida adulta não chega acompanhada de um manual pronto. Ela também é um período de construção, experimentação, dúvidas e reformulações.
A ideia de que precisamos primeiro nos amar completamente para somente depois nos relacionarmos pode ser bastante rígida. O amor por si mesmo não é uma etapa que se conclui antes do encontro com alguém. Podemos aprender sobre nós tanto na solitude quanto nos vínculos que construímos.
Você também não precisa esperar que sua carreira, sua estabilidade financeira e toda a sua vida estejam perfeitamente organizadas para conhecer alguém. Poucas pessoas chegam a um relacionamento completamente resolvidas. O importante é não esperar que outra pessoa organize toda a sua existência, elimine suas inseguranças ou se torne a única fonte possível de felicidade.
Você pode procurar oportunidades de conhecer pessoas, ampliar seus espaços de convivência e demonstrar interesse quando surgir uma conexão. Isso é diferente de transformar a busca por alguém em uma urgência ou avaliar cada encontro como uma seleção para encontrar imediatamente a pessoa certa.
Talvez também seja importante investigar o que você chama de profundidade. Seria sentir segurança para mostrar vulnerabilidades? Ser compreendido? Construir planos? Ter exclusividade? Compartilhar o cotidiano? Ou sentir que alguém finalmente escolheu permanecer?
Às vezes, procuramos uma pessoa, mas também procuramos a experiência que imaginamos que essa pessoa nos proporcionará.
Por isso, talvez a pergunta não seja apenas “quando encontrarei alguém?”, mas:
O que você espera encontrar em um relacionamento que ainda não conseguiu nomear ou construir em sua própria vida e em seus outros vínculos?
Você não precisa desistir do desejo de amar para investir em si mesmo. Pode desenvolver sua carreira, cuidar da saúde, criar amizades, ampliar sua vida e, simultaneamente, permanecer disponível para um relacionamento. Uma dimensão não precisa esperar que a outra esteja pronta.
A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender por que os vínculos anteriores permaneceram superficiais, quais expectativas você deposita no amor, como lida com a vulnerabilidade e o que talvez dificulte a construção da intimidade que deseja.
A felicidade não costuma chegar como um momento definitivo em que tudo finalmente fica resolvido. Ela também aparece na construção cotidiana de uma vida que tenha espaço para projetos, vínculos, desejos, frustrações e encontros reais.
Desejo que você encontre relações profundas, sem precisar abandonar a si mesmo para ser acompanhado, e muitas fortunas em seu processo.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo | CRP 06/218398
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Referências consultadas: American Psychological Association, sobre solidão, intimidade e relações próximas; NHS England, sobre relacionamentos, bem-estar e saúde emocional.
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Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?
Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não existe um teste simples que determine se você está “rejeitando” o bebê. Sentir medo, estranhamento, dúvida, tristeza, irritação ou até ausência de entusiasmo durante a gestação não significa automaticamente rejeição. A gravidez pode provocar sentimentos contraditórios, inclusive quando foi desejada, porque envolve mudanças corporais, familiares, financeiras, relacionais e na própria identidade. (Royal Free London)
Talvez seja mais cuidadoso substituir a palavra “rejeição” por algumas perguntas:
Você não deseja a maternidade ou ainda não conseguiu se reconhecer nesse novo lugar?
O bebê desperta aversão, medo ou raiva, ou você está assustada com as mudanças que ele representa?
Você consegue cuidar de si e realizar o acompanhamento pré-natal?
Esses sentimentos aparecem ocasionalmente ou permanecem durante a maior parte dos dias?
Você sente culpa por não experimentar a felicidade que acredita que deveria sentir?
O vínculo com o bebê não precisa surgir imediatamente. Para algumas pessoas, ele começa durante a gestação. Para outras, vai sendo construído gradualmente, inclusive depois do nascimento. Não sentir uma conexão intensa agora não determina como será sua relação futura com a criança.
Entretanto, procure acompanhamento psicológico e converse também com a equipe do pré-natal caso esteja apresentando tristeza persistente, ansiedade intensa, crises frequentes, isolamento, perda de interesse, culpa excessiva, dificuldade para cuidar de si, sensação de arrependimento incapacitante ou prejuízo importante em sua rotina. Alterações de saúde mental podem começar durante a gravidez e merecem acolhimento sem julgamentos. (Organização Mundial da Saúde)
Caso apareçam pensamentos de desaparecer, interromper a própria vida, machucar a si mesma ou o bebê, procure imediatamente um serviço de urgência, uma maternidade ou alguém de confiança e não permaneça sozinha.
Uma psicoterapia pode ajudá-la a distinguir o que pertence ao bebê, o que pertence ao medo da maternidade e o que se relaciona às mudanças que essa gestação provoca em sua história. A pergunta talvez não seja apenas “estou rejeitando meu bebê?”, mas:
O que a chegada desse bebê está fazendo você perder, temer ou precisar reconstruir dentro de si?
Você não precisa sentir somente amor e felicidade para ser uma mãe possível. Precisa ter um espaço seguro para reconhecer aquilo que está sentindo e receber o cuidado necessário.
Desejo acolhimento, cuidado e muitas fortunas em seu processo.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo | CRP 06/218398
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Referências utilizadas:
Conselho Federal de Psicologia, Código de Ética Profissional do Psicólogo.
Conselho Federal de Psicologia, orientações sobre assistência psicológica às mulheres durante a gravidez, o pré-natal e o puerpério.
Organização Mundial da Saúde, Guia para integração da saúde mental perinatal aos serviços de saúde materno-infantil.
Ministério da Saúde, orientações sobre saúde mental na gestação e no período pós-parto.
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Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?
Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A depressão nem sempre está “à espreita”, esperando uma oportunidade para voltar. Essa imagem pode aumentar o medo e fazer a pessoa interpretar qualquer tristeza como o início de uma nova crise.
Quem já viveu um episódio depressivo pode apresentar maior vulnerabilidade a novas manifestações, principalmente diante de perdas, conflitos, sobrecarga, isolamento, alterações no sono ou outros acontecimentos difíceis. Isso acontece porque experiências estressantes podem reativar pensamentos, sentimentos, memórias e formas de funcionamento que estiveram presentes durante o adoecimento anterior. O Ministério da Saúde reconhece os estressores familiares, sociais e profissionais como elementos que precisam ser avaliados no acompanhamento da depressão. (Linhas de Cuidado)
Porém, vulnerabilidade não significa destino. Um acontecimento ruim pode provocar tristeza, ansiedade, cansaço ou desânimo sem necessariamente constituir uma recaída depressiva. A diferença costuma estar na intensidade, na duração, na frequência e no prejuízo causado à vida cotidiana.
Alguns sinais merecem atenção quando permanecem por vários dias ou semanas:
Perda de interesse ou prazer nas atividades.
Isolamento crescente.
Alterações importantes no sono ou no apetite.
Falta persistente de energia.
Sentimentos intensos de culpa, inutilidade ou desesperança.
Dificuldades importantes de concentração e memória.
Pensamentos sobre desaparecer, morrer ou não continuar vivendo.
Manter o acompanhamento psicológico, seguir corretamente o tratamento médico quando houver prescrição e reconhecer os próprios sinais iniciais pode reduzir o risco de novos episódios. Tratamentos de continuação ou manutenção podem ser indicados em algumas situações, especialmente quando existem fatores de risco para recaída. (BVSMS)
Também é importante não interromper medicamentos por conta própria. Qualquer mudança precisa ser discutida com o profissional responsável.
Talvez a pergunta não seja apenas “quando a depressão voltará?”, mas:
O que costuma acontecer em sua vida, em seu corpo e em seus pensamentos antes de você perceber que está começando a adoecer novamente?
Reconhecer esse percurso ajuda a construir um plano de cuidado antes que o sofrimento se intensifique. Caso os sintomas tenham retornado, estejam persistindo ou estejam prejudicando sua rotina, procure avaliação psicológica e médica. Uma resposta pública pode oferecer orientação, mas não substitui uma avaliação individual, conforme os princípios éticos que orientam a atuação profissional em Psicologia.
Desejo cuidado, sustentação e muitas fortunas em seu processo.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo | CRP 06/218398
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Referências utilizadas:
Conselho Federal de Psicologia, Código de Ética Profissional da Psicóloga e do Psicólogo.
Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região, orientações éticas para o exercício profissional.
Ministério da Saúde, Depressão.
Ministério da Saúde, Linha de Cuidado para Depressão no Adulto.
Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, Depressão.
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Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo
Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve parece reunir duas experiências dolorosas: o sofrimento vivido durante três anos no trabalho e a sensação de não ter sido acreditado justamente por alguém de quem você esperava proteção.
Quando uma pessoa procura a mãe para contar que está sofrendo e recebe como resposta que está exagerando, imaginando coisas ou apresentando “mania de perseguição”, isso pode ser vivido como abandono emocional. A dor não está apenas no que aconteceu no trabalho, mas também em ter enfrentado tudo isso sem o reconhecimento e o amparo que esperava receber.
Os sintomas físicos que você relata não devem ser desconsiderados. Situações prolongadas de estresse podem estar associadas a tontura, desgaste intenso e manifestações gastrointestinais. Ainda assim, quase desmaios e problemas persistentes no estômago precisam ser avaliados por um profissional de saúde, pois não é adequado atribuir todos os sintomas exclusivamente ao estado emocional sem investigação médica. (Serviços e Informações do Brasil)
A conclusão de que “a maioria das pessoas não presta e é falsa” pode funcionar como uma tentativa de proteção. Depois de ser ferido e desacreditado, desconfiar de todos parece diminuir o risco de uma nova decepção. O problema é que essa proteção também pode impedir a construção de vínculos com pessoas que seriam capazes de acolher, respeitar e acreditar em você.
Lidar com o sentimento de traição materna não significa obrigatoriamente perdoar, esquecer ou convencer sua mãe de que você estava certo. Pode significar reconhecer que ela não ofereceu o cuidado de que você precisava, elaborar o luto pela mãe que você gostaria que tivesse estado ao seu lado e construir limites mais realistas para essa relação.
Também pode ser importante separar algumas questões:
O que realmente aconteceu no ambiente de trabalho?
O que você sentiu e ainda sente quando recorda essa experiência?
O que esperava receber de sua mãe naquele momento?
O que ela efetivamente tinha ou não tinha condições de oferecer?
De quem você pode receber acolhimento atualmente, sem depender exclusivamente da validação dela?
A psicoterapia pode ajudá-lo a elaborar tanto a experiência profissional quanto a ruptura de confiança com sua mãe, sem transformar sua dor em uma condenação permanente de todas as relações. O cuidado em saúde mental deve considerar a história de vida, as relações sociais, as condições de trabalho e a saúde física da pessoa, e não apenas sintomas isolados. (Prefeitura de São Paulo)
Talvez a pergunta central não seja apenas:
“Como fazer minha mãe compreender o que ela fez comigo?”
Mas também:
“Como reconhecer a verdade do que vivi, mesmo quando minha mãe não consegue ou não quer reconhecê-la?”
Você não precisa negar sua mágoa para seguir em frente. Precisa encontrar um lugar em que ela possa ser compreendida, elaborada e transformada, para que as pessoas que o feriram não continuem determinando todas as relações que você ainda poderá construir.
Uma resposta pública oferece apenas uma orientação geral e não substitui avaliação psicológica ou médica individual, em conformidade com os princípios de responsabilidade profissional previstos pelo Conselho Federal de Psicologia. (Conselho Federal de Psicologia)
Desejo que você encontre acolhimento, relações mais seguras e muitas fortunas em seu processo.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo | CRP 06/218398
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Referências utilizadas:
Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional da Psicóloga e do Psicólogo. (Conselho Federal de Psicologia)
Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região. Orientações éticas para o exercício profissional.
Ministério da Saúde. Saúde Mental e Rede de Atenção Psicossocial. (Serviços e Informações do Brasil)
Ministério da Saúde. Estresse e manifestações físicas associadas. (Serviços e Informações do Brasil)
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Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no ence
Olá, profissionais. Gostaria de tirar dúvidas sobre ética, direitos do paciente e documentos no encerramento de uma terapia que não resolveu a demanda.
É normal o processo ser encerrado sem uma sessão de devolutiva do psicólogo? Mesmo já tendo se passado alguns meses do término, o paciente ainda tem o direito de solicitar e receber essas informações por escrito, ou o profissional pode se recusar pelo tempo decorrido?
Eu gostaria de saber se tenho o direito de receber um relatório onde o profissional explique a visão geral dele sobre qual ele entendeu que era a minha demanda, qual seria a solução pensada por ele e quais barreiras ou limitações foram encontradas para que o processo não tenha dado certo. Também gostaria de saber se é meu direito pedir o prontuário com o histórico das sessões, contendo o que eu falei, as demandas que trouxe e as intervenções que ele fez.
O psicólogo é obrigado por regulamentação ou código de ética a me fornecer tudo isso caso eu peça, ou é algo opcional? Se for obrigado, como essas informações devem ser entregues oficialmente: em formato digital como PDF assinado ou em papel físico impresso?
Como preciso dessas informações para buscar uma nova ajuda especializada a partir da avaliação técnica de um profissional da saúde, o que mais seria de meu direito solicitar para me ajudar nessa transição, e também a entender toda a minha demanda a partir da visão de um profissional pra eu conseguir lidar melhor com minhas questões?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A ausência de uma sessão de encerramento não permite, por si só, concluir que houve infração ética. O término pode acontecer por desistência, interrupção repentina, dificuldade de contato ou decisão de uma das partes. Entretanto, o Código de Ética determina que o psicólogo informe os resultados pertinentes do serviço, oriente sobre encaminhamentos adequados e forneça os documentos necessários quando solicitado. O encerramento ou a interrupção também deve constar no registro profissional.
É importante distinguir a sessão de encerramento da psicoterapia da entrevista devolutiva para entrega de um documento. A Resolução CFP nº 06/2019 torna obrigatória ao menos uma entrevista devolutiva quando há entrega de relatório ou laudo psicológico. Quando isso não puder acontecer, o profissional deve explicar e registrar as razões. A norma não afirma, porém, que toda psicoterapia necessariamente precisa terminar com uma sessão formal chamada “devolutiva”.
Mesmo tendo transcorrido alguns meses, você pode solicitar informações e documentos. O simples tempo decorrido não elimina esse direito. Os registros documentais devem ser preservados por, no mínimo, cinco anos. Em serviços de saúde, o manual mais recente do CFP orienta que os prontuários sejam preservados por vinte anos, conforme a legislação aplicável. Portanto, alguns meses após o encerramento estão muito aquém desses prazos.
Sobre o relatório psicológico
Você pode solicitar um Relatório Psicológico para continuidade do cuidado, indicando claramente essa finalidade. Esse documento pode apresentar:
• a demanda compreendida pelo profissional;
• os objetivos estabelecidos para o trabalho;
• o período e os procedimentos realizados;
• a análise técnica do processo;
• a evolução observada;
• as limitações encontradas;
• as conclusões, recomendações e encaminhamentos pertinentes.
Entretanto, não existe um direito automático a exigir que o psicólogo declare uma “solução pensada” ou determine definitivamente por que a terapia “não deu certo”. A psicoterapia não envolve promessa de resolução, e o profissional deve registrar somente aquilo que estiver tecnicamente fundamentado. Ele também não é obrigado a adotar conclusões previamente formuladas pelo solicitante. O relatório possui estrutura própria, não tem como finalidade transcrever sessões nem necessariamente produzir diagnóstico.
O psicólogo não deveria simplesmente ignorar a solicitação. Pode, contudo, conversar sobre a finalidade, definir qual modalidade documental é tecnicamente adequada e limitar o conteúdo às informações necessárias, pertinentes e sustentadas pelos registros existentes.
Sobre o prontuário
Você tem direito de solicitar acesso às informações registradas em seu prontuário psicológico. A Resolução CFP nº 01/2009 garante ao usuário ou representante legal acesso integral ao que foi registrado pelo psicólogo no prontuário. O manual do CFP também caracteriza o prontuário como dever profissional e direito da pessoa atendida.
Isso não significa receber uma reprodução literal de tudo o que foi falado. O prontuário deve conter informações sucintas e tecnicamente relevantes, como:
• identificação;
• avaliação da demanda;
• objetivos do trabalho;
• evolução dos atendimentos;
• procedimentos técnico-científicos adotados;
• encaminhamento ou forma de encerramento.
A transcrição integral das sessões não é obrigatória e nem constitui, por si mesma, uma evolução adequada. Materiais restritos, protocolos de testes e determinadas hipóteses ou interpretações técnicas não compartilhadas podem integrar o registro documental de acesso profissional restrito, e não o prontuário disponibilizado ao usuário.
Forma de entrega
A regulamentação não exige que tudo seja entregue exclusivamente em papel. O documento pode ser físico ou digital, desde que seja possível garantir autoria, integridade, sigilo e comprovação do recebimento.
No formato físico, deve estar identificado, datado e assinado pelo profissional, com protocolo de entrega. No formato digital, pode ser entregue em PDF com assinatura ou certificação digital e enviado por canal formal, mantendo-se confirmação do recebimento. Um arquivo com simples imagem de assinatura oferece menos segurança do que um documento efetivamente assinado digitalmente.
O que solicitar para facilitar a transição
Você pode formalizar por escrito o pedido de:
1. Cópia integral das informações existentes em seu prontuário psicológico.
2. Relatório Psicológico destinado à continuidade do tratamento com outro profissional.
3. Entrevista devolutiva para esclarecimento do relatório.
4. Declaração contendo o período e a regularidade do acompanhamento, caso seja necessária.
5. Informações sobre encaminhamentos ou modalidades de cuidado recomendadas.
6. Cópia de documentos psicológicos anteriormente emitidos.
Também pode autorizar expressamente que o profissional anterior compartilhe com o novo psicólogo apenas as informações necessárias à continuidade do cuidado. Esse compartilhamento precisa preservar o sigilo e se limitar ao que realmente qualifica o novo atendimento.
Uma solicitação possível seria:
“Solicito cópia das informações registradas em meu prontuário psicológico e a elaboração de Relatório Psicológico para continuidade do cuidado com outro profissional, contendo descrição da demanda, objetivos, procedimentos adotados, evolução do processo, limitações identificadas, forma de encerramento, recomendações e encaminhamentos tecnicamente pertinentes. Solicito também entrevista devolutiva para esclarecimento do documento.”
Caso haja recusa, peça que ela seja apresentada por escrito, com a respectiva justificativa técnica ou normativa. Persistindo a dúvida, você pode procurar a Comissão de Orientação e Fiscalização do Conselho Regional de Psicologia da região em que o profissional está inscrito. O CRP poderá orientar sobre o caso concreto, mas somente uma apuração formal poderia concluir se houve ou não infração ética.
Ter uma demanda não resolvida não significa necessariamente que o tratamento tenha sido antiético. Entretanto, você possui o direito de compreender o trabalho realizado, receber as informações pertinentes e buscar uma transição de cuidado suficientemente organizada.
Desejo que essa transição lhe proporcione maior clareza, cuidado e muitas fortunas em seu processo.
Rafael dos Santos Bueno
Psicólogo | CRP 06/218398
@rafaelbuenopsicologo
Referências utilizadas:
Conselho Federal de Psicologia. Código de Ética Profissional do Psicólogo, Resolução CFP nº 010/2005.
Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 01/2009, atualizada pela Resolução CFP nº 05/2010, sobre registros documentais e prontuários.
Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 06/2019, sobre elaboração e entrega de documentos psicológicos.
Conselho Federal de Psicologia. Manual Orientativo de Registro e Elaboração de Documentos Psicológicos, 2025.
Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região. Orientações sobre produção de prontuários, registros e documentos escritos.
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