Perguntas do paciente (42)

  • Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coi

    Tenho 23 anos, trabalho a 3 anos, sou introvertido e não tenho habilidade social, não vivi muita coisa e não costumo sair de casa. Estou grávida de 4 meses, e por ver que tava horrível pra mim psicologicamente resolvi me mudar pro bem do bebe, ainda em processo de mudança sem dizer a minha mãe. Fiquei desesperada com a gravidez e agora mesmo tentando gostar e ver algo novo na minha vida, minha cabeça está me fazendo pensar que ele é amado e eu não, e que a viva que eu finalmente poderia começar não é minha, mas sim será pro bebe. O que fazer? Como é possível não ter planos e objetivos na vida, e ao mesmo tempo acreditar que um filho a caminho roubará a minha vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    A gravidez costuma provocar mudanças profundas, e nem sempre os sentimentos aparecem da forma que imaginamos. É possível amar um filho e, ao mesmo tempo, sentir medo, luto pela vida que imaginava viver ou a sensação de que perdeu o próprio futuro. Esses sentimentos não fazem de você uma mãe pior.
    O que mais chama atenção é a frase de que “ele será amado e eu não”. Ela parece revelar uma dor que talvez exista antes mesmo da gravidez e que agora ganhou ainda mais força. A chegada de um bebê pode despertar questões muito antigas sobre amor, pertencimento e o direito de construir uma vida própria.
    Você não precisa ter tudo resolvido para seguir essa gestação. Um acompanhamento psicológico pode ser um espaço importante para compreender esses sentimentos, elaborar essa transição e ajudá-la a construir um lugar em que você seja, ao mesmo tempo, uma pessoa com desejos próprios e a mãe que está se tornando.


  • Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico

    Tenho um relacionamento há 5 anos e, às vezes, quando vejo alguém que já foi um paquera antigo, fico preocupada com a forma como essa pessoa vai me enxergar. Penso que preciso parecer bonita, legal e mostrar que estou bem, e por isso acabo agindo de forma estranha. Não tenho intenção de chamar atenção ou de ficar com essas pessoas, mas sinto culpa por esses pensamentos e atitudes, como se fossem uma forma de traição.

    Gostaria de saber se isso pode ser considerado traição ou se pode estar relacionado à ansiedade, ao TOC ou simplesmente à baixa autoestima e à preocupação excessiva com a opinião dos outros.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    Pensar em como alguém do passado vai enxergá-la não significa, por si só, que exista uma intenção de trair. Fantasias, preocupações e pensamentos sobre a própria imagem podem surgir mesmo dentro de relações estáveis, e o que parece pesar bastante no seu caso é a necessidade de controlar a impressão que causa nos outros.
    A culpa também merece atenção, principalmente se você passa a analisar seus pensamentos e comportamentos tentando descobrir se fez algo "errado". Isso pode alimentar ainda mais a ansiedade e transformar situações comuns em provas sobre a sua fidelidade ou sobre o que você realmente sente.
    Pode haver relação com ansiedade, autoestima ou até com um funcionamento obsessivo, mas não seria possível definir isso apenas por esse relato. Na psicoterapia, podemos compreender melhor o que está por trás dessa necessidade de aprovação e por que esses pensamentos acabam assumindo um peso tão grande para você.


  • Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estam

    Estou passando por uma fase de muita dúvida em relação aos meus sentimentos pelo meu namorado. Estamos juntos há quase 3 anos e, ultimamente, sinto que não tenho mais aquela animação ou aquela sensação gostosa que sentia antes. Isso tem me deixado muito ansiosa, porque eu não quero machucá-lo e também não quero terminar. Ao mesmo tempo, não me sinto desconfortável ou presa ao lado dele. Quando conversamos, muitas vezes é bom e consigo ficar conversando até tarde. Eu reconheço que ele é uma pessoa que me ama, cuida de mim, se preocupa comigo e demonstra isso muito pelas atitudes.

    Tenho me perguntado se ainda o amo ou se estou confundindo amor com carência, rotina ou ansiedade. Quero entender meus sentimentos e, se for possível, quero recuperar o carinho e a conexão que sinto que perdi. Não quero fingir nem obrigar meus sentimentos, só queria entender o que está acontecendo comigo e saber se é possível voltar a sentir amor e entusiasmo pela pessoa que amo.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    A intensidade do início de um relacionamento costuma diminuir com o tempo, e isso não significa, necessariamente, que o amor acabou. Muitas pessoas passam a acreditar que, se o entusiasmo mudou, é porque os sentimentos desapareceram, quando, na verdade, o vínculo pode estar apenas assumindo outra forma.
    O que me chama a atenção é que, ao mesmo tempo em que você duvida do que sente, também descreve momentos de conexão, admiração e bem-estar ao lado dele. Isso sugere que talvez a questão não seja apenas descobrir se ama ou não, mas compreender por que essa dúvida passou a ocupar um espaço tão grande na sua vida.
    Em vez de tentar encontrar uma resposta imediata, pode ser mais importante investigar o que essa ansiedade representa e como ela interfere na forma como você vive a relação. A psicoterapia pode ajudá-la a diferenciar o que pertence aos seus sentimentos pelo parceiro daquilo que é alimentado pelo medo, pela cobrança ou pela necessidade de ter certeza absoluta sobre o que sente.


  • Olá! Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualm

    Olá!
    Eu sou timida e sinto uma certa ansiedade social eu não sei se chega a ser o transtorno. Atualmente eu sou operadora de caixa e quando comecei foi bem difícil estava me sentindo muito ansiosa e travada foi muito difícil mesmo, eu cresci sendo muito timida eu quase não enteragia com as pessoas na escola sofria bullying o que me fez me fechar cada vez mais. Hoje depois de 6 meses nesse trabalho eu sei que estou bem melhor mesmo nas interações a ansiedade diminuiu, mas ainda sinto uma cobrança muito grande quando falam que sou séria, quieta e que não falo. Eu acredito que tenho falado o que quero falar, mas esses comentários me fazem duvidar da minha evolução. O que posso fazer para lidar com esses comentários? Eu sentir isso significa que não estou me curando? Me curando da ansiedade social eu vou parar de ouvir esses comentários e de ser quieta ou apenas aprender a conviver com eles?
    Eu também tenho a sensação de não pertencimento
    O que de fato é está se curando?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    Pela forma como você conta a sua história, fica claro que houve uma mudança importante. Você entrou em um trabalho que antes despertava muita ansiedade e, seis meses depois, percebe que consegue interagir com muito mais naturalidade. Isso mostra que algo já está diferente.
    Os comentários que você recebe podem acabar reativando antigas inseguranças, principalmente quando, por muitos anos, você foi vista ou tratada de uma determinada maneira. Mas é importante lembrar que ser uma pessoa mais reservada não é, por si só, um problema.
    Talvez a pergunta não seja "quando vou deixar de ser quieta?", mas "o quanto esses comentários ainda definem a forma como eu me vejo?". A psicoterapia pode ajudá-la justamente a fortalecer essa percepção de si, para que sua autoestima dependa menos da opinião dos outros e mais da confiança na própria trajetória. Curar-se não significa deixar de ser quem você é, mas viver com mais liberdade e menos sofrimento diante dessas experiências.


  • Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico

    Estou passando por um momento muito difícil,tenho depressão e pesquisei muito sobre crises de pânico e fobia social,não estou conseguindo sair de casa sozinho mais,e não consigo fazer terapia online já comecei a tomar os medicamentos mais as pesquisas sobre os sintomas agravaram meu caso,está muito difícil pra mim,as pesquisas excessivas acabaram com meu psicológico, preciso sair dessa e voltar a ter uma vida normal,como reverter as ideias negativas lidas nas pesquisas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    O fato de você perceber que as pesquisas pioraram seu estado emocional já é uma informação importante. Quando estamos muito ansiosos, é comum buscar respostas na internet na tentativa de recuperar uma sensação de controle. O problema é que, muitas vezes, isso acaba alimentando ainda mais o medo e as ideias negativas.
    Como você já iniciou o tratamento medicamentoso, é fundamental manter o acompanhamento com o profissional que o prescreveu e informá-lo sobre essa piora. Além disso, se a terapia online não é viável neste momento, vale a pena procurar atendimento presencial, já que você relata dificuldade até para sair de casa e isso tem limitado bastante sua vida.
    Em vez de buscar novas respostas nas pesquisas, talvez seja mais importante compreender por que esses conteúdos passaram a exercer tanto impacto sobre você. A psicoterapia pode ajudá-lo a interromper esse ciclo e a recuperar, gradualmente, a confiança para retomar sua rotina.


  • Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintom

    Tenho depressão e toda vez que estou passando por um momento difícil começo a pesquisar sobre sintomas de doenças,dessa vez foi sobre fobia social,já tinha dificuldade de ter interações sociais mais depois que comecei a pesquisar começei a dar crises quando saio de casa,daí me isolei, começei a tomar escitalopram mais ainda não deu resultados,ainda tenho medo de ter crises se eu for sair de casa, pesquisar sintomas atrapalha no meu tratamento?
    A terapia pode me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    As pesquisas podem, sim, acabar mantendo e intensificando a ansiedade. Quando buscamos repetidamente informações sobre sintomas, geralmente estamos tentando encontrar uma resposta que traga alívio. O problema é que esse alívio costuma ser passageiro, fazendo com que a necessidade de pesquisar volte cada vez mais forte.
    Também é importante lembrar que o escitalopram costuma levar algumas semanas para apresentar seu efeito completo. Por isso, não interrompa o tratamento sem conversar com o médico que o acompanha.
    A psicoterapia pode ser uma grande aliada nesse processo. Mais do que ajudar a controlar os sintomas, ela permite compreender por que a busca por informações se tornou uma forma de lidar com o sofrimento e como esse ciclo passou a limitar sua vida. Com o tratamento adequado, é possível recuperar a confiança para voltar às atividades do dia a dia e reduzir, gradualmente, a necessidade de buscar respostas na internet.


  • Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus

    Tenho muita dificuldade com foco, especialmente depois da pandemia. Até leitura, que era um dos meus maiores prazeres quando mais novo, agora parece mais um fardo do que qualquer outra coisa, mesmo tentando muito. Como lidar com isso? Como não me render a vontade de 'instagramar' e ser mais produtivo? Sinto que tem atrapalhado muito minha vida acadêmica.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    A dificuldade de concentração tem sido uma queixa muito frequente nos últimos anos, e nem sempre ela está relacionada apenas ao excesso de redes sociais. Embora o uso constante de estímulos rápidos possa contribuir para a dispersão, também é importante considerar fatores como ansiedade, estresse, desmotivação, alterações do humor e até dificuldades de atenção.
    No seu relato, chama a atenção o fato de que até a leitura, que antes era uma fonte de prazer, passou a exigir um esforço muito grande. Isso sugere que talvez a questão seja mais ampla do que apenas "falta de disciplina".
    Em vez de enxergar isso como um problema de produtividade, vale a pena investigar o que mudou na sua relação com o estudo, com o tempo e consigo mesmo. A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender essas mudanças e identificar o que tem sustentado essa dificuldade de foco, favorecendo uma retomada mais consistente da sua vida acadêmica.


  • A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion

    A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    Os sintomas que você descreve vão muito além de um momento passageiro de tristeza. Chama a atenção a intensidade das mudanças que ocorreram em pouco tempo: dificuldade de concentração e memória, choro frequente, sensação de vazio, perda de interesse pelas coisas, medo constante de ser abandonada e uma queda importante no seu funcionamento diário.
    Esses sintomas podem estar relacionados à depressão, mas também podem ocorrer em outros quadros psicológicos ou até ter causas médicas. Por isso, não é possível definir um diagnóstico apenas por esse relato.
    Como esse sofrimento já está afetando seus estudos, seu relacionamento e a forma como você se percebe, considero importante procurar ajuda o quanto antes. Um psicólogo poderá fazer uma avaliação cuidadosa e, se necessário, encaminhá-la para uma avaliação psiquiátrica. Você não precisa esperar que a situação piore para buscar tratamento, e quanto mais cedo isso acontecer, maiores costumam ser as chances de recuperação.


  • Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins

    Tenho 20 anos e meu namorado mora cerca de 40 km de mim. Normalmente só conseguimos nos ver nos fins de semana. Nos últimos dias passamos quatro dias seguidos juntos: viajamos, cozinhamos, dormimos juntos e aproveitamos muito a companhia um do outro. Foi uma experiência muito especial, porque pudemos viver um pouco da rotina como casal.

    Hoje precisei voltar para casa e, desde que cheguei, estou com uma sensação de vazio e uma vontade de chorar. Não aconteceu nenhuma briga, não existe nenhum problema entre nós e também não tenho problemas em casa nem estou infeliz com a minha família. Pelo contrário, gosto muito de estar em casa e tenho uma boa convivência com a minha família.

    As despedidas dos fins de semana normalmente já me deixam um pouco tristinha e com saudade, mas a despedida de hoje foi diferente. Depois desses quatro dias juntos, senti uma tristeza muito maior, um vazio que eu não esperava sentir. Não é medo de perder o relacionamento, nem insegurança. É simplesmente uma saudade muito intensa da companhia dele. Sinto falta de dividir a rotina, acordar juntos, cozinhar, conversar e terminar o dia ao lado dele.

    Isso é normal? É comum sentir essa tristeza tão forte depois de passar vários dias tão felizes com a pessoa que amo, mesmo sabendo que nosso relacionamento está bem?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    A intensidade da saudade pode aumentar bastante quando, por alguns dias, você experimenta uma proximidade que normalmente não faz parte da rotina. Depois de compartilhar tantos momentos cotidianos, voltar para uma realidade em que vocês se veem apenas nos fins de semana pode produzir uma sensação de contraste e de falta muito maior.
    Isso não significa necessariamente que exista algum problema no relacionamento ou que essa tristeza seja sinal de dependência emocional. Às vezes, sentir a ausência de alguém que amamos simplesmente revela o quanto aquela convivência se tornou significativa para nós.
    Talvez seja interessante observar o que essa experiência despertou em você. A vontade de dividir mais a vida com ele pode ser apenas saudade, mas também pode revelar desejos e expectativas sobre o futuro da relação. A psicoterapia pode ser um espaço para compreender esses sentimentos sem precisar transformá-los imediatamente em um problema ou em um diagnóstico.


  • Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, ma

    Olá, sou jovem e não sei lidar com minha própria cabeça, quando estou com meu namorado estou bem, mas quando tentamos algo mais íntimo, meus traumas tomam conta e eu choro e fico com medo(fui abusada com 5 anos e com 11 anos). Eu não sei o que fazer, sóbria eu fico mal, bêbada eu fico pior, pois eu tenho crises de pânico e vejo meus abusadores e começo a ter memórias dos abusos, não quero que meu namorado tenha uma namorada defeituosa. O que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    Antes de tudo, quero dizer que nada do que você descreve faz de você uma pessoa "defeituosa". As reações que surgem nos momentos de intimidade são compatíveis com experiências profundamente traumáticas e não significam que haja algo de errado com quem você é.
    O fato de as lembranças aparecerem, de você chorar, entrar em pânico ou reviver essas situações mostra que esses acontecimentos ainda produzem um impacto importante na sua vida. Isso merece cuidado e não deve ser enfrentado sozinho. Além disso, o álcool tende a reduzir as inibições e pode intensificar lembranças traumáticas e crises de ansiedade, como você percebeu.
    Você pode se beneficiar muito de um processo de psicoterapia, em um espaço seguro para elaborar essas experiências no seu tempo, sem pressão. Em alguns casos, também é importante uma avaliação psiquiátrica, principalmente quando há crises de pânico intensas. Com o tratamento adequado, é possível construir uma relação mais tranquila com o próprio corpo, com a intimidade e consigo mesma. Você merece esse cuidado.


  • Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sen

    Bom... Eu sempre senti a necessidade de me conectar a alguém num nível mais íntimo. Eu lembro de sentir este desejo já nos meus 11/12 anos de idade. Desde então venho tentando lidar com o fato de nunca ter me relacionado com alguém profundamente e isso me deixa bastante triste às vezes. Não quero soar fútil, mas é algo que tem me trazido angústia genuína e não tenho sabido lidar com isso. Estou ficando preocupado pois tenho 25 e, como adulto, eu já deveria ter a resposta pra isso. Sei que tenho que focar em mim mesmo e me amar antes de qualquer coisa, contudo... Eu me sinto vulnerável e gostaria de estar num relacionamento que me proporcipnasse a experiência de partilha de vida. Eu já vivi alguns um tanto quanto superficiais e, em nenhum deles, senti que era a pessoa certa. Eu ainda estou buscando contruir uma carreira, estabilidade, felicidade... Mas será que eu tenho que esperar que minha vida fique estável para enfim procurar alguém? Eu deveria procurar por uma pessoa? Quando serei feliz? Estas coisas passam pela minha cabeça e eu não sei como lidar com todas elas.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    O desejo de construir um vínculo profundo faz parte da experiência humana e não há nada de fútil nisso. O sofrimento costuma surgir quando esse desejo passa a ser vivido como uma prova de que há algo errado com você ou de que sua vida está "atrasada".
    Percebo que, além da vontade de encontrar alguém, existe uma cobrança para já ter todas essas respostas aos 25 anos. Essa exigência pode transformar a busca por um relacionamento em uma fonte constante de ansiedade, como se a felicidade dependesse de encontrar a pessoa certa ou de atingir um momento ideal da vida.
    Não acredito que seja necessário esperar a vida estar completamente resolvida para se relacionar. Ao mesmo tempo, vale a pena compreender o que você tem buscado em um parceiro e qual lugar um relacionamento ocupa na sua história. A psicoterapia pode ajudá-lo a explorar essas questões, favorecendo encontros mais autênticos e uma relação menos angustiada com o tempo e com as próprias expectativas.


  • Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    Para muitas pessoas, a depressão não desaparece completamente como quem cura uma infecção. Ela pode deixar uma maior vulnerabilidade, fazendo com que períodos de estresse, perdas ou acontecimentos difíceis aumentem o risco de uma recaída. Isso não significa que a pessoa esteja "voltando à estaca zero" ou que tenha fracassado no tratamento.
    Também vale a pena pensar que cada acontecimento difícil mobiliza aspectos muito particulares da nossa história. Duas pessoas podem viver a mesma situação e reagir de maneiras completamente diferentes, justamente porque o significado daquela experiência não é o mesmo para cada uma.
    Por isso, mais do que tentar eliminar essa vulnerabilidade, é importante compreendê-la. A psicoterapia pode ajudar a identificar os fatores que costumam anteceder uma piora, fortalecer recursos para enfrentar esses momentos e reduzir o impacto que eles têm sobre a sua saúde emocional ao longo do tempo.


  • Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo

    Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    Quando a pessoa procura apoio em um momento de sofrimento e não se sente acreditada por alguém tão importante quanto a mãe, a dor costuma ir além da situação vivida no trabalho. Muitas vezes, o que permanece é justamente a sensação de ter enfrentado tudo sozinho, sem acolhimento quando mais precisava.
    Também chama a atenção que essa experiência tenha levado você a concluir que "a maioria das pessoas não prestam". Essa percepção pode ser uma forma de tentar se proteger de novas decepções, mas também pode acabar dificultando a construção de vínculos de confiança.
    A relação com a mãe e o impacto que essa falta de validação teve na sua forma de enxergar as pessoas são temas que merecem ser explorados com cuidado. A psicoterapia pode ajudá-lo a elaborar esse sentimento de abandono e a diferenciar o que pertence àquela experiência do que, hoje, acaba influenciando a maneira como você se relaciona com o mundo.


  • Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo

    Sou muito impulsivo, sou viciado em livro/curso e isso tem atrapalhado meu trabalho pois nao consigo ficar o tempo necessario trsbalhando, sempre me distraio com conteúdos/perfeccionismo. A TCC ou psicoterapia podem me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    Sim. Tanto a TCC quanto outras modalidades de psicoterapia podem ajudar, embora cada uma tenha formas diferentes de compreender e tratar essa dificuldade.
    Pelo que você relata, a questão parece ir além da distração. Chama a atenção o fato de que a busca por livros e cursos acontece justamente quando seria o momento de executar o trabalho. Em alguns casos, esse movimento pode estar relacionado ao perfeccionismo, ao medo de errar ou à sensação de nunca estar suficientemente preparado.
    Mais do que adquirir novos conhecimentos, talvez seja importante entender o que torna tão difícil permanecer na tarefa e concluir o que já foi iniciado. A psicoterapia pode ajudá-lo a identificar esse padrão, compreender o que o mantém e construir uma relação mais saudável com o trabalho, sem que a busca constante por mais conteúdo acabe substituindo a ação.


  • Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi

    Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto.
    Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    É possível que a sensação de tranquilidade se torne mais familiar à medida que o tratamento avança. Depois de muito tempo funcionando em estado de alerta, experimentar menos ansiedade pode ser inicialmente estranho, como se o corpo ainda estivesse esperando que alguma coisa acontecesse.
    Ao mesmo tempo, é importante diferenciar tranquilidade de uma sensação de apatia, desconexão ou de não se reconhecer. Como você já conversou com sua psiquiatra e sua psicóloga, vale continuar observando essas mudanças e relatá-las a elas, especialmente se a tristeza ou a sensação de "não ser você" persistirem.
    Na psicoterapia, esse processo pode ser bastante interessante: aprender a reconhecer que estar tranquila não significa estar desatenta, desmotivada ou deixando de ser quem você é. Às vezes, quando a ansiedade deixa de ocupar tanto espaço, é preciso justamente aprender a habitar esse espaço novo.


  • Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s

    Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
    Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
    Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
    Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
    Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
    Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
    Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
    Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    Uma exposição involuntária a um conteúdo perturbador não significa que você tenha desejo por aquilo, muito menos que seja uma recaída ou que tenha desenvolvido um vício. O fato de você ter sentido repulsa, interrompido o acesso e ficado angustiada justamente por ter encontrado esse conteúdo é bastante diferente de procurá-lo deliberadamente por interesse.
    Parece importante também separar o conteúdo que apareceu do significado que sua mente atribuiu a ele. Quando existe ansiedade, é possível ficar presa a perguntas como "por que eu vi isso?", "o que isso diz sobre mim?" ou "será que isso significa que existe algo errado comigo?". A tentativa de encontrar uma certeza absoluta pode acabar mantendo a angústia.
    A psicoterapia pode ser muito importante nesse caso, não para julgá-la ou investigar sua sexualidade como se houvesse algo a ser corrigido, mas para compreender a culpa, a ansiedade e o significado que essa experiência assumiu para você. O episódio não define quem você é.


  • Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando

    Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    É comum que momentos de grandes mudanças na vida, como a chegada de um filho, despertem formas diferentes de lidar com a ansiedade, o estresse ou até com sentimentos que nem sempre conseguimos identificar. Quando o uso da pornografia deixa de ser uma escolha e passa a acontecer de maneira repetitiva, difícil de controlar e causando prejuízos, vale a pena olhar para isso com atenção.

    Mais do que focar apenas no comportamento, considero importante compreender a função que ele passou a exercer na sua vida. O que esse hábito ajuda a aliviar? Em que momentos ele aparece com mais intensidade? Essas perguntas costumam ser fundamentais para um tratamento efetivo.

    Um psicólogo é o profissional mais indicado para iniciar essa avaliação. Durante a psicoterapia, é possível investigar a origem desse padrão e construir formas mais saudáveis de lidar com o sofrimento que pode estar por trás dele. Em alguns casos, quando há ansiedade, depressão ou compulsões muito intensas, a avaliação com um psiquiatra também pode ser um recurso complementar.


  • Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n

    Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    A culpa costuma ter uma função importante quando reconhecemos que ferimos alguém. O problema é quando ela deixa de favorecer a reflexão e passa a manter a pessoa presa ao passado, mesmo depois de a situação já ter sido conversada e elaborada pelo casal.
    O fato de você sentir necessidade de retomar o assunto repetidamente e buscar confirmação de que foi perdoado pode, em alguns casos, estar relacionado à ansiedade ou até fazer parte de um funcionamento obsessivo. No entanto, isso só pode ser compreendido adequadamente em uma avaliação clínica, sem que seja possível fazer um diagnóstico apenas pelo relato.
    Mais do que saber se seu parceiro o perdoou, talvez a questão seja entender por que você ainda não conseguiu se perdoar. A psicoterapia pode ajudá-lo a explorar esse sofrimento, compreender o que mantém essa culpa tão presente e construir uma relação menos punitiva com a própria história.


  • Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no t

    Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no trabalho ou simplesmente se eu ficar fora de casa 2,3 h, isso me deixou um pouco triste e confusa, seria uma compulsão ou é coisa da minha cabeça?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    Entendo que essa descoberta tenha despertado tristeza e dúvidas. Independentemente de ser ou não uma compulsão, o mais importante é o impacto que essa situação tem causado na relação e em você.
    Assistir pornografia ocasionalmente não caracteriza, por si só, um vício. Por outro lado, quando o comportamento acontece de forma frequente, em contextos inadequados, como no trabalho, ou a pessoa sente dificuldade para controlar esse impulso, pode ser um sinal de que vale a pena investigar melhor o que está acontecendo.
    Antes de concluir que se trata de uma compulsão, é importante compreender a frequência, a função que esse comportamento exerce e os prejuízos que ele causa. Se esse assunto tem gerado sofrimento e conflitos no relacionamento, uma conversa aberta e, quando necessário, o acompanhamento psicológico podem ajudar tanto a entender esse comportamento quanto a fortalecer o diálogo e a confiança entre vocês.


  • Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixon

    Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixono por alguém e uma vez percebi que gostei de uma pessoa quando ele cortou o contanto quando tive uma coragem pra falar com ele. É possível eu conseguir não só amar como também identificar com mais facilidade esse sentimento e qual seria a relação de amar com a força pra seguir nas minhas metas pessoais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rafael Martins

    A forma como aprendemos a nos relacionar costuma ser influenciada pelas primeiras experiências de afeto. Quando houve pouco acolhimento ou demonstrações de carinho na infância, algumas pessoas passam a ter mais dificuldade para reconhecer os próprios sentimentos ou até para confiar neles.
    Também chama a atenção o fato de você ter percebido que estava apaixonado apenas quando perdeu o contato com essa pessoa. Vale a pena refletir sobre o que a ausência revelou que a presença ainda não permitia perceber. Às vezes, é justamente a perda que torna um vínculo mais evidente.
    Amar e investir nos próprios projetos também podem estar relacionados, porque ambos envolvem desejo, confiança e a possibilidade de se implicar na própria vida. A psicoterapia pode ajudá-lo a compreender como essas experiências afetivas foram construídas e favorecer uma relação mais consciente tanto com os seus vínculos quanto com os seus objetivos pessoais.


Perguntas frequentes

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