Perguntas do paciente (23)

  • Qual o papel do terapeuta na co-regulação do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    Qual o papel do terapeuta na co-regulação do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    Muitas vezes , o paciente com TPB tem muita dificuldade em regular as emoções intensas, ou seja , tudo ele sente demais . Nesse caso , o terapeuta funciona como um regulador externo , ele passa a ser como um "sistema nervoso emprestado" , auxiliando na identificação e validação das emoções , não reforçando comportamentos disfuncionais , acolhendo a queixa sem julgamento , tendo uma escuta empática , respeitosa.


  • Como o terapeuta pode lidar com os episódios de idealização do paciente com Transtorno de Personalid

    Como o terapeuta pode lidar com os episódios de idealização do paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    A idealização no TPB não é um “excesso de carinho” — é um mecanismo defensivo instável que costuma anteceder a desvalorização. Se o terapeuta entrar nesse lugar (aceitando ser “perfeito”), inevitavelmente vai cair depois. O manejo, portanto, não é reforçar nem confrontar de forma brusca, mas regular, nomear e integrar.
    Aqui vão estratégias clínicas práticas e consistentes com TCC e abordagens como a DBT:


  • Como o terapeuta pode garantir que o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se si

    Como o terapeuta pode garantir que o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) se sinta aceito e compreendido durante o processo terapêutico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    Garantir que o paciente com TPB se sinta aceito e compreendido não é apenas uma questão de empatia “genérica” — é uma intervenção clínica central. Esses pacientes são extremamente sensíveis a sinais de rejeição, invalidação ou inconsistência. Então, o terapeuta precisa ser intencional, consistente e tecnicamente afinado.


  • O que o terapeuta deve fazer se o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tentar i

    O que o terapeuta deve fazer se o paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tentar interromper o tratamento ou se afastar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    Quando um paciente com TPB tenta interromper o tratamento ou se afastar, geralmente isso não é “só desistência” — costuma ser uma comunicação emocional importante, muitas vezes ligada a medo de abandono, frustração, vergonha ou sensação de não estar sendo compreendido. A forma como o terapeuta responde a esse momento pode fortalecer ou fragilizar o vínculo.
    Alguns princípios clínicos fundamentais:
    1. Validar antes de intervir
    Evite confrontar diretamente ou “convencer” o paciente a ficar. Primeiro, valide a experiência:
    “Faz sentido que você esteja pensando em se afastar, considerando o quanto isso tem sido difícil pra você.”
    Isso reduz defensividade e abre espaço para diálogo.
    2. Explorar o significado da ruptura
    A tentativa de abandono precisa ser investigada com curiosidade clínica:
    O que aconteceu antes disso?
    Houve sensação de rejeição, crítica ou frustração na terapia?
    Está testando se o terapeuta vai insistir ou abandoná-lo?
    Muitas vezes é uma reedição de padrões relacionais.
    3. Nomear o processo (com cuidado)
    Se houver vínculo suficiente, o terapeuta pode ajudar o paciente a perceber o padrão:
    “Percebo que, quando algo fica muito intenso aqui, surge vontade de se afastar… isso acontece em outras relações também?”
    Isso promove insight sem julgamento.


  • O que fazer diante de ameaças de interrupção do tratamento (Abandono Inverso)?

    O que fazer diante de ameaças de interrupção do tratamento (Abandono Inverso)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    No TPB, as ameaças de interromper o tratamento — o chamado abandono inverso — geralmente não são “desinteresse”, mas sim uma forma de comunicação emocional intensa: medo de rejeição, necessidade de validação, teste de vínculo ou tentativa de retomar controle da relação terapêutica.
    Se você tratar isso só como resistência, perde a oportunidade clínica. O manejo precisa ser técnico e relacional ao mesmo tempo.


  • . Como tratar a sensação de desconfiança nas relações interpessoais em pacientes com Transtorno de P

    . Como tratar a sensação de desconfiança nas relações interpessoais em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    A desconfiança no TPB não é apenas “ciúme” ou “insegurança comum”. Ela costuma vir de um histórico de vínculos instáveis, experiências de abandono (reais ou percebidas) e uma sensibilidade muito alta a sinais de rejeição. O paciente não duvida porque quer — ele sente como se estivesse se protegendo de algo que já doeu antes.
    Por isso, o manejo precisa ir além de simplesmente “convencer” o paciente de que ele está errado.


  • Como lidar com a sensação de ser "incompleto" em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderlin

    Como lidar com a sensação de ser "incompleto" em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    A sensação de “incompletude” no TPB costuma ser profunda e persistente — muitos pacientes descrevem como um vazio interno, uma falta de identidade ou a sensação de que “falta algo” para serem inteiros. Isso não é apenas cognitivo, é também emocional e corporal. Na prática clínica, não se resolve tentando “preencher o vazio”, mas ajudando o paciente a construir continuidade interna e sentido de si.


  • . Como lidar com os sentimentos de raiva e de frustração em pacientes com Transtorno de Personalidad

    . Como lidar com os sentimentos de raiva e de frustração em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    Lidar com raiva e frustração no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) exige uma combinação de validação emocional + desenvolvimento de habilidades de regulação. Não adianta apenas “controlar” a emoção — é preciso ensinar o paciente a reconhecer, tolerar e responder de forma mais adaptativa.


  • Por que existe essa relação entre canhotismo e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    Por que existe essa relação entre canhotismo e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    Pessoas canhotas costumam ter uma lateralização cerebral menos rígida do que destros.
    Ou seja:
    Funções como linguagem, emoção e controle motor podem estar mais distribuídas entre os dois hemisférios.
    Isso pode estar ligado a uma maior variabilidade neurológica.
    Alguns pesquisadores levantam a hipótese de que essa diferença na organização cerebral pode estar associada a transtornos neuropsiquiátricos, incluindo o TOC — mas isso é uma tendência estatística, não regra.


  • O que é a avaliação neuropsicológica funcional no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    O que é a avaliação neuropsicológica funcional no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    A avaliação neuropsicológica funcional no TOC é um tipo de investigação clínica que vai além de “dar um diagnóstico”. Ela busca entender como o cérebro da pessoa está funcionando na prática, especialmente nas áreas que sustentam os sintomas obsessivo-compulsivos.
    Em vez de olhar só “se tem TOC ou não”, ela responde algo mais profundo:
    “Como esse TOC funciona dentro dessa pessoa?”


  • . Quais os objetivos da aplicação do Teste de Rorschach no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    . Quais os objetivos da aplicação do Teste de Rorschach no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    O uso do Teste de Rorschach no contexto do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) não é para “diagnosticar sozinho” o transtorno, mas para compreender o funcionamento psicológico profundo do paciente. Ele complementa a avaliação clínica e outros instrumentos.
    Os principais objetivos são :
    investigar o controle cognitivo e rigidez mental;
    investigar a presença de ansiedade e tensão interna ;
    identificar traços de personalidades associados
    auxiliar no planejamento terapêutico
    analisar qualidade do pensamento ; avaliar vivência emocional
    avaliar controle de impulsos
    Compreender mecanismos de defesas predominante


  • A memória das crianças e dos adultos funciona da mesma maneira?

    A memória das crianças e dos adultos funciona da mesma maneira?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    Não funciona exatamente da mesma maneira — embora o “mecanismo básico” da memória seja o mesmo, há diferenças importantes entre crianças e adultos.
    Ex: Crianças x Adultos – como a memória funciona
    A memória tem etapas: atenção → memória de curto prazo → armazenamento (longo prazo) → recuperação.
    Crianças:
    Ainda estão com o cérebro em desenvolvimento (principalmente o córtex pré-frontal).
    Têm mais dificuldade em manter atenção e usar estratégias (repetir, organizar, associar).
    A memória é mais influenciada por emoções e contexto.
    Aprendem melhor com repetição, imagens e experiências concretas.
    Adultos:
    Já têm estratégias cognitivas mais consolidadas.
    Conseguem organizar melhor a informação (ex: fazer associações, resumir mentalmente).
    Em geral, têm maior capacidade de memória de trabalho — embora isso possa diminuir com idade ou estresse.


  • O que acontece se eu não prestar atenção a uma informação na memória de curto prazo?

    O que acontece se eu não prestar atenção a uma informação na memória de curto prazo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    Se você não presta atenção:
    A informação nem chega a ser registrada adequadamente
    Ela fica por poucos segundos (ou milissegundos) e desaparece
    Não é transferida para a memória de longo prazo
    É como se fosse um “filtro”:
    Atenção decide o que entra na memória
    Exemplo prático:
    Alguém diz um nome novo enquanto você está distraído:
    Você “ouve”, mas não processa
    Segundos depois, já esqueceu completamente


  • Qual é a Importância da Avaliação Neuropsicológica da Memória ?

    Qual é a Importância da Avaliação Neuropsicológica da Memória ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    A avaliação neuropsicológica da memória é muito mais do que “testar se a pessoa esquece ou não”. Ela permite entender como a memória está funcionando, quais tipos estão preservados e quais estão prejudicados — e isso tem impacto direto no diagnóstico, no tratamento e na qualidade de vida.


  • Quais são os sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) “Puro” ?

    Quais são os sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) “Puro” ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    O chamado TOC “Puro” (ou Pure O) não é um diagnóstico formal separado, mas um subtipo de apresentação do TOC em que as obsessões são mais evidentes e as compulsões são menos visíveis ou predominantemente mentais.
    Ou seja: a pessoa não deixa de ter compulsões — elas apenas acontecem “por dentro”.
    Principais sintomas
    1. Pensamentos intrusivos, repetitivos e indesejados (obsessões)
    São o núcleo do quadro. Costumam ser:
    invasivos (“aparecem do nada”)
    difíceis de controlar
    contrários aos valores da pessoa (ego-distônicos)
    Exemplos comuns:
    medo de machucar alguém
    pensamentos sexuais inadequados ou proibidos
    dúvidas constantes (“e se eu fiz algo errado?”)
    questionamentos existenciais ou morais excessivos
    2. Compulsões mentais (não visíveis)
    Aqui está o ponto central do “TOC puro”. Em vez de lavar mãos ou checar portas, a pessoa faz:
    revisões mentais (repassar situações inúmeras vezes)
    autoquestionamento constante (“tenho certeza?”)
    neutralizações mentais (substituir pensamento “ruim” por outro “bom”)
    orações repetitivas ou rituais internos
    tentativa de “apagar” ou controlar pensamentos
    3. Dúvida patológica (incerteza extrema)
    dificuldade intensa em ter certeza de algo
    necessidade constante de confirmação interna
    sensação de que “nunca é suficiente”
    4. Ansiedade intensa e persistente
    os pensamentos geram medo, culpa ou angústia
    a ansiedade aumenta quanto mais a pessoa tenta controlar ou evitar os pensamentos
    5. Evitação (comportamental e mental)
    Mesmo sem rituais visíveis, a pessoa pode:
    evitar situações que disparem pensamentos
    evitar pessoas, lugares ou conteúdos
    evitar tomar decisões (para não errar)
    6. Culpa e vergonha excessivas
    sensação de ser “uma pessoa ruim” por ter certos pensamentos
    medo de que os pensamentos signifiquem intenção real
    7. Busca de certeza (às vezes disfarçada)
    Pode aparecer como:
    necessidade de pesquisar muito
    pedir validação indireta (“isso é normal?”)
    comparar pensamentos com outras pessoas


  • A Disforia Sensível à Rejeição (RSD) afeta a autoestima de pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsi

    A Disforia Sensível à Rejeição (RSD) afeta a autoestima de pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    Apesar de não ser um sintoma clássico do TOC, a DSR pode aparecer junto a ele envolvendo perfeccionismo, medo de errar, necessidade de controle , culpa excessiva e etc. Isso pode deixar a pessoa mais sensível, a avaliação dos outros. Esse medo de ser avaliada e julgada pode sim afetar a autoestima.


  • Quais são os sintomas acompanham a "visão de túnel" no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) superst

    Quais são os sintomas acompanham a "visão de túnel" no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) supersticioso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    No TOC, com conteúdo supersticioso, ou TOC Mágico, a "visão de túnel" não é um sintoma isolado, mas a forma de descrever o que acontece com a pessoa cognitivamente. Exemplo: a pessoa fica hiperfocada em superstições do tipo: se eu não usar a blusa azul que usei na última copa do mundo, o Brasil perderá a copa. Se eu não rezar 10 Aves Marias as 6H da manhã, algo muito ruím vai acontecer...A pessoa tem uma ameaça que é imaginada por ela. Esse sintoma geralmente não vem sozinho. Ele acompanha ansiedade intensa, pensamentos intrusivos, compulsões, rigidez cognitiva...


  • Qual é a relação entre "pensamento mágico" e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) de superstição?

    Qual é a relação entre "pensamento mágico" e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) de superstição?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    O pensamento mágico é característico do TOC e está ligado diretamente a ameaças imaginárias criadas pela própria pessoa, atribuindo a elas a necessidade de rituais "protetivos".. Ex: Se eu fizer isso, nada de ruím acontecerá comigo. Se eu fizer aquilo, alguém que eu amo pode morrer.


  • O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pode causar alucinações?

    O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) pode causar alucinações?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    O TOC não causa alucinações verdadeiras como em outros quadros de adoecimento psíquico. Mas as pessoas com TOC costumam ter pensamentos intrusivos. Porém reconhecem que eles vêm delas mesmas e não do ambiente externo como as vozes ouvidas nos casos de alucinações clássicas.


  • A visão de túnel está relacionada à dificuldade de ver o "quadro geral"?

    A visão de túnel está relacionada à dificuldade de ver o "quadro geral"?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. Roberta Barros

    Sim, totalmente ligada. A "Visão de túnel " faz com que a pessoa fixe seu pensamento num único detalhe que lhe parece urgente ou ameaçador.


Perguntas frequentes

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