Perguntas do paciente (20)

  • Como o bullying afeta emocionalmente as pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    Como o bullying afeta emocionalmente as pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    O bullying pode intensificar significativamente o sofrimento emocional de pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Devido à exposição à situações humilhantes, pode haver um agravamento dos sentimentos de inadequação, medo do julgamento e vergonha, comuns em quem tem TOC. Devido ao aumento da ansiedade provocado pelo Bullying, pode ocorrer uma disparada nas obsessões e compulsões, enquanto mecanismos de alívio para o estresse. Outra consequência pode ser o isolamento social pelo medo de ser alvo de novas agressões, prejudicando autoestima e a regulação emocional. E tudo isso traz consigo um aumento no risco de o paciente desenvolver depressão e, em casos graves, pensamentos autodestrutivos.
    Tendo em vista a potencial gravidade da exposição prolongada de um paciente obsessivo ao bullying, se faz necessária uma intervenção multiestratégia: (1) Intervenção sobre a prática do bullying, pela promoção de um ambiente mais saudável pelas figuras de autoridade responsáveis; (2) promoção de um espaço de escuta (psicoterapia) para o paciente entender a aprender a lidar com seus sintomas; (3) exposição a ambientes de potência, onde o paciente poderá verificar por si mesmo, com a ajuda de um facilitador, suas competências e limites, e (4) acompanhamento psiquiátrico para verificar a necessidade de medicações que atenuem as obsessões e compulsões.


  • Por que pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) são alvos de bullying?

    Por que pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) são alvos de bullying?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Começarei com uma frase polêmica: a natureza humana é perversa, e quem impõe limites à esta perversão, transformando-a em algo relativamente civilizado é a cultura (conjunto de valores de uma sociedade). Dito isso, podemos entender que não apenas o bullying, mas tantos outros comportamentos antissociais derivam desse estado de natureza não domesticado pela cultura, ou pela resistência do próprio sujeito, ou por falhas na transmissão dos valores pelas figuras de referência e autoridade. Assim, pessoas que não desenvolveram suficientemente os "freios sociais" que levam ao comportamento sádico (perverso) do bullying, geralmente procuram por "vítimas" entre os mais vulneráveis a suas investidas, onde encontramos as pessoas com TOC. Sendo esse um transtorno caracterizado por uma enorme autocrítica, ansiedade e sentimentos de inadequação, pessoas com esse tipo de questão "entregam" ao sádico, por assim dizer, a satisfação máxima por se identificarem com os papéis que lhes são atribuídos, e por não reagirem às situações humilhantes às quais são submetidas. Assim elas, infelizmente, se tornam alvos preferenciais quando não há uma figura de autoridade que iniba a atuação dos abusadores.


  • O que são doenças psicossociais? .

    O que são doenças psicossociais? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Doenças psicossociais são condições que nascem do encontro entre nossa vulnerabilidade psicológica e as pressões do mundo ao nosso redor. De um lado temos nossa forma particular de lidar com o estresse, e do outro, ambientes que nos sobrecarregam como um trabalho difícil, relacionamentos tóxicos, pressões sociais constantes. Alguns exemplos são a A síndrome de Burnout, a depressão e a ansiedade. Você não "pega" burnout como uma gripe, ele se desenvolve quando seu jeito de ser encontra um ambiente de trabalho que te esgota sistematicamente. Vem acompanhado de agressividade, isolamento, baixa autoestima e aquela sensação de que seu cérebro virou gelatina na hora de se concentrar. A depressão, por sua vez, é muito mais do que um estado de tristeza, é quando você perde o interesse nas coisas que antes te davam prazer, sente um desânimo profundo que parece não ter fim, e a motivação simplesmente desaparece. Muitas vezes surge em ambientes onde o estresse é constante e o apoio é escasso. A ansiedade generalizada te deixa preocupado com tudo, mesmo quando não há perigo real. Vem com irritabilidade, cansaço, dificuldade de concentração e sintomas físicos como coração disparado. Mas o mais importante disso tudo é que tem tratamento. Procure um psicólogo da sua confiança, mas se os sintomas forem muito intensos, pode ser necessária a intervenção medicamentosa do psiquiatra antes que você possa se beneficiar plenamente da terapia.


  • É seguro praticar Mindfulness se eu tenho Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    É seguro praticar Mindfulness se eu tenho Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    O mindfulness pode ser uma ferramenta poderosa para quem tem Transtorno de Personalidade Borderline, mas precisa ser feito do jeito certo, pois não é qualquer meditação que vai funcionar para você. Quando você tem TPB, sua mente já vive numa montanha-russa emocional intensa. O mindfulness mal orientado pode às vezes amplificar essa intensidade em vez de acalmá-la. É como tentar meditar no meio de um furacão; se você não souber como fazer, pode sair mais agitado do que entrou. O objetivo, portanto, de uma terapêutica baseada em Mindfullness, seria te ajudar surfar nas emoções em vez de ser engolido por elas. O que vale observar é se você está praticando sozinho ou com orientação. O mindfulness certo para TPB existe e funciona, ou pelo menos é o que sugerem os estudos: redução significativa da impulsividade e, por consequência, melhora os relacionamentos. Mas precisa ser o mindfulness certo para você, não qualquer um. Procure por um profissional experiente em atendimento a pacientes Borderline e Mindfullness.


  • O mindfulness substitui a terapia no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    O mindfulness substitui a terapia no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    A resposta é Não, o Mindfullness não substitui a terapia em casos de TPB. O mindfulness isolado pode até ser perigoso para quem tem TPB, porque quando você está numa crise emocional intensa, sentar para "observar seus pensamentos sem julgamento" pode te deixar ainda mais desregulado. O Mindfullness, quando bem executado, guiado por um profissional experiente, pode ser terapêutico para pessoas com TPB, pois ajuda a navegar as emoções e impulsos ao invés de sucumbir a eles; se torna um recurso na sua "caixa de ferramentas" a ser usado em momentos de necessidade. Já na terapia, o objetivo não é te acalmar imediatamente, e sim aprofundar seu autoconhecimento e o conhecimento sobre o sintoma; seria como escrever, sessão a sessão, o manual de instruções para usar de forma adequada as ferramentas das quais você dispõe, e ainda acrescentar algumas outras que você ainda não tinha, e que serão muito úteis adiante.


  • Boa tarde ! Devido a não ter muita vida social, eu assisto pornografia por cerca de 10 a 15 minutos

    Boa tarde ! Devido a não ter muita vida social, eu assisto pornografia por cerca de 10 a 15 minutos por dia e consigo me controlar para não consumir esses conteúdos em horários inadequados(como horário de trabalho e de estudo).
    Isso é prejudicial a minha saúde mental ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Quando você menciona que não tem muita vida social e depois fala do consumo de pornografia, vale se perguntar: que tipo de conexão você está fazendo com essas imagens? Será que elas estão ocupando o lugar de relações reais que você gostaria de ter? Ou talvez sirvam como uma forma de lidar com desejos e fantasias que ainda não encontraram espaço na sua vida? O fato de você conseguir se controlar e manter limites (não assistir no trabalho ou estudo) mostra que você tem autocontrole funcionando. Isso é positivo. Mas o mais interessante é entender o "por quê". Esses 10-15 minutos diários podem estar servindo como uma válvula de escape para ansiedades, solidão, ou até mesmo como uma forma de manter contato com sua sexualidade num momento em que as relações reais estão escassas. Não há nada necessariamente errado nisso. O que vale observar é se esse hábito está te afastando ainda mais das pessoas ou se é apenas uma forma temporária de lidar com um momento específico da sua vida. Se você perceber que está usando a pornografia para evitar o desconforto de se aproximar de pessoas reais, aí pode ser interessante refletir sobre isso mais profundamente. A grande questão é: escute o que seu comportamento está tentando te dizer. Talvez seja hora de se perguntar que tipo de conexões você realmente deseja construir na sua vida e se esse hábito está te ajudando ou atrapalhando nesse caminho.


  • Como a família pode ajudar uma pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e hipervigilância so

    Como a família pode ajudar uma pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e hipervigilância somática?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Por mais estranho que pareça, as pesquisas indicam que quando a família tenta tranquilizar o paciente constantemente sobre sua hipervigilância somática, ela está, sem querer, alimentando o TOC. É o que chamamos de "acomodação familiar", e quanto mais sua família faz isso, mais difícil fica de o paciente melhorar. Funciona assim: cada vez que você pergunta "essa dor é normal?" e alguém responde "está tudo bem", você aprende que precisa dessa confirmação externa para confirmar que "está tudo bem" MESMO, se acalmando momentaneamente, mas não de forma duradoura. Você duvida da sua própria percepção e busca confirmação no outro, criando ciclos sucessivos de angústia e tranquilização, como um vício que se não for alimentado causa abstinência. Os estudos são claros: pessoas cujas famílias param de dar reasseguramento melhoram muito mais do que aquelas que continuam recebendo essas garantias. Pode ser muito incômodo no começo, pela própria ansiedade derivada da "abstinência", mas melhora com o tempo e a sustentação desse limite.


  • Como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) afeta o processo de luto?

    Como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) afeta o processo de luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Antes de tudo, o processo de luto é parecido, mas não deve ser confundido com a depressão. O Luto é um processo doloroso de recuperação após um perda, onde passamos por fases que indicam o nosso grau de aceitação do ocorrido, até podermos viver sem aquilo/aquele que perdemos. Entendido isso, temos que pelas características específicas do TOC, o processo de luto pode ser mais complicado pelo fato de o TOC produzir ciclos doloroso de culpa e busca impossível por certezas. Em vez de lembranças que gradualmente encontram significado, a pessoa fica presa em pensamentos como "se eu tivesse feito diferente, isso não teria acontecido", revisa incessantemente conversas ou mensagens, evita objetos do falecido, ou busca garantias repetidas sobre sua "culpa" - uma espécie de prisão na fase de barganha. Esses rituais trazem alívio momentâneo, mas logo a ansiedade retorna, prolongando o sofrimento. Uma terapia, para ser eficaz em casos assim, precisará incentivar a exposição gradual do paciente aos elementos que lembram o que foi perdido, sempre na medida do suportável, enquanto se procura ampliar o entendimento sobre a real dimensão daquela perda e suas implicações, ressignificando memórias-chave e relativizando a culpa, quando em excesso.


  • Me masturbei durante o banho banho e me senti sujo e mal porque meu irmão estava em outro cômodo e m

    Me masturbei durante o banho banho e me senti sujo e mal porque meu irmão estava em outro cômodo e mesmo que eu estivesse no banho, de porta fechada eu me sinto mal por ele estar "próximo" de certa forma e não consigo parar de sentir essa culpa, como se eu fosse alguém nojento. O que fazer? Sou diagnosticado com TOC

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Boa noite, meu caro!
    Na sua fala temos muitos elementos interessantes a serem investigados: proximidade (física) do irmão, banho, masturbação, sujeira, culpa e nojo. Então, para melhor te ajudar, eu precisaria conhecer a relação que você estabeleceu entre esses elementos. Para isso, em uma sessão de terapia eu tentaria verificar contigo se esse mesmo fenômeno de nojo e culpa já aconteceu outras vezes, quando começaram, e se está relacionado à proximidade do irmão (em específico) ou se a presença de qualquer pessoa costuma disparar esse gatilho. Perguntaria se a masturbação é suja em essência, ou se a noção de sujeira ocorre apenas devido à presença do irmão, e por aí vai. O objetivo é te ajudar a construir conhecimento acerca do sintoma, para que você possa dominá-lo, e não o contrário como seu relato sugere. Abraço!


  • Qual a diferença entre psicólogo e psicanalista? Como descubro qual a melhor para mim?

    Qual a diferença entre psicólogo e psicanalista? Como descubro qual a melhor para mim?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Boa noite! Vou tentar responder sua pergunta de maneira simples e objetiva, pra não cansar! rs
    A Psicologia nasceu dentro de laboratório, e se interessava por temas como percepção, tempo de reação e respostas emocionais a certos estímulos. Foi criada dentro de um pensamento científico visando a produção de conhecimento replicáveis mundo a fora. A Psicanálise, por outro lado, nasceu na clínica de um cara chamado Freud (ou Froid, como falamos), a partir da incapacidade de os médicos do século 19 lidarem com doenças provocadas por conflitos emocionais. A Psicanálise foi, portanto, a primeira psicoterapia, e alguns de seus dissidentes e críticos, posteriormente, fundaram outras escolas de psicoterapia. Hoje, todas essas escolas, bem como a Psicanálise, são diferentes linhas do que conhecemos como Psicologia. O Psicólogo, então, é alguém que fez uma faculdade de Psicologia, ou seja, que fez matérias sobre essas diferentes linhas sem se aprofundar em nenhuma necessariamente. Já o psicanalista é um profissional da Medicina ou da própria Psicologia, que fez uma formação específica em Psicanálise. Quando você for decidir entre um psicólogo ou um psicanalista, procure descobrir qual linha teórica segue o psicólogo, e se você se identifica mais com uma abordagem mais diretiva (aconselhamento) ou menos diretiva (com mais escuta e propostas de reflexão). A Psicanálise se situa nesse último campo.


  • Sempre que me entusiasmo, quando, por exemplo, descubro algo novo ou estou prestes a fazer algo que

    Sempre que me entusiasmo, quando, por exemplo, descubro algo novo ou estou prestes a fazer algo que gosto muito, me vem a vontade de evacuar. Isso acontece desde criança e quando sozinho. O que pode ser?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Boa noite!
    Podemos pensar o caso de várias formas, mas o mais importante é, sem dúvida, registrar que o corpo sente aquilo que a mente não dá conta. O excesso, em termos de intensidade, que essas experiências provocam no seu psiquismo provocam um sintoma cujo objetivo seria dar vazão a isso que está a mais; como uma caixa d'água que é abastecida além de sua capacidade e transborda. Esse transbordamento é o sintoma. Em um trabalho psicoterápico mais profundo, poderíamos investigar o porquê deste sintoma em particular.


  • Olá, tenho depressão e tenho pensamento como se eu fosse morrer.... É normal na depressão?

    Olá, tenho depressão e tenho pensamento como se eu fosse morrer.... É normal na depressão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Se compreendi bem o que você quis dizer com "pensamentos como se eu fosse morrer", em associação ao diagnóstico de depressão, imagino que esteja falando da sensação de estar morta(o) ou morrendo, e não de algum tipo de intenção suicida. Se eu estiver correto, te digo que pode ser algo normal na depressão sim, mas que indica um quadro agudo, necessitando atenção. Em casos como este, além do apoio de amigos e familiares próximos, é importante que você procure a ajuda de um psiquiatra e de um psicólogo, pois ambas as especialidades, trabalhando em conjunto, são essenciais para a sua recuperação. O psiquiatra entra com a medicação, para te ajudar a sair da cama e retomar suas atividades, e o psicólogo entra com a terapia, visando ajudá-la(o) a entender a origem dos sintomas e como aliviá-los de forma duradoura.

    Por outro lado, caso eu tenha entendido errado e você esteja se referindo à intenção suicida, também comum em quadros depressivos, recomendo procurar um psicólogo e verificar com o profissional a necessidade da participação de um psiquiatra, pois alguns casos não precisam de medicação. Isso não significa que são quadros menos sérios, então fique atenta(o) e não tenha vergonha de pedir ajuda; existem profissionais qualificados para te auxiliar neste momento.

    Depressão não é frescura ou fraqueza, é coisa séria!


  • Algum tempo atras eu fui diagnosticado com autismo leve, só que eu achei estranho pois foi a minha p

    Algum tempo atras eu fui diagnosticado com autismo leve, só que eu achei estranho pois foi a minha primeira consulta.
    Eis minha duvida, eu posso ser diagnosticado com apenas uma consulta? Pois é algo que mudou drasticamente a minha vida.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Caro paciente,
    Te digo, com absoluta certeza, que o profissional que te diagnosticou teve pouquíssimos elementos para constatar um quadro autístico. Quando estagiei em um CAPSi, à época da faculdade, vi profissionais extremamente qualificados atenderem os mesmos pacientes por várias consultas antes fecharem uma HIPÓTESE DIAGNÓSTICA - hipótese, por conta da imprecisão dos diagnósticos em saúde mental e da possibilidade de evolução do quadro observado. Por outro lado, não existe um único autismo, e sim um espectro autístico, e situar um paciente de ou lado ou de outro desse espectro faz toda a diferença quando falamos em cognição e habilidades sociais, entre outras áreas afetadas. Assim, recomendo que você procure não se abalar com um diagnóstico como esse, feito às pressas, e busque um profissional que terá o cuidado de reconhecer você, em sua existência singular, antes de reconhecer os sintomas em você.


  • Vi na internet a seguinte frase.. O tipo desatento do TDAH é também conhecido como sonhador (daydre


    Vi na internet a seguinte frase..

    O tipo desatento do TDAH é também conhecido como sonhador (daydreamer).

    Mas fica a dúvida. Que tipo de sonhos se incluem no conhecido como " Sonhador " ?

    Poderiam dar Exemplos práticos ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    As colegas acima já responderam muito bem. Então, para não repetí-las, vou fazer algumas considerações que fogem um pouco ao foco original da pergunta. A tradução mais comum para a expressão "daydream" é "devaneio", que significa, em bom português, entrar em modo de "descanso de tela". Seguimos funcionando, intimamente conectados a nossos sentimentos e sensações, mas relativamente desconectados do mundo; a um esbarrão no "mouse" para a tela religar. É, portanto, uma característica associada ao TDAH, mas está longe de ser de todo indesejável, afinal, ela estreita o nosso contato com nós mesmos, algo importantíssimo para nosso autoconhecimento. Não se trata de um pensamento específico ou de um sonho complexo; é muito mais a ideia de "desligar" enquanto se está acordado, abrindo mão dos estímulos externos em favor dos internos.


  • Tenho TDA (desatento) e comorbidades em ansiedade, distúrbio do sono, e stress. Minha vida é um caos.

    Tenho TDA (desatento) e comorbidades em ansiedade, distúrbio do sono, e stress. Minha vida é um caos. Tenho 23 anos. Os psicostimulantes me causam efeito rebote, ja tentei bupropiona e tive aumento do stress, sertralina ajudou muito pouco. Minha neura agora me indicou Brintellix o que acham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Caro paciente,
    Procurando oferecer um uma perspectiva diferente, mesmo concordando com boa parte do que disseram os profissionais acima, devo te dizer que me surpreende saber que, tão novo, você já tem um "currículo" tão grande em psicofármacos. É natural que, com a vida estando um caos, queiramos uma pílula mágica que resolva todos os nossos problemas e nos coloque de volta nos trilhos, mas isso não existe na vida real. Como você falou, conserta-se uma coisa e quebra outra. A medicação, por menores que sejam os efeitos colaterais, atua sobre o sintoma, mas não age sobre as causas do problema, e por essa razão os tratamentos medicamentoso e psicoterápico são complementares. Se de um lado o remédio ajuda a controlar o sintoma, a terapia pode te ajudar a resolver as causas. Assim, um ajuda o outro e você terá uma chance contra o caos em que se encontra.


  • Estou casado a dez anos. Eu e minha esposa temos uma filha de oito anos e passamos por muitas dificuldades.

    Estou casado a dez anos. Eu e minha esposa temos uma filha de oito anos e passamos por muitas dificuldades. Devido as brigas a minha esposa ficou indiferente e distante. As brigas so aumentaram e eu reclamava atenção. Ela saiu de casa. Nao quis divorciar mas disse que estamos separados. O que fazer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Caro paciente,
    Muitos colegas aqui, sob um argumento ou outro, recomendarão uma terapia de casal. Eu mesmo o faria, dado o foco que você colocou nos conflitos conjugais, mas acontece que vocês já estão separados, e há pouco tempo, e pode ser que a sua esposa não esteja disposta, ao menos por enquanto, a participar de um processo terapêutico a dois (caso ela esteja, vão em frente). Se eu estiver correto, sugiro que você procure uma terapia individual, pois nela você poderá (1) ter o suporte emocional que este momento difícil exige, (2) entender melhor a si mesmo e o lugar que seu relacionamento ocupa na sua vida, (3) entender melhor o que você busca nessa mulher que se mostra indiferente a você, (4) entender do que se tratava o "projeto do casal", bem como até quando deu certo e quando deixou de funcionar, entre muitas outras coisas que eu poderia citar aqui. Me coloco à disposição para tirar qualquer dúvida. Fique bem!


  • Perdi a mãe a 2 anos e senti mt por isso, Meses depois conheci meu esposo que me ajudou mt e tem me

    Perdi a mãe a 2 anos e senti mt por isso, Meses depois conheci meu esposo que me ajudou mt e tem me feito MT feliz. Ele sempre gostou de sair, se divertir e tal, mas depois que a minha mãe morreu, tudo isso perdeu a graça pra mim. Como posso melhorar esta situação, pois n quero perde lo e isso está afetando nosso relacionamento.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Cara paciente,

    Pensando na questão, tal como você a colocou, entendi que você teve uma perda significativa que ainda não cicatrizou, e que possui um casamento recente que passa por um momento de turbulência.

    Como você mesma relaciona os dois eventos, eu ficaria inclinado a te recomendar uma terapia individual, onde você poderia reexaminar suas vivências e trabalhar suas questões relativas à sua mãe e ao casamento. Contudo, sendo especialista em terapia de casal e observando que o "assunto" da sua dúvida é "terapia de casal", penso que talvez a sua prioridade, hoje, seja conseguir ouvir e ser ouvida pelo seu marido, melhorando a comunicação, a sintonia e a compreensão entre vocês.

    Se eu estiver certo, procure uma terapia de casal, mas se não for o caso, uma individual lhe servirá bem. Me coloco à disposição para tirar qualquer dúvida futura e também para atende-la tanto no enquadre individual quanto no de casal, se assim você desejar.

    Cordialmente,
    Rodrigo N. S. Trindade


  • Sou gago, desempregado, com uma dívida enorme para pagar. Em qualquer entrevista de emprego que vou,

    Sou gago, desempregado, com uma dívida enorme para pagar. Em qualquer entrevista de emprego que vou, sou descartado em menos de um minuto. Tenho certeza de que o fato de ser gago pesa muito na hora da preterição. Ultimamente, só penso em suicídio. Não sei mais o que fazer. Como posso evitar o pior?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Meu caro, farei o possível para te ajudar.
    Entre a ideação suicida e o suicídio propriamente dito há uma distância, e o fato de você estar procurando ajuda para não fazer essa passagem me parece um sinal de que, para além da atual crise, você tem razões para viver. Compreendo que seja muito difícil ser preterido em sucessivas entrevistas de emprego, ainda mais com a situação financeira bastante grave e uma dificuldade na fala que está te custando oportunidades, mas enquanto houver vida em você, também haverá a chance de uma recuperação. Procure nas suar redes (Amigos e Família) quem possa te estender a mão nesse momento, tanto afetiva quanto financeiramente; procure renegociar e/ou parcelar suas dívidas com seus credores de uma forma que possa, aos poucos, ir honrando seus compromissos. Sobre a gagueira, um fonoaudiólogo poderia te ajudar com a parte motora, enquanto um psicólogo complementaria o trabalho pela parte emocional.
    Me coloco à sua inteira disposição e acredito em você.


  • Minha irmã é uma consumidora compulsiva, chega a gastar mais que todo o salário em roupas, jóias,

    Minha irmã é uma consumidora compulsiva, chega a gastar mais que todo o salário em roupas, jóias, sapatos... Já tentamos conversar de todo jeito, tomamos até medidas como quebrar cartão, mas ela parece ficar muda quando confrontada e continua a gastar descontroladamente. Como ajuda la?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    É realmente muito frustrante ver nossos esforços em ajudar um ente querido fracassarem, compreendo perfeitamente, e acho importantíssimo que se tenha uma rede familiar de apoio como a que vocês têm disponibilizado à sua irmã, embora, como você pôde perceber, ela não seja suficiente para dar conta do comportamento compulsivo. Isso acontece porque a história e as vivências compartilhadas entre pessoas muito próximas impedem a identificação e a ressignificação do que se encontra nas entrelinhas, por trás do sintoma; no caso, as nuances do pensamento obsessivo por trás da compulsão. Por essa razão te recomendo que auxilie sua irmã na procura por um Psicanalista, um profissional com as competências necessárias para ajudá-la a compreender as questões por trás de seu sofrimento, elevando-a a agente da própria recuperação e promoção de saúde. Espero ter contribuído para sanar sua dúvida e me coloco à disposição caso outras surjam.


  • Olá. Gostaria de saber se a hipnose pode me ajudar a passar a gostar de alimentos saudáveis (Legues,

    Olá. Gostaria de saber se a hipnose pode me ajudar a passar a gostar de alimentos saudáveis (Legues, verduras) e deixar de gostar de alimentos não saudáveis (frituras, refrigerantes e etc.)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Rodrigo Nunes de Souza Trindade

    Vou resumir uma história que me parece pertinente: Freud, que na época era aluno do professor Charcot, maior hipnotizador de sua época, constatou que os pacientes hipnotizados eram "curados" de seus sintomas de origem psíquica apenas enquanto permaneciam sob efeito da sugestão, voltando a apresentar o problema assim que acordavam do transe. Incomodado com isso, desenvolveu um método baseado na associação livre do paciente em seu estado consciente, um trabalho que exigia um fino manejo de seus afetos e angústias, mas que conseguia desvelar as questões inconscientes por trás do sintoma, resolvendo-o com maior eficácia. Esse método, como você deve saber, ganhou o nome de Psicanálise e é hoje utilizado por mim e muitos outros que também creem ser a melhor forma de ressignificar vivências, obter auto-conhecimento e modificar atitudes e comportamentos. Sei que as soluções mágicas e os atalhos são sempre mais sedutores, mas normalmente o melhor caminho é o que exige maior esforço e dedicação.


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