Perguntas do paciente (19)
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Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b
Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O medo de rejeição pode fazer com que você comece a “editar” quem é para se sentir mais seguro socialmente. O problema é que, quanto mais você esconde características suas para evitar julgamentos, mais reforça a ideia de que ser você mesmo é arriscado. Um caminho importante é aprender a diferenciar crítica real de antecipação de rejeição e, gradualmente, se permitir agir de forma mais autêntica, mesmo sem ter a garantia da aprovação dos outros. A psicoterapia pode ajudar bastante nesse processo.
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Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?
Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Ser uma pessoa interessante para si mesmo começa por construir uma vida que faça sentido para você, e não apenas por tentar se tornar alguém que os outros aprovem.
Isso envolve conhecer seus valores, cultivar interesses, experimentar coisas novas, cuidar de si, desenvolver relações significativas e aprender a reconhecer suas próprias qualidades sem depender o tempo todo da validação externa.
Curiosamente, quando deixamos de concentrar tanta energia em “como preciso ser para que gostem de mim?” e passamos a perguntar “que tipo de pessoa eu quero ser e que vida quero construir?”, tendemos a nos tornar mais autênticos, seguros e presentes nas relações — características que também costumam favorecer a atração e a conexão com outras pessoas.
Se você percebe que precisa muito da aprovação dos outros para se sentir interessante ou valioso, a psicoterapia pode ajudar a compreender de onde vem essa necessidade e a desenvolver uma relação mais segura consigo mesmo.
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Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço
Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Perfeccionismo, ansiedade e TOC podem ter pontos em comum, principalmente quando existe muita dificuldade em tolerar incertezas. Mas ter pensamentos repetitivos, necessidade de controle ou comportamentos muito rígidos não significa, por si só, que exista TOC.
No TOC, geralmente aparecem obsessões — pensamentos, imagens ou dúvidas recorrentes e difíceis de controlar — acompanhadas de compulsões, que são comportamentos ou rituais mentais realizados para aliviar a ansiedade ou tentar obter certeza. Um sinal importante é quando esse ciclo começa a consumir tempo, causar sofrimento significativo ou interferir na rotina, nas relações e nas decisões.
Também é importante observar algo: você não precisa esperar “fechar um diagnóstico” para procurar tratamento. Se a necessidade de certeza, os comportamentos obsessivos, a impulsividade diante da incerteza ou o perfeccionismo já estão trazendo sofrimento ou prejuízo, isso por si só já merece cuidado.
Na psicoterapia, é possível avaliar com mais precisão o que está mantendo esse padrão e trabalhar diretamente sobre esses mecanismos, independentemente do rótulo diagnóstico. O diagnóstico pode ajudar na compreensão do quadro, mas não precisa ser a condição para começar a tratar aquilo que já está fazendo você sofrer.
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É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após
É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, crenças centrais e intermediárias disfuncionais podem ser modificadas. Porém, na TCC, modificar uma crença não significa necessariamente apagá-la da memória ou garantir que ela nunca mais seja ativada.
Ao longo da terapia, a pessoa aprende a questionar crenças antigas, construir formas mais realistas e flexíveis de interpretar suas experiências e, principalmente, agir de maneira diferente diante delas. Com a prática, essas novas formas de pensar e responder podem se tornar cada vez mais fortalecidas.
Em períodos de estresse, perdas, conflitos ou outras situações difíceis, uma crença antiga pode ser novamente ativada. Isso não significa que todo o progresso foi perdido. A diferença é que a pessoa pode aprender a reconhecer: “esse é um padrão antigo aparecendo”, em vez de automaticamente tratá-lo como uma verdade.
Por isso, um dos objetivos da terapia também é a prevenção de recaídas: aprender a identificar sinais de reativação desses padrões e utilizar as habilidades desenvolvidas ao longo do tratamento.
Talvez seja mais útil pensar não em “mudar uma crença para sempre”, mas em diminuir o poder que ela exerce sobre a forma como você se percebe, interpreta as situações e conduz sua vida.
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Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente,
Bom dia, estou tomando venlafaxina a 6 meses , me sentia ótima, tive vontade de viver novamente, mais faz três dias que minhas crises voltaram, a angústia, coração acelerado , a cabeça dói, o entalo , oque fazer ?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Entendo como pode ser angustiante perceber a volta desses sintomas depois de um período se sentindo bem. É importante procurar o psiquiatra que acompanha você para avaliar essa mudança, revisar o tratamento e verificar se há necessidade de algum ajuste na medicação. Não altere a dose nem interrompa a venlafaxina por conta própria.
Você também faz acompanhamento psicológico? A medicação pode ser muito importante no controle dos sintomas, mas a psicoterapia ajuda a compreender os gatilhos, desenvolver estratégias para lidar com a ansiedade e trabalhar os fatores que podem estar mantendo essas crises.
Como você relata coração acelerado, dor de cabeça e sensação de “entalo”, se os sintomas estiverem muito intensos, forem diferentes do habitual ou vierem acompanhados de dor no peito, falta de ar importante, desmaio ou piora acentuada, procure avaliação médica presencial.
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Olá, boa noite. Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu
Olá, boa noite.
Eu tenho 18 anos, e ultimamente venho percebendo algumas coisas em mim mesmo que eu não sei se é algo normal.
Por exemplo, depois de momentos felizes, mesmo tendo sido genuínos, eles parecem como se fossem uma espécie de "atuação" pra mim, como se às vezes não tivesse acontecido comigo.
Parece que tem um vazio dentro de mim que não passa, e quando parece que passa, só fica ali disfarçado, e quando volta eu fico sozinho com ele. Eu não fico com vontade de nada, o tempo fica passando e parece ser agonizante pra mim, porque eu não consigo ficar parado nele, e me assusta o que pode acontecer daqui algumas horas, dias ou anos, porque eu não tenho nada planejado e aí os pensamentos de só acabar com tudo aparecem, e o que eu tenho vontade de fazer parece muito distante e eu só aceito que talvez eu nunca realize o que eu quero.
Eu deveria procurar ajuda?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, é importante procurar ajuda. O que você descreve — sensação persistente de vazio, dificuldade de sentir prazer ou se conectar com momentos bons, angústia em relação ao futuro e, principalmente, pensamentos de “acabar com tudo” — merece atenção profissional e não deve ser enfrentado sozinho.
Procure um psicólogo para que seja possível compreender melhor o que está acontecendo, avaliar esses sintomas e ajudá-lo a desenvolver formas de lidar com esse sofrimento. Também pode ser importante uma avaliação com um psiquiatra, especialmente pela presença desses pensamentos e pela intensidade do que você vem sentindo.
E um ponto muito importante: se esses pensamentos de acabar com tudo ficarem mais intensos, se surgir intenção ou planejamento de se machucar, procure atendimento de urgência imediatamente e conte para alguém de confiança que possa permanecer com você. Você não precisa esperar piorar para buscar ajuda. Quanto antes esse cuidado começar, melhor.
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Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e apr
Por que investir em relacionamentos com amigos se a maioria das pessoas com quem tento vínculo e aprofundo vão embora ou por questões profissionais o por namoro? Penso que é melhor ser sozinho, o máximo autossuficiente possível e desapegado do que tentar investir em relacionamento com as pessoas que vem e vão embora das nossas vidas e ter que procurando outros amigos pra preencher lacunas.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
É compreensível pensar dessa forma quando você já vivenciou vínculos importantes que terminaram ou se afastaram. Mas talvez valha observar uma diferença: uma relação terminar ou mudar não significa que ela não tenha valido a pena enquanto existiu.
Buscar ser autossuficiente pode ser saudável quando significa desenvolver autonomia e conseguir estar bem consigo mesmo. Porém, quando o desapego se transforma em uma forma de evitar vínculos para não correr o risco de sofrer com uma possível perda, ele pode acabar trazendo isolamento.
As relações humanas são dinâmicas. Algumas pessoas permanecem por muitos anos; outras fazem parte apenas de determinados períodos da nossa vida. Ainda assim, podem existir afeto, aprendizado, apoio, troca e experiências significativas nesses encontros.
Talvez a pergunta não seja apenas “por que investir em alguém se essa pessoa pode ir embora?”, mas também: “o que eu perco hoje ao evitar vínculos para me proteger de uma perda que talvez aconteça amanhã?”
Se você percebe que essa necessidade de não se apegar vem acompanhada de sofrimento, medo de abandono ou dificuldade para confiar e construir relações, a psicoterapia pode ajudar a compreender de onde vem essa necessidade de proteção e a encontrar um equilíbrio entre ter autonomia e, ao mesmo tempo, permitir-se construir vínculos.
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Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré
Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não necessariamente é preciso procurar um profissional que trabalhe exclusivamente com relacionamentos não monogâmicos. Porém, é importante verificar se o psicólogo possui preparo para atender casais e, principalmente, se consegue compreender e respeitar diferentes configurações de relacionamento sem tentar enquadrá-las em suas próprias concepções sobre como uma relação deveria funcionar.
Eticamente, o papel do psicólogo não é estabelecer qual modelo de relacionamento é o correto, nem utilizar sua própria maneira de viver ou suas escolhas afetivas como parâmetro para o casal. O ponto de partida deve ser a realidade de vocês: como escolheram construir essa relação, o que é importante para cada um na vida a dois (por exemplo, confiança, liberdade, parceria, cuidado, intimidade e respeito), quais acordos estabeleceram e o que está trazendo dúvidas ou sofrimento neste momento.
Em uma relação aberta, a terapia pode trabalhar a construção e revisão dos acordos; o significado de compromisso e fidelidade para aquele casal; comunicação de necessidades e limites; ciúmes e inseguranças; medo de perda ou comparação; diferenças na maneira como cada parceiro vivencia a abertura; situações em que determinado acordo deixou de funcionar; manejo de outros vínculos afetivos ou sexuais; e formas de preservar intimidade, confiança e segurança emocional na relação.
Também é possível trabalhar a partir de uma perspectiva dialética: a experiência de um parceiro não precisa anular a do outro. Um pode estar confortável com determinada situação enquanto o outro sente insegurança, e reconhecer uma experiência não significa dizer que a outra está errada. A terapia pode ajudá-los a sair da disputa sobre “quem está certo” e compreender o que está acontecendo com cada um e entre os dois, favorecendo comunicação, negociação e construção de acordos possíveis.
Portanto, mais importante do que encontrar alguém que trabalhe exclusivamente com esse nicho é encontrar um profissional que tenha competência para atendimento de casal e abertura técnica e ética para trabalhar com a não monogamia sem tratá-la, por si só, como um problema. Antes de marcar, vocês podem inclusive conversar com o profissional sobre sua experiência e sua forma de trabalhar com diferentes configurações de relacionamento.
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Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres
Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos? Crenças da baixa autoestima como: "eu sou feio", "ninguém vai me amar e me achar atraente". Crenças da depressão como: "Sou inútil", "ninguém gosta de mim", "não sou bom o suficiente", "todos são melhores do que eu". E crenças e pensamentos da ansiedade social como: "Estão me julgando", "Eu tenho que agradar todo mundo", "se me criticarem, significa que sou ruim".
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A TCC pode trabalhar a baixa autoestima, a ansiedade social e a depressão de forma integrada, porque muitas vezes esses problemas compartilham processos que se alimentam mutuamente.
Por exemplo, uma crença como “não sou bom o suficiente” pode levar a pensamentos como “estão me julgando”, “ninguém vai me achar atraente” ou “preciso agradar todo mundo”. Isso pode gerar ansiedade, autocrítica, comparação constante, evitação de situações sociais e isolamento, que, por sua vez, podem reforçar sentimentos de inadequação e sintomas depressivos.
Além disso, existem tratamentos transdiagnósticos, que não trabalham apenas um diagnóstico isoladamente, mas processos psicológicos comuns a diferentes dificuldades, como evitação, ruminação, autocrítica, rigidez de pensamento e dificuldades na regulação emocional. Existem também abordagens dentro da família das terapias cognitivo-comportamentais que permitem uma compreensão mais abrangente desses padrões.
O tratamento é individualizado. A terapia pode envolver identificação e flexibilização de crenças, experimentos comportamentais, exposição gradual às situações sociais, redução de comportamentos de segurança, ativação comportamental e desenvolvimento de habilidades de regulação emocional.
O objetivo não é simplesmente convencer a pessoa de que pensamentos como “sou feio”, “sou inútil” ou “ninguém gosta de mim” estão errados, mas ajudá-la a compreender como esses padrões foram construídos, como estão sendo mantidos e desenvolver maneiras mais flexíveis e funcionais de se relacionar consigo mesma, com seus pensamentos e com as outras pessoas.
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Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou
Como a TCC trata a ansiedade social? Fui diagnosticado com ansiedade social e o psiquiatra me passou 100mg de sertralina, mas não resolveu. Faz 3 anos que eu não vou a escola por conta dessa ansiedade. Tenho medo do julgamento, medo do que os outros estão pensando, medo de ser rejeitado, criticado, medo de desagradar alguém, autoestima baixa. Quando alguém me chama para sair, ir em algum evento, festas ou um jogo de futebol, eu nunca vou por conta dessa ansiedade. Já passei por 2 psicólogas da TCC, mas eu parei de fazer terapia porque eu achei que não estava resolvendo.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Pelo que você descreve, a ansiedade social está trazendo um prejuízo importante para sua vida, principalmente por estar há três anos sem frequentar a escola e evitando diversas situações sociais. Nesse caso, vale retomar tanto o acompanhamento psiquiátrico quanto a psicoterapia. Se a sertralina não trouxe o resultado esperado, converse com seu psiquiatra para que ele possa reavaliar o tratamento; não faça alterações na medicação por conta própria.
Na TCC, um dos principais tratamentos para ansiedade social é a exposição gradual e planejada às situações temidas. Isso não significa simplesmente “enfrentar o medo”. Terapeuta e paciente constroem uma hierarquia de situações, começando por desafios possíveis e avançando progressivamente. Ao mesmo tempo, trabalham pensamentos como “estão me julgando”, “vou ser rejeitado” ou “preciso agradar a todos”, além da baixa autoestima, da autocrítica e dos chamados comportamentos de segurança — por exemplo, evitar olhar para as pessoas, falar pouco ou ensaiar excessivamente o que dizer.
Um ponto muito importante é a evitação. Quando você deixa de ir à escola, festas, jogos ou encontros, sente alívio naquele momento, mas seu cérebro não tem a oportunidade de aprender que você consegue enfrentar essas situações e tolerar a ansiedade. Assim, o medo acaba sendo mantido.
O fato de duas experiências anteriores com TCC não terem funcionado para você não significa que a terapia não possa ajudar. Vale conversar abertamente com o próximo profissional sobre o que foi feito anteriormente, o que não ajudou e procurar alguém que tenha experiência específica no tratamento da ansiedade social. Um tratamento bem estruturado deve ter objetivos claros, acompanhamento da evolução e intervenções práticas dentro e fora das sessões, especialmente exposição gradual.
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Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento. Há alguns anos comet
Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento.
Há alguns anos cometi uma infidelidade com uma pessoa do meu passado. Meu companheiro me perdoou e seguimos juntos, mas eu nunca consegui me perdoar.
Recentemente imaginei como minha vida poderia ter sido se eu tivesse ficado com essa pessoa. Foi apenas um pensamento hipotético, e logo pensei que sou feliz no meu relacionamento atual. Mesmo assim, senti uma culpa muito intensa, como se esse pensamento significasse que fiz algo errado novamente.
Esse tipo de pensamento pode ser uma manifestação do TOC ou pode indicar que ainda tenho algum sentimento por essa pessoa? Como lidar com essa culpa?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve não significa, por si só, nem que seja um sintoma do TOC, nem que indique que você ainda tenha sentimentos por essa pessoa do passado.
Nossa mente produz milhares de pensamentos espontaneamente, inclusive cenários hipotéticos do tipo "e se...?". Isso acontece com pessoas que têm e que não têm TOC. O simples fato de um pensamento surgir não diz quem você é, o que deseja ou quais são seus sentimentos.
No TOC, o sofrimento costuma aparecer não por causa do pensamento em si, mas pela importância e forma de se relacionar com esses pensamentos. É comum interpretar o pensamento como um sinal ou um fato e de que ele "significa alguma coisa", de que precisa ser analisado, combatido ou compensado. Esse ciclo aumenta a culpa e mantém o sofrimento.
Vale lembrar também que sentir culpa pelo ocorrido no passado é diferente de concluir que um pensamento automático representa uma nova falha ou uma intenção. Pensamentos não são ações, pensamentos não quebram ossos, eles aparecem e vão embora.
Se essa culpa tem sido intensa ou recorrente, pode ser muito útil trabalhar isso em psicoterapia, especialmente com abordagens baseadas em evidências, aprendendo a observar os pensamentos como eventos mentais, sem tratá-los como provas da realidade ou da sua identidade. Isso costuma reduzir o sofrimento e ajudar você a direcionar suas ações para aquilo que realmente é importante no presente.
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Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansi
Olá, estou em uso de Sertralina 50mg há 22 dias. Neste período já noto melhora significativa na ansiedade, nunca mais tive as crises. Porém, estou me sentindo "muito tranquila", o que me causa até certa estranheza. Comentei com a psiquiatra que acompanha meu tratamento e a mesma afirmou que isso é comum e o organismo tende a acostumar, com o passar das semanas está é a nova sensação que será presente, a de bem-estar. Comentei o mesmo com minha psicóloga e ela aponta que isto é comum e justamente o bjetivo da medicação e que essa nova sensação de tranquilidade deve ser trabalhada em terapia, para que eu aprenda a lidar com ela e finalmente "descansar a cabeça" e que esta estranheza é comum pois vivi muitos anos com TAG e devo me readequar a este novo funcionamento. Ao mesmo tempo, quando paro, acabo me sentindo agoniada, pois parece que "não sou eu" e acabo me sentindo triste com isto.
Com o andar do tratamento, a tendência é que esta sensação seja comum e "meu novo normal"?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O que você descreve é relativamente comum, especialmente em pessoas que conviveram por muitos anos com ansiedade intensa. Quando a ansiedade diminui, a sensação de calma pode parecer estranha, como se algo estivesse "fora do lugar". Isso não significa, necessariamente, que você esteja deixando de ser quem é.
Muitas vezes, passamos a nos identificar com um determinado padrão de funcionamento, como pensar "eu sou uma pessoa ansiosa". Quando esse padrão muda, pode surgir a impressão de que perdemos uma parte da nossa identidade. No entanto, ansiedade é um estado, não uma definição de quem você é.
Além disso, nosso cérebro tende a preferir aquilo com que já está familiarizado, mesmo quando esse padrão gera sofrimento. Por isso, é esperado que exista um período de adaptação. Antes, você já conhecia a ansiedade e, de certa forma, sabia como conviver com ela. Agora, está aprendendo a lidar com uma experiência nova: a tranquilidade.
Na psicoterapia, vale a pena explorar qual era a função que a ansiedade exercia na sua vida. Em algumas pessoas, ela pode estar associada à sensação de estar sempre alerta, produtiva ou preparada para evitar problemas. Compreender esse papel facilita a adaptação a essa nova fase, em que a calma deixa de ser algo estranho e passa a ser uma experiência natural.
Se a medicação está reduzindo sua ansiedade e você segue sendo acompanhada pela sua psiquiatra e pela sua psicóloga, a tendência é que, com o tempo, essa sensação de bem-estar se torne cada vez mais familiar. Caso a sensação de "não ser eu" persista ou aumente, converse novamente com sua psiquiatra para que ela possa avaliar se faz parte da adaptação ao tratamento ou se há necessidade de algum ajuste.
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Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gosta
Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gostaria de saber se a Terapia DBT é adequada, mesmo que eu não tenha borderline.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim. A Terapia Comportamental Dialética (DBT) não é exclusiva para pessoas com transtorno de personalidade borderline. Embora tenha sido desenvolvida inicialmente para esse público, hoje existem evidências de benefício em diferentes condições, incluindo casos em que há dificuldades de regulação emocional, impulsividade, TDAH e alguns desafios frequentemente presentes no transtorno bipolar.
No seu caso, mais importante do que o nome da abordagem é entender se ela está sendo utilizada para trabalhar as dificuldades que mais impactam sua vida. A TCC e a DBT não são abordagens opostas; na verdade, a DBT surgiu a partir da TCC e acrescenta estratégias específicas para desenvolver habilidades como regulação emocional, tolerância ao desconforto, mindfulness e efetividade nos relacionamentos.
Se você sente que a TCC que realizou não trouxe os resultados esperados, vale refletir se isso ocorreu pela abordagem em si ou pela forma como ela foi conduzida. Existem diferentes maneiras de aplicar a TCC, e muitos terapeutas também integram recursos da DBT, da ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) e de outras abordagens baseadas em evidências, personalizando o tratamento de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Converse com seu terapeuta sobre os objetivos do tratamento e as dificuldades que ainda permanecem. Em alguns casos, a inclusão de habilidades da DBT pode ser bastante útil, mesmo sem o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline.
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Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s
Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Antes de tudo, sinto muito pela experiência que você teve. Nenhuma pessoa deveria ser atendida dessa forma ao buscar ajuda psicológica. Comentários que geram constrangimento ou julgamento podem dificultar justamente o processo de procurar o suporte de que se precisa.
Pelo que você descreve, o fato de ter se deparado com um conteúdo perturbador e interrompido a visualização por sentir desconforto não indica, por si só, que você tenha um vício ou que esse conteúdo represente seus desejos ou seus valores. Na internet, é relativamente fácil encontrar conteúdos extremos sem que isso reflita um interesse genuíno.
O que mais chama atenção no seu relato é a intensidade da culpa, da vergonha e da autocrítica após o ocorrido. Esses sentimentos podem ser muito mais dolorosos do que o próprio episódio e costumam levar a pessoa a questionar seu caráter ou sua identidade, quando, na verdade, um comportamento isolado ou um conteúdo visualizado não define quem você é.
Na psicoterapia, será importante compreender qual é a função dessa culpa, como ela se mantém e quais pensamentos estão alimentando esse sofrimento. Também vale explorar sua relação com a sexualidade, construída ao longo da vida, sem julgamentos e respeitando seu ritmo.
Você já deu um passo importante ao reconhecer que precisa de ajuda. Procure um psicólogo com quem você se sinta respeitada e segura. Uma relação terapêutica baseada em ética, respeito e sem julgamentos faz toda a diferença para que você possa elaborar essa experiência e reduzir esse sofrimento.
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Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro,
Minha filha de 7 anos, tem um panico absurdo mesmo, de ficar travada gritando quando ve um cachorro, um pombo, um gato, etc....Qual especialista devo procurar?
Muito obrigadoRESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O primeiro passo é buscar uma avaliação com um psicólogo infantil. Nessa idade, medos fazem parte do desenvolvimento, mas quando são muito intensos, persistentes e interferem na rotina da criança, podem indicar uma fobia específica ou outra dificuldade relacionada à ansiedade, que merece ser avaliada.
Durante a avaliação, o psicólogo irá compreender quando esse medo começou, em quais situações ele acontece, se houve alguma experiência marcante e como isso tem impactado a vida da sua filha. A partir disso, será possível definir o tratamento mais adequado. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), por exemplo, possui boas evidências para o tratamento de fobias e transtornos de ansiedade na infância.
Se, durante a avaliação, houver necessidade, o psicólogo poderá indicar também uma avaliação com um psiquiatra infantil para complementar o acompanhamento.
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Olá está bem difícil por aqui, pois minha filha está ficando bem irritada , as coisa Tenque ser tudo
Olá está bem difícil por aqui, pois minha filha está ficando bem irritada , as coisa Tenque ser tudo do jeito dela , arruma uma cama tenq ser do jeito que ela bota se muda pronto já faz escândalo começa a jogar os brinquedos pro alto , as vezes que me bater me morde , as vezes colocar uma meia no pé a meia estando certa ela cisma que está errada aí começa o choro os gritos, está bem difícil até na rua agora ela está fazendo essas coisas ela tem 3 anos , ela fica tão irritada aí ponto até da cara dela ficar cm algumas placas vermelhas. Qual especialista devo procurar?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Entendo como essa situação deve estar sendo muito difícil para você e para sua família. Como esses comportamentos têm sido intensos, frequentes e estão acontecendo em diferentes situações (em casa e na rua), o mais indicado é buscar uma avaliação mais completa.
Eu orientaria procurar um **neurologista infantil**, realizar uma **avaliação ** e também iniciar o acompanhamento com um **psicólogo infantil**. Esses profissionais poderão avaliar o desenvolvimento da sua filha, entender o que está acontecendo, verificar se existe algum diagnóstico que explique esses comportamentos e indicar o tratamento mais adequado.
Quanto mais cedo ela for avaliada, maiores são as chances de receber intervenções que ajudem tanto no bem-estar dela quanto na rotina de toda a família.
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Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissiona
Suspeito estar no espectro autista, possuir TDAH, e, potencialmente, depressão. Com qual profissional deveria falar primeiro?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Como há suspeita de mais de uma condição, o ideal é procurar inicialmente um **psicólogo**. Esse profissional poderá realizar uma avaliação clínica para compreender os sintomas, investigar as hipóteses diagnósticas e, quando necessário, solicitar uma **avaliação neuropsicológica**, que pode auxiliar na investigação de condições como o TDAH e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Caso, durante a avaliação, seja identificada a necessidade de tratamento medicamentoso, o psicólogo poderá encaminhá-lo para um **psiquiatra**, que avaliará a indicação e a prescrição dos medicamentos mais adequados. Em muitos casos, o acompanhamento conjunto entre psicólogo e psiquiatra oferece os melhores resultados.
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Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.
Fico lembrando o tempo todo, de pessoas conhecidas que já morreu, fico com sentimento de pena.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Esses pensamentos costumam aparecer em algum momento específico ou surgem ao longo do dia sem um motivo aparente? Quando eles aparecem, você sente apenas tristeza e pena ou eles causam muita angústia, ansiedade ou acabam atrapalhando sua rotina?
Se esses pensamentos têm sido frequentes, causando sofrimento ou interferindo no seu dia a dia, vale a pena procurar uma psicóloga para uma avaliação. A partir dessa compreensão, o profissional poderá identificar o que está acontecendo e, junto com você, definir a melhor forma de cuidado, caso seja necessário.
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Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n
Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Você já recebeu algum diagnóstico de Transtorno de ansiedade ou de Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC)?
Somente com esse relato não é possível dizer se esses pensamentos estão relacionados a algum transtorno. Para que um diagnóstico seja feito, é necessário avaliar um conjunto de sintomas, a frequência com que ocorrem, o sofrimento causado e o impacto na vida da pessoa.
Também é importante considerar que o sofrimento pode estar menos relacionado ao fato de esses pensamentos existirem e mais à forma como você se relaciona com eles. Em alguns casos, quando nos fundimos aos pensamentos e sentimentos, acreditando que precisamos resolvê-los, eliminá-los ou buscar constantemente uma certeza, o sofrimento tende a aumentar.
Se essa culpa, a necessidade de buscar confirmação e esses pensamentos têm sido frequentes e causado sofrimento ou prejuízo na sua vida, vale a pena procurar uma psicóloga para uma avaliação. A partir dessa compreensão, será possível entender melhor o que está acontecendo e definir a melhor forma de cuidado.
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Perguntas frequentes
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Ouvir vozes dentro da cabeça caracteriza alucinaçõses no transtorno esquizoafetivo? Junto com oscila
Esse fenômeno se chama na verdade pseudoalucinações. São vozes dentro da…