Perguntas do paciente (6)

  • Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do

    Olá, tenho 19 anos e estou com depressão profunda que me dificulta com tarefas básicas e em sair do quarto, moro com a minha mãe, mas me sinto estagnada aqui e
    eu queria muito trabalhar, mas deixei oportunidades passar por conta do meu estado, eu passo no caps as vezes e tomo antidepressivo, mas preciso de mais acompanhamento e algo mais efetivo pra sair disso, por isso pensei em internação, mas queria a ajuda de vocês sobre o que posso fazer nessa situação.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Suelen  Ferreira dos Santos

    Olá! Pelo que você relata, percebo que a depressão tem interferido bastante na sua rotina, na sua autonomia e até em projetos importantes, como trabalhar. Quando tarefas básicas e sair do quarto se tornam tão difíceis, é importante não enfrentar esse momento apenas com tentativas isoladas.

    Na psicoterapia, podemos começar com objetivos pequenos e possíveis, trabalhando os pensamentos, emoções e comportamentos que hoje contribuem para esse sentimento de estagnação. Quando estamos deprimidos, até pequenas tarefas podem parecer enormes; por isso, a retomada da rotina costuma ser construída gradualmente, respeitando o momento de cada pessoa.


  • Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente b

    Tenho receio de mostrar certas qualidades minhas por medo da rejeição e por elas serem facilmente bem invejadas no contexto brasileiro como dedicação ao que me proponho a fazer, inteligência, detalhista, pragmático, direto e me preocupar em vestir bem e cuidar de aparência que é um tabu entre os homens. Como diminuir esse medo de rejeição e zombaria social que pode me acometer?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Suelen  Ferreira dos Santos

    Boa noite, como você se sente?

    É importante perceber que muitas das características que você descreve — dedicação, cuidado com a aparência, inteligência, objetividade e atenção aos detalhes — fazem parte da maneira como você se reconhece e deseja se posicionar no mundo. A questão talvez não esteja nessas qualidades, mas no medo do que os outros poderão pensar sobre elas.

    Quando antecipamos rejeição, zombaria ou inveja, podemos começar a modificar nosso comportamento para sermos aceitos: esconder características, evitar situações ou buscar constantemente a aprovação dos outros. Nesse processo, a autoestima pode ficar muito dependente da avaliação externa.

    Um caminho importante é investir em autoconhecimento: reconhecer seus valores e qualidades e, ao mesmo tempo, observar pensamentos como “se eu for diferente, vão me rejeitar” ou “se eu demonstrar quem sou, serei ridicularizado”. Vale se perguntar: que evidências tenho de que isso acontecerá? Isso ocorre em todos os ambientes e com todas as pessoas? O que significaria para mim se alguém não aprovasse meu jeito de ser?

    Fortalecer a autoestima não significa acreditar que todos irão gostar de nós, mas desenvolver segurança suficiente para compreender que a desaprovação de alguém não determina o nosso valor. Na psicoterapia, esse medo pode ser trabalhado identificando os pensamentos e crenças relacionados à rejeição, desenvolvendo habilidades sociais e construindo uma percepção de si menos dependente da validação externa.


  • É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após

    É possível mudar qualquer crença central e qualquer crença intermediária disfuncional? E mesmo após conseguir mudar essas crenças, depois de um tempo elas voltam fazendo com que o paciente tenha recaídas? Se o paciente tem recaídas por conta de que a crença disfuncional antiga voltou, então não é possível mudar crenças disfuncionais para sempre ou por algum tempo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Suelen  Ferreira dos Santos

    Boa noite, como você está!
    Veja, o objetivo não é nunca mais ter um pensamento disfuncional, mas chegar ao ponto em que ele não tenha o mesmo poder de antes sobre nossas emoções, escolhas e comportamentos.

    Uma crença antiga pode até bater à porta novamente; a diferença é que, depois do processo terapêutico, você aprende que não precisa abrir a porta para ela todas as vezes.


  • Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, poré

    Tenho um relacionamento aberto com meu esposo e vem funcionando bem para ambos por alguns anos, porém por vezes surgem dúvidas e dilemas que nos motivaram a querer fazer terapia de casal.
    Estou com receio de marcar com um profissional e não nos sentirmos acolhidos ou compreendidos em nossa dinâmica por sermos abertos.
    A pergunta é: em geral, os terapeutas de casal estão preparados pra acolher essa demanda, ou preciso procurar indicações de quem trabalhe especificamente com esse nicho?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Suelen  Ferreira dos Santos

    Olá casal, como estão?

    Sim, vocês podem buscar terapia de casal e é importante que encontrem um profissional com quem ambos se sintam acolhidos e respeitados.

    Um relacionamento aberto, por si só, não precisa ser entendido como um problema. Na terapia, o olhar pode estar voltado para as dúvidas e dificuldades que estão surgindo dentro da dinâmica que vocês construíram, compreendendo os sentimentos, pensamentos, expectativas, limites e necessidades de cada um.

    O espaço terapêutico não deve ter como objetivo julgar a escolha do casal ou determinar qual modelo de relacionamento é o “correto”, mas favorecer diálogo, autoconhecimento e uma comunicação mais clara entre vocês.

    Inclusive, o fato de essa dinâmica ter funcionado bem durante alguns anos é uma informação importante. Talvez a questão agora seja compreender o que mudou, quais situações passaram a gerar desconforto e como cada um está interpretando essas mudanças.

    Caso se sintam confortáveis, podemos conversar sobre essas questões em um primeiro encontro e compreender juntos quais são as necessidades de vocês neste momento.


  • Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depres

    Como a terapia cognitivo comportamental (TCC) trabalha a baixa autoestima, ansiedade social e depressão juntos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Suelen  Ferreira dos Santos

    Sim. Na Terapia Cognitivo-Comportamental podemos trabalhar essas questões em conjunto, compreendendo como pensamentos, emoções e comportamentos se relacionam.

    Por exemplo, uma pessoa com baixa autoestima pode desenvolver pensamentos como “não sou interessante” ou “as pessoas vão me julgar”. Esses pensamentos podem aumentar a ansiedade nas situações sociais e levar ao afastamento ou à evitação. Com o tempo, esse isolamento também pode contribuir para sentimentos de tristeza, desânimo e solidão.

    Na terapia, buscamos identificar esses padrões, compreender as crenças que os sustentam e construir, gradualmente, formas mais funcionais de pensar, sentir e agir. Também trabalhamos autoestima, habilidades sociais, enfrentamento da ansiedade e retomada de atividades importantes e prazerosas.

    O tratamento é individualizado, porque mais importante do que trabalhar apenas os sintomas é compreender como eles se desenvolveram e se mantêm na história de cada pessoa.


  • Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e c

    Como a TCC trata a depressão, anedonia, falta de motivação, falta de energia, e crenças centrais e crenças intermediárias disfuncionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Suelen  Ferreira dos Santos

    Olá, veja bem…
    Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a depressão é compreendida a partir da interação entre pensamentos, emoções, comportamentos e respostas fisiológicas. Por isso, sintomas como taquicardia, falta de ar, tremores, dor de barriga permanecem durante a crise de ansiedade.

    Na TCC, inicialmente buscamos compreender como a depressão está se manifestando na vida daquela pessoa e quais fatores estão contribuindo para sua manutenção. A falta de energia, a redução da motivação e a anedonia — dificuldade ou perda da capacidade de sentir prazer — podem levar ao afastamento de atividades, pessoas e experiências que antes eram significativas. Esse afastamento, por sua vez, pode contribuir para a manutenção do humor deprimido.

    Por isso, uma das estratégias utilizadas é a ativação comportamental, com a retomada gradual e possível de atividades relacionadas ao autocuidado, prazer, rotina e senso de realização. Não esperamos necessariamente que a motivação apareça primeiro; muitas vezes, pequenas ações planejadas ajudam a reconstruir gradualmente a motivação e o contato com experiências reforçadoras.

    Paralelamente, identificamos os pensamentos automáticos disfuncionais e investigamos as crenças intermediárias e centrais que podem estar relacionadas ao sofrimento, como ideias de desvalor, incapacidade ou desesperança. Essas crenças não são simplesmente substituídas por pensamentos positivos. Elas são examinadas de forma colaborativa, por meio de questionamento socrático, análise de evidências, construção de interpretações mais funcionais e experiências comportamentais.

    Assim, o objetivo da TCC é ajudar o paciente a compreender seu próprio funcionamento cognitivo e comportamental e, gradualmente, desenvolver maneiras mais flexíveis e adaptativas de interpretar as situações, relacionar-se consigo mesmo e agir diante das dificuldades.


Perguntas frequentes

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