Perguntas do paciente (5)

  • É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter? Ontem eu estava acordando, ainda c

    É possível termos sentimentos ou sensações que não queremos ter?

    Ontem eu estava acordando, ainda com muito sono, em tinha aberto os olhos ainda, quando do nada me veio na cabeça um cara que um dia gostei e sorri. Assim que abri os olhos, pensei: “Ué, mas eu nem gosto mais dele. Essa pessoa me fez passar por coisas ruins, então por que eu tive essa reação?”

    Passei o dia remoendo isso e me sentindo culpada, porque eu sei que não gosto mais dele e não quero voltar a ficar com ele. Mas aquele momento me fez questionar se uma reação espontânea pode significar alguma coisa.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Tatiane Wendrechovski Corrêa

    Uma lembrança, um sonho ou uma reação espontânea pode surgir a partir de conteúdos inconscientes e de experiências que deixaram marcas afetivas. Sorrir ao lembrar de alguém, especialmente naquele estado entre o sono e o despertar, não significa necessariamente que você ainda goste dessa pessoa ou queira retomar a relação. Pode ser apenas uma associação, uma memória afetiva ou algo daquela experiência que ainda possui algum significado psíquico para você.

    Na perspectiva Junguiana, em vez de tentar eliminar ou julgar imediatamente aquilo que surgiu, podemos perguntar: “O que essa lembrança despertou em mim?”
    Talvez o conteúdo diga menos sobre aquela pessoa hoje e mais sobre uma fase da sua vida, uma necessidade, um sentimento ou uma parte de você associada àquela história.

    E um ponto importante: sentir algo espontaneamente não é o mesmo que escolher, desejar ou agir. A culpa e a necessidade de encontrar uma certeza absoluta sobre o significado daquela reação podem, inclusive, gerar mais sofrimento do que a própria lembrança.

    Na psicoterapia, podemos aprender a observar esses conteúdos com mais curiosidade e menos julgamento, buscando compreender o que eles representam na nossa história.


  • Na visão da TCC e da neurociência, repetir afirmações positivas e repetir pensamentos positivos todo

    Na visão da TCC e da neurociência, repetir afirmações positivas e repetir pensamentos positivos todos os dias, modifica ou cria novas crenças crenças centrais e crenças intermediárias? Pois a cada pensamento e cada palavra que repetimos, cria novas conexões neurais no cérebro fazendo com que modifique ou crie novas crenças? repetir essas afirmações e esses pensamentos todos os dias, cria ou modifica essas crenças centrais e intermediárias?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Tatiane Wendrechovski Corrêa

    Na perspectiva da neurociência, repetir afirmações ou pensamentos positivos, por si só, não é suficiente para transformar crenças profundas. Nosso cérebro possui neuroplasticidade, ou seja, capacidade de modificar e fortalecer conexões a partir das experiências e aprendizagens ao longo da vida. Mas isso não significa que cada pensamento repetido automaticamente crie uma nova crença.

    Aquilo em que acreditamos sobre nós mesmos e sobre o mundo é construído por uma combinação de experiências, emoções, relações, interpretações e comportamentos. Por isso, repetir “eu sou capaz”, por exemplo, pode ter pouco efeito se, internamente, a pessoa continua vivendo e interpretando suas experiências a partir da ideia de que não é capaz.

    A repetição pode participar da aprendizagem, mas mudanças mais consistentes acontecem quando existem novas experiências, novas formas de compreender o que vivemos e comportamentos que ofereçam ao cérebro evidências diferentes das anteriores.

    Então, não se trata apenas de “pensar positivo”. Nosso cérebro aprende principalmente a partir daquilo que vivemos, sentimos, interpretamos e repetimos na prática.


  • Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    Como ser uma pessoa interessante e atraente pra mim mesmo e por consequência pros outros?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Tatiane Wendrechovski Corrêa

    Ser uma pessoa interessante para si mesma começa por desenvolver uma relação de curiosidade e respeito por quem você é, e não por tentar se tornar alguém que agrade aos outros.

    Conhecer seus interesses, valores, desejos e limites, experimentar coisas novas, cultivar vínculos, cuidar de si e aprender a aproveitar a própria companhia são caminhos importantes. Quando você constrói uma vida que faz sentido para você, tende a se posicionar nas relações com mais autenticidade e segurança.

    Na psicoterapia, esse processo pode ser aprofundado ao compreender padrões, inseguranças e expectativas que, muitas vezes, fazem com que o nosso valor dependa excessivamente do olhar do outro.


  • Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço

    Tenho problemas com ansiedade, mas minha ansiedade parece estar ligada ao meu perfeccionismo (traço de personalidade que tenho desde muito tempo). Geralmente quando não consigo ter certeza absoluta de tudo, sinto desconforto e ansiedade. Mas... como já tenho comportamentos obsessivos por causa do perfeccionismo e percebi que também sou impulsivo em meio a incerteza, gostaria de saber: quando devo começar a suspeitar de TOC?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Tatiane Wendrechovski Corrêa

    O perfeccionismo pode estar relacionado à ansiedade sem necessariamente indicar TOC. No Transtorno Obsessivo-Compulsivo, geralmente observamos pensamentos, imagens ou impulsos intrusivos e recorrentes que provocam sofrimento e/ou comportamentos ou rituais realizados para tentar aliviar essa ansiedade ou evitar algo temido.

    Um ponto importante é perceber o quanto esses pensamentos e comportamentos estão ocupando seu tempo, causando sofrimento ou interferindo na sua rotina, nos relacionamentos e nas suas escolhas.

    Como ansiedade, perfeccionismo, necessidade de controle e TOC podem apresentar características que se confundem, uma avaliação individual é importante para compreender o que está acontecendo no seu caso. Na psicoterapia, podemos investigar esses padrões, seus gatilhos e a forma como você reage às incertezas, sem partir de um diagnóstico precipitado.

    Se isso tem trazido sofrimento ou limitado sua vida, já é um motivo válido para buscar acompanhamento psicológico.


  • Minha namorada sente muito ódio da minha ex, isso está afetando nosso relacionamento por consequênci

    Minha namorada sente muito ódio da minha ex, isso está afetando nosso relacionamento por consequência ela está distante do meu filho também o que eu faço?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Tatiane Wendrechovski Corrêa

    Essa é uma situação realmente delicada, e é compreensível que você se sinta dividido entre o relacionamento atual e o bem-estar do seu filho. O sentimento de ódio da sua namorada em relação à sua ex pode estar refletindo inseguranças, ciúmes ou questões não resolvidas — mas quando isso começa a afetar o vínculo com o seu filho, é importante parar e refletir com calma.
    Seu filho não é responsável pela sua história anterior, e precisa ser acolhido com respeito e afeto, independentemente do passado. O ideal seria abrir um espaço de diálogo com sua parceira, com empatia, mas também com clareza: explicar que seu filho faz parte da sua vida, e que o afeto e o respeito por ele não são opcionais, são essenciais.
    Talvez vocês precisem conversar sobre limites, expectativas e até sobre inseguranças que estejam por trás desse comportamento. E se sentir que não conseguem avançar sozinhos, buscar ajuda profissional pode ser um passo importante para equilibrar esse relacionamento e proteger o vínculo familiar.
    Cuidar desse assunto agora é uma forma de preservar a saúde emocional de todos os envolvidos — inclusive da relação de vocês.


Perguntas frequentes

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