Perguntas do paciente (48)
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Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por d
Tenho 19 anos e, há cerca de 1 mês e meio, comecei a ter episódios diários (cerca de 4–5 vezes por dia) em que surgem “flashes” muito rápidos e involuntários de tragédias, acidentes, assassinatos ou mortes envolvendo pessoas ao meu redor ou, às vezes, eu mesmo. Eles aparecem do nada, em qualquer lugar (rua, trabalho, casa), duram apenas alguns segundos e, enquanto acontecem, fico totalmente focado neles, como se estivesse vendo mentalmente a cena. Só percebo que foi um pensamento depois que acaba. Às vezes paro o que estou fazendo e, em algumas situações, acabo conferindo ou fazendo algo simples para evitar que aquilo possa acontecer (por exemplo, trancar a porta antes de dormir), porque fico com a sensação de “e se acontecer?”.
Além disso, quando eu era criança (menos de 10 anos), tive episódios em que, acordado, via uma “bola gigante”, via espinhos na parede e sentia uma sensação muito estranha de estar preso ou pressionado, como se meu corpo estivesse sem espaço. Às vezes eu levantava desesperado, andava em círculos e chamava minha mãe porque aquilo parecia muito real. Esses episódios desapareceram. Por volta dos 12–14 anos, passei por uma fase em que tinha uma sensação constante de que seria morto ou assassinado a qualquer momento. Isso também passou. Há cerca de 6 meses, a sensação de pressão e a “bola gigante” voltaram 1 a 3 vezes e desapareceram novamente.
Recentemente também tive um sonho extremamente realista em que levei um tiro na região do pescoço/cabeça, caí no chão, minha visão ficou muito prejudicada (como um clarão), tentei pedir socorro e acordei muito assustado.
Gostaria de saber que tipo de condição ou investigação poderia explicar esse conjunto de sintomas e qual profissional seria o mais indicado para avaliar esse caso.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O seu relato traz uma linha do tempo muito rica e detalhada, mostrando que o seu sistema nervoso tem uma tendência histórica a reagir ao estresse através de duas frentes: distorções de percepção física (quando criança e aos 12 anos) e hipervigilância mental (atualmente).
Unindo a TCC e a Análise do Comportamento, dividimos esse conjunto de sintomas em três engrenagens que explicam o que pode estar acontecendo:
- Os "Flashes" e Conferências Atuais (Suspeita de TOC): Essas imagens involuntárias de tragédias e mortes funcionam na TCC como Pensamentos Intrusivos (Obsessões). O problema começa quando você cai na armadilha do "e se acontecer?". Para aliviar o medo esmagador, você realiza uma ação de checagem (como trancar a porta). Na Análise do Comportamento, isso é uma esquiva: traz alívio imediato (reforço negativo), mas ensina seu cérebro que o perigo era real, fazendo com que os flashes voltem com mais força (4 a 5 vezes por dia).
- A "Bola Gigante" e a Pressão (Suspeita de Distorção Sensorial): Ver objetos gigantes, espinhos e sentir o corpo esmagado na infância — e que retornaram há 6 meses — aponta fortemente para a Síndrome de Alice no País das Maravilhas (AIWS). Trata-se de uma alteração neurológica temporária de percepção espacial e corporal, muito comum em jovens sob alta ansiedade, privação de sono ou quadros de enxaqueca silenciosa. O sonho vívido com o tiro e o clarão também indica uma forte reatividade cerebral durante o limiar do sono.
A Fase dos 12-14 anos: O medo constante de ser assassinado indica um período de hiperresponsabilidade, onde o cérebro, sob estresse, passa a escanear o ambiente em busca de ameaças extremas para tentar se proteger.
Quais profissionais procurar para investigar?Por se tratar de um quadro misto (visuoperceptivo e obsessivo), o direcionamento padrão-ouro exige uma abordagem multidisciplinar:
1- Neurologista: Deve ser o seu primeiro passo. É fundamental relatar as visões da infância, a sensação de pressão e o clarão do sonho. O médico solicitará exames clínicos (como Eletroencefalograma e Ressonância do Crânio) para descartar qualquer atividade elétrica atípica (como pequenos focos de epilepsia benigna do lobo temporal, que costumam mimetizar esses medos súbitos e distorções visuais) antes de fechar um diagnóstico psiquiátrico.
2- Psiquiatra: Avaliará o padrão dos flashes diários e a ansiedade de checagem. Se necessário, ele prescreverá moduladores de ansiedade modernos que ajudam a "limpar" a mente dessas imagens intrusivas, devolvendo sua estabilidade neuroquímica.
3- Psicólogo (TCC + Análise do Comportamento): Após a exclusão de causas neurológicas, a terapia vai te ensinar a técnica de Exposição e Prevenção de Resposta. Você aprenderá a olhar para o flash de tragédia e tolerar a dúvida sem realizar o comportamento de conferência (o ritual). Isso recondiciona o cérebro e quebra a força das imagens.
Anote essa ordem cronológica perfeita que você escreveu e apresente-a na sua primeira consulta médica. Todos esses sintomas têm tratamentos altamente eficazes.
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Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento. Há alguns anos comet
Olá. Tenho TOC diagnosticado e uma dúvida que tem me causado muito sofrimento.
Há alguns anos cometi uma infidelidade com uma pessoa do meu passado. Meu companheiro me perdoou e seguimos juntos, mas eu nunca consegui me perdoar.
Recentemente imaginei como minha vida poderia ter sido se eu tivesse ficado com essa pessoa. Foi apenas um pensamento hipotético, e logo pensei que sou feliz no meu relacionamento atual. Mesmo assim, senti uma culpa muito intensa, como se esse pensamento significasse que fiz algo errado novamente.
Esse tipo de pensamento pode ser uma manifestação do TOC ou pode indicar que ainda tenho algum sentimento por essa pessoa? Como lidar com essa culpa?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá. A resposta mais importante para aliviar o seu sofrimento agora é: sim, esse pensamento é uma manifestação clássica do seu TOC e não significa que você tem sentimentos românticos por essa pessoa do passado. A sua mente ansiosa está usando um erro real que já foi perdoado para criar uma nova armadilha de sofrimento.
Aliando a TCC e a Análise do Comportamento, explicamos e tratamos esse ciclo sob quatro pontos fundamentais:
- A Fusão Pensamento-Ação (TCC): O TOC faz você acreditar que ter um pensamento hipotético ("como seria se...") é a mesma coisa que trair novamente na vida real. Em um cérebro sem TOC, esse pensamento entra e sai sem relevância. No seu cérebro, a ideia aciona um alerta de perigo, fazendo você interpretar a curiosidade natural humana como uma "nova traição moral". Daí nasce essa culpa violenta.
- A Função da Culpa como Ritual Mental (Análise do Comportamento): Sentir uma culpa intensa e ficar tentando "provar" para si mesma que é feliz no namoro atual funciona, na verdade, como um ritual de checagem mental. Toda vez que o pensamento do passado surge, você entra em pânico e começa a revisar seus sentimentos para garantir que ama seu parceiro. Essa ruminação traz um alívio temporário, mas valida o medo, fazendo o cérebro repetir o pensamento obsessivo.
- Curiosidade não é Sentimento: Imaginar cenários alternativos para a própria vida aos 20, 30 ou 40 anos é um processo cognitivo normal de qualquer ser humano. Pensar em como teria sido o passado não anula a sua escolha consciente e diária de construir o seu relacionamento atual. O amor é um comportamento voluntário de cuidado e lealdade, e não a ausência de pensamentos aleatórios na sua cabeça.
- Como lidar com essa culpa na prática? O segredo não é tentar "esquecer" o pensamento ou lutar contra ele. Na terapia, usamos a Exposição e Prevenção de Resposta (EPR). Quando a imagem do passado ou a dúvida surgirem, aprenda a dizer mentalmente: "Ok, este é apenas mais um pensamento do meu TOC. Eu não preciso responder a ele, não preciso me culpar e não preciso me certificar de nada". Deixe o desconforto subir e descer sozinho, sem realizar a checagem mental.
O perdão do seu parceiro já aconteceu no mundo real; agora falta desarmar o tribunal que o TOC montou dentro da sua cabeça. A psicoterapia científica oferece as ferramentas exatas para você parar de punir a si mesma por pensamentos involuntários e recuperar a paz no seu relacionamento.
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Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gosta
Sou diagnosticada com TDAH e Bipolaridade e sempre fiz TCC, mas nao sinto que me ajuda muito. Gostaria de saber se a Terapia DBT é adequada, mesmo que eu não tenha borderline.
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, a Terapia Dialética Comportamental (DBT) é super adequada para o seu caso, mesmo que você não tenha Borderline, pois hoje ela é muito usada para qualquer quadro de alta desregulação emocional e impulsividade, como o TDAH e a Bipolaridade.
No entanto, como psicóloga especialista em TCC e Análise do Comportamento, quero te mostrar que a insatisfação com as suas terapias anteriores pode ter ocorrido porque focaram apenas em uma TCC tradicional de "mudar pensamentos". Para quem tem TDAH e Bipolaridade, tentar racionalizar no meio de uma oscilação biológica de humor ou de uma crise de distração não funciona. O que você precisa é de uma terapia focada em comportamento e ambiente.
Aliando a TCC com a Análise do Comportamento de forma contemporânea, nós resolvemos as suas lacunas através de três pilares práticos:
- Manejo de Contingências e Engenharia Ambiental (Para o TDAH): Em vez de exigir que sua mente tenha uma força de vontade que a biologia do TDAH dificulta, nós redesenhamos a sua rotina e o seu ambiente físico/digital. Criamos estruturas externas de suporte e dividimos as tarefas em micro-metas com recompensas imediatas (reforçamento) para treinar seu foco de forma visual e realista.
- Mapeamento de Vulnerabilidade e Ações Inversas (Para a Bipolaridade): O Transtorno Bipolar exige medicação (estabilizadores de humor com seu psiquiatra), e a terapia entra para te ensinar a mapear os primeiríssimos sinais físicos de mudança de polo (mania ou depressão). Treinamos você a identificar quando o seu corpo quer se isolar ou agir por impulso para que você aplique comportamentos intencionais de proteção antes que a crise se consolide.
- Treino de Habilidades de Aceitação: Assim como na DBT, nas abordagens comportamentais contextuais nós te ensinamos a parar de lutar contra a sua própria biologia. O foco muda de "preciso consertar o que sinto" para "como posso construir uma vida funcional e organizada mesmo tendo oscilações".
A terapia para TDAH e Bipolaridade precisa ser um treino prático de hábitos e regulação do corpo, e não apenas uma sessão de desabafo ou conversas abstratas. Se os seus tratamentos anteriores pareceram ineficazes, vale a pena dar uma chance para uma abordagem puramente comportamental e focada na ação.
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Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém. Recorro a porno eventualmente (fico meses s
Sou mulher, 45 anos e sem experiência sexual com alguém.
Recorro a porno eventualmente (fico meses sem acessar, não tenho vontade).
Em 2015 me deparei com vídeos mais bizarros, como de zoo por exemplo e parei ali mesmo. Mas isso desencadeou uma crise enorme em mim.
Na época procurei ajuda com um terapeuta sexual, mas depois que relatei o que estou dizendo aqui, a primeira pergunta dele foi: Ninguém nunca quis transar com você?! Não voltei mais.
Desde 2021 sou acompanhada por uma psiquiatra, diagnosticada com depressão e ansiedade.
Minha libido é baixa, mas semana passada, por tédio, resolvi ver alguma coisa e me deparei novamente com algo bizarro. Se fiquei 5min foi muito, perdi a vontade na hora e desde então estou muito mal.
Me sinto culpada, suja, angustiada. Como uma viciada com recaída depois de 11 anos.
Sei que preciso de terapia, mas podem me dar uma luz, por favor?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Acolho com imenso respeito o seu relato. A primeira coisa que você precisa ouvir e internalizar com todas as suas forças é: a conduta daquele terapeuta em 2015 foi antiética, violenta e completamente errada. O fato de você não ter tido experiências sexuais com outras pessoas aos 45 anos é uma vivência sua que merece respeito, e não um julgamento que invalide a sua dor. Você fez certíssimo em nunca mais voltar ali.
O que você está vivenciando hoje não é um "vício em pornografia bizarra" e nem significa que você é uma pessoa ruim. Unindo a TCC e a Análise do Comportamento, explico o mecanismo da sua angústia em quatro pontos:
-O Mecanismo do Choque e o Pânico Moral: A sua libido é baixa e o seu consumo é raríssimo (passa meses sem ver). Isso prova que você não buscou o vídeo por desejo pelo fetiche bizarro, mas sim por tédio ou curiosidade automática. O algoritmo da internet é desenhado para prender a atenção usando o choque. Quando você clicou e viu algo repugnante, seu corpo entrou em estado de choque e nojo. O problema é que a sua mente ansiosa interpretou esse choque visual como se fosse um crime que você cometeu.
- A Armadilha da Culpa e a Falsa Recaída (TCC): Você se sente "suja como uma viciada em recaída", mas essa conclusão é uma distorção cognitiva. Ficar 5 minutos, sentir aversão e fechar a tela é o comportamento oposto ao vício. O viciado busca o estímulo para ter prazer; você experimentou repulsa imediata. A sua angústia atual não é pelo ato em si, mas pela culpa moral de ter deparado com algo que viola os seus valores mais profundos.
- A Função do Tédio (Análise do Comportamento): Em análise do comportamento, o tédio é um estado de privação de estímulos prazerosos na rotina. Quando estamos entediados, o cérebro busca qualquer comportamento de fuga rápida na internet. A pílula de ansiedade e depressão que você trata com a psiquiatra também altera a química da sua motivação. O clique foi apenas um comportamento mecânico de busca por distração, que infelizmente caiu em um link ruim.
- O Trauma de 2015 Reativado: A crise atual está tão gigante porque esse novo episódio reabriu a ferida de 2015. O seu cérebro associou o clique de semana passada com a invalidação terrível que você sofreu daquele terapeuta no passado, disparando uma crise de ansiedade retroativa.
A luz que você precisa agora:
Você não é suja, você não é criminosa e você não quebrou um jejum de vício. Você é uma mulher que trata ansiedade e depressão e que, por acidente de percurso no tédio da internet, deparou-se com o lado feio da rede e sentiu o nojo que qualquer pessoa saudável sentiria.
O caminho para reverter essa angústia é a psicoterapia científica (TCC + Análise do Comportamento) focada em acolhimento e regulação emocional. Procure um profissional que te passe segurança ética. Nós vamos te ajudar a desarmar esse tribunal interno, separar o que é um clique acidental da sua verdadeira identidade e devolver a paz que você merece. O seu caráter está intacto.
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Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando
Sinto que depois que minha esposa engravidou eu comecei a ficar mais tempo preso ao celular rolando feed, depois de um tempo comecei a buscar tbm uma necessidade em pornografia que acabou se tornando uma compulsão, olhava no trabalho ou sempre que ela não estava por perto, qual a melhor ajuda profissional a se buscar e geralmente como é o tratamento?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A transição para a paternidade gera uma ansiedade invisível sobre o futuro e muda a intimidade do casal. O vício no celular e na pornografia não nasceu do nada; ele é um clássico comportamento de esquiva (uma anestesia rápida) para fugir do estresse desse novo momento.
Qual profissional buscar?
O ideal é um Psicólogo especialista em TCC e Análise do Comportamento. Em casos de alta impulsividade, o suporte conjunto de um Psiquiatra pode ajudar no controle inicial da ansiedade.
Como funciona o tratamento?
- Controle de Estímulos: Criamos barreiras digitais (bloqueadores no celular/trabalho) e mudamos o acesso ao aparelho nos momentos em que você fica sozinho.
- Mapeamento de Gatilhos: Identificamos os pensamentos e sentimentos (medo de não dar conta, solidão, tédio) que disparam o impulso de abrir a tela.
- Substituição de Hábitos: Trocamos a descarga artificial de dopamina por novos comportamentos saudáveis focados na sua rotina e na preparação para a chegada do bebê.
- Manejo da Ansiedade (TCC): Ensinamos você a enfrentar os medos da paternidade em vez de fugir deles para a tela.
A compulsão é um hábito aprendido que pode ser totalmente recondicionado. Buscar ajuda agora vai te permitir viver a paternidade com a mente limpa e presente.
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Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, n
Há alguns anos cometi uma infidelidade no meu relacionamento. Meu parceiro soube de tudo na época, nós conversamos sobre o assunto e ele decidiu me perdoar. No entanto, eu não consigo me perdoar. Frequentemente surgem lembranças daquele período, acompanhadas de culpa e remorso intensos. Mesmo já tendo contado o que aconteceu, sinto uma necessidade constante de voltar ao assunto e confirmar se ele realmente me perdoa, como se eu precisasse repetir a história ou acrescentar detalhes para ter certeza disso. Essa necessidade me causa muito sofrimento. Isso pode estar relacionado à ansiedade ou ao TOC? É possível superar essa culpa e essa necessidade de buscar confirmação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O seu sofrimento descreve com precisão como o TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo) e a ansiedade se alimentam de um erro real do passado. O problema atual não é a infidelidade — resolvida no mundo real —, mas sim o tribunal mental que se recusa a fechar o caso.
Unindo a TCC e a Análise do Comportamento, dividimos esse ciclo em três pontos:
- Busca por Reasseguramento (Compulsão): Voltar ao assunto, dar detalhes e pedir confirmação de perdão são rituais para aliviar a culpa. Eles trazem um alívio de cinco minutos, mas validam o medo e fazem a dúvida voltar com mais força depois.
- Intolerância à Incerteza: O TOC exige uma certeza de 100% sobre o que o outro sente. Como essa garantia absoluta e permanente não existe, você fica presa em um ciclo infinito de checagem.
- Desgaste do Vínculo: Toda vez que você ressuscita o assunto para aliviar a sua ansiedade, obriga seu parceiro a reviver a dor do que passou, machucando a relação.
É possível superar? Sim. Na terapia, usamos a Prevenção de Resposta: treinamos você a cortar o ritual de pedir confirmação ou confessar. Quando a culpa vier, você aprenderá a tolerar o desconforto até ele baixar sozinho, sem transferir o peso para o outro.
O arrependimento saudável melhora suas atitudes no presente; a culpa do TOC apenas destrói o que você construiu. O perdão dele já aconteceu; a psicoterapia vai te ajudar a construir o seu.
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Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no t
Meu namorado diz que não é viciado em pornografia,mas recentemente descobri que ele assisti até no trabalho ou simplesmente se eu ficar fora de casa 2,3 h, isso me deixou um pouco triste e confusa, seria uma compulsão ou é coisa da minha cabeça?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Não, definitivamente não é "coisa da sua cabeça". O seu sentimento de tristeza e confusão é totalmente legítimo diante do que você descobriu.
Sob a ótica da Análise do Comportamento e da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), o diagnóstico de um vício ou compulsão não depende apenas do que a pessoa diz, mas sim da função e do impacto que aquele comportamento tem na vida dela.
Para entendermos se esse padrão está caminhando para uma compulsão, analisamos os seguintes fatores clínicos:
- Perda de Controle e Contexto (Análise do Comportamento): Assistir pornografia no ambiente de trabalho ou em janelas curtíssimas de tempo (como uma ausência de 2 a 3 horas) mostra que o comportamento perdeu o "filtro" do contexto adequado. Quando a pessoa consome o conteúdo mesmo sabendo dos riscos (como ser demitida ou prejudicar a relação), há um forte indício de que o comportamento se tornou inflexível e automático.
- Função do Comportamento (Esquiva Emocional): Muitas vezes, a pornografia em excesso funciona como uma estratégia disfuncional para anestesiar sentimentos ou lidar com o estresse, o tédio, a ansiedade ou a pressão do trabalho. O comportamento se mantém porque traz um alívio (reforço) imediato para essas demandas emocionais, embora gere prejuízos a longo prazo.
- Impacto no Relacionamento (TCC): Se essa prática está quebrando acordos implícitos ou explícitos do casal, gerando distanciamento e causando sofrimento a você, ela já está gerando um impacto disfuncional na dinâmica da relação.
O que fazer a partir disso:
O primeiro passo é sair do campo das suposições e estabelecer um diálogo franco. É importante expressar como essa descoberta impactou você (comunicação assertiva), sem focar apenas na acusação, mas apontando os fatos encontrados.Se ele demonstrar dificuldade em reduzir o consumo, se houver irritabilidade ao tentar parar ou se o impacto na relação continuar crescendo, o ideal é buscar ajuda profissional. A psicoterapia individual ou a terapia de casal são ferramentas fundamentais para avaliar essas variáveis e restabelecer o equilíbrio e a confiança.
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Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixon
Recebi pouco afeto na minha criação, percebo que às vezes tenho dificuldade de ver quando me apaixono por alguém e uma vez percebi que gostei de uma pessoa quando ele cortou o contanto quando tive uma coragem pra falar com ele. É possível eu conseguir não só amar como também identificar com mais facilidade esse sentimento e qual seria a relação de amar com a força pra seguir nas minhas metas pessoais?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sim, é perfeitamente possível aprender a identificar o amor com mais facilidade e desenvolver relações saudáveis, mesmo que a sua história de vida tenha sido marcada pela escassez de afeto.
Abaixo, explico como a Análise do Comportamento e a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) compreendem a sua vivência e as suas duas dúvidas principais:
1. Por que é difícil identificar o sentimento e como mudar isso?
- A falta de repertório: Nós aprendemos a nomear nossas emoções a partir do que vivenciamos na infância. Se você recebeu pouco afeto, seu organismo não foi treinado para identificar os sinais sutis do "apaixonar-se".
- O comportamento de esquiva: Quando você só percebeu que gostava da pessoa após o afastamento dela, isso reflete um mecanismo de defesa. Muitas vezes, a mente bloqueia o sentimento enquanto a pessoa está por perto para protegê-la da rejeição (esquiva). Quando o outro se afasta, o ambiente fica "seguro" para o sentimento finalmente emergir, pois o risco da entrega real já não existe.
- Como melhorar: Identificar o amor é uma habilidade emocional que pode ser treinada. Na terapia, você aprende a observar os seus sinais corporais, seus pensamentos e seus comportamentos quando está com alguém, aumentando sua consciência emocional antes que o distanciamento aconteça.
2. Qual a relação entre o amor e a força para seguir metas pessoais? Na psicologia, entendemos o amor saudável como um poderoso reforçador positivo e uma base de apego seguro:
- Validação e suporte: Quando nos sentimos amados de verdade, nossa ansiedade diminui e nossa autoconfiança aumenta.
- Combustível para metas: O afeto seguro funciona como um "porto seguro". Sabendo que temos uma base sólida e afetuosa para onde voltar, ganhamos mais coragem e energia (força motriz) para explorar o mundo, assumir riscos profissionais e correr atrás das nossas metas pessoais. O amor não nos distrai da nossa vida; ele nos ancora para que possamos voar mais alto.
- O caminho a seguir: Curar as feridas da criação e reaprender a amar exige o fechamento de ciclos passados.
A psicoterapia foca justamente em reestruturar essas crenças de desamor e treinar novas formas de se relacionar, permitindo que você sinta e viva o afeto de forma consciente e plena.
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Perguntas frequentes
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Estou querendo tomar chá de unha de gato e uxi amarelo porem tomo sertralina. Posso tomar ?
Não existem estudos clínicos de boa qualidade que garantam a segurança da…