Perguntas do paciente (9)

  • Como o pensamento dicotômico afeta os relacionamentos de uma pessoa com Transtorno de Personalidade

    Como o pensamento dicotômico afeta os relacionamentos de uma pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago da Costa Coelho

    Olá!

    O pensamento dicotômico, também conhecido como “tudo ou nada” ou “preto e branco”, é uma forma de pensar muito comum em pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Esse padrão faz com que as situações e as pessoas sejam vistas de forma extrema — totalmente boas ou totalmente ruins — sem nuances intermediárias.

    Nos relacionamentos, isso pode causar instabilidade emocional e conflitos, pois a percepção sobre o outro pode mudar rapidamente. Em um momento, o parceiro pode ser idealizado e, logo depois, desvalorizado diante de uma frustração ou mal-entendido. Essa oscilação gera sofrimento tanto para quem tem o transtorno quanto para quem se relaciona com a pessoa.

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e, principalmente, a Terapia Comportamental Dialética (DBT) são abordagens eficazes para ajudar a reconhecer esses padrões e desenvolver uma forma de pensar e se relacionar mais equilibrada e estável.

    — Thiago Costa
    Psicólogo | Terapia Cognitivo-Comportamental


  • A ansiedade social me deixa muito irritada na rua, e em meio de pessoas, como enfrentar com calma?

    A ansiedade social me deixa muito irritada na rua, e em meio de pessoas, como enfrentar com calma?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago da Costa Coelho

    Olá!

    A irritação em situações sociais é uma reação comum em quem vive com ansiedade social. Isso acontece porque o corpo entra em um estado de alerta intenso, interpretando o ambiente como uma possível ameaça. Essa tensão constante pode gerar impaciência, irritabilidade e até vontade de se isolar.

    Para enfrentar esses momentos com mais calma, é importante reconhecer os sinais físicos e mentais da ansiedade e aplicar estratégias de regulação emocional. Técnicas como respiração diafragmática, atenção plena (mindfulness) e reestruturação de pensamentos ajudam a reduzir a reatividade e recuperar o autocontrole.

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é bastante eficaz nesses casos, pois trabalha tanto as crenças que alimentam o medo do julgamento quanto as habilidades sociais e de enfrentamento. Com o tempo e o acompanhamento certo, é totalmente possível aprender a lidar com esses ambientes de forma mais tranquila.

    — Thiago Costa
    Psicólogo | Terapia Cognitivo-Comportamental


  • É normal um casal com 60 anos de idade ter ficado 20 anos sem fazer sexo?

    É normal um casal com 60 anos de idade ter ficado 20 anos sem fazer sexo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago da Costa Coelho

    Olá!

    Sim, é possível que um casal nessa faixa etária passe longos períodos — até mesmo anos — sem ter relações sexuais, e isso não significa necessariamente um problema, desde que ambos estejam confortáveis com a situação.

    A sexualidade muda ao longo da vida. Fatores como mudanças hormonais, condições de saúde, uso de medicamentos, questões emocionais e o próprio estilo de relacionamento podem influenciar o desejo e a frequência sexual. Em muitos casos, o vínculo afetivo, o companheirismo e a intimidade emocional passam a ter um peso ainda maior que o ato sexual em si.

    Por outro lado, se a falta de vida sexual gera sofrimento, distanciamento ou insegurança em um dos parceiros, pode ser importante conversar sobre o assunto e, se necessário, buscar apoio psicológico ou sexológico. A terapia de casal ou o acompanhamento com um psicólogo especializado em sexualidade pode ajudar a resgatar o diálogo e redescobrir novas formas de conexão.

    — Thiago Costa
    Psicólogo | Terapia Cognitivo-Comportamental


  • Quais são os tratamentos eficazes para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) com pensamentos intru

    Quais são os tratamentos eficazes para o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) com pensamentos intrusivos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago da Costa Coelho

    Olá!

    O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), especialmente quando envolve pensamentos intrusivos, costuma gerar muito desconforto, mas felizmente existem tratamentos bastante eficazes.

    A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é considerada a abordagem mais indicada. Dentro dela, utilizamos uma técnica chamada Exposição e Prevenção de Resposta (EPR), que ajuda a pessoa a enfrentar os pensamentos e sensações sem realizar rituais mentais ou comportamentais para aliviá-los. Com o tempo, isso reduz a força e a frequência das obsessões, promovendo mais controle e alívio.

    Em alguns casos, o tratamento pode ser complementado com medicação antidepressiva da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), sempre com acompanhamento psiquiátrico. A combinação de psicoterapia e medicação costuma trazer os melhores resultados.

    O mais importante é lembrar que o TOC tem tratamento e que buscar ajuda especializada faz toda diferença na qualidade de vida.

    — Thiago Costa
    Psicólogo | Terapia Cognitivo-Comportamental


  • O que é "alternância de tarefas" e por que é um desafio no autismo?

    O que é "alternância de tarefas" e por que é um desafio no autismo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago da Costa Coelho

    Olá!

    A alternância de tarefas é a capacidade de mudar o foco de atenção ou atividade de forma flexível, passando, por exemplo, de uma tarefa para outra ou adaptando-se a uma mudança inesperada de rotina.

    No caso do Transtorno do Espectro Autista (TEA), essa habilidade pode ser um desafio porque muitas pessoas autistas têm um funcionamento cognitivo mais rígido e previsível, o que faz com que mudanças repentinas gerem desconforto, ansiedade ou até reações intensas. Essa dificuldade está relacionada a diferenças na função executiva do cérebro, que envolve planejamento, flexibilidade mental e controle atencional.

    Por isso, alternar tarefas — como interromper uma atividade de interesse para fazer outra menos estimulante — pode causar resistência ou sobrecarga sensorial.

    Na prática terapêutica, é importante trabalhar a previsibilidade e o preparo para as transições, usando recursos como rotinas visuais, avisos prévios e reforço positivo. Essas estratégias ajudam a tornar as mudanças mais compreensíveis e seguras para a pessoa no espectro.

    — Thiago Costa
    Psicólogo | Terapia Cognitivo-Comportamental


  • A Logoterapia pode ajudar a prevenir o bullying? .

    A Logoterapia pode ajudar a prevenir o bullying? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago da Costa Coelho

    Sim — a logoterapia pode contribuir para prevenir o bullying, mas de forma indireta.
    Ela faz isso ao trabalhar três pontos essenciais:

    1. Fortalecimento do sentido de vida e do autovalor

    Quando a pessoa se conecta com valores, propósito e sentido, ela desenvolve uma identidade mais sólida. Isso tende a reduzir inseguranças, aumentar autoestima e diminuir a chance de se tornar alvo fácil para comportamentos agressivos.

    2. Melhoria da resiliência emocional

    A logoterapia ajuda a pessoa a lidar com sofrimento de forma mais madura, entendendo que a dor é parte da experiência humana. Isso não justifica o bullying, claro — mas fortalece a capacidade de enfrentamento.

    3. Promoção de empatia e responsabilidade existencial

    Para quem pratica bullying, a logoterapia pode atuar no desenvolvimento de consciência sobre responsabilidade pessoal, valores humanos e impacto das próprias ações.

    A logoterapia não substitui programas escolares de prevenção, políticas claras ou ações educativas, mas funciona como um recurso complementar poderoso. Em contextos educativos, ela pode reforçar autoestima, sentido e valores — elementos essenciais para reduzir tanto a agressão quanto a vulnerabilidade ao bullying.


  • Como se comunicar melhor com pessoas com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (deficiência inte

    Como se comunicar melhor com pessoas com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (deficiência intelectual) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago da Costa Coelho

    Comunicar-se melhor com pessoas com Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (TDI) envolve ajustar o ritmo, a linguagem e a intenção da conversa para que ela se torne mais acessível, respeitosa e funcional. Aqui estão os pontos principais:

    1. Use linguagem simples e direta

    Evite frases longas, metáforas e jargões.
    Prefira instruções passo a passo e palavras concretas.

    2. Dê tempo para a pessoa processar

    Pessoas com TDI podem precisar de mais tempo para compreender e formular respostas.
    Pausas são essenciais — não completar frases por ela ajuda na autonomia.

    3. Reforços visuais ajudam muito

    Imagens, gestos, demonstrações e objetos tornam a comunicação mais clara.
    Quadros, desenhos e agendas também facilitam entendimento.

    4. Cheque a compreensão sem infantilizar

    Pergunte: “Como você entendeu isso?” em vez de só “Entendeu?”.
    Isso evita constrangimentos e garante clareza.

    5. Estabeleça previsibilidade

    Explique o que vai acontecer, passo a passo.
    A previsibilidade reduz ansiedade e melhora engajamento.

    6. Foque no vínculo e no ritmo da pessoa

    Olhar nos olhos, tom acolhedor, ritmo calmo e paciência fazem toda a diferença.
    A comunicação funciona melhor quando a pessoa se sente segura e respeitada.

    7. Respeite limites e preferências

    Algumas pessoas respondem melhor a perguntas fechadas; outras, a perguntas abertas.
    Ajuste a abordagem conforme o estilo dela.

    Na prática clínica, o que mais funciona é liderar com simplicidade, respeito e consistência. Não é sobre “falar infantilmente”, mas sobre tornar a comunicação acessível, sem perder dignidade ou autonomia. Quando a pessoa percebe que você está realmente tentando se adaptar ao ritmo dela, a troca flui com muito mais naturalidade.


  • Como a educação socioemocional ajuda a lidar com a impulsividade?

    Como a educação socioemocional ajuda a lidar com a impulsividade?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago da Costa Coelho

    A educação socioemocional ajuda – e muito – no manejo da impulsividade, porque trabalha exatamente as habilidades que ficam comprometidas quando a pessoa reage sem pensar. Ela fortalece funções emocionais e comportamentais que regulam decisões, respostas e comportamentos imediatos.

    1. Aumenta a consciência emocional

    Antes de controlar um impulso, a pessoa precisa perceber que ele está acontecendo.
    A educação socioemocional ensina a identificar emoções, gatilhos e sensações corporais que antecedem reações impulsivas.

    2. Desenvolve autocontrole e autorregulação

    Programas socioemocionais ensinam técnicas como:

    parar e respirar,

    contar até 10,

    observar antes de agir,

    nomear emoções.
    Essas estratégias fortalecem a “pausa” entre o impulso e a ação.

    3. Melhora a tomada de decisão

    Ao trabalhar habilidades como resolução de problemas, perspectiva e planejamento, a educação socioemocional reduz respostas automáticas e aumenta escolhas mais maduras.

    4. Estimula empatia e habilidades sociais

    A impulsividade costuma prejudicar relações.
    Ao desenvolver empatia, a pessoa entende melhor o impacto das próprias ações, o que naturalmente diminui comportamentos reativos.

    5. Promove consciência de valores e comportamentos desejáveis

    Ao conectar comportamento com valores (respeito, responsabilidade, cooperação), a pessoa começa a agir menos pelo impulso e mais pelo que considera importante.

    A impulsividade não melhora apenas com "força de vontade".
    Ela melhora quando a pessoa aprende a nomear emoções, pausar, escolher e refletir. A educação socioemocional é um dos caminhos mais eficientes, porque combina autoconhecimento com prática cotidiana — algo que realmente muda comportamento.


  • Qual é a ideia central da Logoterapia? .

    Qual é a ideia central da Logoterapia? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dr. Thiago da Costa Coelho

    A ideia central da Logoterapia é que o ser humano é motivado, principalmente, pela busca de sentido.
    Para Viktor Frankl, encontrar um “porquê” — um propósito, um valor, algo que faça a vida ter significado — é o que sustenta a pessoa diante do sofrimento e orienta suas escolhas.

    Explicando de forma simples:

    A logoterapia parte de três eixos básicos:

    Liberdade de atitude – mesmo sem controlar tudo, sempre podemos escolher como responder às situações.

    Vontade de sentido – mais do que prazer ou poder, buscamos significado.

    Sentido em qualquer circunstância – até em momentos difíceis é possível encontrar propósito.

    Em termos práticos:

    A terapia ajuda a pessoa a identificar valores, propósitos e direções de vida que façam sentido para ela — e, a partir disso, reconstruir motivação, identidade e autonomia emocional.

    O ponto mais forte da logoterapia é que ela devolve ao paciente a capacidade de ser autor da própria história, mesmo dentro das limitações. Ela não romantiza o sofrimento, mas mostra que ele pode ser transformado em crescimento.


Perguntas frequentes

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