Perguntas do paciente (5)

  • Como parar de duvidar de mim mesmo na vida adulta quando recebi descrédito em momentos muito delicad

    Como parar de duvidar de mim mesmo na vida adulta quando recebi descrédito em momentos muito delicados nas fases iniciais da minha vida?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Thiago Pires de Azevedo

    Quando o descrédito chega cedo, ele não fica guardado só como lembrança. Ele vira um jeito de olhar para si. Quem ouviu, em momentos delicados, que não sabia, que exagerava ou que estava errado aprende a checar tudo duas vezes antes de confiar no que sente. Na vida adulta isso aparece como uma voz que chega antes de você: "será que é isso mesmo?".

    Por isso, talvez a pergunta não seja como parar de duvidar, e sim de quem é essa dúvida. Muitas vezes ela tem o tom, as palavras e até o momento certo de pessoas específicas do passado. Reconhecer isso já cria um pequeno espaço entre você e essa voz.

    Algumas coisas costumam ajudar: observar em que situações a dúvida aparece mais forte; notar o que o seu corpo percebe antes de a cabeça concluir; e começar por decisões pequenas, sustentando a escolha mesmo com a dúvida presente, em vez de esperar que ela desapareça primeiro. A confiança em si volta como consequência de experiências vividas, não de convencimento.

    Em psicoterapia esse trabalho ganha outra profundidade, porque a própria relação com o terapeuta pode ser um lugar onde a sua percepção é levada a sério. Se fizer sentido para você, vale buscar esse acompanhamento.

    Thiago Pires, psicólogo, CRP 05/83313


  • Quando estou em atendimentos psicológicos, sinto que o mundo pode ser compreensivo; quando saio, enc

    Quando estou em atendimentos psicológicos, sinto que o mundo pode ser compreensivo; quando saio, encontro indiferença. Tenho medo de que a terapia esteja criando uma expectativa que a realidade não sustenta.

    Porque o psicólogo me faz sentir acolhido e numa atmosfera e perspectiva de compreensão, reflexão, diálogo e atenção que não existe no mundo lá fora do consultório e das sessões? No mundo lá fora o que eu vejo são pessoas que não querem saber de mim e dos meus sentimentos. Sendo assim e isto constatado, porque o psicólogo faz parecer que o mundo é um lugar bom e fácil de encaixar e que é preciso ter amigos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Thiago Pires de Azevedo

    O que você descreve é comum e muito importante de ser dito dentro da própria terapia. O contraste existe: a sessão é um espaço construído para a escuta, e o mundo lá fora não funciona assim. Mas a terapia não pretende mostrar como o mundo vai tratar você. Ela se parece mais com um lugar de ensaio: ali você experimenta ser ouvido e se ouvir, para depois reconhecer e escolher, fora dela, as relações em que isso também pode acontecer.

    A indiferença que você encontra é real, e não é culpa sua. Ao mesmo tempo, vale perguntar: onde, fora do consultório, já existiu algum momento pequeno de compreensão? Com quem você se permite mostrar um pouco mais? Muitas vezes a terapia não cria uma expectativa falsa. Ela torna visível uma falta que já existia e que agora dói mais, porque você sabe o que ela é.

    Leve exatamente essa frase para a sua próxima sessão: "tenho medo de que isto aqui não exista lá fora". Um bom processo terapêutico se ocupa disso e ajuda a construir pontes entre as duas coisas, sem que você precise escolher uma delas.

    Thiago Pires, psicólogo, CRP 05/83313


  • Olá, eu comecei a fazer terapia recentemente (hoje foi a minha terceira sessão e eu nunca tinha ido

    Olá, eu comecei a fazer terapia recentemente (hoje foi a minha terceira sessão e eu nunca tinha ido a nenhuma outra), mas eu sempre tenho a sensação que estou falando coisas muito confusas nas minhas consultas, que eu nem sempre falo o que eu estou sentindo de verdade ou que eu não exponho o que eu realmente deveria, mesmo que sem querer. Ás vezes parece que eu não sei responder a nenhuma pergunta dirigida a mim ou que eu fico tão nervosa para responder que eu acabo respondendo qualquer coisa sem analisar bem. Eu gostaria saber se é comum sentir isso durante as primeiras sessões e como eu posso melhorar isso ou conseguir externalizar os problemas que eu quero trabalhar na terapia.

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Thiago Pires de Azevedo

    O que você sente na terceira sessão é quase uma regra, não uma falha. Ninguém chega à terapia sabendo, de forma organizada, o que sente. Se soubéssemos, muitas vezes nem precisaríamos dela. A fala confusa, o nervosismo, a resposta "qualquer coisa" também fazem parte do que você vive, e um bom terapeuta presta atenção nisso tanto quanto no conteúdo.

    Uma ideia simples que costuma ajudar: diga exatamente isso na sessão. "Sinto que estou falando confuso", "fiquei nervosa com essa pergunta", "não sei o que sinto agora". Essas frases são material de trabalho, não um desvio. Também não existe algo que você "deveria" expor. O ritmo é seu, e o sentido costuma aparecer aos poucos, de dentro para fora.

    Se ajudar, anote durante a semana o que vier à cabeça, sem se preocupar com a ordem, e leve para a sessão. Dê tempo ao processo. Três sessões ainda são o começo de uma conversa.

    Thiago Pires, psicólogo, CRP 05/83313


  • Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou u

    Tenho dificuldade de me priorizar metas pessoais e fazer o que gosto. Sou de família que me deixou um pouco de lado emocionalmente e acredito que isso me bloqueia de me priorizar mais, sinto que tenho que tirar força negativa de dentro de mim pra tentar me priorizar e tenho uma crença de que acho que seria muito egoísta da minha parte ao me colocar em primeiro lugar. Como se trabalha isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Thiago Pires de Azevedo

    Quando uma família deixa alguém de lado emocionalmente, essa pessoa costuma aprender uma lição silenciosa: o seu desejo ocupa lugar demais. Daí nasce a crença de que se colocar em primeiro lugar seria egoísmo. Não é que você não saiba o que quer. É que querer ficou associado à culpa, ou ao risco de perder o pouco de vínculo que havia.

    Por isso, tentar se priorizar "tirando força de dentro" costuma cansar e não durar. Em psicoterapia o trabalho vai por outro caminho: entender de onde vem essa regra, reconhecer em que momentos ela aparece no corpo (o aperto, a culpa, o "depois eu faço") e diferenciar egoísmo de cuidado de si. Egoísmo é ignorar o outro. Cuidar de si é deixar de ignorar você.

    Na prática, pequenos gestos constantes funcionam melhor que grandes resoluções: reservar um tempo curto e fixo para algo seu e observar o que acontece por dentro quando você o sustenta. A culpa pode aparecer, e ela não precisa decidir por você.

    Thiago Pires, psicólogo, CRP 05/83313


  • “De que maneira o treinamento de habilidades sociais atua na modulação dos processos neurocognitivos

    “De que maneira o treinamento de habilidades sociais atua na modulação dos processos neurocognitivos subjacentes à cognição social, regulação emocional e controle inibitório em pacientes com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), e qual seu impacto no funcionamento interpessoal?”

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Thiago Pires de Azevedo

    Percebo que sua pergunta vem em linguagem técnica, mas por trás dela costuma existir uma experiência muito concreta e muito dolorosa de se viver.

    O que a literatura chama de desregulação emocional, na experiência vivida costuma ser algo assim: sentir tudo com uma intensidade que os outros parecem não entender. Amar e temer perder a mesma pessoa ao mesmo tempo. Sentir-se vazio sem saber nomear de quê. Ter a sensação de que sua identidade muda conforme quem está por perto. Reagir a um abandono, mesmo pequeno, como se fosse o fim do mundo, e depois se cobrar por ter reagido assim.
    Se você se reconhece nisso, a primeira coisa que quero dizer é: isso tem nome, tem explicação, e tem caminho. Você não é "intenso demais" nem "difícil". Você desenvolveu, provavelmente desde cedo, uma forma de sentir o mundo sem a proteção emocional que outras pessoas tiveram. Faz sentido que doa tanto.
    O trabalho terapêutico, aqui, não é te ensinar a sentir menos. É te ajudar a habitar a própria intensidade sem ser destruído por ela. A construir um centro interno que não dependa inteiramente de quem está ao lado. E isso se faz devagar, numa relação de confiança, em paralelo ao acompanhamento médico quando ele é indicado.
    Se quiser conversar sobre como seria esse processo, estou à disposição.
    Thiago Pires — CRP 05/83313


Perguntas frequentes

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