Perguntas do paciente (4)

  • Em quais casos de Saúde Mental a terapia é indicada como tratamento?

    Em quais casos de Saúde Mental a terapia é indicada como tratamento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victoria Sciascia Cetraro

    A terapia promove benefícios valiosos para uma variedade de condições clínicas que afetam a saúde mental. Dentre essas condições, destacam-se: os transtornos de ansiedade, transtornos de humor, transtornos de personalidade, transtornos alimentares, transtornos relacionados ao trauma e ao estresse e transtornos do neurodesenvolvimento.

    Além dos transtornos clínicos citados, a terapia também é altamente recomendada para quem está passando por momentos agudos de grande estresse, mudanças de vida significativas (como luto, separação, transições de carreira, mudança de país) e dificuldades nos relacionamentos.

    A terapia também é um lugar seguro para explorar experiências culturais e identitárias e seus impactos na saúde mental. Indivíduos de diferentes origens, etnias, gêneros e orientações sexuais podem encontrar na terapia um espaço para refletir sobre suas identidades, lidar com a discriminação ou estigmas que enfrentam, fortalecer a autoaceitação e desenvolver habilidades de resiliência. Esses processos podem contribuir para que se sintam mais confiantes e autênticos em suas jornadas pessoais.

    Por fim, o que torna a terapia tão valiosa é que ela não se limita a tratar o que "não vai bem". Ela é uma ferramenta de desenvolvimento pessoal e de prevenção, permitindo que você explore e fortaleça sua saúde mental, mesmo quando os desafios não parecem tão grandes. Neste sentido, a terapia é ideal para aqueles que buscam autoconhecimento, maior compreensão de suas emoções, traumas e padrões comportamentais, ou, ainda, para os que desejam adquirir habilidades que contribuam para o seu autoaperfeiçoamento, como as habilidades de comunicação, liderança, organização e gestão emocional.

    Se você está se perguntando se é o momento de começar terapia, a resposta geralmente é: sim. O desejo de mudança já é o primeiro passo, e a terapia é um caminho excelente para transformá-lo em ação.


  • O que fazer no momento de uma crise de Ansiedade Patológica?

    O que fazer no momento de uma crise de Ansiedade Patológica?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victoria Sciascia Cetraro

    Durante uma crise de ansiedade patológica, é fundamental lembrar que existem estratégias práticas que podem ajudá-lo a enfrentar o momento e aliviar os sintomas. Aqui estão algumas abordagens eficazes:

    1) Respiração Diafragmática: Comece a respirar lenta e profundamente. Inspire pelo nariz contando até quatro, segure a respiração por quatro segundos e expire pela boca contando até seis.

    2) Grounding: é uma técnica que ajuda a ancorar você no presente e a desviar a atenção dos pensamentos ansiosos utilizando os seus sentidos. Um método muito utilizado é chamado de "5, 4, 3, 2, 1" e consiste em identificar:
    5 coisas que você vê: Olhe ao seu redor e identifique cinco objetos. Podem ser coisas simples, como uma planta, uma caneta, ou uma cadeira.
    4 coisas que você pode tocar: Sinta a textura de quatro objetos. Pode ser a superfície da mesa, suas roupas ou a sensação do chão sob seus pés.
    3 coisas que você ouve: Preste atenção aos sons ao seu redor. Pode ser o canto dos pássaros, o barulho do trânsito ou o som do seu próprio respirar.
    2 coisas que você pode cheirar: Se possível, identifique dois cheiros ao seu redor. Isso pode incluir um perfume, a fragrância de uma planta ou até o cheiro do ar.
    1 coisa que você pode saborear: Foque em algo que você pode colocar na boca, como um gole de água ou um pedaço de comida.


    3) Exercício de Jacobson, também conhecido como Relaxamento Muscular Progressivo (RMP): ajuda a reduzir a crise ansiosa, por meio da conscientização das tensões musculares. Primeiro, sente-se ou deite-se em uma posição relaxada. Depois, concentre-se em tensionar e relaxar os músculos, começando pelos pés até a cabeça, ou vice-versa:
    Pés: Tensione os músculos flexionando os dedos para cima por 5 a 10 segundos, depois relaxe.
    Panturrilhas: Puxe os pés para cima, mantendo a tensão por 5 a 10 segundos, e relaxe.
    Coxas: Aperte os músculos por 5 a 10 segundos e relaxe.
    Glúteos: Aperte os músculos das nádegas, mantenha e relaxe.
    Barriga: Tensione os músculos abdominais por alguns segundos e relaxe.
    Peito: Tensione os músculos do peito enquanto respira fundo, mantenha e relaxe.
    Braços: Tensione os músculos dos braços e mãos, fazendo um punho, depois relaxe.
    Pescoço e Ombros: Tensione os ombros em direção às orelhas, mantenha e relaxe.
    Rosto: Tensione os músculos do rosto, como se estivesse fazendo caretas, depois relaxe.

    Essas estratégias são eficazes para remediar a crise no momento, mas é importante compreender que elas não abordam a raiz do problema. Um processo de psicoterapia na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é essencial para explorar os fatores desencadeadores da sua ansiedade e entender os padrões de pensamento que podem estar contribuindo para as crises. Na TCC, você aprenderá a identificar e modificar esses padrões, desenvolvendo habilidades que o ajudarão a enfrentar não apenas as crises, mas também a ansiedade em sua vida cotidiana.


  • Qual é a importância do apoio familiar e das redes de suporte para adultos autistas?

    Qual é a importância do apoio familiar e das redes de suporte para adultos autistas?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victoria Sciascia Cetraro

    O apoio familiar e das redes de suporte é fundamental para adultos autistas, pois as demandas típicas da fase adulta frequentemente exigem habilidades complexas que costumam ser desafiadoras para aqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA) corresponderem, como por exemplo:

    Autonomia Pessoal: A necessidade de cuidar de si mesmo aumenta, o que inclui gerenciamento de higiene, alimentação, sono, exercício físico e manutenção de um ambiente doméstico.

    Habilidades Sociais e Interpessoais: A capacidade de interagir e manter relacionamentos se torna mais complexa, exigindo habilidades sociais mais sofisticadas em ambientes como trabalho e amizades.

    Gestão Financeira: Os adultos autistas precisam aprender a gerenciar suas finanças, incluindo orçamento, pagamento de contas e planejamento financeiro a longo prazo.

    Desenvolvimento de Carreira: As expectativas profissionais crescem, incluindo a busca de empregos, entrevistas e a capacidade de lidar com as dinâmicas do ambiente de trabalho.

    Resolução de Problemas: As situações cotidianas apresentam desafios que exigem habilidades de resolução de problemas, como lidar com imprevistos e tomar decisões rápidas.

    Estresse e Regulação Emocional: A vida adulta costuma trazer maior estresse, demandando habilidades de autorregulação emocional para lidar com a pressão de responsabilidades e expectativas sociais.

    Além de facilitar o desenvolvimento de habilidades práticas, uma rede de apoio bem informada e sensível às necessidades da pessoa autista é fundamental para estabelecer um ambiente de segurança, aceitação e pertencimento, promovendo assim o bem-estar emocional e social do indivíduo. Isso é especialmente importante, considerando que as pessoas autistas enfrentam um risco elevado de solidão/exclusão. Além disso, uma rede de apoio bem instruída atua como um fator protetivo contra transtornos psiquiátricos, como depressão e ansiedade, que são frequentemente associados ao transtorno.


  • Tenho muita dificuldade em me comunicar, principalmente se for sobre algo que estou planejando, quer

    Tenho muita dificuldade em me comunicar, principalmente se for sobre algo que estou planejando, querendo ou pensando. Chego a ter dor física em todo corpo só de iniciar uma conversa. Sinto que tenho medo da resposta da pessoa, não quero magoar, sempre fui assim, desde adolescente (que me lembro), mas agora isso está trazendo muitos prejuízos no meu casamento. Que linha devo seguir de terapia. Por favor, podem me ajudar?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Victoria Sciascia Cetraro

    A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma excelente opção para a sua queixa. Neste tipo de abordagem, o trabalho é feito de forma prática e estruturada. Aqui estão algumas maneiras de como isso acontece:

    1) Exploração dos Pensamentos: Vamos analisar juntos os pensamentos automáticos que surgem quando você precisa se comunicar - principalmente o medo de magoar as pessoas e como elas podem reagir -, porque eles interferem significativamente na forma como você se sente e nas suas reações fisiológicas. Em um nível mais profundo, explorar os pensamentos permite acessar crenças disfuncionais que você nutre sobre si. Ao mesmo tempo, em um nível mais cognitivo, possibilita identificar padrões de pensamento que distorcem a realidade, e que portanto afetam a sua percepção das situações, dos outros e de si mesmo e a forma como você se sente. Com isso, utilizo técnicas para ajudá-lo a avaliar e reformular esses pensamentos de uma maneira mais realista e funcional, proporcionando alívio emocional.

    2) Comunicação Assertiva: de maneira didática, focamos em desenvolver habilidades de comunicação assertiva, para que você possa expressar suas necessidades e sentimentos de maneira clara, respeitando seus limites e os dos outros, sem o medo de magoar ou ser mal interpretado.

    3) Exposições Práticas: Também realizamos exposições, onde você terá a oportunidade de praticar conversas e situações específicas que geram ansiedade em um ambiente seguro. Isso ajudará você a lidar com o desconforto de maneira saudável e, gradualmente, reduzir a intensidade da sua ansiedade.

    Esses, e outros elementos combinados, têm o potencial de melhorar significativamente sua comunicação e bem-estar emocional.


Perguntas frequentes

Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.