Perguntas do paciente (37)

  • O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser considerado um transtorno do neurodesenvolvi

    O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode ser considerado um transtorno do neurodesenvolvimento?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Não. Atualmente, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) não é classificado oficialmente como um transtorno do neurodesenvolvimento nos principais manuais diagnósticos, como o DSM-5-TR e a Organização Mundial da Saúde CID-11.

    Os transtornos do neurodesenvolvimento são condições que surgem precocemente no desenvolvimento cerebral e impactam áreas como linguagem, aprendizagem, atenção, cognição e comportamento. Exemplos clássicos são:

    Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
    Transtorno do Espectro Autista
    transtornos de aprendizagem e deficiência intelectual.


  • . O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode coexistir com outros transtornos?

    . O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) pode coexistir com outros transtornos?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Sim, o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) frequentemente coexistе com outros transtornos mentais. Na prática clínica, a comorbidade é muito mais regra do que exceção.

    Isso acontece porque o TPB envolve uma intensa desregulação emocional, impulsividade, sofrimento interpessoal e vulnerabilidade psicológica, fatores que aumentam o risco para o desenvolvimento de outros quadros psiquiátricos.

    Os transtornos mais comumente associados ao TPB são:

    Transtorno Depressivo Maior
    Transtornos de Ansiedade
    Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
    Transtorno Bipolar
    Transtorno de Estresse Pós-Traumático
    transtornos alimentares, como compulsão alimentar, bulimia e anorexia;
    dependência química e abuso de substâncias;
    outros transtornos de personalidade.


  • Como é realizada a avaliação inicial de um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)

    Como é realizada a avaliação inicial de um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    A avaliação inicial de um paciente com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) precisa ser cuidadosa, estruturada e, acima de tudo, acolhedora. Isso porque muitos pacientes com TPB chegam à terapia com histórico de invalidação emocional, relações instáveis e medo intenso de abandono — inclusive no próprio contexto terapêutico.

    Na prática clínica da Terapia Cognitivo-Comportamental, a avaliação inicial não serve apenas para “dar um diagnóstico”. Ela tem como objetivo compreender profundamente o funcionamento emocional, cognitivo e comportamental daquele paciente.

    Durante essa avaliação, investigamos:

    histórico de vida e desenvolvimento emocional;
    padrões de relacionamento;
    intensidade e instabilidade das emoções;
    impulsividade;
    medo de rejeição e abandono;
    comportamento suicida ou automutilação;
    uso de substâncias;
    histórico de traumas, negligência ou invalidação emocional;
    funcionamento familiar, profissional e social;
    presença de comorbidades, como depressão, ansiedade, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade ou Transtorno Bipolar.


  • O que são comportamentos autolesivos? .

    O que são comportamentos autolesivos? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Comportamentos autolesivos são ações em que a pessoa provoca intencionalmente dano ao próprio corpo como forma de lidar com emoções intensas, sofrimento psicológico ou situações internas difíceis de suportar.

    Na prática clínica, isso pode incluir desde formas mais visíveis de lesão (como cortes ou queimaduras) até comportamentos menos óbvios, como bater em si mesma, se arranhar, se morder ou se expor repetidamente a situações de risco com a intenção de se machucar. Nem sempre esses comportamentos estão ligados a uma intenção suicida — muitas vezes, eles têm outra função psicológica.


  • Quais fatores de risco aumentam a autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    Quais fatores de risco aumentam a autoagressão no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Na maioria dos casos, ela funciona como uma tentativa de aliviar uma dor emocional extremamente intensa, regular emoções difíceis ou lidar com sensação de vazio, abandono e desorganização interna. Podemos apontar alguns fatores de risco: desregulação emocional intensa, medo de abandono e rejeição, histórico de trauma, impulsividade elevada, sensação crônica de vazio, autocrítica intensa e vergonha, comorbidades psiquiátricas, falta de rede de apoio dentre outras.


  • As pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) de superstição realmente acreditam nas supersti

    As pessoas com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) de superstição realmente acreditam nas superstições?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Do ponto de vista científico, muitas pessoas com TOC de superstição não acreditam totalmente na superstição da mesma forma que alguém que tem uma crença cultural ou religiosa. O problema central não é a crença em si, mas a dúvida patológica e a necessidade de reduzir a ansiedade.

    Por exemplo, uma pessoa pode pensar:

    "Eu sei que bater três vezes na mesa não deveria impedir um acidente."
    "Eu sei que usar uma determinada roupa não controla o que vai acontecer."
    "Mas e se eu estiver errada?"

    Esse "e se?" é uma característica marcante do TOC. A pessoa passa a realizar rituais supersticiosos não porque tenha certeza de que funcionam, mas porque sente uma intensa necessidade de evitar um risco, mesmo que esse risco seja extremamente improvável.


  • Os pensamentos obsessivos fazem sentido para a pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    Os pensamentos obsessivos fazem sentido para a pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Depende do momento e do grau de insight da pessoa, mas, em geral, os pensamentos obsessivos não fazem sentido de forma lógica e coerente para quem tem TOC. O que acontece é que eles parecem emocionalmente convincentes.


  • O foco intenso em uma obsessão pode ser comparado a uma "visão de túnel" mental?

    O foco intenso em uma obsessão pode ser comparado a uma "visão de túnel" mental?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Sim, essa é uma analogia bastante útil para compreender o que acontece no TOC, embora não seja um termo técnico formal da psicologia.

    Quando uma pessoa está tomada por uma obsessão, sua atenção tende a ficar excessivamente concentrada na ameaça percebida, enquanto outras informações relevantes ficam em segundo plano. É como se o campo de atenção se estreitasse, produzindo uma espécie de "visão de túnel" cognitiva.


  • A ruminação (pensar repetitivamente) é uma obsessão?

    A ruminação (pensar repetitivamente) é uma obsessão?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    A ruminação não é a obsessão em si; ela é a estratégia utilizada para tentar resolver ou neutralizar a obsessão.

    Uma diferença importante
    Obsessão: é a dúvida, imagem ou pensamento intrusivo que invade a mente.
    Ruminação: é o processo mental repetitivo que ocorre em resposta a essa dúvida ou sofrimento.


  • Os pensamentos obsessivos são egodistônicos? .

    Os pensamentos obsessivos são egodistônicos? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Sim, na maioria dos casos, os pensamentos obsessivos do TOC são egodistônicos.

    "Egodistônico" significa que o pensamento é percebido pela pessoa como incompatível com seus valores, desejos, crenças ou identidade. Ou seja, ela não gosta do pensamento, não concorda com ele e frequentemente se sente angustiada por tê-lo.

    Por exemplo:

    Uma mãe amorosa pode ter pensamentos intrusivos de machucar o próprio filho e ficar horrorizada com isso.
    Uma pessoa religiosa pode ter pensamentos blasfemos que a fazem sentir culpa intensa.
    Uma pessoa ética pode ter pensamentos de roubar ou enganar alguém, mesmo sem querer fazer isso.

    O sofrimento surge justamente porque esses pensamentos entram em conflito com quem a pessoa é e com o que ela valoriza.

    No TOC, o problema não é ter pensamentos estranhos — praticamente todo mundo tem pensamentos intrusivos de vez em quando. O problema é a interpretação que a pessoa faz deles. Ela pode pensar:

    "Se pensei isso, talvez eu queira fazer isso."
    "Uma pessoa boa não deveria ter esse pensamento."
    "Preciso ter certeza absoluta de que isso não vai acontecer."

    Essas interpretações aumentam a ansiedade e levam às compulsões, que são tentativas de neutralizar o medo ou obter certeza.


  • A "visão de túnel" no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é consciente ou inconsciente ?

    A "visão de túnel" no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é consciente ou inconsciente ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    A "visão de túnel" do TOC é parcialmente consciente e parcialmente automática:

    Consciente: a pessoa percebe a obsessão, a dúvida e o sofrimento.
    Automática: o foco excessivo na ameaça, a captura da atenção e a urgência de buscar certeza ocorrem de forma involuntária.


  • A visão em túnel é um sintoma formalmente reconhecido do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    A visão em túnel é um sintoma formalmente reconhecido do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Não, a "visão de túnel" não é um sintoma formal do TOC.
    É uma metáfora útil para descrever a experiência de ficar excessivamente focado em uma obsessão.
    O que é formalmente estudado são processos como viés atencional, ruminação, intolerância à incerteza e superestimação da ameaça.
    Esses processos ajudam a explicar por que muitas pessoas com TOC sentem que a obsessão domina temporariamente seu campo de atenção e raciocínio.


  • A pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) tem consciência de que seus pensamentos e rituais

    A pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) tem consciência de que seus pensamentos e rituais são irracionais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Sim, a maioria das pessoas com TOC sabe que seus pensamentos e rituais são irracionais ou excessivos.
    Essa consciência pode variar de boa a ausente.
    Saber que algo é irracional não é suficiente para interromper o TOC, porque o transtorno é mantido principalmente pela ansiedade, pela dúvida e pela necessidade de obter certeza ou alívio.
    O tratamento ajuda a pessoa a aprender a tolerar a incerteza e resistir às compulsões, mesmo quando a ansiedade está presente.


  • Como os familiares podem ajudar a pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) sair da visão de

    Como os familiares podem ajudar a pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) sair da visão de túnel?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Quando alguém com TOC está na "visão de túnel", o papel do familiar não é provar que a obsessão é falsa nem fornecer certeza absoluta. O papel é ajudar a pessoa a lembrar que ela está olhando para a situação através da lente da ansiedade e que é possível seguir em frente mesmo sem eliminar completamente a dúvida. Essa postura é muito mais consistente com o que sabemos cientificamente sobre a recuperação do TOC.


  • A "visão de túnel" pode ser um sintoma de outras condições além do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (

    A "visão de túnel" pode ser um sintoma de outras condições além do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    A "visão de túnel" é um fenômeno psicológico amplo que pode aparecer em diversos transtornos, especialmente aqueles relacionados à ansiedade, medo, ameaça ou preocupação excessiva. No TOC, ela assume uma forma característica, centrada nas obsessões e na busca de certeza, mas o mesmo mecanismo básico de estreitamento da atenção pode ser observado em várias outras condições psicológicas.


  • O que é a "mentalidade de tudo ou nada" no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    O que é a "mentalidade de tudo ou nada" no Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    A mentalidade de tudo ou nada no TOC é a tendência de interpretar situações em extremos absolutos, sem reconhecer áreas intermediárias. Ela alimenta a busca por certeza perfeita, o perfeccionismo e as compulsões, mantendo o ciclo obsessivo. Um dos objetivos centrais da terapia é ajudar a pessoa a desenvolver uma visão mais flexível, gradual e compatível com a realidade, que naturalmente contém incertezas e imperfeições.


  • A visão de túnel é um sintoma oficial do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    A visão de túnel é um sintoma oficial do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    A "visão de túnel" é uma metáfora para o estreitamento atencional e cognitivo que pode ocorrer durante uma obsessão, mas não constitui um sintoma oficial do transtorno.


  • O que causa a hiperfixação? .

    O que causa a hiperfixação? .

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    A hiperfixação é um termo usado para descrever um estado de atenção intensa e prolongada em um único interesse, atividade ou pensamento, muitas vezes com dificuldade de “desligar” ou alternar o foco para outras coisas. Ela não é um diagnóstico em si, mas um fenômeno neuropsicológico que pode aparecer em diferentes condições e contextos.


  • Como saber se meu foco intenso é hiperfoco ou obsessão de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    Como saber se meu foco intenso é hiperfoco ou obsessão de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Seu foco intenso se parece mais com uma obsessão do TOC quando:

    é involuntário;
    gera sofrimento;
    gira em torno de medo ou ameaça;
    envolve busca constante por certeza;
    leva à ruminação ou a rituais mentais;
    produz alívio temporário, mas a dúvida volta.

    Ele se parece mais com hiperfoco quando:

    nasce do interesse;
    é absorvente, mas não angustiante;
    não envolve medo ou necessidade de neutralizar riscos;
    produz satisfação, curiosidade ou sensação de realização.

    O critério mais importante costuma ser este: o hiperfoco é puxado pelo interesse; a obsessão é empurrada pela ansiedade.


  • Uma pessoa que passa muitas horas estudando o mesmo assunto... tem hiperfoco?

    Uma pessoa que passa muitas horas estudando o mesmo assunto... tem hiperfoco?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

    Dra. VIVIANE TIBO

    Passar muitas horas estudando o mesmo assunto não significa automaticamente hiperfoco. Pode ser interesse genuíno, dedicação, hiperfoco ou até uma tentativa de reduzir ansiedade. A principal diferença está no que impulsiona o comportamento: curiosidade e interesse ou medo, dúvida e necessidade de certeza.


Perguntas frequentes

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