Perguntas do paciente (4)
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A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racion
A 2 meses eu venho tendo lapsos de memória, não consigo me concentrar nas coisas, não consigo racionar direito e tô tendo muita ansiedade, não consigo conversar mais com as pessoas e também não sinto vontade, sinto que as pessoas não me querem por perto e que me odeiam, na escola eu só consigo chorar pelo jeito que eu estou porque tá afetando o meu relacionamento, eu não consigo conversar mais com o meu namorado, sinto que ele vai me deixar a qualquer momento e começo a ter muita ansiedade, e não tô conversando muito com ele mais por causa disso, eu me sinto vazia, não consigo achar graça de memes, entender vídeos, ter opinião própria, eu sinto que só estou vegetando, sinto que me perdi de mim mesma, e coisas que eu sabia antes eu esqueci, não consigo nem fazer contas fáceis de cabeça mais, e só sinto vontade de ficar deitada na minha cama pra sempre, choro o tempo todo, e tô muito sensível também, qualquer coisa que me falam eu choro, e não consigo mais discutir com ninguém, não tenho energia pra isso, só aceito tudo. Quero saber oque eu posso ter, eu posso estar com depressão?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
"Olá, ao ler o seu relato mostra o quanto você está atravessando um momento de muito sofrimento e de um esgotamento profundo. É completamente compreensível que você esteja assustada, sentindo que 'se perdeu de si mesma', porque quando o sofrimento psíquico atinge essa intensidade, ele afeta exatamente o nosso corpo, a nossa memória, o raciocínio e a forma como nos relacionamos com o mundo.
Sobre a sua pergunta: sim, esse conjunto de sintomas que você descreve é muito compatível com um quadro depressivo e de ansiedade elevada. Quando a mente fica sobrecarregada por uma dor interna muito grande, o cérebro e o corpo 'puxam o freio': a memória falha, a concentração desaparece, o corpo só quer ficar deitado e surge essa sensação de vazio e de não conseguir sentir alegria por nada.
Na psicanálise, mais do que dar um rótulo ou um nome para o que você tem, o mais importante é entender o que o seu corpo e a sua mente estão tentando dizer com esse colapso. Essa sensação de que as pessoas te odeiam, o medo constante de que seu namorado vá te deixar e essa perda da sua própria voz não surgem do nada — eles são sinais de um sofrimento que precisa de espaço e cuidado para ser escutado.
Você não precisa e nem deve passar por isso sozinha, e o fato de você ter conseguido escrever e descrever com tanta clareza o que está sentindo já é um passo muito importante para buscar ajuda.
O que você precisa fazer agora:
Buscar avaliação médica e psicológica: É fundamental passar por uma consulta com um psicólogo/psicanalista e também com um psiquiatra ou médico para avaliar o quadro com cuidado.
Avaliação clínica inicial: Como você relata lapsos de memória e dificuldade de raciocínio de início recente (2 meses), é importante também fazer exames de sangue básicos (como vitaminas, tireoide, etc.) para descartar qualquer questão física que possa estar somando a essa exaustão.
Falar com alguém de confiança: Se você for menor de idade, avise seus pais ou responsáveis sobre como está se sentindo na escola e em casa para que possam te apoiar na busca por ajuda profissional.
Você não 'virou' essa pessoa sem energia para sempre; você apenas está atravessando um momento em que a sua dor ficou grande demais para carregar sozinha. Isso tem tratamento e é possível sim se reencontrar. Estou à disposição se quiser dar início a esse processo de escuta."
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Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?
Porque a depressão está sempre na espreita pra nós pegar de novo, após acontecimentos ruins?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
"Essa é uma das dúvidas mais profundas e importantes de se fazer, e entender isso é um grande passo para lidar com esse ciclo.
A depressão costuma 'ficar na espreita' após acontecimentos ruins porque ela funciona como um caminho que a mente já aprendeu a percorrer. Quando passamos por momentos difíceis, como perdas, frustrações ou estresse prolongado, é absolutamente natural sentir dor, tristeza e esgotamento. O problema é que, para quem tem tendência à depressão, a mente não vivencia apenas uma tristeza passageira — ela interpreta o evento ruim como uma confirmação de sentimentos antigos, como 'eu não sou capaz', 'nada dá certo para mim' ou 'eu vou ser abandonado'.
É como se o acontecimento ruim abrisse uma porta antiga. O cérebro e a mente se sentem sobrecarregados e entram num modo de defesa que, na verdade, nos paralisa: tiram a nossa energia, desaceleram o raciocínio e isolam a gente do mundo para 'evitar mais dor'.
A depressão volta quando um evento atual aciona essa ferida que ainda não foi totalmente cicatrizada. Mas isso não significa que você está fadado a viver assim para sempre. No processo terapêutico, o objetivo não é impedir que coisas ruins aconteçam, mas sim construir ferramentas para que, quando elas acontecerem, você consiga sentir a tristeza natural do momento sem que a sua mente precise mergulhar na depressão."
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Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo
Passei um inferno em um antigo trabalho por 3 anos e minha mãe não acreditou no que eu disse dizendo que eu tinha mania de perseguição, que estava exagerando, etc. Fiquei tão mal que no trabalho quase desmaiei e tive problemas de estômago. Saí dele recentemente e ainda tenho sentimento de abandono e traição e concluo com isso que a maioria das pessoas não prestam e são falsas. Como lidar com o sentimento de abandono e traição vindo da mãe?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Quando você passa três anos sob estresse extremo no ambiente de trabalho e o seu corpo reage (com quase desmaios e somatizações no estômago), isso não é exagero — é o organismo e a mente sinalizando um limite biológico e psíquico. O corpo "fala" ou adoece justamente quando o ambiente se torna inóspito demais.
O ponto central da sua dor atual não é apenas o que aconteceu no trabalho, mas o golpe da invalidação maternal. Quando a pessoa que deveria ser a sua rede de proteção primária diz que você tem "mania de perseguição" ou que está "exagerando", ocorre uma quebra de confiança fundamental.
Na psicanálise, chamamos isso de negação do testemunho do sujeito. A mãe, ao não sustentar o seu relato, acaba se alinhando simbolicamente ao agressor (o ambiente de trabalho tóxico). O sentimento de abandono e traição surge daí: na hora em que você mais precisava de um teto psíquico para se abrigar, encontrou a porta fechada e o julgamento.
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Por que a memória pode ser um ponto de atenção no transtorno de personalidade borderline (TPB)?
Por que a memória pode ser um ponto de atenção no transtorno de personalidade borderline (TPB)?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
- Dissociação e Trauma
Muitos pacientes com TPB possuem um histórico de traumas precoces. Quando a dor emocional se torna insuportável, o psiquismo utiliza a dissociação como defesa — é como se a mente "desligasse" para não sentir.
Isso pode gerar "brancos" ou lapsos de memória sobre eventos específicos (amnésia dissociativa), dificultando a organização cronológica da própria história.
- Memória Dependente de Estado (Inundação Emocional)
A memória humana é influenciada pelo estado emocional no momento da codificação e da recuperação. No TPB, as oscilações de humor são intensas.
Quando o paciente está em uma crise de raiva ou tristeza profunda, ele pode ter dificuldade de acessar memórias positivas ou de segurança (o chamado "esquecimento do objeto bom"). Isso faz com que, naquele momento, ele sinta que "sempre foi assim" ou que "nada nunca deu certo", invalidando experiências positivas reais.
Posso te contextualizar melhor, mas é necessário um atendimento para aprofundarmos no assunto.
Perguntas frequentes
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Minha dieta sendo bem pobre em gorduras faz algum sentido a prescrição de orlistate para o tratament
Sim, pode haver indicação, mas o benefício tende a ser menor quando a alimentação…