A dissociação é um sintoma comum em todos os casos de transtorno de personalidade borderline (TPB) ?

3 respostas
A dissociação é um sintoma comum em todos os casos de transtorno de personalidade borderline (TPB) ?
Não necessariamente. A dissociação é um fenômeno comum, mas não universal, em pessoas com TPB. Sua presença depende de múltiplos fatores, incluindo a história de trauma, a sensibilidade emocional e a capacidade de regulação da experiência interna. Em alguns casos, a dissociação é transitória, em outros, aparece de forma mais crônica. Mais importante do que sua presença isolada é entender como ela interfere na funcionalidade, na conexão com o corpo e com a própria história, e como a pessoa lida com esse estado quando ele ocorre.

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A dissociação é comum em pessoas com transtorno de personalidade borderline (TPB), embora não seja uma característica obrigatória, segundo o DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais- 5ª edição).
Estima-se que cerca de 75 a 80% das pessoas com TPB experimentem episódios de dissociação, especialmente em momentos de estresse. Essa dissociação pode variar em intensidade, desde experiências leves até episódios mais graves (desconexão da realidade, identidade fragmentada e lapso de memória).
Segundo Freud, a dissociação é um processo de separação de pensamentos, sentimentos e memórias que seriam normalmente integrados pelo sujeito.
E a dissociação é um mecanismo de defesa do indivíduo para lidar com emoções perturbadoras e situações de estresse.
 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Olá, tudo bem?

Não necessariamente. A dissociação pode aparecer em pessoas com transtorno de personalidade borderline, mas ela não está presente em todos os casos. Na literatura clínica, o que costuma ser descrito é a possibilidade de sintomas dissociativos transitórios ligados a situações de estresse intenso. Ou seja, eles podem surgir em determinados momentos, especialmente quando a pessoa se sente muito ameaçada emocionalmente, mas não fazem parte obrigatória da experiência de todas as pessoas com esse diagnóstico.

O núcleo do transtorno costuma envolver outros elementos, como instabilidade emocional, medo intenso de abandono, relações interpessoais muito intensas e dificuldade de regular emoções. A dissociação aparece mais como uma resposta possível do organismo quando a ativação emocional ultrapassa um certo limite, quase como se a mente tentasse reduzir a intensidade da experiência se afastando momentaneamente dela.

Algumas pessoas descrevem essa experiência como sensação de estranhamento de si mesmas, dificuldade de se sentir presente, sensação de estar “no automático” ou de que o ambiente parece um pouco irreal. Outras nunca passam por isso, mesmo tendo TPB. Por isso, quando esse fenômeno aparece, o mais importante não é apenas rotular, mas compreender em quais contextos ele surge. Você percebe se essas sensações aparecem mais em momentos de conflito, rejeição ou sobrecarga emocional? Elas surgem de forma breve ou permanecem por muito tempo? E depois que passam, fica mais sensação de cansaço, confusão ou vazio?

A psicoterapia pode ajudar bastante a compreender esses episódios e a identificar estratégias para lidar melhor com os gatilhos emocionais que os antecedem. Quando os episódios são muito frequentes, intensos ou geram dúvidas diagnósticas, uma avaliação complementar com psiquiatra também pode ser indicada. Caso precise, estou à disposição.

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