Acredito que estou saindo de um relacionamento com traços narcisistas/abusivos, mas ainda me sinto c

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Acredito que estou saindo de um relacionamento com traços narcisistas/abusivos, mas ainda me sinto culpada por ter ficado “fria” emocionalmente, e isso tem dificultado minha firmeza para encerrar de vez.
Foi um relacionamento de pouco mais de um ano marcado por agressões emocionais frequentes: xingamentos, humilhações, silêncio punitivo quando eu expressava dor, inversão de culpa constante, uso de traumas pessoais contra mim (problemas psicológicos da minha mãe e uma perda gestacional que sofri durante o relacionamento), destruição de objetos, tentativas de isolamento social, controle, chantagens e pressão psicológica.

Eu comecei a me sentir sem voz dentro da relação. Quando eu falava que estava mal, ele se justificava em vez de acolher. Quando eu pedia espaço, ele pressionava mais. Quando eu tentava conversar, ele dizia que eu estava “escavando o passado” para fazer ele se sentir culpado ou sendo dramática.

Com o tempo, não fiquei com raiva explosiva, mas exausta.

Nas últimas semanas, passei a ficar quieta, monossilábica, sem energia afetiva. Também comecei a ter sintomas físicos de estresse (dermatite piorando, tensão constante, sensação de alerta o tempo todo).

Essa semana ele disse que iria embora de vez, após tantas ameaças de ir embora, porque disse que não queria mais ser tratado com essa frieza. Na noite anterior ao dia marcado, ele veio tentar conversar quando eu já estava deitada tentando dormir. Eu não queria falar, porque toda conversa virava justificativa ou manipulação emocional. Ele disse que eu estava sendo infantil por não conversar. Acabei cedendo. Foram horas dele se defendendo, dizendo que já tinha pedido desculpas, que eu precisava perdoar, que eu era rancorosa. Depois disso, simplesmente deitou na minha cama, me abraçou e disse que não ia embora, que me amava, que era “obcecado” por mim, que não ia me deixar para outro homem e não iria me deixar nunca. Começou a fazer carinho e falar "que sempre sonhou da gente viajando junto de carro por aí". Eu pedi várias vezes para ele ir. Empurrei da cama. Disse que não queria ele ali. Ele se recusou e continuou dizendo que ficaria ali.
Chegou a dizer que eu tinha bipolaridade e precisava ficar para cuidar de mim. Até mandou mensagem para meu pai dizendo que a gente tinha se acertado (não era verdade). Ficou forçando carinho físico, beijo, abraço, dizendo que eu era “mulher dele”. Eu me senti invadida e congelada. De tão exausta, em um momento eu fingi dormir só para ele parar de falar comigo. Minutos depois ouvi ele chorando baixinho.

E é aí que minha cabeça trava. Porque eu começo a pensar: “eu fui cruel” “eu fiz ele chorar” “eu sou fria” “eu estou abandonando alguém ferido”

Ele tem histórico de abandono materno na infância, então isso pesa ainda mais em mim. Mas, ao mesmo tempo, eu me pergunto: Depois de meses sendo desrespeitada, humilhada, pressionada, invadida, culpabilizada… ficar em silêncio é crueldade? ou é exaustão emocional? ou é apenas uma resposta de defesa? Eu não estava tentando machucar. Eu só estava tentando me manter emocionalmente. Após tantos meses tolerando coisas que eu considerava intoleráveis.
E nessas últimas semanas parece que senti tudo de uma vez o que não senti lá atrás e, logo depois, não senti mais nada (isso faz sentido?) Mesmo assim, acabo me sentindo a vilã por não conseguir mais oferecer afeto. (Não faz sentido para mim também, eu não deveria...)

Ele afirmou diversas vezes que eu estava punindo emocionalmente ele com esse afastamento, como vingança, apenas para machucá-lo. Mas verbalizei para ele que precisava do meu tempo e do meu espaço, coisa que ele não respeitou, e até me perguntou até quando duraria isso, e eu disse que não sabia, e ele acha que estou me fazendo.

Eu já faço acompanhamento com uma psicóloga que tem me ajudado a entender esse processo, mas gostaria da opinião de outros especialistas (e também minha próxima sessão é só semana que vem e estou com isso entalado). Então fica a dúvida:

Essa “frieza” pode ser entendida como mecanismo de autoproteção, esgotamento psíquico ou resposta traumática, ou estou sendo cruel inconscientemente e o punindo pelas coisas que aconteceram sem perceber?
Como diferenciar o distanciamento defensivo de um comportamento abusivo quando se é a parte que já estava adoecendo dentro da relação?
Peça para sua psicóloga antecipar sua sessão, este é um direito seu.

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Olá. Obrigada por compartilhar um relato tão sensível e detalhado. Situações relacionais marcadas por invalidação emocional, desrespeito de limites e pressão psicológica costumam gerar confusão interna, culpa e grande desgaste emocional.

A “frieza” que você descreve pode, sim, estar relacionada a esgotamento emocional e mecanismos de autoproteção. Quando alguém permanece por muito tempo em um contexto de sofrimento relacional, é comum que surjam respostas como distanciamento emocional, redução do afeto ou sensação de anestesia, que geralmente funcionam como tentativa de preservação psíquica, e não necessariamente como forma de punição ao outro.

Na prática clínica, costumamos diferenciar comportamentos defensivos de comportamentos abusivos observando aspectos como intenção de ferir ou controlar, respeito aos limites do outro e o nível de sofrimento envolvido. Pelo seu relato, você demonstra reflexão, consciência emocional e busca por ajuda, o que costuma indicar um movimento saudável de cuidado consigo mesma.

É muito positivo que você já esteja em acompanhamento psicológico. Esse tipo de vivência costuma precisar de um espaço terapêutico seguro para elaboração emocional, fortalecimento de limites e reconstrução da segurança interna.

Caso haja qualquer sensação de risco ou invasão de limites, buscar apoio na sua rede de suporte também é fundamental.
Lendo com atenção tudo o que você escreveu, fica muito evidente que a forma como você está reagindo agora tem relação direta com a maneira como essa relação foi sendo vivida e conduzida pelo seu parceiro. Não aparece alguém fria ou cruel, mas alguém profundamente exausta, sobrecarregada e tentando se preservar emocionalmente depois de um longo período de invasões, deslegitimações e pressões. Em vários momentos do seu relato, você descreve ter sido colocada no lugar de quem precisava explicar, acolher, compreender, perdoar e sustentar a dor do outro, enquanto a sua própria dor era minimizada, invertida ou usada contra você, o que vai, aos poucos, convocando você a ocupar um lugar constante de desconforto e silenciamento para manter o outro bem, atravessado por uma culpa intensa. Quando o corpo e o psiquismo chegam a esse nível de esgotamento, é comum que a resposta não venha mais em forma de confronto ou raiva, mas de retraimento afetivo, silêncio e apagamento, não como punição, mas como uma tentativa de proteção. O fato de você relatar que sentiu tudo de uma vez e depois pareceu não sentir mais nada faz sentido dentro de um quadro de sobrecarga emocional prolongada. A confusão que aparece sobre quem está machucando quem, sobre se você está sendo cruel ou apenas se defendendo, também não surge do nada e costuma ser consequência de relações marcadas por inversão de culpa, desqualificação da experiência e invasão de limites, o que embaralha os afetos e faz com que até os próprios sentimentos passem a parecer errados ou suspeitos. Talvez a pergunta mais cuidadosa não seja se você está sendo cruel, mas de que lugar você tem sido convocada a existir nessa relação, um lugar onde seus limites não são respeitados, onde seu silêncio vira ataque, mas sua exaustão não é reconhecida como sinal de adoecimento. Seu distanciamento parece muito mais um reflexo do que você viveu do que uma intenção de ferir, e faz sentido que tudo oscile, que culpa e alívio coexistam, porque quando a relação é confusa, os afetos também ficam. Você já está fazendo algo muito importante ao levar isso para a terapia e, até a próxima sessão, talvez seja possível sustentar essa reflexão com um pouco mais de gentileza consigo mesma, reconhecendo o quanto custou permanecer nessa dinâmica e o quanto o seu corpo e o seu silêncio estão dizendo algo que, por muito tempo, não pôde ser dito em palavras.
Olá, tudo bem? Puxa, sinto muito por toda essa situação intensa. Mas olha só, uma vez que você já está em tratamento, é melhor você não solicitar orientações de outros profissionais. Pois opiniões diversas podem mais te atrapalhar do que ajudar. Se você sente que precisa de mais sessões, converse com a profissional. Abraços.

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