Aos 18 anos, fui diagnosticada com endometriose por apresentar um quadro clínico tipico (anemia pelo

Aos 18 anos, fui diagnosticada com endometriose por apresentar um quadro clínico tipico (anemia pelo alto fluxo, desmaios durante a menstruação, muita dor, alterações intestinais), mas não fizeram exames de imagem. Me mandaram tomar anticoncepcional de maneira contínua (Tamisa 30) e fiquei assim por 7 anos, às vezes tendo uns "escapes" (às vezes o sangramento durava um mês). Em 2025 (com 25/26 anos), voltei a ter desmaios, me sentir muito cansada, sem conseguir dormir, uma TPM absurda (coisa que eu não tinha), me sentia o tempo todo à flor da pele, comecei a menstruar cerca de 3x por mês. Fui na ginecologista e indicou endometriose, mas fiz duas RM, com preparo intestinal adequado, e não consta nada. Fiz exames da tireoide, os hormônios estão normais (com exceção do T4 total, que está mais alto), mas o ultrassom deu tireoide atrofiada. Minha mãe tem lúpus, então fiz vários exames de doença autoimune, mas sem resultados positivos. Ferritina em 7, B6 e B12 abaixo do nível de referência (mesmo eu tendo uma alimentação acompanhada por nutricionista). Fui no hemato e ele tirou o Tamisa 30 e entrou com o Slinda, o que deu um sangramento de 24 dias, mas depois parou. Porém, estou com uma dor constante no canto esquerdo da parte de baixo da barriga e tendo surtos psicoticos 1x no mês, coincidentemente na TPM, mesmo não tendo qualquer quadro psiquiátrico (no dia seguinte ao surto, acordo até com vergonha, porque parece que não era eu). Além disso, ganhei 11kg num intervalo de 8 meses, mesmo fazendo atividade física e tentando controlar a alimentação. Pele muito seca, intestino horrível, PCR e VHS constantemente altos. Alguém tem uma luz? Vou em todo tipo de especialista e ninguém sabe. Agora me receitaram entrar com gestrinona, mas estou receosa, considerando os efeitos colaterais... além disso, fico preocupada porque tenho histórico familiar próximo de câncer de ovário.

5 respostas


Olá. Seu quadro não tem uma única causa, mas sim a soma de vários fatores que se potencializam. Você teve, desde jovem, sintomas muito compatíveis com endometriose. Mesmo com ressonâncias normais, isso não exclui a doença, pois muitos tipos de endometriose não aparecem nos exames de imagem. O uso prolongado de anticoncepcional contínuo pode ter mascarado os sintomas, e quando o eixo hormonal se desorganizou, tudo voltou de forma mais intensa. Atualmente, há sinais claros de inflamação crônica no corpo (PCR e VHS elevados), associados a perdas sanguíneas frequentes, o que levou a uma deficiência importante de ferro (ferritina muito baixa) e de vitaminas B6 e B12. Essas deficiências, sozinhas, já explicam cansaço extremo, desmaios, insônia, ansiedade, irritabilidade e alterações emocionais intensas. Os episódios emocionais graves que ocorrem perto da menstruação não indicam um transtorno psiquiátrico primário, mas são compatíveis com um transtorno disfórico pré-menstrual, que acontece quando há uma resposta exagerada do cérebro às variações hormonais, piorada pela inflamação e pelas deficiências nutricionais. Além disso, o ultrassom mostrou tireoide atrofiada, o que sugere uma disfunção tireoidiana funcional, mesmo com exames hormonais aparentemente normais. Isso ajuda a explicar o ganho de peso, pele seca, intestino preso e fadiga. A gestrinona pode ajudar na dor da endometriose, mas pode piorar alterações de humor e metabolismo, por isso sua cautela é válida, especialmente considerando seu histórico familiar de câncer de ovário. Em resumo: seu corpo está em um estado de desequilíbrio hormonal, inflamação e deficiência nutricional, com provável endometriose associada. O tratamento precisa ser global e individualizado, corrigindo primeiro as deficiências, avaliando melhor a tireoide e escolhendo a estratégia hormonal com cuidado — não é algo psicológico nem falta de controle. Fico a disposição caso queira agendar uma consulta.

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O excesso de sangramento menstrual levou a deficiências vitamìnicas que por si só podem cursar com vários sintomas. O que você descreve como "surto psicótico" no período da TPM pode ser Disforia Pré-menstrual e existe tratamento com bons resultados. O ganho de peso é outra queixa que precisa ser valorizada ainda mais se você vem tentando controlar a dieta e com prática de atividade física. Os níveis inflamatórios com PCR e VHS não são específicos de nenhum diagnóstico. Acredito que precise investigar seu trato gastrointestinal mais especificamente com exames endoscópios além da repetição dos exames de sangue, pois é possível que seja mais uma causa para as deficiências vitamínicas (além do sangramento menstrual) e também explique seus sintomas intestinais. Muitas vezes, as doenças autoimunes levam a sintomas inespecíficos por um período longo sem marcador sorológico positivo desde o início. Sua mãe sendo portadora de lupus é um dado clínico relevante e deve ser considerado fortemente.


O seu quadro é complexo e merece uma investigação multidisciplinar, sem atribuir todos os sintomas a um único diagnóstico. Embora a endometriose possa causar dor pélvica, sangramento intenso e anemia, uma ressonância magnética com preparo intestinal normal não exclui completamente a doença, principalmente formas superficiais ou lesões pequenas. Além disso, outros diagnósticos ginecológicos, endócrinos e clínicos precisam ser considerados. Chama atenção a ferritina de 7, indicando deficiência importante de ferro, além da deficiência de vitaminas B6 e B12, que podem contribuir para fadiga, alterações cognitivas e piora do humor. O ganho ponderal, pele seca, alteração intestinal e ultrassom mostrando tireoide atrófica também justificam uma reavaliação da função tireoidiana. Um T4 total elevado, isoladamente, pode ser influenciado pelo uso de hormônios e não necessariamente indica hipertireoidismo; a interpretação deve ser feita em conjunto com TSH, T4 livre e, quando indicado, anticorpos tireoidianos. Outro ponto importante são os episódios descritos como "surtos psicóticos" relacionados ao período pré-menstrual. Alterações psiquiátricas cíclicas podem ocorrer em condições como transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) ou representar exacerbação hormonal de outros transtornos, mas sintomas psicóticos exigem avaliação psiquiátrica urgente, pois não são considerados uma manifestação típica de TPM comum. Quanto à gestrinona, trata-se de uma medicação que pode ser útil em situações específicas, porém não é isenta de efeitos adversos, como acne, aumento de pelos, alterações do perfil lipídico e mudanças de humor. Em uma paciente com diagnóstico ainda não completamente esclarecido e histórico familiar de câncer de ovário, é prudente discutir cuidadosamente riscos, benefícios e alternativas antes de iniciar o tratamento. Diante do conjunto de achados, considero importante uma reavaliação integrada com endocrinologista, ginecologista especializado em endometriose, hematologista e psiquiatra. Uma investigação direcionada das alterações hormonais, da tireoide, do metabolismo, da anemia por deficiência de ferro e das oscilações do humor pode esclarecer a origem dos sintomas e permitir um tratamento individualizado, em vez de abordar cada manifestação de forma isolada. Isso aumenta as chances de controlar os sintomas e melhorar sua qualidade de vida.

Dr. Pablo Leal

Dr. Pablo Leal

Endocrinologista

Rio de Janeiro

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Seu quadro apresenta vários sintomas que precisam ser avaliados de forma integrada, pois existem diferentes possibilidades além da endometriose isolada. A dor pélvica, sangramentos irregulares, anemia por deficiência de ferro, alterações intestinais e piora cíclica dos sintomas podem ocorrer em doenças ginecológicas, incluindo endometriose, mas também é importante investigar outras causas hormonais, inflamatórias e metabólicas. Uma ressonância sem alterações reduz a probabilidade de algumas formas de endometriose profunda, mas não exclui totalmente a doença. A tireoide atrófica, T4 alterado, pele seca, ganho de peso e alterações intestinais levantam a necessidade de avaliar cuidadosamente tireoidites autoimunes, como Hashimoto, mesmo com alguns exames negativos. A ferritina muito baixa e as deficiências de B12 e B6 também podem contribuir para cansaço, alterações cognitivas e piora do bem-estar. Os episódios descritos como “surtos psicóticos” associados ao período pré-menstrual merecem avaliação psiquiátrica, pois alterações hormonais intensas podem desencadear quadros como transtornos do humor relacionados ao ciclo menstrual, ansiedade, depressão ou outras condições que precisam de acompanhamento especializado. Uma avaliação conjunta entre ginecologista, endocrinologista, hematologista e psiquiatra pode ajudar a organizar o diagnóstico e definir o tratamento mais seguro. A gestrinona deve ser discutida com cautela, considerando histórico familiar de câncer, riscos e benefícios individuais.

Dr. Igor Bernardes

Dr. Igor Bernardes

Endocrinologista

São Paulo

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Seu relato reúne diversas questões que precisam ser analisadas de forma integrada. A ferritina de 7 e os sangramentos frequentes podem contribuir significativamente para cansaço, fraqueza e alterações cognitivas, mas não explicam necessariamente todo o quadro. Ressonâncias normais também não excluem completamente endometriose, especialmente formas superficiais. Já episódios de sintomas psicóticos recorrentes associados ao período pré-menstrual são um sinal de alerta e precisam de avaliação psiquiátrica prioritária, independentemente da investigação ginecológica. A gestrinona também não deve ser iniciada apenas empiricamente, pois possui atividade hormonal e pode apresentar efeitos adversos relevantes. Diante do histórico familiar de câncer de ovário, é igualmente importante discutir rastreamento e, se indicado, avaliação genética. Seu caso realmente merece acompanhamento multidisciplinar.

Dr. Filipe Tomaz

Dr. Filipe Tomaz

Endocrinologista

Belo Horizonte

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