Boa noite! Desde criança, tenho um problema em que meu cérebro parece não processar dor como "perig

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Boa noite!
Desde criança, tenho um problema em que meu cérebro parece não processar dor como "perigo", ou algo assim. Exemplo: tenho uma afta na boca, mas não consigo parar de encostar a língua, mesmo doendo muito. Ou quando eu era criança, sentei na beirada da cama, em cima da madeira, e quando levantei doeu muito mas eu só fiquei parada, sem reclamar. Tipo, ao mesmo tempo que eu sinto dor muito fácil, eu consigo simplesmente ignorar.
O verdadeiro problema é que mesmo quando eu sei que vai doer, eu faço, e eu não sei porque, mas sempre fui assim. Mexo na ferida, arranco pele da boca, como os dedos. Tenho uma unha que quebrou na carne, mas eu continuo puxando ela.

Sei que são hábitos nada saudáveis, e não sei o que eu tenho.
(Obs: estou fazendo terapia para depressão, autismo e TDAH, caso seja relevante.)
O que você descreve pode ter diferentes explicações e merece ser discutido com os profissionais que acompanham seu tratamento. Nem sempre esse comportamento significa que a pessoa não percebe a dor; em alguns casos, ela percebe a dor normalmente, mas apresenta uma tendência a repetir determinados comportamentos mesmo diante do desconforto físico. Isso pode ocorrer em quadros associados a hábitos repetitivos focados no corpo, dificuldades de inibição comportamental, busca de estímulos sensoriais ou padrões relacionados ao neurodesenvolvimento. O fato de você relatar arrancar pele, mexer em feridas, morder os dedos e continuar manipulando áreas doloridas sugere que não se trata apenas da percepção da dor em si, mas também da forma como o cérebro responde a ela e regula impulsos e comportamentos repetitivos. Uma avaliação detalhada com seu psiquiatra pode ajudar a entender melhor a origem desses comportamentos e definir as estratégias mais adequadas para manejá-los.

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Dra. Jéssica Carpaneda
Psiquiatra, Médico clínico geral, Generalista
Goiânia
O que você descreve pode acontecer em alguns comportamentos repetitivos focados no corpo, como cutucar feridas, mexer em aftas, arrancar pele da boca, roer unhas ou morder os dedos. Muitas vezes a pessoa sente dor e sabe que vai machucar, mas ainda assim tem dificuldade de interromper o impulso. Isso não significa necessariamente que você “não sente perigo”. Pode ter relação com ansiedade, tensão interna, busca sensorial, impulsividade ou dificuldade de inibir o comportamento. Em pessoas com TDAH e autismo, esse tipo de padrão pode aparecer com mais frequência, justamente por essa mistura de impulsividade, hiperfoco na sensação corporal e necessidade de regulação sensorial. O mais importante é entender a função desse comportamento: se acontece no automático, se vem em momentos de estresse, se alivia alguma sensação interna, se parece compulsivo ou se existe intenção de se machucar. Essa diferença muda bastante a forma de tratar. Como você já está em terapia, vale levar esse tema de forma bem direta: quando acontece, o que você sente antes, o que sente depois e se existe algum alívio momentâneo. E, se isso está causando feridas, sangramento, infecção, sofrimento ou sensação de perda de controle, vale também avaliar com um psiquiatra. Não é falta de força de vontade; é um padrão que precisa ser entendido com cuidado para o tratamento ficar mais direcionado.

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