Como a autoagressão influencia a transferência no setting terapêutico?

Como a autoagressão influencia a transferência no setting terapêutico?

8 respostas


No contexto clínico, a autoagressão pode impactar a transferência ao intensificar vivências de abandono, culpa e necessidade de contenção dirigidas ao terapeuta, que pode ser investido simultaneamente como figura de cuidado e como objeto percebido como falho ou distante. Após episódios autoagressivos, é comum que o material transferencial se organize em torno de sentimentos de vergonha, medo de julgamento ou expectativa de rejeição, o que pode levar a rupturas temporárias na continuidade do vínculo ou a movimentos de teste da disponibilidade do terapeuta. Clinicamente, isso exige manejo que sustente a função de holding e favoreça a simbolização do ato, ajudando o paciente a transformar a passagem ao comportamento em experiência psíquica compartilhável no setting.

Anthony Souza

Anthony Souza

Psicólogo

Mogi Guaçu

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Oi, tudo bem? A autoagressão pode influenciar significativamente a transferência no setting terapêutico, pois pode mobilizar sentimentos intensos tanto no paciente quanto no terapeuta. Na transferência, o comportamento autoagressivo pode expressar demandas de cuidado, medo de abandono, necessidade de validação emocional ou formas de comunicação do sofrimento psíquico que não conseguem ser verbalizadas diretamente. Em alguns casos, o terapeuta pode ser colocado em posições transferenciais de cuidador, figura negligente ou até punitiva, reproduzindo padrões relacionais prévios do paciente. Além disso, a autoagressão pode intensificar a dependência, testar os limites do vínculo terapêutico e desafiar a estabilidade do setting. Por isso, é fundamental que o terapeuta compreenda esses movimentos transferenciais e contratransferenciais.


A autoagressão é como um sintoma de sofrimento intenso e tentativa (disfuncional) de regulação e comunicação. Ao ignorar tal sofrimento, a transferência negativa poderá se estabelecer. O terapeuta deve priorizar segurança (protocolos de crise), supervisão regular e elaboração conjunta do significado do ato.

Tatiana Machado

Tatiana Machado

Psicólogo

Rio de Janeiro

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Depende muito!! Depende da entrevista preliminar, depende se estamos falando de uma histérica ou obsessivo, depende de como o paciente fala e mostra essa auto agressão pro analista, depende do que o paciente espera quando deixa isso aparecer….


Olá, como vai? A pergunta está mau formulada. Transferência, em psicanálise, se remete aos discursos e formações do inconsciente que o paciente direciona ao analista, ou seja, a autoagressão não influencia na transferência, a não ser que a autoagressão seja direcionada à figura do analista, o que indica um caso grave, com necessidade de apoio de equipe multidisciplinar, apoio institucional e participação da família. Dentro do setting analítico, a autoagressão é analisada a partir do que o paciente fala sobre ela, e o analista busca outros meios de deslocar a agressividade contra o corpo para outros objetos, como cortar ou furar papel, escrever cartas ou falar sobre a angústia, entre outras estratégias. Espero ter ajudado, fico à disposição.


Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. A autoagressão costuma intensificar a transferência porque ativa sentimentos profundos de abandono, medo e necessidade de cuidado. O paciente pode ver o terapeuta como alguém que precisa “salvá-lo”, ou como alguém que pode rejeitá-lo se ele mostrar sofrimento. Isso cria vínculos mais intensos, ambivalentes e às vezes idealizados. A autoagressão também desperta contratransferência forte, o que exige manejo técnico cuidadoso para manter o espaço seguro e não reforçar padrões de dependência. Atenciosamente, Psicólogo Fernando Segundo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Atendimento presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES Abraços


A autoagressão pode aparecer como uma forma de expressar um sofrimento muito intenso, que muitas vezes é difícil colocar em palavras. Na terapia, isso também pode influenciar a maneira como a pessoa se relaciona com o psicólogo, despertando medos, expectativas e formas de se vincular que fazem parte da sua história. Com um espaço seguro e acolhedor, esses padrões podem ser compreendidos e trabalhados ao longo do processo. Se você sente que precisa desse apoio, minha agenda está aberta. Basta agendar um horário pelo meu perfil.


A autoagressão pode intensificar a transferência, fazendo com que o paciente projete no terapeuta sentimentos e expectativas relacionados a abandono, rejeição, proteção ou controle. Pode surgir, por exemplo, uma expectativa de que o terapeuta salve, cuide ou impeça a autoagressão, aumentando a dependência e a intensidade da relação terapêutica. Por isso, é fundamental manter acolhimento, limites claros e uma postura consistente, sem reforçar relações de dependência. Em resumo: a autoagressão pode intensificar a transferência e testar os limites do setting, exigindo do terapeuta manejo cuidadoso da relação e das próprias reações emocionais.

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