Como a procrastinação se relaciona com a socialização no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?

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Como a procrastinação se relaciona com a socialização no Transtorno do Espectro Autista (TEA) ?
 Douglas Costas
Psicólogo
São Paulo
Olha, sendo as relações bem cansativas, é comum a pessoa não quererem se envolver, não ligar e se sentirem pressionada em relações, por si só, qualquer coisa que nos faz nos sentir assim, não nos faz querer voltar para ela.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma questão muito rica — e pouco falada. A procrastinação, no contexto do autismo, nem sempre está ligada à “preguiça” ou “falta de vontade”, como às vezes se imagina. Muitas vezes, ela é um reflexo de sobrecarga cognitiva e emocional diante de tarefas sociais que exigem leitura de nuances, adaptação constante e esforço mental para compreender códigos implícitos.

O cérebro autista costuma processar informações sociais com um grau maior de esforço — interpretar expressões, tons de voz, intenções, expectativas. Cada interação pode demandar tanto processamento que o simples pensamento de se engajar socialmente já ativa o sistema de alerta e leva o corpo a buscar alívio através da evitação. É como se o cérebro dissesse: “Isso vai me exigir demais, melhor deixar para depois”. Você sente que, quando evita uma interação, o motivo é mais ansiedade, cansaço ou medo de não corresponder às expectativas?

Além disso, há uma dimensão emocional importante. Pessoas autistas, sobretudo mulheres, muitas vezes desenvolvem estratégias de “camuflagem social” — comportamentos aprendidos para parecerem mais adaptadas, o que exige enorme energia e pode gerar uma fadiga pós-social. Assim, a procrastinação pode aparecer como uma forma de autoproteção inconsciente: o corpo posterga o que associa a exaustão. O que será que o seu corpo está tentando te poupar quando surge essa vontade de adiar algo social?

Na terapia, é possível construir um olhar mais compassivo sobre isso, entendendo que procrastinar não é falhar, mas sinalizar que algo está custando demais. E quando o sistema nervoso encontra segurança e previsibilidade, a ação flui com mais naturalidade — não por obrigação, mas porque deixa de parecer perigoso.

Quando sentir que é o momento certo, a terapia pode ser um espaço seguro para explorar esse equilíbrio entre se preservar e se conectar.
No TEA, a procrastinação pode surgir como forma de evitar situações sociais que geram ansiedade ou sobrecarga. Adiar interações não significa desinteresse, mas pode ser uma estratégia para lidar com medo de julgamentos, imprevisibilidade ou excesso de estímulos. Reconhecer essa relação ajuda a criar estratégias graduais e seguras para se conectar com os outros.

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