"Como as comorbidades observadas no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ser compreend

"Como as comorbidades observadas no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ser compreendidas à luz da organização borderline da personalidade, dos conflitos intrapsíquicos e dos mecanismos de defesa predominantes?"

5 respostas


Na organização borderline da personalidade, as comorbidades no Transtorno de Personalidade Borderline podem ser compreendidas menos como entidades separadas e mais como expressões do modo de funcionamento psíquico marcado por conflitos intrapsíquicos intensos, especialmente ligados à ambivalência afetiva, ao medo de abandono e à dificuldade de integração entre aspectos bons e maus do objeto e de si. Nesse contexto, os sintomas associados como depressão, ansiedade, impulsividade ou uso de substâncias podem funcionar como tentativas de lidar com angústias primitivas que não encontram elaboração simbólica suficiente, emergindo como atuações ou como formas de descarga. Predominam mecanismos de defesa como clivagem, idealização e desvalorização, projeção e atuação, que organizam temporariamente a experiência interna, mas mantêm a instabilidade emocional e relacional. Assim, as comorbidades podem ser vistas como diferentes modalidades de expressão de um mesmo núcleo de sofrimento psíquico, o que reforça a importância de um trabalho psicoterapêutico capaz de sustentar um enquadre contínuo e favorecer a integração dessas experiências.

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De acordo com o olhar da psicanálise, as comorbidades no Transtorno de Personalidade Borderline não são diagnósticos independentes que se somam, mas sim diferentes manifestações clínicas de uma mesma estrutura de base, a organização borderline da personalidade. Como o mundo interno é marcado por uma forte instabilidade e pela incapacidade de integrar os aspectos bons e maus de si e dos outros, os conflitos intrapsíquicos geram uma angústia avassaladora que o ego frágil não consegue digerir. Para tentar dar conta dessa dor, o psiquismo recorre a mecanismos de defesa primitivos, onde a cisão e a identificação projetiva fragmentam a realidade e os afetos. Assim, sintomas que a psiquiatria tradicional classifica como comorbidades, tais como episódios depressivos graves, transtornos alimentares, abuso de substâncias ou crises de ansiedade aguda, funcionam na verdade como tentativas desesperadas de escoar ou anestesiar esse sofrimento intolerável através do corpo e da ação, encenando na superfície o colapso decorrente da fragilidade dessa arquitetura interna.

Leslie Maria Finger

Leslie Maria Finger

Psicanalista

Florianópolis

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Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. Comorbidades como depressão, ansiedade, TEPT, uso de substâncias e transtornos alimentares podem ser compreendidas como expressões da organização borderline: conflitos entre desejo de fusão e medo de abandono, identidade frágil e mecanismos de defesa como clivagem, idealização e desvalorização. Elas funcionam como tentativas de regular angústias intensas. Atenciosamente, Psicólogo Fernando Segundo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Atendimento presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES


Pela perspectiva psicodinâmica, compreendo essas comorbidades como manifestações que muitas vezes refletem conflitos internos ainda pouco elaborados. Mecanismos de defesa como cisão, idealização, desvalorização, identificação projetiva e negação podem surgir como tentativas de preservar a estabilidade psíquica diante de afetos muito intensos. Assim, os sintomas não são apenas algo a ser eliminado, mas também uma forma de expressão da maneira como aquele sujeito tenta lidar com seu sofrimento.

Gabriel Ferriolli

Gabriel Ferriolli

Psicólogo

Ribeirão Preto

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As comorbidades no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) podem ser compreendidas como expressões de conflitos emocionais profundos, dificuldades nos relacionamentos e desafios na regulação dos afetos. Na organização borderline da personalidade, há frequentemente instabilidade na percepção de si mesmo e dos outros, medo de abandono, sentimentos intensos de vazio e dificuldade em integrar aspectos positivos e negativos das experiências. Esses conflitos podem contribuir para o surgimento de sintomas depressivos, ansiosos, aditivos e psicossomáticos. Os mecanismos de defesa predominantes, como cisão, idealização, desvalorização e projeção, podem dificultar a elaboração dos conflitos internos e favorecer respostas emocionais intensas diante de situações de ameaça ou rejeição. Assim, as comorbidades podem funcionar como formas de expressão ou tentativa de manejo de sofrimentos psíquicos que a pessoa tem dificuldade de elaborar. O tratamento busca compreender esses padrões, fortalecer a capacidade de reconhecer e regular emoções e desenvolver formas mais adaptativas de lidar com conflitos internos e relações interpessoais.

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.