Como "curar-se" de parafilias? Em relações sexuais mais tradicionais e convencionais, simplesmente "
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Como "curar-se" de parafilias? Em relações sexuais mais tradicionais e convencionais, simplesmente "não funciono", mas queria "funcionar"... Em contrapartida, só consigo ter atração/tesão em relações sexuais "não tradicionais" e um tanto exóticas. Queria desenvolver a capacidade de possuir atração/desejo por coisas mais "normais".
Bom dia! Como vai?
Entendo que assuntos sobre Sexualidade podem trazer muita complexidade, então a melhor forma é investigar o que você gosta e, mais especificamente, se questionar em pontos como: o que é "normal"?; O que funciona para mim, me faz mal ou faz mal para outras pessoas?; Existe algum tabu dentro do que você gosta, ou há elementos que não são práticos em sua vida?
Nossos desejos sexuais estão profundamente ligados à nossa construção pessoal, se entender em sua existência é uma boa forma de compreender o que estes desejos simbolizam, ou até mesmo promover um processo de aceitação.
Entendo que assuntos sobre Sexualidade podem trazer muita complexidade, então a melhor forma é investigar o que você gosta e, mais especificamente, se questionar em pontos como: o que é "normal"?; O que funciona para mim, me faz mal ou faz mal para outras pessoas?; Existe algum tabu dentro do que você gosta, ou há elementos que não são práticos em sua vida?
Nossos desejos sexuais estão profundamente ligados à nossa construção pessoal, se entender em sua existência é uma boa forma de compreender o que estes desejos simbolizam, ou até mesmo promover um processo de aceitação.
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Mostrar especialistas Como funciona?
A psicanálise entende que o desejo sexual não é algo que se escolhe conscientemente, mas que se constrói ao longo da vida a partir da história afetiva e das primeiras experiências emocionais de cada pessoa. Nas parafilias, o desejo acaba ficando “preso” a um cenário ou a um tipo específico de situação que se torna indispensável para a excitação. Isso não significa que seja impossível mudar, mas que essa mudança não acontece por esforço de vontade ou tentativas de se forçar a gostar de algo diferente, e sim por meio de um processo de compreensão e elaboração do que está por trás desse funcionamento.
Por exemplo, um paciente pode contar que só consegue ter desejo quando envolve práticas de dominação e submissão muito intensas. Na análise, ele começa a perceber que, desde a infância, suas relações foram atravessadas por experiências em que se sentia humilhado ou colocado em posição de inferioridade. Esse afeto doloroso acabou se misturando ao prazer, de modo que a sexualidade se estruturou em torno dessa dinâmica: para sentir tesão, precisava repetir inconscientemente o mesmo enredo em que alguém tem poder absoluto e ele se submete. Ao compreender essa ligação e dar palavras ao que antes era apenas uma repetição automática, a excitação começa a se desprender da cena fixa. Aos poucos, o prazer deixa de depender somente dessa via e abre espaço para que outras formas de viver a sexualidade apareçam — mais ligadas à intimidade, ao afeto e ao contato espontâneo com o outro.
Nesse sentido, “curar-se” de uma parafilia não é eliminar o desejo já existente, mas ampliá-lo, tornando-o menos restrito e aprisionado. O tratamento psicanalítico permite que a pessoa vá construindo um campo erótico mais livre e variado, capaz de incluir tanto o que antes era exclusivo quanto novas formas de satisfação e encontro humano.
Por exemplo, um paciente pode contar que só consegue ter desejo quando envolve práticas de dominação e submissão muito intensas. Na análise, ele começa a perceber que, desde a infância, suas relações foram atravessadas por experiências em que se sentia humilhado ou colocado em posição de inferioridade. Esse afeto doloroso acabou se misturando ao prazer, de modo que a sexualidade se estruturou em torno dessa dinâmica: para sentir tesão, precisava repetir inconscientemente o mesmo enredo em que alguém tem poder absoluto e ele se submete. Ao compreender essa ligação e dar palavras ao que antes era apenas uma repetição automática, a excitação começa a se desprender da cena fixa. Aos poucos, o prazer deixa de depender somente dessa via e abre espaço para que outras formas de viver a sexualidade apareçam — mais ligadas à intimidade, ao afeto e ao contato espontâneo com o outro.
Nesse sentido, “curar-se” de uma parafilia não é eliminar o desejo já existente, mas ampliá-lo, tornando-o menos restrito e aprisionado. O tratamento psicanalítico permite que a pessoa vá construindo um campo erótico mais livre e variado, capaz de incluir tanto o que antes era exclusivo quanto novas formas de satisfação e encontro humano.
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