Como lidar com o luto quando estou experimentando o "luto antecipatório" pela perda da saúde e da ca

3 respostas
Como lidar com o luto quando estou experimentando o "luto antecipatório" pela perda da saúde e da capacidade de viver como antes?
 Edna Borba Araujo
Psicólogo, Psicanalista
Recife
Ola!
Sua queixa é muito significativa. Receber um diagnóstico como o de linfoma frequentemente produz um efeito de choque:
quebra da continuidade da vida (o antes/ o depois),
encontro com a finitude,
sensação de perda de controle. Dentre outros.
Clinicamente, isso pode aparecer como para você como angústia difusa,
silêncio (dificuldade de simbolizar), excesso de fala (tentativa de dominar o medo.
Minha função frente ao seu sofrimento é de tecoferecer um lugar de fala, onde você possa começar a nomear o que lhe acontece — e não apenas “ter uma doença”. De você falar sem precisar “ser forte”, de não ter que responder à expectativa social (tem que lutar, tem que ser positivo).
Na psicoterapia ocê terá seu modo de produzir um saber próprio sobre sua experiência, e isto basta.
É o que posso te dizer por aqui. Espero ter ajudado.

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O que você está vivendo tem nome: o luto antecipatório, E ele surge justamente quando percebemos mudanças importantes na nossa saúde e na forma de viver. É um processo legítimo, que pode trazer tristeza, medo, raiva e até confusão.
Um caminho possível é permitir-se sentir, sem se cobrar por “aceitar rápido”. Ao mesmo tempo, pode ajudar voltar, com gentileza, para aquilo que ainda é possível hoje, ressignificando planos, ajustando expectativas e reconhecendo que, mesmo com mudanças, sua vida continua tendo valor e sentido.
Você não precisa atravessar isso sozinho(a). Falar sobre o que sente e ter apoio emocional pode tornar esse processo menos solitário e mais acolhido.
Olá. O luto é antecipatório porque a perda da saúde ainda não aconteceu. Ou seja, sofre-se antecipadamente de algo que ainda não está a acontecer, não está instalado.

Este luto antecipatório caracteriza-se por uma raiva ou sensação de injustiça. Porquê comigo? Sou uma boa pessoa, um trabalhador, honesto, nunca fiz mal a ninguém...Além do medo antecipado do futuro que gera ansiedade e uma tristeza pela mudança significativa na vida, que é a perda eminente da saúde.

Acontece, por vezes, uma despersonalização, ou uma sensação de perda de identidade. Não sei bem ou mais quem eu sou. Não me sinto sendo o eu que conhecia e sentia de mim, em mim, antes.

Algumas estratégias são possíveis para lidar com estas emoções e sentimentos, como:

- Observe, no seu entorno próximo:

5 coisas que você vê
4 coisas que você pode tocar e o que sente ao toque
3 sons que ouve, nas proximidades

Pode descrever por escrito estas experiências, percepções, sensações...

Escreva uma carta para "o seu eu de antes" a contar onde você está neste momento, e o que escolhe fazer para melhor lidar com a situação. Fale consigo próprio (a) do modo que falaria com alguém querido (a). "Eu escolho viver com a calma possível" - "Eu Escolho ocupar-me em todos os momentos, para sentir menos desconforto e tristeza" - E, vou estudar uma língua estrangeira, presencialmente - ler um livro - fazer o possível exercício físico - encontrar-com familiares e pessoas amigas para conversar sobre assuntos diversos, para descontrair...

Como esse luto é silencioso e, as pessoas próximas, por vezes, não entendem, e você não deve enfrentar esse processo, sózinho (a).

Procure um psicólogo (a) que o/a ajudará nesta travessia -participe, inscreva-se em grupos de apoio destas doenças crónicas - dialogue com alguém que valide e apoie empáticamente a sua dor, sem a minimizar.

Sucesso nesta travessia.

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