Como o comportamento de “aproximação e afastamento” ocorre no TPB sob as óticas psicanalítica, da Te
Como o comportamento de “aproximação e afastamento” ocorre no TPB sob as óticas psicanalítica, da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e neuropsicológica?
5 respostas
A aproximação e o afastamento no TPB podem ser compreendidos por diferentes perspectivas. Pela psicanálise, esse movimento reflete o conflito entre o intenso desejo de estabelecer vínculos e o medo de abandono ou rejeição, levando à alternância entre idealização e distanciamento. Na TCC, esse padrão é explicado por crenças disfuncionais, como o medo de ser abandonado, associadas à dificuldade de regular emoções e impulsos. Sob a perspectiva neuropsicológica, há evidências de alterações nos circuitos cerebrais envolvidos na regulação emocional e no processamento de estímulos sociais, favorecendo respostas emocionais mais intensas. É importante destacar que essas perspectivas não são excludentes, mas complementares, contribuindo para uma compreensão mais ampla de um fenômeno complexo, cuja manifestação varia de pessoa para pessoa. Quando individualizado e baseado em evidências, o tratamento pode promover melhora significativa na qualidade das relações interpessoais e na regulação emocional.
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Querido anônimo ou anônima, Compreendo profundamente a angústia que esse movimento de aproximação e afastamento pode causar, tanto para quem o vivencia quanto para quem está ao redor, e quero que saiba que esse sofrimento é genuíno e merece ser acolhido com muito cuidado, respeito e sem qualquer julgamento. Na psicanálise, compreendemos esse comportamento de empurra e puxa como um reflexo de uma dor muito primitiva. Existe um mecanismo de defesa que chamamos de clivagem, que é uma divisão interna onde o outro é visto em extremos absolutos: ou ele é perfeitamente bom e salvador, o que gera um desejo intenso de fusão e aproximação, ou ele é terrível e ameaçador, o que desperta a necessidade urgente de distanciamento para se proteger. Esse ciclo é alimentado por dois grandes medos que coexistem de forma muito dolorosa. De um lado, há o pavor do abandono, que motiva a busca incessante por proximidade e garantias de amor. Do outro, há o pavor de ser engolido, invadido ou aniquilado por essa mesma relação, o que dispara o afastamento abrupto quando a intimidade se torna assustadora demais. Se olharmos sob a ótica da Terapia Cognitivo-Comportamental, esse fenômeno é entendido através das crenças centrais que a pessoa construiu sobre si mesma e sobre o mundo. Geralmente, há uma crença muito enraizada de que não se é digno de amor ou de que inevitavelmente será rejeitado. Quando a pessoa percebe qualquer sinal de desinteresse, mesmo que sutil, ocorrem distorções cognitivas do tipo tudo ou nada. Para evitar a dor insuportável dessa rejeição antecipada, a pessoa se afasta primeiro, usando o distanciamento como uma estratégia de enfrentamento para se proteger daquilo que ela acredita ser uma perda certa. Já a neuropsicologia nos ajuda a entender a base biológica dessa montanha-russa emocional. No transtorno da personalidade borderline, observa-se frequentemente uma hiperativação da amígdala cerebral, que é o nosso centro de alarme para ameaças e emoções, associada a uma menor atividade no córtex pré-frontal, a área responsável por regular esses impulsos e ponderar as situações. Isso significa que o sistema de detecção de ameaças é extremamente sensível, fazendo com que pequenos gatilhos interpessoais sejam processados pelo cérebro como perigos iminentes e vitais, resultando em respostas instintivas e abruptas de fuga ou ataque. A terapia, especialmente conduzida pelo viés psicanalítico, atua como um espaço seguro e um contorno firme para esse transbordamento. No nosso encontro clínico, o objetivo primordial não é corrigir o seu comportamento de forma mecânica, mas sim construir um ambiente onde você possa experimentar uma relação de confiança que não se desfaz, não retalia e não te abandona diante dessas oscilações. Aos poucos, o processo de análise ajuda a integrar essas partes divididas, permitindo que você perceba que o outro e você mesmo não precisam ser totalmente idealizados ou totalmente desvalorizados. Você descobre que é possível sustentar uma relação onde o afeto e a imperfeição coexistem. Esse trabalho profundo de elaboração dá contorno à sua angústia, fortalecendo a sua estrutura interna para que as relações possam ser vivenciadas com mais estabilidade, menos medo e com uma intimidade mais livre e verdadeira. Espero ter te ajudado. Qualquer pergunta estou à disposição. Grande abraço!
Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. A psicanálise vê esse padrão como ambivalência afetiva e medo de abandono. A TCC entende como resposta a crenças distorcidas e impulsividade. A neuropsicologia relaciona ao déficit em controle inibitório, tomada de decisão e leitura social. O ciclo reflete vulnerabilidade emocional. Atenciosamente, Psicólogo Fernando Segundo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Atendimento presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES Abraços
Pela psicanálise, o padrão de aproximação e afastamento no TPB é entendido como expressão de conflitos internos ligados à dificuldade de integrar afetos opostos em relação ao outro, fazendo com que a mesma pessoa seja vivida ora como fonte de segurança e amor, ora como ameaça ou frustração. Isso gera movimentos intensos de aproximação em busca de fusão e, em seguida, afastamento defensivo diante de angústias de invasão ou abandono. Na TCC, esse padrão é visto como resultado de interpretações rápidas e automáticas de sinais interpessoais, em que pequenas variações na relação são percebidas como rejeição ou risco de abandono, levando a comportamentos impulsivos de aproximação para obter segurança e afastamento para evitar dor emocional. Na neuropsicologia, esse funcionamento é associado à alta reatividade emocional e dificuldades na regulação de impulsos e na flexibilidade cognitiva, o que dificulta manter uma resposta interpessoal estável diante de variações emocionais internas e externas.
O comportamento de aproximação e afastamento no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ocorre pela dificuldade em equilibrar o desejo de proximidade emocional com o medo de rejeição, abandono ou sofrimento. Psicanálise: compreende esse movimento como expressão de conflitos internos, insegurança nos vínculos e dificuldade em integrar sentimentos positivos e negativos sobre si e sobre o outro. TCC: entende como resultado de crenças de abandono, interpretações de ameaça ou rejeição e dificuldades na regulação emocional, levando a oscilações entre busca intensa de proximidade e afastamento defensivo. Neuropsicologia: relaciona esse padrão a dificuldades nos processos de regulação emocional, controle de impulsos, percepção social e avaliação das intenções do outro, podendo gerar respostas intensas diante das relações.
Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.
