Minha filha de 6 anos teve uma convulsão febril decorrente de uma amidalite. Levamos ela no pronto s

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Minha filha de 6 anos teve uma convulsão febril decorrente de uma amidalite. Levamos ela no pronto socorro e foi atendida por uma pediatra de plantão. Após avaliar disse que a convulsão foi febril decorrente do aumento rápido da temperatura. Após exames, minha filha foi liberada. A médica falou que não era comum a convulsão febril com 6 anos, mas que apesar de raro era o caso da minha filha. Após 30 dias levamos nossa filha na pediatra para uma revisão e mencionamos que a ela havia tido a convulsão febril. Já a pediatra deu outra opinião, dizendo que com 6 anos era impossível ser convulsão febril e já disse que era quase certo o diagnostico de epilepsia. Nos passou 2 exames que minha filha terá que fazer com urgência: tomografia e eletroencefalograma. Neste caso, sendo que minha filha não tem nenhum sintoma e foi um único episódio de convulsão febril, é correto afirmar como a pediatra disse que é quase certo um caso de epilepsia? O exame de tomografia não é desnecessário neste caso?
Dr. Gustavo Holanda
Neurologista pediátrico
Recife
Compreendo profundamente sua apreensão. Nenhum pai ou mãe está preparado para presenciar uma convulsão em um filho, ainda mais quando surgem opiniões médicas tão diferentes, o que, naturalmente, gera medo, insegurança e uma enxurrada de dúvidas.

Vamos aos fatos, de forma clara, objetiva e sem rodeios. A convulsão febril, de fato, é um fenômeno bastante comum na infância, especialmente entre os 6 meses e 5 anos de idade, com pico por volta dos 18 meses a 3 anos. No entanto, dizer que ela "não pode" ocorrer aos 6 anos é um exagero e, tecnicamente, incorreto. O que a literatura médica sustenta é que acima dos 5 anos, ela se torna menos frequente, mais rara, mas não impossível. Crianças são organismos em desenvolvimento, e os limites biológicos nem sempre são tão matemáticos quanto gostaríamos.

A convulsão febril acontece, geralmente, quando há uma elevação rápida da temperatura, especialmente no início de infecções, como no caso da sua filha, que estava com amigdalite — um dos quadros clássicos associados a febre alta e súbita. O mais importante é entender se essa convulsão teve as características típicas: duração curta (geralmente menos de 15 minutos), generalizada (todo o corpo, não só um lado), sem que a criança tenha crises repetidas nas primeiras 24 horas e sem histórico prévio de problemas neurológicos. Se foi assim, estamos diante de um quadro possivelmente de convulsão febril simples, mesmo que em idade limite para isso.

Por outro lado, a função da pediatra no acompanhamento, agindo com cautela, também faz parte do cuidado responsável. Quando a convulsão ocorre fora da faixa etária típica, ou quando há alguma característica diferente (como crise focal, duração muito longa, ou dificuldade na recuperação após a crise), a investigação com exames como eletroencefalograma (EEG) e, eventualmente, imagem do crânio pode ser indicada.

Agora, vamos esclarecer um ponto importante: afirmar que é "quase certo epilepsia" após um único episódio isolado, sem história de outras crises e sem resultado de exames, não é uma conduta adequada nem compatível com o que recomendam as diretrizes médicas atuais. Isso não é diagnóstico, é especulação precoce. A epilepsia, por definição, exige duas ou mais crises não provocadas (ou uma, se houver exames que mostrem alto risco de recorrência). Uma crise única associada à febre não cumpre esse critério.

Sobre a tomografia, ela não é o exame de escolha inicial na investigação de uma crise convulsiva isolada, especialmente se a criança está neurologicamente normal no exame clínico e não há suspeitas de lesões estruturais, traumas ou sinais neurológicos focais. O eletroencefalograma é, sim, mais útil neste contexto, pois avalia a atividade elétrica cerebral e pode ajudar a entender se existe risco aumentado para futuras crises epilépticas.

A tomografia pode ser indicada, com bom senso, em casos de emergência — quando há suspeita de infecção no sistema nervoso, trauma craniano, sinais de hipertensão intracraniana, déficit neurológico ou alterações na recuperação pós-crise. Fora desse contexto, especialmente em um cenário eletivo, o mais sensato é discutir a possibilidade de, se necessário, realizar uma ressonância magnética, que é mais sensível e não envolve radiação, diferente da tomografia.

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Dr. Alexandre Nascimento Harada
Neurologista pediátrico
São Paulo
A convulsão febril ocorre mais comumente dos 6 meses aos 5 anos, quando acontece fora dessa faixa etária são considerados casos atípicos e devem ser investigados mais a fundo. O exame de eletroencefalograma é realizado para investigar síndrome epilética e a tomografia de crânio investiga massas e tumores encefálicos.

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