Minha sogra teve um AVC isquemico a quase 2 anos e ficou com sequelas na fala, braço e perna. Gostar
4
respostas
Minha sogra teve um AVC isquemico a quase 2 anos e ficou com sequelas na fala, braço e perna. Gostaria de saber se nesse caso se consegue fazer a cirurgia para a retirada do coágulo.?
Nesse caso não há necessidade de remover coágulo. As sequelas já aconteceram e não tem como reverter completamente. O ideal é fazer fisioterapia para melhorar a parte física em relação as sequelas, controlar os fatores de risco para novo AVC, como pressao alta, cigarro e procurar um cirurgião vascular para melhor avaliação e realização do Doppler de carotidas, muito importante nos pacientes que já sofreram AVC para prevenir possíveis novos episódios.
Tire todas as dúvidas durante a consulta online
Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.
Mostrar especialistas Como funciona?
Um terço dos AVCs são de causa carotídea, ou seja, placa aterosclerótica na artéria carótida que emboliza ou oclui, causando o AVC. Os outros dois terços estão relacionados a hipertensão e doenças cardíacas. Neste caso não há mais como retirar o coágulo que já causou o dano cerebral, porém se a causa for uma lesão na carótida, e esta não estiver ocluida, deve ser tratada. Precisa ser avaliada por cardiologista e cirurgião vascular para melhor conduta.
Excelente pergunta — e muito relevante, pois o tratamento cirúrgico para retirada de coágulo (trombectomia ou cirurgia descompressiva) só é indicado nas primeiras horas após o AVC isquêmico, quando o coágulo ainda está obstruindo o fluxo sanguíneo cerebral e o tecido nervoso ainda pode ser salvo. Após dois anos do evento, o coágulo já não está mais presente, pois ele é naturalmente absorvido pelo organismo nas primeiras semanas. O que permanecem são as sequelas neurológicas deixadas pela área cerebral que sofreu isquemia (falta de sangue e oxigênio). Assim, neste estágio, não há mais indicação de cirurgia para retirada do trombo, mas sim de tratamento reabilitacional e prevenção secundária — para evitar novos AVCs e melhorar a qualidade de vida. Atualmente, existem duas abordagens emergenciais que podem ser usadas nas primeiras horas de um AVC isquêmico: a trombólise medicamentosa (com alteplase intravenosa, até 4h30 após o início dos sintomas) e a trombectomia mecânica (cateterismo cerebral que remove o coágulo, indicada até 6 horas — e, em casos selecionados, até 24 horas — após o início). No entanto, após o período agudo, o foco do tratamento muda completamente: a prioridade passa a ser prevenir novas obstruções vasculares com uso de antiagregantes, controle da pressão arterial, colesterol e glicemia, além de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional para recuperar funções motoras e de fala. Mesmo depois de dois anos, ainda é possível estimular a neuroplasticidade cerebral — a capacidade do cérebro de criar novas conexões —, o que pode gerar melhorias graduais na fala e na mobilidade, especialmente se houver engajamento em terapias contínuas e personalizadas. Em resumo: a cirurgia para retirar coágulo só é indicada nas primeiras horas após o AVC isquêmico; depois desse tempo, o coágulo já não está mais presente, e o foco deve ser na reabilitação e prevenção de novos eventos. Reforço que esta resposta tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica individual. O acompanhamento com o neurologista e equipe multiprofissional é essencial para planejar a reabilitação adequada e reduzir riscos futuros. Coloco-me à disposição para ajudar e orientar, com consultas presenciais e online em todo o Brasil, com foco em neurologia clínica, reabilitação pós-AVC e medicina do sono, sempre com uma abordagem técnica e humanizada. Dra. Patrícia Gomes Damasceno – Neurologista | Especialista em Medicina do Sono | CRM 11930-CE | RQE nº 7771 | RQE nº 8082
Quando ocorre um AVC isquêmico (derrame por obstrução de um vaso cerebral), o coágulo que bloqueou a circulação sanguínea precisa ser removido imediatamente nas primeiras horas para evitar sequelas — geralmente por meio de trombólise (uso de medicamentos para dissolver o trombo) ou trombectomia mecânica (cirurgia endovascular para retirar o coágulo). No entanto, esses procedimentos só são indicados durante a fase aguda, dentro de uma janela terapêutica muito curta, normalmente de até 4h30 para a trombólise e até 6 a 24 horas para a trombectomia, dependendo do caso e dos exames de imagem. Após quase dois anos do AVC, o coágulo já foi reabsorvido naturalmente pelo organismo, e o que permanece são as áreas de tecido cerebral danificado (gliose ou cicatriz neurológica), que não podem mais ser tratadas com cirurgia de remoção do trombo. Nessa fase, o foco do tratamento passa a ser a reabilitação neurológica e funcional, com o objetivo de recuperar o máximo possível de movimento, fala e independência. O que ainda pode e deve ser feito inclui: • Fisioterapia motora e neurológica intensiva, para estimular plasticidade cerebral e reorganização neural; • Fonoaudiologia, essencial nos casos com sequelas de fala e deglutição; • Terapia ocupacional, para readaptar tarefas do dia a dia e melhorar autonomia; • Avaliação neurológica e vascular periódica, para ajustar medicamentos e prevenir novos AVCs; • Controle rigoroso de fatores de risco como pressão alta, diabetes, colesterol, tabagismo e sedentarismo. Em alguns casos, o neurologista pode solicitar novos exames de imagem (ressonância magnética ou angiotomografia cerebral) apenas para avaliar a circulação cerebral atual, mas não há mais indicação cirúrgica para retirada do coágulo. Em resumo: a cirurgia de retirada de coágulo só é possível nas primeiras horas do AVC; após dois anos, o tratamento deve ser totalmente direcionado à reabilitação e prevenção de novos eventos. O acompanhamento com um neurologista vascular é fundamental para definir o melhor plano de cuidado e ajustar as medicações conforme o quadro atual. Reforço que esta resposta tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica individual. O acompanhamento com seu neurologista é essencial para confirmar o diagnóstico e garantir segurança no uso. Coloco-me à disposição para ajudar e orientar, com consultas presenciais e atendimento online em todo o Brasil, com foco em neurologia clínica, reabilitação pós-AVC e regulação neurofuncional, sempre com uma abordagem técnica, empática e humanizada. Dra. Camila Cirino Pereira – Neurologista | Especialista em TDAH | Especialista em Medicina do Sono | Especialista em Saúde Mental CRM CE 12028 | RQE Nº 11695 | RQE Nº 11728
Especialistas
Perguntas relacionadas
- Quando a sugestão de trombose pretérita, onde os seios transversos estão parcialmente recanalizados. A anticoagulação ainda é recomendada, ou somente se houver oclusão dos vasos? Qual seria o protocolo?
- Tenho síndrome pós trombotica, diagnosticado a dois anos com essa sequela, embora eu consiga viver bem ainda tenho problemas com inchaço e esteticamente a perna não está legal, posso realizar o procedimento de trombectomia?
- Fiz uma trombectomia na safena na perna esquerda a 3 dias e minha coxa parte interna está doendo quando piso no chão é normal ?
- Meu tio realizou uma trombectomia venosa da veia cava inferior. Ele já tem 26 horas de pós-operatório e foi dado de alta, mas não explicaram bem: Quando retirar o enfaixamento da perna esquerda? Em que momento são usadas as meias elásticas? Pode começar fazer caminhadas logo? Quando se lava a ferida?…
- minha esposa teve uma AVC a 1 ano atras, ficou com lesão do olho esquerdo ( visão periférica ) pode fazer trombectomia ?
- Fiz a Fissurectomia e Trombectomia com pontos internos á 4 dias, porém desde ontem estou sentindo um ponto saindo pra fora que está incomodando muito as vezes me fura, gostaria de saber se ele vai cair sozinho e quanto tempo isso pode ocorrer para cicatrização, ou se preciso retornar ao médico?
- Tive trombose na perna esquerda a 6 meses nas veias poplitea e gastrocnemicas fiz o exame agora deu compatível com trombose prévia parcialmente recanalizada. Quero saber se ja posso voltar a vida normal e fazer exercícios físicos. ou ainda preciso de repouso?
- Quem teve avc pode fazer trombectomia venosa?
- Qual a diferença entre trombectomia e revascularização?
- tive trombose de repetição veia basilica mse,faço uso de anticoagulante oral marevan,estou sentindo o mesmo braço dolorido,pode ser devido ao frio?
Você quer enviar sua pergunta?
Nossos especialistas responderam a 16 perguntas sobre Trombectomia Venosa
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.