O aumento de peso com a Mirtazapina de Remeron está relacionado somente com o aumento do apetite ou

6 respostas
O aumento de peso com a Mirtazapina de Remeron está relacionado somente com o aumento do apetite ou mesmo eu comendo a mesma quantidade há aumento de peso somente como efeito colateral da medicação?
Dra. Milene de Mello
Psiquiatra
Belo Horizonte
Só com o aumento do apetite e o consequente aumento do volume de alimentos. Não tem um mecanismo hormonal ou outros.

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Está relacionado a ambos: há aumento de peso por aumento de apetite como por alterações metabólicas, aumento de triglicerideos, colesterol e transaminases em alguns casos. Sugiro procurar o psiquitra para esclarecer sobre os riscos e benefícios da medicacão no seu caso específico. Att.
Os pacientes que usam mirtazapina devem ser acompanhados regularmente em relação ao aumento do peso! Podem surgir alterações metabólicas que necessitem do acompanhamento de um endocrinologista! Converse com seu médico!
Dra. Lilian Muniz
Psiquiatra, Generalista
Rio de Janeiro
Há pouco consenso entre os especialistas, mas estudos que apontam que esse ganho de peso não se dá exclusivamente por ingestão calórica aumentada.

Mecanismos além do apetite:

Bloqueio dos receptores H1 (histamina):
A mirtazapina tem forte afinidade pelo receptor H1, o que gera sedação e aumento do apetite.
Mas esse bloqueio também reduz o gasto energético basal (inclusive durante o sono), o que pode contribuir para ganho de peso mesmo sem aumento proporcional da ingestão calórica.

Ação nos receptores 5-HT2C e α2-adrenérgicos: O bloqueio 5-HT2C está envolvido na regulação da saciedade e do metabolismo. PORÉM, a modulação dos receptores α2 pode afetar a sensibilidade à insulina e o metabolismo lipídico — alterações metabólicas sutis já foram descritas, embora ainda não sejam totalmente compreendidas.

Alguns estudos mostraram que pacientes usando mirtazapina apresentaram aumento de triglicerídeos e colesterol, mesmo sem ganho expressivo de peso. Isso sugere um efeito metabólico direto, ainda em investigação.

Estudos relevantes:
Himmerich et al., 2005, Neuropsychobiology: mirtazapina associada a alterações metabólicas e aumento de leptina, independentemente de apetite.
Paiva et al., 2022, Journal of Affective Disorders: descrevem ganho de peso com mirtazapina mesmo em protocolos controlados de ingestão alimentar.
Revisões sistemáticas do Cochrane Database apontam a mirtazapina como uma das mais propensas ao ganho ponderal, mas sugerem que os mecanismos não são totalmente dependentes do apetite.
Dra. Fernanda Souza de Abreu Júdice
Psiquiatra, Médico perito, Médico clínico geral
Rio de Janeiro
O aumento de peso com o uso da mirtazapina, como o Remeron, está relacionado principalmente ao aumento do apetite, que é um efeito comum do medicamento. Muitas pessoas passam a sentir mais fome e têm desejo por alimentos calóricos, o que naturalmente leva ao ganho de peso.

No entanto, mesmo que você mantenha a mesma quantidade de comida, a mirtazapina pode alterar o metabolismo e a forma como seu corpo armazena gordura, contribuindo para o aumento de peso independentemente da alimentação. Ou seja, o remédio pode levar a um ganho de peso também por efeitos diretos no organismo, além do simples aumento do apetite.

Por isso, é importante conversar com seu médico para acompanhar esse efeito e, se necessário, ajustar o tratamento ou adotar estratégias para controlar o peso sem comprometer a eficácia do medicamento. Estou aqui para ajudar a esclarecer suas dúvidas e acompanhar seu cuidado. Fique à vontade para contar comigo.
Dra. Camila Cirino Pereira
Neurologista, Médico do sono, Psiquiatra
São Paulo
Excelente pergunta — o aumento de peso causado pela mirtazapina (Remeron) não está relacionado apenas ao aumento do apetite, embora esse seja um dos principais fatores. A mirtazapina age em vários receptores cerebrais, incluindo receptores de serotonina (5-HT2 e 5-HT3) e histamina (H1), o que provoca um conjunto de efeitos metabólicos que podem favorecer o ganho de peso mesmo sem aumento significativo na ingestão calórica. O bloqueio dos receptores H1 e 5-HT2C aumenta a sensação de fome e o desejo por carboidratos, mas também diminui o gasto energético basal, tornando o metabolismo mais lento. Além disso, a medicação pode aumentar a retenção de líquidos e alterar o metabolismo da glicose e dos lipídios, o que contribui para o ganho de peso corporal, mesmo que a pessoa mantenha a mesma dieta e rotina. Estudos mostram que o aumento de peso costuma ser mais evidente nas primeiras 6 a 8 semanas de uso, tendendo a se estabilizar após esse período. Pessoas com metabolismo naturalmente mais lento, vida sedentária ou predisposição genética à resistência à insulina tendem a ganhar mais peso. Para minimizar esse efeito, recomenda-se manter rotina de atividade física leve a moderada, priorizar proteínas magras e vegetais no jantar (principalmente se a dose for noturna) e evitar alimentos ricos em açúcar e gordura, que potencializam o efeito da mirtazapina sobre o apetite. Em alguns casos, o médico pode ajustar a dose ou o horário de uso para reduzir o impacto metabólico. Em resumo: o ganho de peso com a mirtazapina ocorre tanto por aumento do apetite quanto por alterações metabólicas diretas, podendo acontecer mesmo comendo a mesma quantidade. A boa notícia é que, com acompanhamento e medidas de estilo de vida, esse efeito pode ser controlado sem prejuízo do tratamento. Reforço que esta resposta tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica individual. O acompanhamento com seu neurologista é essencial para confirmar o diagnóstico e garantir segurança no uso. Coloco-me à disposição para ajudar e orientar, com consultas presenciais e atendimento online em todo o Brasil, com foco em neurologia clínica, saúde mental e regulação neurofuncional, sempre com uma abordagem técnica, empática e humanizada. Dra. Camila Cirino Pereira – Neurologista | Especialista em TDAH | Especialista em Medicina do Sono | Especialista em Saúde Mental CRM CE 12028 | RQE Nº 11695 | RQE Nº 11728

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