Olá! Eu quero um conselho sobre uma situação, não sei o que fazer e estou extremamente ansiosa: A

Olá! Eu quero um conselho sobre uma situação, não sei o que fazer e estou extremamente ansiosa: Aconteceu uma situação comigo, que se tornou uma bola de neve por conta da minha empatia em excesso e medo de conflitos. Há um tempo atrás eu estava ficando com uma pessoa. Essa pessoa não estava sendo saudável para mim e nem eu para ela. Discutíamos com frequência e eu sentia que estava me tornando dependente, então decidi pedir um tempo sozinha, quando o fiz, essa pessoa me xingou, me chamou de "autista doente", de "puta nojenta", entre outras coisas, eu falei que tudo bem, que deseja tudo de bom pra ela, mesmo que ela tenha me desejado mal. Um tempo depois ela me pediu desculpas e eu aceitei as desculpas, embora ainda doesse, já que entre as coisas que essa pessoa falou, ela usou o meu relato de estupro, que confiei a ela contra mim. Porém, eu resolvi perdoar, eu não consigo sentir raiva, nem guardar rancor ninguém, tenho muita empatia pelas pessoas e isso está me consumindo de certa forma. O que aconteceu foi que, no momento em que houve essa discussão em que ela me xingou, meus pais tinham ido me visitar (eu tenho 21 anos, moro sozinha por conta da faculdade), eles chegaram e eu estava chorando com o celular na mão, como eu não conseguia falar nada, eles pegaram e leram as mensagens, e desde então, não gostam dela. Mas, como eu falei eu desculpei ela, só que eu não contei pra ela que meus pais sabiam disso tudo, e que eles não gostavam quando eu ia ver ela, mesmo que fosse só na amizade. Eu não contei pq eu não queria envolver eles em uma situação que era minha e dela apenas. No entanto, recentemente eu acabei tendo que contar, porque eu vim passar as férias na casa dos meus pais que fica na cidade em que ela mora, ela estava no mesmo bairro que os meus pais moram e me chamou para ir na casa da avó dela, e eu falei que iria, mas quando comuniquei meus pais (afinal, eu estava na casa deles), meus pais falaram que eu era idiota por continuar falando com ela, e coisas assim, já que ela me tratou daquela maneira. Eu expliquei, que apesar do que ela disse, ela me pediu desculpas e que ela só falou isso, pq se sentiu magoada, e eu entendi isso, mas também entendo o lado dos meus pais, então eu tive que contar para ela. Só que ela não lidou bem com a situação, basicamente me chamou de infantil, e isso fica girando na minha mente. Sempre que eu tento consertar as coisas, fazer de tudo para não magoar ninguém, eu acabo magoando. Para mim, tá sendo muito difícil continuar sendo amiga dessa pessoa, é desgastante emocionalmente, em muitos níveis, mas eu não quero magoar ela mais do que eu já magoei, e uma parte minha, não quer que ela tenha pensamentos ruins sobre mim, pq eu não guardo nenhum pensamento ruim sobre ela. Eu não sei o que deveria fazer, eu sinto que tudo isso só aconteceu por conta da minha extrema capacidade de sentir muita empatia e não querer magoar e nem arrumar conflito. Eu não lido bem com conflitos, nem com brigas, me sinto ansiosa e com dor no estômago, meus rituais do toc (diagnosticado) estão aumentando em decorrência da minha ansiedade. Não sei o que fazer, eu sei que eu fui errada, eu fui infantil, eu fui imatura, mesmo que eu só não quisesse magoar ninguém, e eu sei que eu tenho 21 e eu decido com quem sair, mas eu só não queria ter que ficar em um clima ruim com os meus pais, sendo que estou passando as férias na casa deles. Ela costuma jogar muito a culpa em mim, e eu costumo aceitar, porque sei que eu tbm erro e que ela está no direito de sentir dor, eu só queria sumir, mas não posso fazer isso, não é justo. Constantemente sinto que faltei no dia em que ensinaram como se viver e como lidar com as pessoas, eu não consigo entender pessoas, por mais que eu tente, me sinto como uma criança o tempo inteiro, talvez pq eu tenha atitudes imaturas, como ela mesma pontuou, eu só quero sumir e dormir, não quero ouvir nada, não quero sentir nada, não quero ver nada, não quero falar nada, eu sinto que vou colapsar.

9 respostas


Oi percebo sua ansiedade e angústia perante esta situação. Acredito que o mais importante neste momento é compreender que não foi que criou essa situação. Oi seja não deve se sentir culpado. Segundo poder entender o pq vc necessita tanto agradar as pessoas para se sentir aceito. Acredito que independente de estarmos brabos, magoados , sempre devemos ter cuidado no que expressamos. Seria muito importante e te auxiliaria fazer uma terapia, para poder entender melhor o motivo do seu comportamento ser tão permissivo.

Obtenha respostas com a consulta online

Precisa do conselho de um especialista? Agende uma consulta online: receba todas as respostas sem sair de casa.


O que você descreve mostra que essa situação está te fazendo adoecer. O medo de conflitos e a tentativa de não magoar ninguém podem levar a aceitar relações que te machucam. Um sinal de alerta é o aumento dos sintomas do TOC, indicando que algo ultrapassou o limite do que pode ser sustentado sozinha. Nesse momento, meu conselho é que você procure ajuda psicológica e marque uma consulta o quanto antes, para ter um espaço seguro onde possa se cuidar, compreender por que está se colocando nesse lugar e interromper esse ciclo de sofrimento.

Lucia Bianchini

Lucia Bianchini

Psicólogo

Rio de Janeiro

Agendar consulta

Pelo que você descreve, na tentativa constante de não magoar os outros e evitar conflitos, quem acaba se machucando é você. A empatia, que é uma qualidade importante, parece estar sendo vivida sem limites e isso te coloca repetidamente em situações de sofrimento e desgaste emocional. O que essa pessoa fez com você foi muito violento, ao usar algo tão íntimo e doloroso contra você, e é compreensível que seus pais tenham reagido tentando te proteger. Ao longo de tudo isso, você vai se responsabilizando pela dor de todos enquanto minimiza a sua própria, e manter esse vínculo, mesmo dizendo que é apenas amizade, está claramente afetando sua ansiedade, seus sintomas de TOC e sua qualidade de vida. Cuidar de si, colocar limites ou se afastar não significa ser cruel, infantil ou imatura, mas reconhecer o que hoje te faz mal. Olhar para essa dificuldade de lidar com conflitos e com a culpa que surge quando você tenta se posicionar pode ser um passo importante, e a terapia pode ajudar muito nesse processo, oferecendo um espaço para compreender essa necessidade de agradar, aprender a sustentar frustrações alheias e construir formas mais saudáveis de se colocar nas relações.


Olá, como vai? É uma situação muito estressante e cansativa a qual vocÊ está passando, ficando entre os pais e uma ex, na tentativa de equilibrar os pratos para todos ficarem felizes, sem incômodos, porém todos estão incomodados. E isso faz parte da vida, não vamos conseguir agradar a todos, por isso fazemos escolhas, e o mais viável é nos colocar em primeiro lugar. Sabe aquela fala do avião, em colocar a máscara primeiro na gente e depois no outro? O que você descreve é algo bem próximo. Sugiro você ler, estudar e se informar sobre relacionamentos abusivos, pois essas moça te trata de forma ruim, não se joga na cara um trauma, trauma o qual repercute até hoje, conforme o relato. Sugiro você se afastar dessa moça e ouvir seus pais, que querem cuidar de você, nesse momento de fragilidade. Se for difícil se afastar dela, procure por um psicólogo, para você falar e ser ouvida, trabalhar suas demandas emocionais e de relacionamento, para que no próximos, sejam mais leves e saudáveis. Espero ter ajudado, fico à disposição!


Olá. Nossa, sinto muito por tudo isso, tenho certeza que é muito difícil. Veja só, acho que você está dando um passo importante em perceber que a forma com que as coisas tem se desenvolvendo não está funcionando. Não se machuque em se acusar de imaturidade, infantilidade e tudo mais. Tudo na vida pode ser aprendido no contexto correto. A psicoterapia é um lugar que pode te apoiar nesses momentos, assim como te ajudar a entender as pessoas e a pensar em novas estratégias para lidar com elas. Acredito que o processo seria muito benéfico para você. Vejo que você é uma pessoa com as melhores das intenções. Caso você opte por tentar o processo, posso te acompanhar.


O que você descreve é, de fato, muito intenso e confuso, e é compreensível que esteja se sentindo esgotada. Há algo central que precisa ser dito com cuidado: ter empatia não significa se violentar para poupar o outro. Quando você permanece em situações que lhe causam dor para evitar conflitos ou para não decepcionar ninguém, o sofrimento acaba recaindo sempre sobre você. O que tem sido nomeado por você — e por outros — como “imaturidade” parece, na verdade, uma tentativa de manter os vínculos intactos, sem perder ninguém, mesmo quando esses vínculos entram em choque entre si. Isso costuma gerar uma sensação constante de confusão, culpa e a fantasia de que seria possível “consertar tudo” se você se esforçar o suficiente. Mas relações envolvem limites, frustrações e escolhas, e nem sempre há uma saída que preserve todos sem custo. Talvez o desafio agora não seja decidir quem está certo ou errado, mas reconhecer o quanto esse lugar de mediadora está te adoecendo. Cuidar de si pode significar sustentar limites, mesmo com desconforto. A psicoterapia pode ser um espaço fundamental para elaborar essa culpa, trabalhar o medo do conflito e construir relações onde você não precise desaparecer para que o outro fique bem.


Olá! Sinto muito pelo que você está passando. Às vezes pode ser difícil entender as dinâmicas sociais e a confusão causa bastante ansiedade, né? Uma coisa que você teria que considerar nessas situações, é o quanto essa relação está te custando em termos de sossego, saúde mental, etc. Não se sinta obrigada a continuar em relações, mesmo que sejam de amizade, se elas não estão sendo legais para você. Ficar nessa relação por ter empatia demais (ou pena?) pela outra pessoa, também é subestimar a capacidade dela de superar esse término e seguir em frente. Considere a terapia também. Acho que nesse momento, seria importante.


Olá! Pelo que você descreve, parece que você está tentando assumir a responsabilidade pelos sentimentos de todo mundo ao seu redor e, nesse processo, está ficando sem espaço para perceber e respeitar os seus próprios limites. Ter empatia por alguém não significa precisar aceitar comportamentos que machucam você. É possível compreender que uma pessoa estava magoada e, ao mesmo tempo, reconhecer que xingamentos, humilhações ou utilizar contra você algo tão íntimo quanto um relato de violência sexual ultrapassam limites importantes. Compreender o comportamento de alguém não obriga você a permanecer próxima dessa pessoa. Também vale diferenciar culpa de responsabilidade. Quando existe muito medo de conflito, podemos desenvolver pensamentos como: “preciso evitar que ela fique magoada”, “se ela pensa mal de mim, significa que fiz algo errado” ou “preciso consertar essa situação”. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), investigamos essas interpretações e observamos como elas influenciam ansiedade, culpa e comportamentos como ceder, explicar-se excessivamente ou permanecer em relações que estão causando sofrimento. Como você já possui diagnóstico de TOC e percebe aumento dos rituais, isso também merece atenção. A ansiedade provocada pelos conflitos pode intensificar obsessões e compulsões. Nesse caso, a TCC pode incluir Exposição e Prevenção de Resposta (EPR), tratamento amplamente utilizado para o TOC, trabalhando também a necessidade de obter certeza, neutralizar a culpa ou buscar repetidamente a confirmação de que você não fez nada errado. Outro ponto importante é aprender a estabelecer limites interpessoais. Colocar um limite não significa punir, abandonar ou deixar de ter empatia pelo outro. Às vezes, significa reconhecer: “eu entendo que você esteja magoada, mas não consigo continuar nessa relação dessa maneira”. O objetivo terapêutico não seria ensinar você a nunca gerar desconforto nas pessoas, isso seria impossível, mas ajudá-la a tolerar o desconforto de eventualmente desagradar alguém sem abandonar aquilo que é importante para você. E gostaria de destacar uma parte da sua fala: quando você diz que quer “sumir”, dormir e não sentir mais nada e que sente que vai “colapsar”, isso merece ser levado a sério. Um psicólogo precisaria compreender melhor o que “sumir” significa para você e avaliar seu estado emocional e sua segurança neste momento. Caso exista pensamento de morte, vontade de se machucar ou sensação de que não conseguirá se manter segura, procure ajuda presencial de urgência e não permaneça sozinha. Portanto, não me parece adequado resumir toda essa situação dizendo simplesmente que você foi “infantil” ou “imatura”. Há vários aspectos que precisam ser compreendidos com mais cuidado. Uma psicoterapia em TCC pode ajudá-la a trabalhar o TOC, a culpa excessiva, o medo de conflitos, as crenças sobre responsabilidade pelos sentimentos alheios, a regulação emocional e a construção de limites mais saudáveis.


Olá, é um prazer te ter aqui para tirar suas dúvidas. A vivência que você descreve expõe com muita clareza como a esquiva do conflito e o excesso de hiperempatia defensiva podem criar dinâmicas de alto desgaste emocional. No primeiro caso, ao tentar mediar a insatisfação dos seus pais e as exigências da sua ex-parceira, você acabou absorvendo a responsabilidade por atitudes que não foram suas. Quando uma pessoa recorre a ofensas graves e utiliza vulnerabilidades íntimas (como um relato de trauma) para atacar, e posteriormente reage com invalidação e acusações de "infantilidade" quando limites são impostos, ela demonstra um padrão relacional tóxico. Aceitar a culpa para evitar o confronto é um mecanismo de defesa comum em quem tem medo de rejeição ou conflitos, mas isso sobrecarrega o sistema nervoso e exacerba sintomas ansiosos e rituais do TOC. Reconhecer que você tem o direito de se afastar de relações que causam dor não é imaturidade, mas sim um passo essencial de autocuidado e preservação da sua saúde mental. Atenciosamente, Fernando Vicente Rébuli Segundo Psicólogo e Neuropsicólogo @psifernandosegundo fernandosegundo.com Psicoterapia presencial e online para todo o Brasil e para Vitória‑ES Abraços

Todo o conteúdo, em particular perguntas e respostas, é de caráter informativo e em nenhum caso pode substituir um diagnóstico médico.