Olá, Minha dúvida é, em suma, se um homem com TOC e TPB "pode" ter filho e quais são os riscos ni

Olá, Minha dúvida é, em suma, se um homem com TOC e TPB "pode" ter filho e quais são os riscos nisso. Sou um homem de 30 anos e fui diagnosticado com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), mais voltado aos pensamentos intrusivos/repugnantes do que a rituais (preencho todos os critérios do DSM voltados aos pensamentos instrusivos), e transtorno de personalidade borderline (a mesma pessoa tem ambos os transtornos), identificando-me integralmente com 8 dos 9 critérios diagnósticos do DSM (exceto automutilação), tanto segundo minha autoavaliação quanto segundo a opinião técnica da minha psicóloga e da minha psiquiatra. Acontece que sou casado, e sempre falei em ter filho com minha esposa, mas tenho medo dos riscos em ter um filho com essas condições, e não sei se existe a possibilidade de eu estar 100% sob controle, porque estou em tratamento psiquiátrico e psicológico há mais de 6 meses e até agora já estou no quarto medicamento que não fez diferença nos meus sintomas, assim como a TCC não tem surtido efeito. Pelo contrário: parece-me que estar "encarando" agora esses meus sintomas, com os quais sempre lidei, mas que nunca procurei investigar, intensificou-os, e só penso nisso 24h por dia (antes de "encarar" os sintomas na terapia e no acompanhamento psiquiátrico, eu "me jogava de cabeça em outras coisas, nas quais eu também pensava 24h por dia, como no trabalho, na faculdade, em determinado hobbie etc.), e passei a ter crises e a ficar mais instável. Desse modo, eu gostaria de saber quais são os riscos de eu ter um(a) filho(a)/ser pai, durante a gestação da minha esposa, e durante a infância da criança nascida dessa gestação, por gentileza.

3 respostas


Primeiramente, parabéns pela atitude de se preocupar com sua capacidade para criar filhos, algo com que a maioria das pessoas não se preocupa e, certamente, há muitas pessoas que acabam prejudicando os filhos e, também, sofrendo, por isto. Normalmente, o transtorno obsessivo-compulsivo, se não for muito grave, não impossibilita as pessoas de criarem filhos, apesar de poder ter alguma interferência em atitudes e, portanto, influenciar o comportamento da criança. O transtorno de personalidade borderline, por outro lado, em função da grande instabilidade emocional e comportamental, pode interferir bastante na capacidade de criar filhos, que exige uma estabilidade. No entanto, não há como saber, sem avaliar você se, especificamente em seu caso você estaria apto, porque depende de gravidade dos sintomas e de características individuais. Mesmo mediante avaliação psiquiátrica e psicológica não há formar precisas de previsão mas, certamente, em casos muito graves, faz sentido aconselhar a pessoa a não ter filhos (contanto que ela venha com esta dúvida, pois este tipo de conselho não deve partir, por questões éticas, do(a) profissional). Assim, somente os profissionais que acompanham você poderiam discutir com você esta importantíssima questão.

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Essa pergunta é muito interessante, mas a verdade é que ninguém tem a resposta pra ela. Pode ser que seus sintomas piorem, mas pode ser que você mude completamente de vida e que isso seja um fator de melhora. O mais importante é você se cuidar, continuar na terapia, construir boas relações e uma vida relativamente estável para conseguir oferecer um ambiente saudável para uma criança. Converse com a sua parceria sobre isso. Acho que nenhum diagnóstico deve ser um fator impeditivo das pessoas viverem uma vida integral. Todavia, é algo a ser planejado e decidido com calma, nunca de maneira impulsiva. Nenhum diagnóstico deve ser um fator de restrição na vida, mas sim de ajuda profissional e cuidado. Boa sorte nesse processo e mantenha seu cuidado antes de qualquer coisa!


Boa tarde, Você pode sim ter filhos. Ter TOC e TPB não impede alguém de ser pai, mas é importante pensar nisso com planejamento e cuidado. Existe um componente genético para esses transtornos, então há um aumento de risco em relação à população geral, mas isso não significa que seu filho necessariamente terá o mesmo quadro. Ambiente, vínculo, estabilidade emocional e suporte fazem muita diferença. O ponto mais importante não é só o diagnóstico em si, mas como você está no momento. TOC com pensamentos intrusivos e TPB podem trazer períodos de maior ansiedade, instabilidade emocional e dificuldade em lidar com estresse e a paternidade, principalmente no início, é uma fase exigente. O fato de você estar em tratamento, refletindo sobre isso e preocupado com o impacto já é um sinal importante de consciência e responsabilidade. Ao mesmo tempo, o que você descreve sugere que seu quadro ainda está ativo e em ajuste, então talvez não seja o melhor momento agora, e sim quando houver mais estabilidade. Sobre o tratamento, às vezes é necessário ajustar abordagem (tipo de terapia, manejo medicamentoso, combinação de estratégias), porque TCC isolada nem sempre é suficiente para todos os casos, especialmente quando há TPB junto. Você pode ser pai, mas o ideal é fazer isso em um momento em que você esteja mais estável e com um plano de suporte bem estruturado (psiquiatra, terapia adequada, rede de apoio). Isso reduz muito os riscos e aumenta a chance de uma experiência mais saudável para você, sua parceira e seu futuro filho.

Dra. Ilana  Souza

Dra. Ilana Souza

Psiquiatra

Rio de Janeiro

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