Por que a pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) não consegue simplesmente ignorar a obses

5 respostas
Por que a pessoa com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) não consegue simplesmente ignorar a obsessão?
A pessoa com TOC não ignora a obsessão porque seu cérebro e suas emoções estão “programados” para tratá-la como uma ameaça real. O cérebro do TOC sinaliza isso como perigo real, mesmo sem evidência.
E o sistema que deveria “desligar o alarme” não funciona direito, a sensação de ameaça não se dissipa.

Tire todas as dúvidas durante a consulta online

Se precisar de aconselhamento de um especialista, marque uma consulta online. Você terá todas as respostas sem sair de casa.

Mostrar especialistas Como funciona?
Na psicanálise, entende-se que quem o sujeito com pensamento obsessivo não consegue simplesmente “ignorar” a obsessão porque ela não é um pensamento qualquer que a pessoa possa decidir afastar. Freud explicava que a obsessão aparece como uma tentativa de controlar a angústia, o sujeito se agarra àquele pensamento ou ritual porque, de algum modo inconsciente, aquilo o protege de algo mais difícil de encarar. Ignorar o sintoma seria como tirar uma tampa de uma panela de pressão: o medo e a tensão que estão por baixo poderiam vir com força ainda maior. Por isso, mesmo sabendo que o pensamento é exagerado ou sem sentido, a pessoa sente que precisa agir daquela forma para aliviar o desconforto.
Lacan complementa dizendo que o é um jeito que o sujeito encontra para dar ordem ao caos, para tentar dominar o que sente que foge do controle. As repetições e rituais criam uma sensação de segurança, como se servissem para “garantir” que nada ruim vá acontecer. Por isso, pedir para alguém com TOC simplesmente parar ou ignorar a obsessão é inútil, porque ela cumpre uma função importante, mesmo que traga sofrimento. O trabalho analítico pode ser um caminho para ajudar a pessoa a entender o que esse sintoma está tentando resolver por dentro, e, aos poucos, encontrar outras formas de lidar com a angústia sem precisar ficar presa a esses pensamentos ou ações repetitivas.
A pessoa com TOC não consegue simplesmente ignorar a obsessão porque esses pensamentos não são voluntários — eles surgem de forma automática e causam uma ansiedade intensa. O cérebro reage como se o conteúdo da obsessão fosse uma ameaça real, mesmo que a pessoa saiba racionalmente que não faz sentido. Essa sensação de urgência e desconforto leva à necessidade de realizar compulsões ou rituais para aliviar o mal-estar. Ou seja, não é falta de força de vontade, e sim um padrão mental muito forte e angustiante. A terapia ajuda a entender esse processo e a desenvolver maneiras mais saudáveis de lidar com esses pensamentos.
Podemos pensa que, pra quem vive o TOC, a obsessão não aparece como um simples pensamento que dá pra “deixar pra lá”. Ela vem carregada de uma sensação intensa de ameaça, culpa ou responsabilidade. A pessoa sente como se precisasse fazer algo para aliviar a angústia que aquilo provoca.

Esses pensamentos acabam se tornando invasivos justamente porque o esforço pra evitá-los os reforça ainda mais.

Ignorar a obsessão pode significar, nesse contexto, sustentar uma ansiedade muito forte e isso não é algo que se faz por simples escolha racional. É algo que precisa ser compreendido, acolhido e trabalhado, pouco a pouco, até que a pessoa consiga perceber outras formas de lidar com o que sente.
Se tiver alguma dúvida, fico a disposição.
No TOC, o pensamento obsessivo não chega como uma ideia qualquer. Ele vem junto de uma sensação muito intensa, como se algo ruim realmente pudesse acontecer. A mente reage como se estivesse diante de um perigo real, mesmo quando a pessoa sabe, racionalmente, que aquilo não faz sentido. Por isso, não é simplesmente uma questão de “ignorar”.
A compulsão surge como uma forma de tentar aliviar a ansiedade e o desconforto que esse pensamento causa. E, por alguns instantes, esse alívio acontece, o que acaba reforçando o ciclo.

Especialistas

Camila Calvet

Camila Calvet

Psicólogo

Nilópolis

Saylo Fernandes Moura

Saylo Fernandes Moura

Psicólogo

Fortaleza

Roberto Carmignani Verdade

Roberto Carmignani Verdade

Psiquiatra

Campinas

Débora Torres

Débora Torres

Psiquiatra

São Paulo

Renata Camargo

Renata Camargo

Psicólogo

Camaquã

Perguntas relacionadas

Você quer enviar sua pergunta?

Nossos especialistas responderam a 1282 perguntas sobre Transtorno Obsesivo Compulsivo (TOC)
  • A sua pergunta será publicada de forma anônima.
  • Faça uma pergunta de saúde clara, objetiva seja breve.
  • A pergunta será enviada para todos os especialistas que utilizam este site e não para um profissional de saúde específico.
  • Este serviço não substitui uma consulta com um profissional de saúde. Se tiver algum problema ou urgência, dirija-se ao seu médico/especialista ou provedor de saúde da sua região.
  • Não são permitidas perguntas sobre casos específicos, nem pedidos de segunda opinião.
  • Por uma questão de saúde, quantidades e doses de medicamentos não serão publicadas.

Este valor é muito curto. Deveria ter __LIMIT__ caracteres ou mais.


Escolha a especialidade dos profissionais que podem responder sua dúvida
Iremos utilizá-lo para o notificar sobre a resposta, que não será publicada online.
Todos os conteúdos publicados no doctoralia.com.br, principalmente perguntas e respostas na área da medicina, têm caráter meramente informativo e não devem ser, em nenhuma circunstância, considerados como substitutos de aconselhamento médico.