Quais são os desafios no diagnóstico de autismo feminino e como os padrões restritos e repetitivos p

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Quais são os desafios no diagnóstico de autismo feminino e como os padrões restritos e repetitivos podem ajudar?
O diagnóstico de autismo em mulheres é desafiador porque muitas aprendem a camuflar dificuldades sociais e a se adaptar às expectativas sociais, o que pode esconder sinais do espectro. Já os padrões restritos e repetitivos — interesses intensos e consistentes — podem ser pistas importantes, pois muitas vezes se manifestam de forma marcante e ajudam os profissionais a identificar traços autistas mesmo quando outras manifestações são sutis.

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 Helio Martins
Psicólogo
São Bernardo do Campo
Oi, tudo bem? Essa é uma pergunta muito importante — e que toca em um dos pontos centrais da subnotificação do autismo em mulheres. O diagnóstico do autismo feminino costuma ser mais difícil porque as manifestações comportamentais muitas vezes não se encaixam nos estereótipos clássicos do autismo masculino. Enquanto meninos tendem a expressar os sintomas de maneira mais visível, muitas meninas aprendem cedo a observar, imitar e se adaptar socialmente, o que chamamos de camuflagem social. Essa habilidade de mascarar os sinais faz com que, por fora, pareçam “ajustadas”, mas por dentro sintam exaustão constante e desconexão emocional.

Os padrões restritos e repetitivos — um dos critérios diagnósticos do TEA — podem, paradoxalmente, ser o fio que ajuda a desatar esse nó diagnóstico. Em mulheres, esses padrões costumam aparecer de forma mais sutil e socialmente aceitável: colecionar informações sobre temas específicos, desenvolver rotinas detalhistas, apegar-se a previsibilidade e sentir desconforto com mudanças. O diferencial está no porquê desses comportamentos. Eles não são apenas hábitos, mas formas de autorregulação emocional e cognitiva, de tentar organizar um mundo que, do ponto de vista neurológico, pode parecer imprevisível e caótico. Você percebe que há algo reconfortante quando pode controlar o ambiente ou repetir certos padrões?

Outro desafio é que, muitas vezes, esses interesses restritos são confundidos com traços de personalidade — uma “pessoa muito estudiosa”, “meticulosa” ou “focada”. Só que, na mulher autista, há uma intensidade diferente: o interesse se torna um refúgio emocional, uma forma de encontrar sentido e estabilidade. Em algumas situações, ele também substitui interações sociais que geram ansiedade. Que lugar esses interesses ocupam na sua vida — um prazer, uma fuga, ou talvez um equilíbrio entre os dois?

Reconhecer os padrões restritos e repetitivos não como sintomas frios, mas como expressões do funcionamento autista, ajuda muito no diagnóstico. Eles oferecem pistas sobre como o cérebro busca previsibilidade, conforto e coerência em um mundo de estímulos excessivos. E quando são vistos com esse olhar, deixam de ser “estranhezas” e passam a ser estratégias legítimas de adaptação.

Esses temas merecem cuidado — se quiser, posso te ajudar a compreender melhor como esses padrões se manifestam em você e o que eles tentam te contar sobre a forma como o seu cérebro busca segurança.
O diagnóstico de autismo em mulheres enfrenta desafios porque muitos sinais se apresentam de forma mais sutil ou socialmente camuflada em comparação com homens. Mulheres autistas tendem a imitar comportamentos sociais, desenvolver estratégias de camuflagem e priorizar interações com significado emocional, o que pode mascarar dificuldades de comunicação e interação social. Além disso, sintomas típicos do autismo, como interesses intensos, podem se misturar a atividades consideradas “normais” para a idade e gênero, tornando o reconhecimento clínico mais difícil. Nesse contexto, a observação de padrões restritos e repetitivos de comportamento, como insistência na mesmice, rituais, hiperfoco em interesses específicos ou sensibilidade sensorial, pode fornecer pistas importantes. Esses padrões são mais consistentes com o perfil autista, mesmo quando a socialização parece relativamente adequada, e ajudam o profissional a identificar a presença do TEA em mulheres, diferenciando-o de estratégias de adaptação ou traços de personalidade.

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