Qual a função clínica da repetição do comportamento autoagressivo no Transtorno de Personalidade Bor

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Qual a função clínica da repetição do comportamento autoagressivo no Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?
A repetição do comportamento autoagressivo no Transtorno de Personalidade Borderline pode ser compreendida clinicamente como uma forma de regulação psíquica diante de estados emocionais intensos que não encontram representação simbólica ou continência interna suficiente. Esse padrão repetitivo tende a operar como tentativa de reduzir tensão afetiva intolerável, interromper estados de dissociação ou vazio e, em alguns casos, restabelecer um senso mínimo de controle ou existência subjetiva. Do ponto de vista psíquico, a repetição também pode indicar a atualização constante de experiências relacionais precoces marcadas por dor e invalidação, nas quais o sofrimento não foi elaborado, mas reinscrito em ato, mantendo o sujeito preso a uma lógica de compulsão à repetição como modo de tentar dominar algo que originalmente foi vivido como excessivo e não mentalizável.

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No Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), a repetição do comportamento autoagressivo não é apenas um “hábito”, mas cumpre funções clínicas importantes, ainda que desadaptativas. Em primeiro lugar, atua como uma forma de regulação emocional emergencial: diante de estados afetivos intoleráveis (raiva, vergonha, vazio, desespero), a autoagressão produz alívio momentâneo, interrompe a escalada emocional e, muitas vezes, reduz a dissociação. Em segundo lugar, pode funcionar como comunicação de sofrimento, especialmente em contextos em que a pessoa sente que não é compreendida ou validada. A autoagressão torna visível um sofrimento que, internamente, parece impossível de simbolizar em palavras. Em terceiro lugar, a repetição reforça circuitos de aprendizagem: quanto mais a pessoa experimenta alívio após o ato, mais esse comportamento se consolida como estratégia automática. Clinicamente, a repetição indica falhas persistentes em outras vias de regulação (interna e relacional) e aponta para a necessidade de desenvolver alternativas simbólicas, corporais e relacionais para lidar com o afeto.
Atenciosamente, Psicólogo Fernando Segundo
@psifernandosegundo
Fernandosegundo.com
Atendimento em psicoterapia e neuropsicologia
On-line e em Vitória-ES
Abraços
Muitas!! Talvez entender e elaborar porque é “menos difícil” colocar em seu próprio corpo aquele sentimento do que de fato sentir tudo isso e falar sobre esses sentimentos.

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