Recentemente realizei o exame psicotécnico do Detran e fui considerado “inapto temporário”, tendo qu

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Recentemente realizei o exame psicotécnico do Detran e fui considerado “inapto temporário”, tendo que realizar nova avaliação. Gostaria de entender, pela visão de profissionais da psicologia, se alguns procedimentos adotados estão dentro do padrão técnico/ético esperado.

Durante o exame, a psicóloga afirmou diversas vezes que minha pontuação esperada deveria ser maior por eu possuir ensino superior completo.

Em um dos testes de atenção, haviam 3 etapas semelhantes: na primeira havia 1 figura modelo, na segunda 2 e na terceira 3 figuras para localizar entre várias opções. A própria psicóloga reforçou várias vezes que não era necessário concluir toda a folha, apenas manter agilidade e atingir pelo menos metade dela com precisão.

Optei por priorizar precisão em vez de velocidade. Segundo ela, de aproximadamente 120 marcações possíveis eu fiz mais de 70, errando apenas 2 no total entre as folhas. Nos testes mais simples meu desempenho foi considerado bom, mas no mais difícil (3 figuras) fui informado de que ainda assim fiquei abaixo do esperado.
Em outro teste de memória, a psicóloga comentou que o baixo desempenho atual dos candidatos seria “culpa do celular”, relacionando isso ao meu resultado. Quando questionei minha pontuação, ela mostrou uma tabela específica para “superior completo” em que minha nota aparentemente ficava entre duas faixas, mas informou que nesses casos o resultado era considerado “para baixo”.

Exemplo aproximado:

* Minha pontuação: 15
* Abaixo da média: 0–12
* Na média: 18–30

Também pedi acesso às minhas respostas/correção para entender melhor o resultado, mas fui informado de que isso não poderia ser mostrado.

Minhas dúvidas são:

* Em avaliações psicotécnicas do Detran, a escolaridade realmente altera a pontuação esperada?
* Existe esse tipo de arredondamento “para baixo” em tabelas normativas?
* O candidato possui direito de acesso ao detalhamento da correção?
* Esse tipo de comentário/postura durante a avaliação é considerado adequado tecnicamente?
* Vale procurar um psicólogo particular/convênio para uma segunda avaliação ou parecer?
Do ponto de vista técnico, é legítimo que a escolaridade influencie a pontuação esperada nos testes, pois as tabelas normativas costumam ser estratificadas por esse critério. No entanto, a situação do arredondamento automático "para baixo" em pontuações limítrofes é questionável, o CFP orienta que nesses casos o psicólogo deve considerar o conjunto da avaliação e documentar os critérios utilizados, não aplicar uma regra mecânica. Quanto ao acesso à correção, negar qualquer forma de detalhamento ou fundamentação do resultado é eticamente inadequado: o avaliado tem direito a entender por que foi considerado inapto.
A postura da psicóloga durante a aplicação também é problemática. Reforçar expectativas de desempenho repetidamente e fazer comentários informais como "culpa do celular" compromete as condições neutras e padronizadas que a aplicação exige, podendo inclusive interferir no desempenho do candidato. A recomendação prática é buscar a reavaliação em uma clínica credenciada diferente, o que já é previsto pelo próprio resultado de "inapto temporário". Caso entenda que houve irregularidade, é possível registrar uma queixa no CRP da sua região.

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 Raquel Do Prado Xavier
Psicólogo, Psicanalista
Uberlândia
Ola. Não consigo responder a todas as suas perguntas, mas o grau de escolaridade conta sim. Porém, vc tem todo o direito de ter acesso as respostas e se quiser, tente entrar com um pedido de revisão dos resultados sob pena de leva-los ao Procon ou ao CRP de sua região. Acho valida sua indignação e se vc sente haver uma impostura da profissional , não se aquiete.
Entendo sua dúvida e é compreensível que esse resultado tenha gerado questionamentos e desconforto, principalmente quando há a percepção de que o desempenho foi melhor do que o esperado no momento da avaliação.

Na avaliação psicológica para o DETRAN, alguns testes realmente utilizam tabelas normativas que consideram fatores como faixa etária e escolaridade. Isso acontece porque os instrumentos são padronizados com base em grupos de comparação previamente estudados cientificamente. Portanto, em alguns testes, candidatos com ensino superior podem ter parâmetros diferentes de desempenho esperado.

Sobre a questão das pontuações “entre faixas”, os testes possuem critérios técnicos próprios definidos nos manuais e nas normas de correção. O psicólogo avaliador deve seguir esses parâmetros padronizados para chegar ao resultado final, não sendo uma decisão subjetiva pessoal.

Em relação ao acesso às respostas e à correção detalhada, o candidato pode solicitar um processo chamado entrevista devolutiva ou buscar esclarecimentos formais junto à clínica responsável. Porém, existem limitações éticas e técnicas quanto à exposição integral dos testes psicológicos, justamente para preservar o sigilo dos instrumentos utilizados profissionalmente.

Quanto aos comentários feitos durante a avaliação, o ideal é que o processo aconteça de forma técnica, cuidadosa e com o mínimo possível de interferências que possam gerar ansiedade, autocrítica ou sensação de julgamento no candidato. Ainda assim, sem acompanhar diretamente a situação, não seria ético concluir se houve ou não inadequação profissional.

Também pode ser válido buscar um psicólogo clínico para conversar sobre como você vivenciou essa experiência, especialmente se percebe que ficou muito impactado emocionalmente, inseguro ou excessivamente preocupado com desempenho, cobrança pessoal, atenção ou ansiedade em situações avaliativas. Muitas vezes, fatores emocionais influenciam bastante o funcionamento cognitivo no momento do teste.

Caso deseje, uma avaliação psicológica particular também pode ajudar você a compreender melhor seu perfil cognitivo, atencional e emocional de forma mais ampla não necessariamente para contestar o resultado do DETRAN, mas para ampliar o autoconhecimento e entender possíveis dificuldades ou estratégias de manejo.
Em avaliações psicológicas do Detran, alguns testes realmente podem considerar fatores como escolaridade, faixa etária e outros critérios normativos do próprio instrumento. Então é possível, sim, que exista uma expectativa de desempenho diferente dependendo da escolaridade.

Quando a pontuação fica abaixo da faixa considerada adequada no manual do teste, mesmo que próxima do limite, o resultado costuma seguir os critérios técnicos estabelecidos pelo instrumento.

Sobre o acesso às respostas, o candidato pode pedir esclarecimentos e uma devolutiva sobre o resultado, mas os testes psicológicos possuem restrições éticas quanto à exposição completa do material e da correção.

Já em relação aos comentários feitos durante a avaliação, o ideal é que a condução seja o mais técnica e neutra possível, evitando falas que possam gerar pressão, desconforto ou interferir emocionalmente no candidato.

E sim, procurar um psicólogo para conversar melhor sobre isso ou fazer uma avaliação particular pode ajudar bastante a entender se existe alguma dificuldade específica ou até o impacto da ansiedade no desempenho durante o exame.

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