Stilnox

2 respostas
Tomo Stilnox diariamente ha 2 anos , estou com zumbido, pode ser do stilnox e deixando de toma-lo este sintoma desaparece ?
Pesquisando na literatura a respeito de tinnitus (zumbido), encontrei apenas um artigo que o relaciona ao Stilnox* (zolpidem), mas no contexto de múltiplas correlações - ou seja, o zolpidem pode não ter sido, eventualmente, a causa, mas sim os outros fatores ou ele pode ter sido apenas uma causa acessória. Em livros sobre os principais efeitos colaterais de medicações psiquiátricas também não encontrei referência à associação de zolpidem com tinnitus. Entretanto, como o zolpidem é rapidamente eliminado do organismo, poderia conversar com seu médico e tentar parar de usá-lo por algum tempo e ver se o tinnitus melhora. O problema maior, em seu caso, é o uso prolongado (2 anos) do zolpidem, o que modernamente é desaconselhado. Apesar de ser uma medicação bastante segura, o uso prolongado pode estar associado a perdas de memória.

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Dra. Camila Cirino Pereira
Neurologista, Médico do sono, Psiquiatra
São Paulo
O Stilnox (zolpidem) é um hipnótico indicado para o tratamento da insônia de curta duração, mas seu uso contínuo por longos períodos — como no seu caso, há dois anos — pode estar associado a efeitos colaterais neurossensoriais, entre eles o zumbido (tinnitus). Embora o zumbido não seja um efeito adverso dos mais comuns, há descrições clínicas e relatos de pacientes que desenvolvem zumbido, vertigem leve, sensação de ouvido tampado ou hipersensibilidade a sons durante o uso prolongado do medicamento. Isso ocorre porque o zolpidem atua no sistema GABAérgico, o mesmo sistema que regula a inibição neural em áreas do tronco encefálico e do córtex auditivo. O uso contínuo pode alterar o equilíbrio entre os neurotransmissores GABA e glutamato, levando a uma hiperatividade nas vias auditivas centrais — um dos mecanismos neurofisiológicos associados ao surgimento do zumbido. Além disso, o uso crônico de hipnóticos pode causar tolerância, dependência física e efeito rebote: quando o organismo se acostuma ao fármaco, o sono fica mais dependente dele, e a interrupção súbita pode gerar ansiedade, insônia e sintomas auditivos transitórios. Portanto, é possível que o seu zumbido esteja relacionado ao uso crônico ou à retirada do Stilnox, mas também é importante investigar outras causas frequentes, como exposição a ruído, alterações na pressão arterial, disfunção da articulação temporomandibular, deficiência de vitamina B12, uso de cafeína em excesso, otites ou alterações na audição. O ideal é realizar uma avaliação conjunta com neurologista e otorrinolaringologista, incluindo audiometria, imitanciometria e, se necessário, ressonância de ouvido interno, para excluir causas estruturais. A retirada do Stilnox não deve ser feita de forma abrupta, pois pode causar insônia de rebote, agitação e intensificação do zumbido nos primeiros dias. A descontinuação deve ser gradual, com redução progressiva da dose e, se necessário, transição para estratégias não farmacológicas, como higiene do sono, terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) e uso de fitoterápicos ou moduladores leves do sono sob supervisão médica. Se o zumbido estiver de fato relacionado ao medicamento, ele tende a melhorar ou desaparecer completamente em algumas semanas após a suspensão gradual. Contudo, se persistir, pode indicar uma causa independente, que deve ser tratada especificamente. Reforço que esta resposta tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica individual. O acompanhamento com seu neurologista é essencial para confirmar o diagnóstico e garantir segurança no uso. Coloco-me à disposição para ajudar e orientar, com consultas presenciais e atendimento online em todo o Brasil, com foco em neurologia clínica, sono, zumbido neurossensorial e regulação neurofuncional, sempre com uma abordagem técnica, empática e humanizada. Dra. Camila Cirino Pereira - Neurologista | Especialista em TDAH | Especialista em Medicina do Sono | Especialista em Saúde Mental CRM CE 12028 | RQE Nº 11695 | RQE Nº 11728

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