Tenho dificuldade em diferenciar quando algo é um problema real que preciso resolver com uma ação e

7 respostas
Tenho dificuldade em diferenciar quando algo é um problema real que preciso resolver com uma ação e quando é só um problema mental que fico tentando resolver na minha cabeça.

Essa dúvida começou quando, durante uma seleção de pós, passei a me questionar muito sobre minha capacidade intelectual e tentei “resolver” isso pensando, como se o próprio ato de pensar eventualmente calasse o pensamento e a dúvida, mas isso só me manteve em um loop mental.

A partir dessa experiência, desenvolvi um medo de perder o controle sobre meus próprios pensamentos. Comecei a pensar e se eu tivesse x y pensamento?

Reconheço que confundo descontrole com entrar em ruminação ao tentar resolver algo que é puramente mental.

Mas sinto dificuldade de parar de ficar analisando pensamentos e sensações. Desconfio que isso se deve a um desejo de retorno, como se eu precisasse "voltar" a um momento anterior, antes de ter engatilhado aquele primeiro lool.

Minha dúvida é: como saber, na prática, quando devo agir de forma concreta e quando estou apenas preso em um ciclo de pensamento que não tem solução? E, nesses casos, como lidar melhor com isso?
 Michelle Novello
Psicólogo, Psicanalista
Rio de Janeiro
O que você descreve parece menos ligado ao conteúdo dos pensamentos e mais à necessidade de encontrar, por meio deles, uma certeza absoluta. Quando existe uma ação concreta possível, trata-se de algo da realidade. Mas, quando a questão gira em torno de “e se eu perder o controle?” ou “o que isso diz sobre mim?”, geralmente já estamos no campo da angústia e da ruminação.
Nesses casos, quanto mais se tenta eliminar a dúvida, mais ela retorna. Talvez o caminho não seja buscar uma resposta definitiva, mas aprender a sustentar alguma incerteza sem se deixar capturar inteiramente por ela.

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Para diferenciar ação concreta de ruminação: pergunte-se se há algo real que você pode fazer no mundo (agir) ou se é só um pensamento/hipótese interna (ruminação). Se for ação, faça; se for ruminação, observe o pensamento sem tentar resolver, mude o foco para o corpo ou ambiente e aceite a incerteza. O objetivo é agir quando possível e deixar passar quando não há solução prática.
Essa dificuldade é comum em quadros de ruminação ansiosa: a mente tenta resolver pela análise algo que não depende apenas de pensamento, mas de ação ou aceitação da incerteza. Um sinal prático é observar se o pensamento leva a uma decisão concreta ou apenas se repete sem produzir solução. Quando ele gira em “e se...” ou “preciso ter certeza antes de agir”, geralmente trata-se de um loop mental.
Nesses casos, estratégias como identificar pensamentos improdutivos, tolerar a dúvida sem responder mentalmente a ela e retomar ações alinhadas à realidade ajudam a interromper o ciclo. A psicoterapia pode auxiliar a diferenciar preocupação útil de ruminação e desenvolver manejo mais eficaz desses processos.
 Tadeu Manfroni
Psicólogo, Terapeuta complementar
São Paulo
Olá, eu acho que você ao formular a sua pergunta já associou alguma solução. Entendo a sua situação, ela é muito difícil de enfrentar, pois os pensamentos repetitivos e reentrantes dominam a sua mente e isso acaba desgastando muito suas energias mentais e físicas. O que pode piorar a qualidade do processamento das informações, a avaliação da realidade e a sensibilidade emocional. Olha o tamanho da sobrecarga psíquica que você, e outras pessoas na mesma situação, têm.
Uma regra muito usada pela TCC para avaliar a necessidade dos pensamentos é se eles resolvem o problema do mundo real. Se sim, normalmente, os pensamentos aparecem por causa de uma necessidade, usam a base histórica da memória, produzem uma ação e acabam com o problema. Os pensamentos reentrantes, por sua vez, não são provocados por uma necessidade real, surgem por causa de uma necessidade emocional da pessoa, são circulares, não trazem uma solução e voltam ao reinício.
Quando essa dúvida ocorrer, faça essa verificação. Espero tê-lo auxiliado um pouco sobre sua pergunta. Boa sorte!
O que você descreve é um padrão de ruminação mental ligado à ansiedade, em que a mente tenta resolver dúvidas internas (como capacidade ou controle) apenas pensando, o que mantém o ciclo ativo.
Como diferenciar na prática:
Problema real:
exige ação concreta
tem solução objetiva
termina quando você age
Ex: estudar, tomar decisão, executar algo
Problema mental (ruminação):
gira em torno de “e se”, “será que”
não leva a ação
quanto mais você pensa, pior fica
Regra simples:
Se não há ação prática possível, é ruminação.
Como lidar:
nomeie: “isso é ruminação”
não tente resolver o pensamento
volte para o corpo ou para uma ação concreta
aceite a dúvida sem buscar certeza
O problema não é o pensamento, mas a tentativa de controlá-lo.
A psicoterapia ajuda a interromper esse padrão, reduzir ansiedade e desenvolver uma relação mais saudável com os próprios pensamentos. Isadora Klamt Psicóloga CRP 07/19323
Essa dúvida é mais comum do que parece, e faz muito sentido que isso gere angústia. Quando entramos em um ciclo de pensamentos repetitivos, a sensação é justamente de que precisamos “resolver” aquilo pensando mais — mas, muitas vezes, isso só alimenta o loop.

Uma forma prática de diferenciar é observar: esse problema exige uma ação concreta no mundo real agora? Se existe algo objetivo que pode ser feito (uma conversa, uma decisão, uma tarefa), faz sentido agir. Mas quando você percebe que já pensou várias vezes sobre a mesma coisa, sem chegar a uma solução nova, é um sinal de que pode estar na ruminação.

Nesses momentos, em vez de tentar resolver pelo pensamento, o mais útil costuma ser mudar de estratégia: direcionar a atenção para algo concreto, voltar para o corpo, para o ambiente ao redor ou para uma atividade prática. Isso ajuda a “sair da cabeça” e interromper o ciclo.

Também é importante lembrar que pensar não resolve tudo — e que nem todo pensamento precisa ser levado até o fim. Aprender a deixar alguns pensamentos passarem, sem engajar com eles, é uma habilidade que se desenvolve com o tempo.

Se isso tem sido frequente ou intenso, a psicoterapia pode ajudar bastante a entender a origem desses padrões e construir formas mais saudáveis de lidar com eles, com mais leveza e menos sofrimento.
Olá, tudo bem? Muito interessante sua auto análise. O modelo psicoterapêutico com que trabalhom (terapia de aceitação e compromisso) também disserta sobre como o adoecimento mental se desenvolve a partir de quando tentamos resolver com a cabeça algo que deve ser experienciado. Quanto a como lidar como saber/lidar com quando nos prendemos em pensamentos, há várias possibilidades. Uma delas é aprender quais são os ciclo de pensamentos em que você costuma se entender, para facilitar identificá-los. Também é preciso entender o que no presente te faz fugir para dentro da sua cabeça. A partir dai, uma questão chave é aprender a aceitar esses pensamentos, pois lutar contra eles sempre os fortalece. Uma vez aceitos, você consegue voltar a viver no presente, mas agora mais focado no que você realmente valoriza. É difícil resumir a pratica toda, pois é uma teoria psicológica inteira, que é um tanto extensa. Se você tiver se interessado nessa proposta, pode ser interessante iniciar um processo psicoterapêutico com um psicólogo ACT.

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