O tratamento dos transtornos alimentares é um recurso essencial que vai muito além da simples reeducação alimentar. Ele alcança camadas profundas da subjetividade. Condições como anorexia, bulimia e compulsão alimentar não se limitam ao campo da nutrição ou do comportamento: são manifestações de um sofrimento psíquico, frequentemente relacionado à dificuldade de lidar com o desejo, o controle, a imagem corporal e as exigências externas, sejam elas familiares, sociais ou culturais.
Por isso, o tratamento não deve se restringir à busca pelo equilíbrio físico, mas sim oferecer espaço para a escuta e a elaboração do sofrimento subjetivo, reconhecendo a singularidade de cada história. A abordagem multidisciplinar, que pode envolver acompanhamento nutricional, sessões de análise ou terapia e suporte médico, tem como objetivo restaurar uma relação mais saudável com o corpo e com a alimentação, promovendo uma recuperação integral. A importância desse processo está tanto na prevenção de complicações graves quanto na melhoria efetiva da qualidade de vida de quem é afetado.