Perguntas do paciente (11)
-
O que fazer com o tempo livre durante a desintoxicação digital?
O que fazer com o tempo livre durante a desintoxicação digital?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Segundo a psicanálise a desintoxicação digital não é apenas um "vazio" que necessariamente precisa ser preenchido com tarefas- esse tempo pode ser um espaço fértil para reencontrar-se consigo mesmo e com desejos que estavam silenciados pelo excesso de estímulos.
A hiperconexão muitas vezes funciona como um mecanismo para evitar o contato com angústias, inquietações ou pensamentos incômodos. Ao se afastar das telas, esses conteúdos podem emergir. É nesse momento que o tempo livre pode ser usado para:
Sustentar o silêncio e a introspecção – Permitir-se momentos sem fazer nada, para escutar o próprio pensamento e perceber o que surge.
Aproximar-se da vida concreta – Retomar experiências sensoriais, como caminhar, cozinhar, escrever à mão, observar o ambiente.
Reconectar-se com o desejo – Investigar o que realmente dá prazer ou sentido, sem a mediação do algoritmo ou da aprovação instantânea.
Elaborar afetos – Usar esse espaço para refletir sobre emoções que estavam abafadas pela rotina de consumo digital.
Fortalecer vínculos reais – Conversas presenciais ou atividades compartilhadas podem devolver a dimensão viva do encontro humano.
Tempo livre não é perda de produtividade, mas um convite para se apropriar da própria história, escutar o inconsciente e permitir que novos sentidos se construam.
-
Bom dia. Hoje sou um homem hétero acima dos 45 anos de idade, fui casado por quase 20 anos. Vamo
Bom dia.
Hoje sou um homem hétero acima dos 45 anos de idade, fui casado por quase 20 anos.
Vamos lá, tudo se iniciou acredito por volta dos 20 anos com uma ex namorada onde tínhamos várias fantasias e ela pedia para suar algumas lingeries e não via nenhum problema com isso e acabou virando um hábito no dia a dia, mas sem necessariamente o cunho sexual. Esse relacionamento não foi pra frente por outros motivos.
Casei e durante e durante esse meu casamento apenas abri com minha ex que gostava de calcinhas a princípio, mas como já fui meio que recriminado eu não abri o outro fetiche que também era por camisolas, levei meu relacionamento até onde foi possível, mas sentia isso preso dentro de mim, por outros motivos não relacionados a esse trouxe o fim ao relacionamento.
Atualmente conheço uma pessoa que tenho a maior e melhor conexão e que de fato eu amo como nunca amei, porém nosso relacionamento ainda é a distância e em breve estaremos juntos. Recentemente me abri com ela de cara limpa meus fetiches e expliquei que não tinha conotação sexual, ela é uma pessoa cabeça super aberta e entendeu a minha condição, mas ela também tinha outra expectativa sobre nós, convenhamos que não é um “padrão” e por muitas vezes difícil compreensão e aceitação.
Ela diz entender e até aceitar, mas tenho medo que isso estrague nosso relacionamento, que seja um problema, sei que não existe uma convenção para um pedaço de pano.
Gostaria de nortear meus caminhos e se for possível até desvincular desse “fetiche”, infelizmente não é uma chave que desarmamos no cérebro. Queria tentar entender o melhor caminho a seguir.
Meu principal objetivo é estar com ela e fazê-la feliz, pois ela me faz a sentir a pessoa mais especial do mundo.
Obrigado pela atenção.RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Compreendo que seu relato é profundo e sincero, demonstrando equilíbrio entre sua autenticidade e relacionamento. A psicanálise pode oferecer algumas interpretações sobre sua situação, sem julgamentos entendendo melhor a origem e significado desse fetiche.
Na visão psicanalítica, fetiches podem ser entendidos como formação do inconsciente, podendo ter raízes da infância ou da adolescência, associadas a simbolismos ou questões emocionais vividas. Para Sigmund Freud (fundador da psicanálise) o fetichismo é descrito como um mecanismo psíquico ligado à sexualidade. Porém, para autores mais atuais, como Lacan e Winnicott, pode ser considerado questões relacionados a sua identidade, um conforto psíquico e expressão pessoal.
No seu caso, o uso de lingeries e camisolas não parece ser puramente sexual, mas algo que se tornou parte da sua expressão e identidade. Pode estar ligado a experiências de prazer, conforto ou até mesmo segurança emocional ao longo da vida. E isso não significa que há algo de errado com você, apenas que esse comportamento tem um significado interno que talvez ainda precise ser mais compreendido.
Na sua relação, você já demonstrou coragem em compartilhar isso com sua parceira, o fato dela ser uma pessoa aberta é um ponto de partida. Porém, como qualquer outra relação, ela pode levar um tempo para processar essa informação. Mesmo que ela diga que aceite isso, não significa que será automático, o que vai gerar insegurança e dúvidas por parte de ambos. O que importa é que continuem falando sobre o assunto de forma aberta sem cobranças.
Na psicanálise, não é possível se desvincular de um fetiche como se fosse um botão de acionar para se eliminar um desejo ou hábito. Mas, é possível ressignificar a relação que você tem com ele. Se esse fetiche se tornou algo que lhe angústia, talvez seja importante explorar as raízes em terapia, entendendo se existe algo emocional por traz dele. O seu medo de que isso estrague o relacionamento é compreensível, mas o que mais influencia a relação não é o fetiche em si, e sim como ele é vivido e comunicado entre vocês. O receio pode estar mais ligado ao medo da rejeição do que ao fetiche em si.
O que você pode fazer agora:
Manter o diálogo: continue se expressando com sua parceira sobre o assunto, sem pressa e sem cobrança de resposta. Dê tempo à ambos refletirem sobre seus sentimentos em relação a tudo que estão vivendo;
Reflita sobre seu desejo: pense sem culpa no que sente de fato. Uma pergunta que pode lhe ajudar: “O que isso representa para você além do hábito ou prazer?”;
Busque um profissional: quando se trata de fetiche, o ideal é procurar um Psicólogo Psicanalista, para explorar profundamente suas emoções, suas causas e lhe ajudar encontrar um caminho que faça sentido para você;
Evite se autossabotar: as vezes o medo de perder alguém pode nos levar a querer esconder e negar parte do que somos. Se a relação de vocês é baseada em uma conexão verdadeira, sua autenticidade não será o que vai afasta-los
Como você já demonstrou um nível de maturidade e coragem muito grande. Agora, talvez seja a hora de continuar nessa caminhada de autoconhecimento com mais clareza e liberdade.
Espero ter lhe ajudado!
-
Frequentemente me pego refletindo sobre a minha vida, fazendo questionamentos, comparações, imaginan
Frequentemente me pego refletindo sobre a minha vida, fazendo questionamentos, comparações, imaginando situações e principalmente me cobrando por diversas coisas. Tenho ciência de que estou indo bem em alguns aspectos da minha vida, mas ainda assim por vezes me sinto um fracasso, como se as minhas conquistas não tivessem tanto valor e como se eu estivesse atrasado em relação as outras pessoas e ao "padrão" do mundo.
Sei que eu deveria buscar alguma ajuda psicológica, mas gostaria de entender que tipo de profissional, área ou tratamento eu deveria buscar?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
É natural querermos evoluir e sermos melhores a cada dia. No entanto, é importante reconhecer que não seremos bons o tempo todo em tudo na vida, e isso faz parte da experiência humana. A autocobrança excessiva pode gerar sentimentos de fracasso e a sensação de não sermos bons o suficiente, muitas vezes mais por nossa própria percepção do que pela visão da sociedade.
Buscar a ajuda de um psicólogo pode ser fundamental para compreender a origem desses sentimentos, que podem estar ligados às nossas vivências na infância, ao desamparo ou à forma como fomos criados. Com esse processo, é possível desenvolver uma relação mais saudável consigo mesmo, equilibrando o desejo de crescimento com a autocompaixão.
-
Tenho crises de ansiedade e muito ruim palpitação no coração dores no peito e muito complicado lida
Tenho crises de ansiedade e muito ruim palpitação no coração dores no peito e muito complicado lida com a situação tive muitas perda a na família e esse quadro de ansiedade foi só agravando o que. Faco pra sai dessa rotina de transtorno?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Sentir o corpo reagir com palpitações, dores no peito e angústia diante de perdas profundas é algo que merece escuta, cuidado e acolhimento.
A ansiedade é compreendida através da perspectiva da psicanálise, como uma manifestação do inconsciente: um sinal de que algo não está bem, algo está em conflito internamente — desejos, perdas, culpas ou vivências que não puderam ser simbolizadas, ou seja, elaboradas psiquicamente.
O exemplo do Luto, é um processo emocional intenso, e quando não encontra espaço de elaboração, pode se transformar em sintomas físicos ou emocionais. As crises de ansiedade muitas vezes surgem como uma forma do psiquismo tentar dar conta de algo que não pôde ser nomeado ou sentido com clareza.
Procurar um(a) psicólogo(a) é o primeiro passo para sair dessa rotina de sofrimento.
A psicoterapia oferece um espaço de fala e escuta que possibilita você elaborar o que está escondido por trás dos sintomas — tudo aquilo que ainda não pôde ser dito, mas que o seu corpo insiste em te mostrar.
Ao longo do processo de psicoterapia, é possível construir sentido para a dor, resgatar o próprio desejo e fortalecer a autonomia emocional. A cura, nesse sentido, não é apagar os sintomas de imediato, mas compreendê-los como mensageiros psíquicos de algo mais profundo.
Você não está sozinha(o).
Existe um caminho possível entre a dor e o recomeço — e ele começa com a escuta de si.
A psicoterapia é um espaço onde você pode reencontrar sentido, elaborar o que dói e reconstruir-se com presença e verdade. Sendo assim sugiro a busca de um profissional Psicóloga (a), para te ajudar a lidar melhor com tudo isso.
-
Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa me
Por que eu tenho ansiedade se eu não tenho motivos pra estar ansiosa? Isso é um defeito da pessoa mesmo? Pelo o que ela pode ser causada?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, a ansiedade não é um defeito da pessoa. Ela é um sinal de que algo interno está em conflito, mesmo que isso não esteja claro na cabeça das pessoas. Muitas vezes, esse "algo" está escondido no inconsciente — são sentimentos, lembranças ou desejos que a mente empurrou pra longe porque pareciam ser difíceis demais de lidar.
Em vez de procurar um motivo óbvio ou racional pra ansiedade, a psicanálise convida a olhar mais fundo: entender que o que incomoda pode estar fora do nosso alcance consciente, .mas ainda assim incide sobre nossa vida psíquica. A ansiedade aparece justamente quando essas partes internas não conseguem outra forma de se expressar.
O Corpo Fala- a ansiedade é a forma que ele nos comunica que tem algo que precisa ser cuidado.
A terapia irá lhe ajudar a entender, nas entrelinhas, aquilo que sua mente tentou calar, mas que ainda insiste em se manifestar.
-
Seria proveitoso para uma pessoa de 75 anos de idade iniciar psicoterapia?
Seria proveitoso para uma pessoa de 75 anos de idade iniciar psicoterapia?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
A saúde emocional não tem prazo de validade. Então sim, iniciar a psicoterapia aos 75 anos pode ser extremamente benéfico. Cada fase da vida, enfrentamos desafios e transições que merecem ser acolhidos com cuidado e escuta qualificada. Na terceira idade, é comum surgirem questões relacionadas a perdas, mudanças de papel social, aposentadoria, solidão ou mesmo ressignificação da própria história. A psicoterapia oferece um espaço seguro para refletir sobre tudo isso, fortalecer recursos internos, resgatar sentidos e promover bem-estar. Nunca é tarde para cuidar de si mesma e encontrar novas formas de viver com mais leveza e autenticidade.
-
Qual tipo de psicologo devo procurar para tratar timidez , insegurança.?
Qual tipo de psicologo devo procurar para tratar timidez , insegurança.?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, para trabalhar a timidez, a insegurança ou o medo de se expor, não é sobre encontrar “o tipo certo de psicólogo” — e sim alguém com quem você se identifique, com quem se sinta escutado(a) de verdade.
Mais do que a abordagem, o que realmente importa é o vínculo — a identificação com um(a) profissional com quem você se sinta bem, à vontade para ser quem é.
É esse espaço seguro que sustenta o processo. Cada pessoa encontra esse lugar de escuta de forma única — e é justamente aí que a mudança começa a fazer sentido.
-
Eu fui diagnóstica com depressão a cerca de 8 meses após a morte(suícidio) do meu melhor amigo e ant
Eu fui diagnóstica com depressão a cerca de 8 meses após a morte(suícidio) do meu melhor amigo e antes já me sentia deprimida e cheguei a tomar escitalopram há 2 meses atrás. Vou começar a terapia agora,po´rem não sei como me expressar e tenho receio,o que faço?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, obrigada por compartilhar sua vivência com tanta coragem.
É absolutamente compreensível que você se sinta insegura nesse momento. Iniciar um processo terapêutico, especialmente após experiências tão dolorosas, pode despertar receios — inclusive sobre como se expressar.
Em primeiro lugar, é fundamental buscar um(a) psicólogo(a) com quem você sinta identificação e confiança. Estabelecer esse vínculo terapêutico é parte essencial do cuidado psicológico. Sempre que possível, escolha um horário em que possa estar tranquila, em um ambiente que favoreça sua segurança e acolhimento emocional.
No setting terapêutico, não há certo ou errado a dizer. A terapia é um espaço protegido por sigilo e fundamentado na ética, onde sua história será escutada com respeito, sem julgamentos. Mesmo que, no início, as palavras pareçam difíceis de encontrar, isso faz parte do processo. Muitas vezes, o próprio silêncio também comunica algo importante — e será acolhido com escuta clínica.
Com o tempo, você poderá perceber que a fala surge naturalmente, conduzida pelo vínculo com o profissional e pelo movimento interno que a psicoterapia favorece. O essencial é estar presente e se permitir viver esse processo com cuidado e tempo.
Você não precisa saber exatamente o que dizer — só precisa estar disposta a se escutar.
-
Boa tarde! Tenho sofrido de uma ansiedade severa. Porém, não sei se é sobre só ansiedade ou estresse
Boa tarde! Tenho sofrido de uma ansiedade severa. Porém, não sei se é sobre só ansiedade ou estresse. Como faço para fazer uma avaliação?
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Olá, o mais adequado é você procurar um Psicólogo e fazer um acompanhamento Psicológico para que um especialista na área consiga identificar as causas de sua ansiedade.
-
Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralin
Tive uma crise de ansiedade em novembro e procurei um psiquiatra que desde então me passou Sertralina pela manha e Rivotril à noite. Me dei bem logo de início, sem efeitos colaterais. Mas, em dezembro a minha mãe tentou suicídio e eu consegui evitar. Lidei bem com a situação até duas semanas atrás. De duas semanas para cá, não tenho ânimo para fazer nada, estou muito para baixo e confusa. Voltei ao Psiquiatra e ele me indicou fazer terapia...confesso que não tenho vontade alguma. Não tive experiências boas com terapeutas passados...então, não sei o que fazer, porque a medicação não está me ajudando mais...
RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
Compreendo que você esteja atravessando um momento emocionalmente desafiador. Em situações assim, a psicoterapia — eventualmente associada a estratégias de mediação — pode ser uma ferramenta eficaz para o manejo das dificuldades e promoção de bem-estar. É importante considerar que experiências anteriores insatisfatórias com o processo terapêutico podem estar relacionadas à qualidade da transferência estabelecida com o profissional. A transferência é um fenômeno natural e essencial no setting terapêutico, mas ela não se estabelece de forma imediata; requer tempo, vínculo e confiança. Por isso, recomendo buscar profissionais com formações sérias, investigar qual abordagem teórica utilizam, e perceber com qual você se sente mais à vontade desde o início. Esse processo de identificação e construção do vínculo terapêutico é fundamental para que o tratamento seja efetivo e significativo ao longo do tempo.
-
Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que e
Eu sempre tento ajudar todo mundo, então estou escutando uma menina da minha escola, mais nova que eu, que é diagnosticada com depressão
Tudo isso de escutar todo mundo está me deixando para baixo e eu acabo me sentindo confusa e choro muito ou me sentindo triste quase o tempo todo
O que eu faço? Devo parar de ajudá-la?RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :
O ato de ajudar o outro não é, por si só, um problema. No entanto, quando esse comportamento gera sentimentos de confusão ou tristeza, é importante considerar que isso pode estar relacionado a conteúdos internos não elaborados. Ao se colocar na posição de escuta — especialmente sem o devido preparo técnico — corre-se o risco de confundir os próprios afetos com os do outro, o que pode ativar questões pessoais latentes. Essa sobreposição entre o eu e o outro é um fenômeno comum quando não há um espaço terapêutico seguro para elaborar essas vivências. Por isso, recomendo o acompanhamento psicológico como forma de compreender a origem desses sentimentos e promover maior clareza emocional e autoconhecimento.
Perguntas frequentes
-
roacutan pode ser tomado juntamente com o litio, usado para tratamento da bipolaridade?
A associação entre isotretinoína (Roacutan) e lítio não deve ser feita sem…