Perguntas do paciente (18)

  • Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    Como eu sei que estou rejeitando o bebê na barriga? Ou somente não aceitei a ideia de ter um bebê ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Estar grávida e não sentir conexão com o bebê nesse período - e até mesmo após o nascimento, apesar de ser tabu, é extremamente comum. É um corpo novo, um ser novo se desenvolvendo e também, uma nova pessoa que está gerando. É se deparar com a quebra de expectativa frente a gravidez, observar seu corpo mudar, sua rotina, as pessoas a sua volta - muitas vezes a mulher deixa de existir e existe apenas a mãe gerando uma criança. A ideia de ter um filho é mais complexa do que engravidar, é o luto de uma vida que muda para sempre. Um corpo que muda para sempre. É completamente normal que você não se conecte afinal, você não conhece quem está gerando. Relações reais são construídas no dia a dia, na convivência. Maternidade é uma relação como qualquer outra, precisa de tempo e espera.


  • Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia

    Perdi minha cachorra em janeiro e ainda não consigo aceitar,me conformar. Fico pensando que poderia ter feito mais,cuidado mais e em como poderia ter evitado que ela partisse. Imaginava ela velhinha ao meu lado e ela se foi aos 9 anos. Até mesmo ver as pessoas com seus cachorrinhos na rua,nas redes sociais,tem me causado dor. Sempre penso que era pra eu ainda estar também com a minha.💔

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Primeiramente, sinto muito pela sua perda. Como se conformar em perder uma companheira que esteve ao seu lado por 9 anos? O luto é um trabalho árduo e por vezes, parece nunca ter fim. Acolha seus sentimentos, entenda suas limitações em consumir conteúdos relacionados a bichos nesse momento. O sentimento do que poderia ter sido é um tanto cruel com você, já que, possivelmente, tudo o que você conseguiu fazer, foi feito. Sinta saudade, chore, não tente segurar ou minimizar o que está sentindo. Em processos de luto é interessante se ouvir pessoas que também passaram por isso para diminuir a sensação de solidão frente a esse sentimento. Um abraço carinhoso.


  • Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    Como superar a dor de um término de relacionamento? Isso pode ser considerado um luto?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    É um luto com toda certeza. Freud dizia que luto não é necessariamente a morte literal de algo, mas também a morte simbólica, e esse relacionamento morreu, portanto, é natural que se passe por um processo de luto após términos, demissões, afastamentos, trocas de fases, até mesmo de nascimentos - quando há mudança, pode haver luto. Superar o término de uma relação envolve encará-la de frente: o que deu certo, o que não deu, o que poderia ter sido, o que foi, o que você desejou dela e não teve, o que teve. Primeiro se desinveste no mundo para que se viva o luto para que, com o tempo, ao elaborar esse luto, possa ser possível reinvestir na vida. Um abraço.


  • Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    Como posso lidar com a tristeza de ter perdido meus objetos de infância sem autorização?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Acredito que se permitir sentir a tristeza, a raiva, o ódio, a invasão. É uma quebra material da sua história e isso com certeza deve ser encarado com a dignidade que merece. Com o tempo, com a elaboração dessa perda, é possível que se compreenda a dimensão que esses objetos tinham e o que fica deles, mesmo que não materialmente.


  • Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, cons

    Tenho pavor de interagir com as pessoas. Na infância, eu era bastante tímida, mas, mesmo assim, conseguia conversar, interagir e brincar com as outras crianças. No entanto, na adolescência, essa timidez evoluiu para um medo enorme de interações sociais, e a situação só piorou. Sempre que alguém fala comigo, fico super nervosa, meu coração acelera e sinto vontade de chorar. Acabo gaguejando e não consigo manter contato visual com ninguém porque, ao olhar nos olhos das pessoas, fico nervosa. Quando interajo com os outros por muito tempo, meu medo só aumenta e, após essas interações, me sinto tão mal que choro descontroladamente, me sentindo um lixo. Só de imaginar que preciso me expor ao público, já começo a ter um ataque de ansiedade. Não consigo nem mesmo dar um bom dia a alguém. Para falar qualquer coisa, preciso fazer um esforço enorme. Isso atrapalha muito a minha vida, principalmente na vida profissional. No meu último emprego, infelizmente precisei lidar com o público e foi horrível. Eu tinha que me esforçar muito para não surtar na frente de todo mundo e, quando o expediente acabava, chorava muito, tremia... saía de lá exausta emocionalmente. Queria procurar ajuda, mas tenho medo de que não levem a sério o que sinto e que eu acabe só perdendo tempo e a minha pouca dignidade. Eu sei que não sou a pessoa mais legal e carismática do mundo, mas só queria ser minimamente normal e não ter um ataque toda vez que preciso falar com alguém. Não aguento mais isso. Queria nunca mais ter que falar com ninguém na vida. Queria saber como faço pra me livrar disso, a o especialista de qual área eu preciso recorrer...

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Sinto muito por isso. Acredito que uma psicoterapia possa ser interessante para que se trabalhe de forma mais aprofundada sobre essa timidez, o grande medo das interações sociais, os sintomas físicos que isso lhe causa. Considerando o mercado de trabalho, entendo como falar em público possa soar como um pesadelo para quem já tem dificuldades. Algumas questões podem ser interessantes de serem levantadas: seu espaço analítico, de fala com um profissional, não deve ser espaço onde você tem medo de julgamentos, pois ali é seu lugar de se abrir e se expressar como lhe for possível. Seria interessante refletir sobre ser visto (a). Quando falamos e socializamos, aparecemos para o mundo. Por que é tão difícil ser visto (a)? Por que é tão difícil se perceber existindo para o outro, ao passo que fala, que se diz? Espero que encontre um espaço para que você aborde suas questões. Um abraço!


  • Boa tarde. Para terapia hormonal com pessoas trans maiores de idade é necessário laudo psicológico a

    Boa tarde. Para terapia hormonal com pessoas trans maiores de idade é necessário laudo psicológico assinado? Existe tempo mínimo de acompanhamento psicológico?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Não é necessário laudo psicológico para que pessoas trans maiores de idade iniciem o tratamento hormonal. É necessário apenas o consentimento livre e esclarecido do paciente, portanto, também não existe tempo mínimo de acompanhamento psicológico para tal. Apesar disso, no SUS, o cuidado com pessoas trans é interdisciplinar, ou seja, o tratamento psicológico pode ser indicado ao paciente e aconteceria em parceria dos profissionais já inseridos no cuidado a esse paciente.


  • Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando

    Tenho dificuldade em entender quando eu cismo de estar certo,me defendendo em opiniões, sempre dando razão pra mim,acho que já perdi até empregos por não mudar minha opinião em tudo,sinto que isso está me atrapalhando, como posso melhorar isso?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Saber e verbalizar essa posição mais rígida e inflexível frente ao outro já é bem importante. Estar certo parece estar te custando caro, mas o quanto custaria se localizar na posição de errado? E porquê ela parece tão insuportável?


  • É possível superar a crise de identidade e viver bem com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB

    É possível superar a crise de identidade e viver bem com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Quando falamos de crise de identidade neste transtorno, não é um "não sei o que quero da vida", mas um não saber quem se é de forma intensa e profunda. De um dia pro outro tudo muda, se sente muito diferente, gostos, opiniões, estilos, sentimentos. A sensação de vazio pode aparecer como se nada ali dentro fosse estável, como se não existisse ninguém ali. Vivemos em uma sociedade que pede reinvenção o tempo todo, o que para alguns incomoda, para outros pode ser insustentável. O tratamento psicanalítico visa ancorar o paciente em sua própria fala, deixando o outro e a aprovação dele apenas como mais uma perna que sustenta essa pessoa, não a única. Para que assim, se perder no outro se torne cada vez mais incomum.


  • Familiares podem ajudar alguém com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) durante um episódio

    Familiares podem ajudar alguém com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) durante um episódio de visão de túnel?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Acredito que sim, mas que há limitações para aquilo que está chamando de ajuda. Geralmente nos momentos de crise, há um pedido de ajuda, de salvação. Nisso, quando colocados nesse lugar, parece que a responsabilidade sob aquela pessoa é única e exclusivamente sua, sendo que isso é impossível, até mesmo para menores de idade. Nenhuma pessoa é capaz de nos dar toda a salvação, toda a ajuda. Quando colocados nesse lugar e não conseguem atingir aquilo que foi suposto que o paciente queria, vem a culpa, remorso. Não há possibilidade de tamponar o sofrimento do outro. Estar presente é extremamente importante, mas não é possível vivenciar o sofrimento do outro, senão seria mais um adoecido. É estar presente no sofrimento, mas não vivê-lo com a pessoa, entendendo também como isso o atinge como familiar, entendendo essa limitação.


  • A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) percebe que está em "visão de túnel" quand

    A pessoa com Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) percebe que está em "visão de túnel" quando isso acontece?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Se o paciente já estiver em tratamento, consciente de si e implicado no seu tratamento, no que lhe causa esse fenômeno, as chances dele se perceber imerso nessa onda de sentimentos é maior, porém não há garantias. Estar em tratamento, falando sobre o seu diagnóstico, sobre aquilo que invade, que cega, que cala pode facilitar essa percepção mas não necessariamente impede que aconteça.


  • O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) Supersticioso é um transtorno sério?

    O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) Supersticioso é um transtorno sério?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Acho que vale uma nova pergunta: o que é sério, e sério para quem? O TOC é um diagnóstico que traz dificuldades ao indivíduo por gerar angústia, culpa, responsabilidade. O mesmo ocorre no TOC supersticioso, pois o sujeito entende que o pensamento é tomado ao pé da letra, como se algo externo ocorresse por consequência dele ter pensado. É uma ligação direta entre ideia e ato, tornando-o refém de rituais é repetições, de si mesmo. Acredito que será sério se o paciente entende aquilo como prejudicial a sua vida.


  • Quais são as habilidades especiais das pessoas com autismo?

    Quais são as habilidades especiais das pessoas com autismo?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Pessoas dentro do Espectro Autista não tem habilidades especiais. Isso ocorre em casos extremamente específicos e não são maioria. O comum talvez seja ter interesses mais intensos e focados, mas isso não diz de habilidades especiais.


  • Como diferenciar se um comportamento repetitivo é hiperfoco ou compulsão ?

    Como diferenciar se um comportamento repetitivo é hiperfoco ou compulsão ?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Geralmente o que comumente é chamado de hiperfoco é a dedicação/interesse sobre um determinado assunto, pessoa, coisa. A compulsão geralmente vem acompanhada de sentimentos como culpa, descontrole, impulso, trazendo algo desvantajoso para o paciente.


  • Uma pessoa que passa muitas horas estudando o mesmo assunto... tem hiperfoco?

    Uma pessoa que passa muitas horas estudando o mesmo assunto... tem hiperfoco?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Não necessariamente. As vezes é apenas curiosidade, interesse, afeição, preferência. Não há necessidade de patologizar predileções.


  • O que fazer se os sintomas de hiperfoco ou obsessão forem prejudiciais?

    O que fazer se os sintomas de hiperfoco ou obsessão forem prejudiciais?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Caso se observe esses comportamentos como sintomas prejudiciais à vida, se faz necessário cogitar um acompanhamento psicológico para que sejam pautados e a partir disso, elaborar em conjunto o que será possível fazer com eles, a partir deles ou apesar deles.


  • O que fazer se uma criança ou adolescente com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) estiver sofrendo

    O que fazer se uma criança ou adolescente com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) estiver sofrendo bullying?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    É importante que se mantenha um diálogo aberto com a criança/adolescente de maneira que este se sinta confortável em se abrir com alguém. O acolhimento é o fator principal, não tendo julgamentos sobre como se é, mas com foco no fortalecimento dessa autoestima. Bullying é violência, então um acompanhamento profissional tanto na escola através de coordenadores pedagógicos, professores e direção é essencial, assim como um acompanhamento psicológico extra-escolar. O bullying é uma questão social e coletiva, não individual, portanto, deve ser pautado coletivamente.


  • Tenho uma filha de 12 anos... Sou separada... Tenho difícil relacionamento com ela... E arredia....

    Tenho uma filha de 12 anos... Sou separada... Tenho difícil relacionamento com ela... E arredia....
    O que devo fazer?
    Quem e o melhor para cuidar deste tipo de caso...
    Estou precisando muito de ajuda.
    Obrigada

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    É muito comum que após a separação sintam que o vínculo com os filhos se alterou de alguma forma. Entendo sua preocupação de ser algo vinculado á você, como mãe. Porém, não podemos ignorar que sua filha está provavelmente na pré adolescência, e adolescentes, de certa forma é também se separar dos pais. Não é se separar da relação, mas daquela relação antes conhecida. Se possível, caso deseje, encontre um lugar onde você pode ter escuta especializada, pois para além do que "o que fazer?" em relação á sua filha, é sobre "o que fazer?" sobre esse sentimento que está por aí.


  • Meu marido se isola principalmente quando algo não sai como ele quer .Ele só se responsabiliza pelo

    Meu marido se isola principalmente quando algo não sai como ele quer .Ele só se responsabiliza pelo trabalho a parte financeira a casa e os filhos fica por minha conta e brigo se algo da errado quanto a mim ele não se importa nem um pouco. Que aconselham?

    RESPOSTA DO ESPECIALISTA DA SAÚDE :

     Alice Reis Moura Pinto

    Lendo sua queixa, pude perceber que talvez você se sinta não correspondida, não ouvida. Entendo que esteja ocupando um lugar de muitas responsabilidades (filhos, financeiro e até mesmo o laço que mantém essa relação). Talvez iniciar um tratamento psicológico onde você possa dizer tudo isso e mais, se escutar dizendo, ouvindo o que e como é estar nessa posição que lhe causa sofrimento. Sobre a perda desse olhar que sentia que era seu, que lhe era importante.


Perguntas frequentes

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